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segunda-feira, 5 de maio de 2025
2 de maio de 1945: a queda da Berlim nazista
Há 80 anos, soviéticos derrotavam os nazistas na batalha pela capital alemã. Episódios de violência e estupro contra civis marcaram a vitória final, que abriu caminho para o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa.
Em meio aos escombros de uma
metrópole devastada pela guerra, a população de Berlim tinha uma ideia de onde
vinha o som de artilharia pesada que ecoava nas primeiras horas daquele 2 de
maio de 1945, há exatos 80 anos.
Não havia confirmação
oficial, mas uma rede informal de relatos e boatos indicava que a capital alemã
estava cercada pelo Exército Vermelho.
"Ninguém sabia
precisamente qual era a situação, mas a maioria dos berlinenses acreditava que
os dias da cidade estavam contados”, conta o jornalista Cornelius Ryan no livro
A Última Batalha (1966).
Naquela manhã, a bandeira da
União Soviética que tremulava no alto do Reichstag, a sede do Parlamento
alemão, acabaria com qualquer dúvida sobre o que estava acontecendo. Era o fim
Batalha de Berlim, episódio central na cronologia da última fase da Segunda
Guerra Mundia na Europa.
O conflito na Alemanha ainda
se estenderia por mais uma semana, mas a rendição da capital marcou o colapso
definitivo das linhas de defesa alemãs. Para os soviéticos, que haviam sofrido
o maior número de baixas entre todos os países na guerra, era uma conquista
triunfal.
O regime nazista já agonizava
nas ruínas do Terceiro Reich, decapitado após Hitler reagir aos sinais de
derrota iminente com um tiro na própria cabeça em 30 de abril. O sucessor dele
no posto de chanceler, Joseph Goebbels, também se suicidou no dia seguinte.
Sem uma liderança clara,
coube ao então comandante da Defesa Aérea de Berlim, Helmuth Weidling, decidir
pelo fim das hostilidades na região. Por diversos alto-falantes, a ordem se
espalhava: "Cada hora de conflito aumenta os enormes sofrimentos dos
cidadãos de Berlim e de nossos feridos (...) determino o imediato encerramento
dos combates".
UMA CIDADE REDUZIDA
O cenário era de terra
arrasada: do pico de 4,3 milhões de habitantes no final da década de 30, a
população se reduziu para 2,8 milhões em 1945, segundo registros históricos.
Mais de 600 mil residências foram destruídas, após anos de bombardeios aéreos
dos aliados.
Os moradores restantes
enfrentavam escassez de comida, remédio e itens básicos, além da interrupção
frequente no fornecimento de água e eletricidade. Pela rádio, transmissões
clandestinas da BBC revelavam os avanços no front ocidental, conforme descreve
o historiador militar Antony Beevor no livro Berlim 1945: A Queda (2002).
Os britânicos conheciam
poucos detalhes da investida russa. "Mas o seu anúncio de que o campo de
concentração de Sachsenhausen-Oranienburg tinha sido libertado a norte de
Berlim deu uma boa ideia do progresso do Exército Vermelho e da sua intenção de
cercar", ressalta o historiador na obra.
Encurralada dos dois lados, a
Alemanha entrou em abril de 1945 com poucas esperanças de uma reversão
significativa da campanha militar. Uma frase atribuída ao ministro das Relações
Exteriores alemão, Joachim von Ribbentrop, dá a dimensão do quadro: "A
Alemanha tinha perdido a guerra, mas ainda tinha o poder de decidir para quem
tinha perdido".
Sob a liderança dos
americanos, os aliados chegaram ao Rio Elba, a cerca de 100 quilômetros do
centro de centro de Berlim, de onde planejavam marchar para a capital do Reich.
Com a morte do então
presidente dos EUA, Franklin D. Roosevelt, em 12 de abril, e incertezas sobre
as linhas de suprimento, o supremo comandante das Forças Expedicionárias
Aliadas, Dwight D. Eisenhower, mudou de ideia: estavam cancelados os planos de
entrar em Berlim.
O recuo deixou rachaduras na
cúpula da aliança ocidental. O primeiro-ministro britânico, Winston Churchill,
defendia que os militares aliados deveriam "apertar a mão dos russos o
mais a leste possível", em uma prévia das dinâmicas geopolíticas que
viriam a emergir à superfície na Guerra Fria.
