Mostrando postagens com marcador sociedade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador sociedade. Mostrar todas as postagens

domingo, 11 de outubro de 2026

Produção de vinho na França deve ter pior safra em décadas

 Verão mais quente já registrado no país reduziu a produtividade dos vinhedos, e safra deve registrar queda pelo terceiro ano seguido. Na região de Champagne, colheita caiu quase pela metade em relação ao ano passado.

Após um verão marcado por ondas de calor, incêndios, e seca severa, a produção de vinho na França deve ser uma das piores dos últimos 30 anos, informou nesta segunda-feira (07/09) o Ministério da Agricultura francês.

A primeira estimativa oficial para a produção francesa no ano de 2026 está em 33,9 milhões de hectolitros, ou cerca de 4,5 bilhões de garrafas — 6% a menos do que no ano passado. O valor está 17% abaixo da média do período entre 2021 e 2025. É o terceiro ano consecutivo de safra fraca no país.

A França é o segundo maior produtor de vinhos do mundo (atrás apenas da Itália), e o maior exportador em termos de valor. Além das condições climáticas, o setor também foi impactado pelas tarifas vindas dos Estados Unidos, e por mudanças nos hábitos de consumo.

CHAMPAGNE ESTÁ ENTRE AS REGIÕES AFETADAS

A queda é particularmente grave em Champagne, no Nordeste do país, onde a produção deve ficar 49% abaixo do nível de 2025 e 47% inferior à média dos últimos cinco anos.

Outras regiões também devem registrar queda: em Bourgogne-Beaujolais, a produção deve ser um terço menor do que no ano passado; em Val de Loire, deve cair 12%; e em Charentes, 6%.

Já a maior região produtora da França, Languedoc-Roussillon, espera um crescimento de 5% em relação ao ano passado. Em Bordeaux, a safra deve ser 10% melhor em relação a 2025, depois que as chuvas do fim de agosto ajudaram a amenizar os efeitos da seca. A produção nas duas regiões, contudo, segue abaixo da média.

Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), 2025 já havia sido uma baixa histórica na produção de vinhos francesa, a menor safra desde 1957.

CRISE CLIMÁTICA PRESSIONA AGRICULTURA FRANCESA

Produtores de vinho na França iniciaram a colheita das uvas mais cedo do que o normal em 2026 devido às condições de calor extremo, de acordo com o Ministério da Agricultura. O mesmo aconteceu em outros países da Europa.

Embora a primavera tenha inicialmente proporcionado perspectivas melhores para a colheita deste ano, a seca e as ondas de calor do verão danificaram os vinhedos e reduziram a produtividade.

Além disso, a área cultivada para a produção de vinho está 2,5% menor em 2026 em comparação com 2025, já que produtores chegaram a arrancar parte de seus vinhedos nos últimos anos pelo excesso de oferta em relação ao consumo.

Não só os vinhedos têm sentido o impacto da crise climática. A agricultura francesa foi fortemente impactada pelas ondas de calor recorde e pela seca deste verão. Em agosto, o jornal The Guardian noticiou estimativas de perdas de milhares de toneladas de hortaliças, incluindo alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró.

Na sexta-feira (04/09), A França anunciou um pacote emergencial de ajuda para agricultores com valor superior a 1 bilhão de euros.

Em outros países da Europa, como Espanha, Grécia, Itália e Portugal, as condições do clima têm pressionado o cultivo de oliveiras e a produção de azeite. Fonte: DW- segunda-feira, 7 de setembro de 2026

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Por que ostentamos? O que está por trás do consumo de luxo

Segundo especialistas, status e exclusividade influenciam relação com consumo, mas pesquisas apontam que motivação podem ir muito além do dinheiro

Luxo de ostentação: pesquisas apontam relação com insegurança, identidade e até para conquista de parceiros

Fernanda* tinha acabado de completar 18 anos quando recebeu o primeiro salário. Com o dinheiro na conta, decidiu comprar uma bolsa que, diz ela, talvez custasse, na época, mais do que ela havia recebido naquele mês já que, por isso, a compra foi parcelada diversas vezes.

Aquela foi, segundo ela, a primeira de muitas compras feitas acima do que precisava ou podia pagar, buscando "o melhor”. O padrão se repetiu com outros itens e, mais tarde, com um carro que ela própria considera maior e mais sofisticado do que sua rotina exigia.

"Eu sempre fui sozinha com meu filho. Então, eu não precisava comprar um carro grande, cheio de coisas. E eu queria sempre o melhor, o mais caro, com mais sofisticação. Tudo do bom e do melhor, sem necessidade”, conta.

