sábado, 24 de janeiro de 2026
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Corpo humano não funciona como deveria em temperatura acima de 35°C
A onda de calor que elevou as temperaturas na semana do Natal, no Rio de Janeiro, São Paulo e em outros seis estados ao redor, no Sudeste, Centro-Oeste e Sul, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), deve se estender até a próxima segunda-feira (29). Para essas áreas, o órgão emitiu aviso vermelho, de grande perigo, o que significa temperaturas 5º C acima da média por mais de 5 dias e alta probabilidade de risco à vida, danos e acidentes.
Com aumento do calor extremo,
resultado especialmente das mudanças climáticas induzidas pelo homem, uma série
de medidas são necessárias para diminuir o impacto na saúde. De acordo com o
clínico geral e coordenador do Pronto Atendimento dos Hospital Sírio-Libanês,
em São Paulo, Luiz Fernando Penna, esse quadro tem potencial de gerar a
falência térmica do corpo.
"Essa é uma emergência
médica caracterizada pela confusão mental, pele quente e seca e temperatura
corporal acima de 40º C", explicou o profissional de saúde.
Se o corpo apresentar esses
sinais e sintomas, é necessário buscar atendimento médico de imediato, advertiu
o médico.
Na avaliação do médico do
Sírio, o impacto do calor na saúde é subestimado. "Muitas pessoas
acreditam que causa apenas mal-estar, mas estamos falando de riscos reais, que
incluem desde quedas de pressão até falência térmica", alertou.
Quando está muito quente,
Penna explica que o corpo humano trabalha no limite. O organismo aumenta a
sudorese, o que faz acelerar os batimentos cardíacos e dilata os vasos
sanguíneos. "Esses mecanismos, porém, têm limite. E, quando falham,
instala-se a falência térmica", explicou.
O calor extremo também agrava
o quadro de quem convive com doenças crônicas, tais como hipertensão,
insuficiência cardíaca, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (Dpoc) e
doença renal crônica.
Pessoas que fazem uso de
diuréticos, anti-hipertensivos, antidepressivos, anticolinérgicos e
antipsicóticos também precisam redobrar a atenção. Os medicamentos podem
aumentar a dilatação ou descontrolar a regulação térmica natural do corpo.
"Para quem já tem uma
condição de base, o calor impõe uma sobrecarga perigosa", acrescentou o
médico.
As altas temperaturas
interferem ainda no sono, prejudicando o humor, aumentando a irritabilidade e
reduzindo a produtividade, já que afetam o tempo de descanso, a memória e a
tomada rápida de decisões.
Para essas situações, não
basta se hidratar, é preciso se proteger, evitar a exposição entre 10h e 16h,
usar roupas leves e claras, priorizar ambientes ventilados e não fazer
exercícios físicos. Aqueles trabalhadores que não podem evitar sair no calor
extremo, como profissionais da construção civil, de entregas e da coleta de
lixo, devem fazer pausas frequentes nas horas mais quentes, recomenda.
"Não existe adaptação
completa para ondas de calor extremas e repetidas", explica Fernando
Penna. "Acima de 35°C com alta umidade, o corpo humano simplesmente não consegue
funcionar como deveria".
A recomendação do coordenador
de pronto-socorro é evitar situações de riscos e reconhecer sinais precoces de
falência térmica para evitar o colapso.
No Rio de Janeiro, já foi
comprovado por pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, de fevereiro de 2025, que as
altas temperaturas estão relacionadas ao aumento da mortalidade. O risco é
maior para idosos e pessoas com alguma doença, como diabetes e hipertensão,
além de Alzheimer, insuficiência renal e infecções urinárias. O trabalho da
Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) analisou mais de 800 mil
mortes entre 2012 e 2024.
"A maioria dos estudos
sobre calor e mortalidade concentra suas análises em doenças cardiovasculares e
respiratórias", disse, em nota, o pesquisador João Henrique de Araujo.
"Todavia, há estudos que relatam esses efeitos também para doenças
metabólicas, do trato urinário e doenças como Alzheimer, sobre as quais
dissertamos", acrescenta.
Antes de planejar suas atividades,
procure saber quão quente e úmido será o dia;
Mantenha sua casa fresca
Sempre que possível, proteja
a casa da entrada de calor, feche portas, janelas e cortinas durante as horas mais quentes e abra de noite para
refrescar;
Use ventiladores e aparelhos
de ar-condicionado, se disponíveis; mas sem exagerar na regulagem do frio para
não causar choque térmico
Proteja-se do calor
Não saia durante os horários
mais quentes;
Quando estiver ao livre, use
protetor solar, chapéus e guarda-chuvas;
Evite permanecer em ambientes
fechados e sem circulação de ar, onde o calor se acumula e pode ser mais
intenso do que ao ar livre.