A CORRIDA SOVIÉTICA POR
BERLIM
A decisão de Eisenhower, de
fato, abriu caminho para a ofensiva russa em direção ao centro nervoso da Alemanha
nazista. Os soviéticos estavam, na verdade, em um processo de conclusão de uma
espécie de contra-ataque, após a vitória na sangrenta Batalha de Stalingrado
acabar com o avanço alemão na Rússia em 1943, explica o historiador Vítor
Soares, apresentador do podcast História em Meia Hora. "É esse
contra-ataque que culmina na derrota da Alemanha nazista”, diz.
Nas últimas semanas de abril
de 1945, o ditador da União Soviética, Joseph Stalin, entregou a missão de
invadir Berlim aos marechais Ivan Konev, chefe do primeiro front ucraniano, e
Georgy Zhukov, líder do primeiro front belarusso. O arranjo criou uma
verdadeira corrida entre os dois pelo prestígio de ser o primeiro a entrar na
capital alemã.
Após a ordem de Stalin, a
Batalha de Berlim começou oficialmente em 16 de abril. No último aniversário de
Hitler, em 20 abril, os soviéticos iniciaram uma longa e pesada campanha de
bombardeio da metrópole. Foi o suficiente para romper todas as linhas de defesa
nazistas. A Operação Clausewitz, desenhada pelos alemães para afastar os
aliados, fracassou.
Os soviéticos entravam por
todas as partes "como um enxame”, descreve Cornelius Ryan em A Última
Batalha. Enquanto abril se aproximava do final, distritos caíam para o controle
soviético como dominó. Homens da Juventude Hitlerista e da Guarda Nacional
tentavam resistir, mas já não tinham uma liderança clara. Muitos simplesmente
abandonavam as armas e fugiam.
ESTUPROS EM SÉRIE
Nos dias e horas finais da
batalha, um clima de medo e incerteza se alastrou pelas ruas de Berlim.
Soldados do Exército Vermelho cometeram atos de estupro em série de mulheres
alemãs, amplamente descritos em relatos da época e na historiografia
contemporânea.
O soldado ucraniano Vladimir
Gelfand escreveu sobre alguns casos nos diários que redigiu durante a guerra.
Nas passagens de 25 de abril, bem em meio à batalha, o oficial relatou um
encontro com um grupo de mulheres enquanto circulava de bicicleta em Berlim.
As mulheres relataram
episódios de violência sexual que deixaram o jovem militar horrorizado.
"'Eles estupraram minha filha na minha frente', a pobre mãe contou. ‘Eles
ainda podem vir e estuprar minha filha outra vez‘", cita um trecho diário,
descoberto e divulgado pela família dele após a morte de Gelfand.
Registros de agressões
sexuais de oficiais do Exército Vermelho já eram conhecidos há algum tempo, com
casos denunciados em outros países como a Polônia. Mas, ao se aproximar de
Berlim, o comportamento ganhou um caráter de vingança.
"Freiras, meninas,
idosas, grávidas e mães que acabaram de dar à luz foram todas estupradas sem
piedade", conta Beevor em Berlim 1945: A Queda.
Nos anos 50, um livro de
autoria anônima chamado Uma Mulher em Berlim provocou comoção na Alemanha ao
relatar o cotidiano de estupros sofrido por uma jornalista berlinense durante a
queda da cidade em 1945. No livro, a autora narra sua decisão de procurar um
relacionamento sexual com algum oficial soviético graduado e assim evitar sofrer
violência aleatória. Nas suas palavras, "encontrar um único lobo para
afastar a alcateia" e tentar sobreviver. O nome da autora do livro, a
jornalista Marta Hillers, só foi revelado nos anos 2000, após sua morte.
Os estupros em massa
aconteciam paralelamente ao avanço dos soviéticos em direção ao centro da
capital. Enquanto Hitler se suicidava no final de abril, batalhas sangrentas
eram travadas já dentro do perímetro urbano.
Os intensos bombardeios
prendiam as pessoas em abrigos lotados e matavam indiscriminadamente muitos dos
que se arriscavam a sair. Os feridos mal conseguiam chegar aos postos de
socorro. Nem o zoológico escapou: dos cerca de 4 mil animais que lá viviam,
apenas 91 sobreviveram. Ao mesmo tempo, tropas formadas por nazistas fanáticos
continuavam a caçar e executar alemães que tentavam desertar ou se esconder em
meio à batalha há muito perdida.