Fernanda diz que havia algo além do desejo pelos produtos. "A partir daí, todo o meu dinheiro eu gastava com coisas desnecessárias. Eu nunca guardei dinheiro na minha vida. Sempre gastei tudo. Eu precisava me autoafirmar perante o outro”, diz ela.

O QUE EXPLICA A VONTADE DE OSTENTAR?

Comprar um produto caro não significa, necessariamente, ostentar. O mesmo objeto pode ser valorizado pela qualidade, pelo design ou simplesmente pelo prazer de consumi-lo. A ostentação aparece quando o bem também funciona como uma forma de comunicar algo aos outros — como status, pertencimento ou exclusividade, o que nem sempre tem a ver com dinheiro.

Isso ajuda a explicar por que determinados produtos podem adquirir um valor que vai muito além da sua utilidade, segundo especialistas.

A psicóloga econômica Vera Rita Ferreira explica que os seres humanos são "inerentemente sociais” e, desde cedo, influenciados pelo comportamento das pessoas ao redor. A imitação faz parte do aprendizado: aprendemos, por exemplo, a falar e a andar observando outras pessoas. No consumo, esse mecanismo também pode aparecer.

"Você se sente especial, e todo mundo tem vontade de se sentir especial, de se destacar de alguma forma. Mas as pessoas gostam de ter uma coisa mais cara porque menos gente vai ter acesso a ela. Então, isso garante o seu lugar de exclusividade”, explica.

Na economia, uma das primeiras teorias para esse tipo de comportamento surgiu com o economista e sociólogo americano Thorstein Veblen, que descreveu o chamado "consumo conspícuo", a aquisição e a exibição de bens como forma de demonstrar riqueza e posição social.

O PRODUTO COMO PARTE DA IDENTIDADE

Nelsio Rodrigues, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e pesquisador da área de consumo, chama atenção para outra dimensão da ostentação: o pertencimento.

Por trás da decisão de comprar um item caro — inclusive quando ele está fora do orçamento — pode existir uma busca por diferenciação, mas também o desejo de fazer parte de determinado grupo.

"A gente fala do ‘self estendido': você se projeta em um artefato. O celular é um deles”. O conceito de "self estendido”, formulado pelo pesquisador Russell Belk, parte da ideia de que aquilo que possuímos também pode contribuir para a construção da nossa identidade.

No mercado de luxo, marcas, roupas, celulares, carros e outros objetos podem funcionar, portanto, como sinais sobre quem somos ou sobre o grupo ao qual queremos pertencer.

"Você vai pertencer a uma tribo, então, na verdade, ela [a ostentação] faz com que você se aproxime do que você espera. A vaidade faz parte do processo, mas ela não é o principal. Eu estou muito mais querendo pertencer a um grupo que usa determinada marca, que vai a determinados shows", explica Rodrigues.

Pesquisas de diferentes áreas também investigam a relação entre a ostentação e outras dimensões, como autoestima, exclusão social e relacionamentos.

Para Vera Rita, a comparação com outras pessoas é um dos fatores que ajuda a explicar a dinâmica desse tipo de consumo. "Estamos sempre tentando encontrar um lugar na régua, que diga para a gente onde estamos. E a necessidade de ostentar vem primeiro dessa insegurança mesmo. Quem precisa [ostentar] é quem não tem muita certeza de onde está nessa régua”, afirma.

A relação entre incerteza sobre si mesmo e consumo ostensivo também aparece em outras pesquisas. Em um estudo publicado em 2023 na revista Frontiers in Psychology, por exemplo, participantes expostos a uma lembrança de rejeição ou traição apresentaram maior propensão ao consumo ostensivo do que aqueles que haviam relembrado uma experiência positiva de relacionamento.

No caso de Fernanda, ela relaciona o próprio comportamento de consumo a uma experiência de rejeição vivida na infância. "Minha mãe me abandonou quando eu tinha um ano de idade. Então, hoje eu sei que por causa desse abandono, eu fazia, faço ainda, mas bem controlado agora, essas compras desnecessárias para me autoafirmar para os outros”, conta.

Já outro estudo, intitulado Pavões, Porsches e Thorstein Veblen: o consumo ostentatório como sistema de sinalização sexual, investigou o consumo ostensivo como uma possível forma de sinalização sexual. Em quatro experimentos, os pesquisadores encontraram evidências de que, entre homens, determinados contextos ligados a estratégias de relacionamento de curto prazo estavam associados a gastos mais extravagantes.