Mantenha-se fresco e
hidratado
Beba mais água, recuse
bebidas alcoólicas acreditando que vai relaxar, o álcool acelera a
desidratação;
Use tecidos respiráveis,
roupas escuras e pesadas retêm calor e dificultam a ventilação;
cuidado com banhos gelados, que provocam efeito rebote e fazem o corpo aumentar a produção de calor. Fontes: Unicef e Hospital Sírio-Libanês; Agência Brasil-Publicado em 26/12/2025
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
Exército de robôs para trabalhar em indústrias
O primeiro robô humanoide do
mundo capaz de realizar troca autônoma de baterias.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
domingo, 7 de dezembro de 2025
Julgamentos de Nurembergue: os nazistas no banco dos reús
Com o fim da Segunda Guerra, os países aliados levaram os nazistas a julgamento. Pela primeira vez, representantes de um Estado tiveram que responder por seus crimes perante um tribunal internacional.
Os nazistas Hermann Göring (1893-1946), Rudolf Hess (1894-1987), Joachim von Ribbentrop (1893-1946) e Wilhelm Keitel (1882-1946) no banco dos réus em Nurembergue. Da esquerda para a direita: os nazistas Hermann Göring (1893-1946), chefe da Luftwaffe; Rudolf Hess (1894-1987), vice de Hitler; o ministro do Exterior Joachim von Ribbentrop (1893-1946); e o comandante supremo das Forças Armadas Wilhelm Keitel (1882-1946) Foto: Keystone Archives/Heritage-Imags/picture-alliance
"Por meio deste, acuso
as seguintes pessoas de crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a
humanidade: Hermann Wilhelm Göring, Rudolf Hess , Joachim von Ribbentrop…"
A sala 600 do Palácio da
Justiça de Nurembergue está lotada enquanto o procurador-chefe, o americano
Robert H. Jackson, lê um nome após o outro. Sua lista é longa. O
"Julgamento dos Principais Crimes de Guerra" contra 24 representantes
de alto escalão do Estado nazista tem início em 20 de novembro de 1945, em Nurembergue.
Ao longo dos próximos 218 dias de audiências, mais de 230 testemunhas serão
interrogadas, 300.000 declarações serão lidas e 16.000 páginas de atas serão
escritas.
A escolha de Nurembergue como
local do julgamento não foi coincidência. A cidade bávara já havia sido palco
das convenções em massa do Partido Nazista. Aqui, o regime nazista exerceu seu
poder, e aqui as Leis de Nurembergue foram promulgadas — a legislação racista e
antissemita que abriu caminho para o Holocausto .
MUDANÇA DE PARADIGMA
Foi a primeira vez na
história que altos representantes de um Estado foram responsabilizados
pessoalmente por seus atos desumanos. Uma novidade no sistema jurídico
internacional.
Após a derrota da Alemanha na
Segunda Guerra Mundial , as potências vitoriosas – Estados Unidos, Reino Unido,
França e União Soviética – uniram-se: os crimes do Terceiro Reich não poderiam
ficar impunes. Milhões de pessoas haviam sido vítimas do regime nazista –
assassinadas em campos de concentração, vítimas da guerra, da fome, da
escravização e do trabalho forçado.
Pela primeira vez, a questão
da culpa individual também se tornou crucial. "Até então, um líder como
Hermann Göring contava – e talvez até pensasse assim – que a Alemanha, o Estado
pelo qual ele agia, seria responsabilizada, mas não ele próprio", explicou
o jurista Philipp Graebke .
NINGUÉM SE DECLAROU CULPADO
À medida que os
interrogatórios aconteciam, um réu após o outro declarava-se
"inocente". "Os assassinatos em massa foram realizados exclusivamente
e sem influência, sob as ordens do chefe de Estado, Adolf Hitler",
argumentou Julius Streicher, um antissemita fanático e editor do jornal de
propaganda nazista Der Stürmer.
Walther Funk, em sua função de presidente do
Reichsbank (o banco central da Alemanha nazista), negou aos judeus o acesso às
contas bancárias.
Nessa posição, ele também
ordenou a transferência para o Reichsbank dos bens de judeus assassinados nos
campos de extermínio, incluindo o ouro de seus dentes. Em Nurembergue, ele testemunhou
no tribunal: "Ninguém morreu como resultado de medidas que ordenei. Sempre
respeitei a propriedade alheia. Sempre me esforcei para ajudar as pessoas
necessitadas. E para lhes proporcionar, na medida do possível, felicidade e
alegria."
O braço direito de Hitler, Hermann Göring ,
parcialmente responsável pela construção dos primeiros campos de concentração,
também se declarou "inocente" com convicção.