No começo de maio, os frágeis
focos de defesa sucumbiram. Para os nazistas sobreviventes, a única saída era
aceitar as condições do cessar-fogo. "A Batalha por Belim estava
oficialmente encerrada. As pessoas que se aventuraram a ir até a Praça da
República naquela tarde viram a bandeira vermelha tremular sobre o Reichstag”,
narra Cornelius Ryan.
Não há um consenso sobre o
número de baixas, mas as estimativas mais aceitas sugerem que mais de 150 mil pessoas
foram mortas naqueles últimos dias de combate pela capital alemã, de acordo com
Ryan.
UMA CIDADE DIVIDIDA
Quase três meses antes, a
Conferência de Ialta já havia decidido pela partilha da Alemanha e de Berlim em
quatro zonas de ocupações divididas entre as potências aliadas: Estados Unidos,
Reino Unido, França e União Soviética. Menos de duas décadas depois, um muro
seria erguido para dividir a cidade em duas e se tornaria o símbolo físico
máximo da Guerra Fria até a queda em 1989.
Mesmo assim, o fato de a
União Soviética ter sido a primeira a fincar a bandeira no núcleo central do
nazismo teve um papel fundamental na construção de uma identidade nacional,
explica o historiador Vítor Soares. "Os soviéticos tinham muito orgulho de
terem invadido e acabado com o nazismo", diz.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, três grandes memoriais soviéticos foram construídos em Berlim para marcar a vitória da URSS em Berlim e celebrar os 80 soldados soviéticos na batalha: um perto do Reichstag, no parque Tiergarten; outro no parque Schönholzer Heide; e, o maior deles, no parque Treptower. Fonte:DW - 01/05/2025
sexta-feira, 2 de maio de 2025
quinta-feira, 1 de maio de 2025
30 de abril de 1945: O fim de Adolf Hitler
Há 80 anos, o ditador nazista que comandou o Holocausto e mergulhou a Europa na Segunda Guerra tirava a própria vida no seu bunker em Berlim, escapando de ser julgado pelos inúmeros crimes que cometeu.
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| A última fotografia conhecida de Adolf Hitler, registrada em 28 de abril. em meio às ruínas da chancelaria do Reich, dois dias antes do suicídio do ditador |
Berlim, 30 de abril de 1945: enquanto tropas soviéticas avançavam de maneira decisiva rumo ao coração da capital do 3° Reich, o líder nazista Adolf Hitler contemplava, em seu bunker subterrâneo, suas últimas horas antes de cometer suicídio.
Haviam se passado pouco mais
de 12 anos desde sua ascensão ao poder e pouco mais de cinco anos da invasão da
Polônia pelo regime nazista, que atirou a Europa na Segunda Guerra Mundial.
Nessa altura, mais de 40 milhões de pessoas já haviam morrido no conflito,
somente na Europa. Entre elas estavam 6 milhões de judeus, assassinados pela
máquina do Holocausto comandada por Hitler.
Para entender como se
desenrolaram os últimos dias de Hitler, é essencial situar o contexto da guerra
naquela etapa decisiva. Até então, Berlim era alvo constante de bombardeios
aéreos em larga escala realizados pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido. Mas,
a partir de janeiro, a cidade passou a estar ao alcance direto da artilharia
soviética.
"Quando começa 1945 há
uma novidade assustadora dos nazistas que é a proximidade das frentes do
exército vermelho", explica o historiador Francisco Carlos Teixeira da
Silva, professor emérito de Teoria da Guerra da Escola de Comando e
Estado-Maior do Exército e titular de História Contemporânea da UFRJ, em entrevista
à DW. "Hitler já sabia que era o fim."
Acompanhado de seus
assessores mais próximos e de sua então amante Eva Braun, Hitler havia se
instalado, em 16 de janeiro, no Führerbunker — um complexo de salas
subterrâneas localizado sob a Chancelaria do Reich. Foi ali que o ditador
passou seus últimos dias, ao lado de membros do regime, já isolado do mundo
exterior.