O resultado da pesquisa sugere que "ostentar bens associados a status para potenciais parceiros não se resume simplesmente a exibir recursos econômicos”, mas pode estar relacionado a conquistar parceiros de curto prazo, o que sugere que o consumo ostensivo pode desempenhar diferentes funções sociais, e não apenas comunicar riqueza.

QUANDO O STATUS PESA NO BOLSO

O problema aparece quando o desejo de consumir deixa de caber no orçamento. Rodrigues afirma que a diferenciação pelo consumo não é nova. Ao longo da história, o acesso restrito a determinados bens, como arte e cultura, também funcionou como marcador de posição social. No entanto, ele lembra que o acesso a produtos "ostentatórios” mudou: se antes o luxo era inacessível, hoje as facilidades de pagamento, com o crédito e o parcelamento, permitem adquirir produtos de alto valor sem desembolsar todo o preço imediatamente.

O professor diz que, nesse contexto, ganhou espaço nas redes sociais a expressão "pobreza de luxo”, usada para descrever situações em que uma pessoa consegue acessar bens e experiências associados a padrões de consumo mais altos, mas compromete o orçamento com crédito e parcelamentos.

O parcelamento, por si só, não significa endividamento. O problema aparece quando sucessivas compras comprometem a renda futura e reduzem a capacidade de poupar ou lidar com imprevistos.

Além disso, para Rodrigues, há ainda uma dimensão que vai além das finanças: o consumo também pode funcionar como uma forma de reconhecimento social.

"Nós temos um ponto aí que é o não reconhecimento, que é um dano psicológico, um dano social de não reconhecimento dos seus pares por não saber usar determinados instrumentos ou não saber se comportar em determinados ambientes. Então, pensamos muito na questão econômica, mas tem um impacto social e cognitivo das pessoas”, complementa o professor.

No caso de Fernanda, as compras chegaram a comprometer sua vida financeira. Ela conta que passou a buscar ajuda profissional, com psicólogo e psiquiatra, além de participar dos Devedores Anônimos (DA), grupo voltado a pessoas que desejam interromper o ciclo de endividamento.

Hoje, ela utiliza também um planejamento de gastos para estabelecer limites para compras e evitar decisões impulsivas, evitando, assim, comprar itens luxuosos apenas para ostentar.

"Até R$ 100 eu não pergunto para ninguém. Acima de R$ 100, eu vou perguntar para uma terceira pessoa para ver se aquilo é importante para mim. E tem o teto de gasto, que é o plano de gastos, em que colocamos os custos fixos e também valores extras que a gente gostaria de gastar com alguma coisa. Então, se eu quero comprar uma bolsa, eu posso gastar até R$ 150. Se eu quiser comprar um sapato, até R$ 100, por exemplo”, explica ela.

IMPACTO DAS REDES SOCIAIS

Para os especialistas, as redes sociais também deram uma nova dimensão à lógica do pertencimento. Em vez de comparar nosso padrão de consumo apenas com o de pessoas próximas, como vizinhos e familiares, hoje é possível acompanhar viagens, carros, celulares, restaurantes e outros sinais de status de pessoas de diferentes grupos e países.

"Isso explica, por exemplo, o comportamento de manada. Todo mundo vai atrás. Com as redes sociais isso virou uma coisa delirante”, diz a psicóloga econômica.

Para ela, a exposição constante pode intensificar a comparação social, especialmente entre pessoas que já se sentem inseguras em relação à própria posição.

"As redes sociais acabam com a paz de espírito, principalmente das pessoas que estão mais inseguras e insatisfeitas. Então, a pessoa pode se comparar com alguém que está lá na China, na Suécia, e a gente vai perder porque aqui no sul global já começamos perdendo porque a renda é completamente diferente. O país é mais desigual”, detalha Vera Rita.

Justamente por isso, Fernanda decidiu se afastar das redes sociais. "É um mercado aberto de vendas. A gente acha que aquela pessoa tem e, quando você vai ver, ela está cheia de dívida também. Então, a gente não sabe qual é a vida daquela pessoa e a gente se compara com ela”. Fonte: DW-sexta-feira, 25 de setembro de 2026   

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Pizzaria de SP é eleita a 6ª melhor do mundo; outras 4 da capital também

 


A Leggera Pizza Napoletana, de São Paulo, ficou em 6º lugar no ranking anual das 100 melhores pizzarias do mundo em 2026, elaborado pelo guia italiano 50 Top Pizza. A lista também tem outras quatro pizzarias paulistanas: QT Pizza Bar, em 17º; A Pizza da Mooca, em 41º; Unica Pizzeria, em 46º; e Veridiana, em 75º.