"Já disse que não tinha
a menor ideia da dimensão do que estava acontecendo", respondeu quando
questionado se havia uma política voltada para o extermínio dos judeus. Ele
afirmou estar ciente apenas de que a emigração dos judeus estava sendo
planejada, não o seu extermínio.
DOZE SENTENÇAS DE MORTE, SETE
SENTENÇAS DE PRISÃO
Muitos dos principais
nazistas não demonstraram remorso e consistentemente atribuíram a culpa
exclusivamente a Hitler, que já não podia ser condenado, pois havia cometido
suicídio nos últimos dias da guerra.
Mas toda negação foi inútil.
As evidências eram esmagadoras: filmes dos campos de concentração, depoimentos
de sobreviventes, cartas e ordens dos perpetradores. Pela primeira vez, o mundo
viu as atrocidades cometidas nos campos de Auschwitz-Birkenau , Buchenwald e
Bergen-Belsen.
Em 1º de outubro de 1946, os
primeiros Julgamentos de Nurembergue foram concluídos. O tribunal proferiu doze
sentenças de morte, sete sentenças de prisão e três absolvições aos réus
nazistas do alto escalão.
"JUSTIÇA DOS
VENCEDORES"
"Quando os réus foram condenados,
a maioria dos alemães pensou: 'Agora finalmente pegamos os verdadeiros culpados
e pronto'", diz Bernhard Gotto, do Instituto de História Contemporânea de
Munique-Berlim.
Sua colega Stefanie Palm
acrescenta: "Os Julgamentos de Nurembergue estabeleceram uma certa
narrativa entre a população alemã: [...] todos os outros apenas cumpriram
ordens, foram meros seguidores, não tinham culpa! [...] Adotou-se uma espécie
de perspectiva de vítima: 'Somos as vítimas desse pequeno grupo em torno de
Hitler'".
Sob esse ponto de vista, a
maioria dos alemães se opôs aos doze julgamentos subsequentes contra advogados,
médicos e industriais que atuaram no regime. O tribunal foi considerado
"justiça dos vencedores" [expressão pejorativa usada para se referir
à aplicação da justiça pela parte vitoriosa de um conflito], porque levanta
imediatamente a questão de até onde se estende a responsabilidade pelos crimes
nazistas", diz Gotto.
"E então, de repente,
não são mais apenas Göring e Keitel, a Wehrmacht [as Forças Armadas Alemãs),
Himmler e, claro, Hitler que são acusados de seduzir os alemães, mas o fardo
dessa culpa é distribuído por mais pessoas, e a maioria dos alemães não queria
aceitar isso."
PRECURSORES DO TRIBUNAL PENAL
INTERNACIONAL
Hoje, os Julgamentos de
Nurembergue são considerados um marco no direito internacional. Em 1945,
esperava-se que os padrões legais aplicados em Nurembergue fossem replicados
igualmente a todos a partir de então. Nenhum criminoso de guerra deveria ter a
possibilidade de invocar unilateralmente o poder de seu cargo ou as leis de seu
próprio país.
O jurista Philipp Graebke
afirma que, a partir dos Julgamentos de Nurembergue, "podemos traçar uma
linha direta, através da tradição dos tribunais da ONU para crimes de guerra na
década de 1990, até a criação do Tribunal Penal Internacional (TPI)".
No entanto, "isso certamente
não levou à aplicação impecável do direito penal internacional desde 1946, nem
à aplicação impecável que vemos hoje", esclarece ele.
O TPI foi estabelecido em
Haia, na Holanda, apenas em 1998 e iniciou suas atividades em 2002. Mas nem
todos os Estados o reconhecem. As principais grandes potências estão ausentes
dos 125 Estados-membros: Estados Unidos, Rússia, China e Índia. Israel também
não é membro.
TPI: APENAS UM TIGRE DE
PAPEL?
Mas mesmo Estados que
reconhecem o TPI já desafiaram mandados de prisão. Até recentemente, a regra
para líderes acusados era simples: se você não quer ir para a prisão, basta
não sair do seu país.
Agora, nem isso é mais
necessário. Por exemplo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin , contra quem
existe um mandado de prisão pelo sequestro de crianças ucranianas, viajou para
a Mongólia, signatária do TPI, em setembro de 2024 e foi recebido com todas as
honras. A Mongólia é altamente dependente economicamente de seu poderoso
vizinho.
Portanto, o fato de um criminoso de guerra ser levado a julgamento depende do empenho dos Estados-membros. E o próprio Tribunal de Haia não têm os recursos nem a autoridade para levar os suspeitos a julgamento. Fonte: DW - quarta-feira, 19 de novembro de 2025