"Na época, surge uma
possibilidade cultivada pela propaganda nazista de que Hitler abandonaria
Berlim e iria para um refúgio alpino”, explica o professor. "Entretanto,
Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, e Martin Bormann,
chefe da chancelaria do Partido Nazista, fazem uma campanha muito forte contra
essa ideia e apresentam a Hitler uma coisa meio catastrófica, mas grandiosa e
teatral: o fim em Berlim."
28 DE ABRIL: UM TEATRO
MACABRO
Para Silva, existe um
fator-chave que acelera a percepção de um "fim da linha" de Hitler —
a morte de Mussolini. Em 28 de abril de 1945, o ditador fascista que comandou a
Itália de 1922 até 1943 foi capturado e fuzilado ao tentar fugir para a Suíça
disfarçado de soldado alemão.
"Acho que o momento em
que Hitler perde todas as esperanças de possa fazer algo para mudar o final da
guerra é exatamente a morte de Mussolini da forma que foi", diz o historiador.
"As fotos da forma humilhante em que Mussolini aparece pendurado de cabeça para baixo num posto de gasolina apavoraram Hitler. Ele não queria ter um fim com aquele, tão pouco grandioso e teatral", completa.
A essa altura, Hitler já
sabia que Berlim estava cercada. Os soviéticos haviam fechado o cerco e as
rotas de fuga do bunker eram praticamente inviáveis, sob intenso fogo de
artilharia. A percepção de que não havia saída possível se consolidava.
"Essa ideia do suicídio
vai a partir do dia 28 de abril ser absolutamente dominante”, afirma Silva.
"Então, ele começa a armar a sua própria morte que tem que ter esse
aspecto teatral que ele tanto amava nesse sentido."
Segundo o historiador, Eva
Braun também demonstrava consciência do desfecho iminente. Ela chegou a
escrever uma carta a uma amiga em Munique, na qual incluía seu testamento,
indicando como gostaria que seus bens fossem distribuídos.
29 DE ABRIL: OS ÚLTIMOS
PASSOS DO LÍDER NAZISTA
Na madrugada de 29 de abril
de 1945, Hitler realizou dois atos simbólicos que marcariam suas últimas horas:
casou-se com Eva Braun, sua discreta companheira há 14 anos, e ditou seu
testamento político.
O casamento foi realizado em
uma cerimônia civil simples, conduzida por um juiz dentro do próprio bunker,
com Joseph Goebbels e Martin Bormann como testemunhas.
Em seguida, o ditador se
reuniu em outro cômodo com a sua secretaria Traudl Junge para ditar um
testamento pessoal e outro de caráter político. No primeiro, determinou como
gostaria de ver distribuídos seus bens pessoais.
No segundo, ele nomeou novos
sucessores: o almirante Karl Dönitz como presidente da Alemanha e Joseph
Goebbels como chanceler. Além disso, Hitler demoveu Hermann Göring, chefe da
Força Aérea e nominalmente o n°2 do regime de todos os seus postos, após o
chamado marechal do Reich cair em desgraça aos olhos do ditador.
Antissemita até o fim, Hitler
ainda usou o documento para culpar o que chamou “judeus internacionais” pela
guerra.
"Hitler preparou tudo
para a sua morte", afirma o professor. "Ele fez um testamento, que
era basicamente um balanço político do que foi o governo dele”.
30 DE ABRIL: "DER CHEF
IST TOT"
Na manhã do dia 30 de abril
de 1945, as tropas soviéticas já estavam a quase 500 metros da Chancelaria do
Reich e o Führerbunker estava prestes a ser alcançado. Cercado e sem
alternativas, Hitler tinha plena consciência de que seu regime chegava ao fim.
"Tudo apontava para o
seu suicídio", afirma da Silva. "Dentro do bunker, seu médico
inclusive testa uma pílula de cianeto, o veneno que iria utilizar, em sua
cadela Blondi”.
Segundo relatos reunidos pela
agência alemã KNA, Hitler também se despediu pessoalmente de alguns de seus
seguidores nas últimas horas. "Meus generais me traíram e venderam, meus
soldados não querem mais lutar e eu já não consigo mais", confidenciou o
líder nazista ao seu piloto pessoal, Hans Baur.
No início da tarde, Hitler
recolheu-se aos seus aposentos ao lado de Eva Braun, com quem havia se casado
pouco mais de 24 horas antes. Por volta das 15h, os dois ingeriram cápsulas de
cianeto. Hitler, além do veneno, disparou um tiro contra a própria cabeça.
Eles foram encontrados por membros
da SS e de seu círculo íntimo. Os corpos foram levados para um pátio na
superfície do bunker e incinerados com gasolina em uma vala.
A notícia logo se espalhou pelos corredores do
bunker: "Der Chef ist tot" — o chefe está morto.
1° E 2 DE MAIO: O ATO FINAL
EM BERLIM
Na manhã do dia 1º de maio de
1945, a rádio de Hamburgo interrompeu sua programação normal para anunciar a
morte do líder nazista e apresentar Dönitz com seu sucessor. O anúncio foi rapidamente captado pela BBC,
em Londres, e transmitido ao mundo.
No anúncio, um locutor da
rádio informou que o “führer, Adolf Hitler, lutando até seu último suspiro
contra o bolchevismo, morreu pela Alemanha nesta tarde".
Era, obviamente, uma mentira.
Hitler não havia morrido em combate. Mas se suicidado para escapar de uma
eventual captura.
A morte de Hitler acabou
provocando uma debandada entre a maioria dos nazistas que estavam no bunker.
Nessa altura, os últimos combatentes nazistas que ainda mantinham o perímetro
eram formados por voluntários franceses da SS.
No mesmo dia, Goebbels e sua
esposa, Magda, cometeram suicídio no bunker. Mas não antes de assassinarem seus
seis filhos.
Menos de 48 horas após o
suicídio, Berlim estava completamente dominada pelo Exército Vermelho. Em 2 de
maio, a bandeira da União Soviética foi hasteada sobre o prédio do Reichstag,
antiga sede do parlamento alemão. No mesmo dia, tropas soviéticas começaram a
chegar ao bunker, na maioria esvaziado e com os corpos de diversos nazistas que
também haviam se suicidado
"Quando as tropas
soviéticas entram no bunker, eles acham os restos mortais de Hitler e Eva
Braun, e ainda acham uma coleção de aparentemente 12 cartas e telegramas entre
ele e nazistas de alto escalão, como Göring e Dönitz, que mostra claramente que
ele iria se suicidar", afirma o historiador Silvas. "Os restos
mortais foram levados para Moscou e ficaram lá. Depois, houve comprovação de
arcada dentária”.
A morte de Hitler acelerou o
colapso final do Terceiro Reich. Em 8 de maio, os nazistas que ainda
nominalmente no poder assinaram a rendição da Alemanha, encerrando oficialmente
a guerra na Europa. Para a Alemanha, essa seria a "hora zero" depois
da catástrofe da Segunda Guerra Mundial, na qual mais de 7 milhões de alemães
morreram, mas também a possibilidade de um novo começo sem os nazistas.
DESFECHO
As circunstâncias exatas da
morte de Hitler ainda demorariam vários meses para se tornarem públicas. Mas investigações
realizadas pelos soviéticos e britânicos, com base em interrogatórios de
ocupantes do bunker, acabaram, aos poucos, delineando como Hitler finalmente
encontrou seu fim.
Os soviéticos, no entanto,
guardaram suas conclusões para si, ajudando a alimentar teorias conspiratórias.
Já os britânicos tornaram suas conclusões públicas. Um dos investigadores, o
historiador Hugh Trevor-Roper, expandiu seu relatório num livro publicado em
1947, intitulado Os Últimos Dias de Hitler, que cimentou no imaginário muitos
dos acontecimentos no bunker.
Mesmo assim, ao longo dos anos, a ausência de imagens públicas do corpo e o mistério público inicial em torno do que ocorreu nas últimas horas no bunker alimentaram teorias conspiratórias.
"Há muitos relatórios, tanto da CIA quanto do serviço britânicos e mesmo dos soviéticos, sobre um núcleo nazista estabelecido entre Argentina, Paraguai e Brasil, onde poderia estar Hitler”, afirma o professor. "Mas isso, sem dúvida nenhuma, é um efeito da Guerra Fria, não tem nenhuma veracidade." Fonte: DW – 29 de abril de 25 há 9 horas há 9 horas