A premiação foi realizada na terça-feira (15), no Teatro Mercadante, em Nápoles, na Itália.

A Leggera inaugurou na capital paulista em 2013 e, atualmente, tem uma unidade em Perdizes e outra nos Jardins. Ao longo da trajetória, acumulou prêmios internacionais, incluindo o de melhor pizzaria da América Latina em 2024, 2025 e 2026. No ano passado, também conquistou o terceiro lugar do ranking anual das 100 melhores pizzarias do mundo.

No ranking deste ano, a primeira colocada foi a Napoli on the Road, de Londres, na Inglaterra. Em segundo lugar ficou a Una Pizza Napoletana, de Nova York, nos Estados Unidos, seguida pela Confine, de Milão, na Itália.

Entre as brasileiras, São Paulo foi a cidade com maior número de representantes na lista, com cinco pizzarias no total entre as 100 melhores. Entrou também no ranking, na posição 70º, a Bento Pizzeria, do Rio de Janeiro.

Veja a lista completa:

1º — Napoli on the Road — Londres, Inglaterra

2º — Una Pizza Napoletana — Nova York, Estados Unidos

3º — Confine — Milão, Itália

4º — I Masanielli – Francesco Martucci — Caserta, Itália

4º — Seu Pizza Illuminati — Roma, Itália

5º — Pizzeria Sei — Los Angeles, Estados Unidos

5º — Tony’s Pizza Napoletana — São Francisco, Estados Unidos

6º — Leggera Pizza Napoletana — São Paulo, Brasil

7º — RistoPizza by Napoli sta ca — Tóquio, Japão

8º — Baldoria — Madri, Espanha

9º — The Pizza Bar on 38th — Tóquio, Japão

10º — Razza — Jersey City, Estados Unidos

11º — Allería — Providencia, Chile

12º — Palazzo Petrucci Pizzeria — Nápoles, Itália

13º — I Tigli — San Bonifacio, Itália

14º — 50 Kalò — Nápoles, Itália

15º — Avenida Calò — Roma, Itália

16º — gigi’s — Sydney, Austrália

17º — Pizzardi Artigianale — Bogotá, Colômbia

16º — Fiata — Hong Kong, China

17º — QT Pizza Bar — São Paulo, Brasil

18º — Dry Milano — Milão, Itália

19º — Cambia-Menti — Caserta, Itália

20º — Sasà Martucci — Caserta, Itália

21º — BOB Alchimia a Spicchi — Montepaone Lido, Itália

22º — IMperfetto — Puteaux, França

23º — 50 Kalò — Londres, Inglaterra

24º — Ti Amo — Adrogué, Argentina

25º — La Clásica — San Salvador, El Salvador

26º — Truly Pizza — Dana Point, Estados Unidos

27º — Francesco Martucci Miami — Miami, Flórida

28º — Spacca Napoli — Seul, Coreia do Sul

29º — Sartoria Panatieri — Barcelona, Espanha

30º — Don Antonio — Nova York, Estados Unidos

31º — Crosta — Makati, Filipinas

32º — Jay’s — Kenmore, Estados Unidos

33º — Pizza Zulu — Fürth, Alemanha

34º — Massilia — Bangcoc, Tailândia

35º — Robert’s — Chicago, Estados Unidos

35º — Ribalta — Nova York, Estados Unidos

36º — nNea — Amsterdã, Países Baixos

37º — Flama — Miraflores, Peru

38º — Leña — Cleveland, Estados Unidos

39º — Sapori Italiani U Taliana — Bratislava, Eslováquia

40º — La Cascina dei Sapori — Rezzato, Itália

41º — A Pizza da Mooca — São Paulo, Brasil

42º — SHOP225 — Melbourne, Austrália

43º — La Notizia — Nápoles, Itália

44º — Ken’s Artisan Pizza — Portland, Estados Unidos

45º — Pizzeria Braceria CESARI!! — Nagoia, Japão

46º — Unica Pizzeria — São Paulo, Brasil

47º — La Leggenda — Miami, Estados Unidos

47º — ‘O Munaciello — Miami, Estados Unidos

48º — a mano — Makati, Filipinas

49º — Forno d’Oro — Lisboa, Portugal

50º — Bottega — Pequim, China

51º — Portarossa — Pampatar, Venezuela

52º — Via Toledo — Viena, Áustria

53º — Sestogusto — Turim, Itália

54º — Clementina — Fiumicino, Itália

55º — La Bolla — Caserta, Itália

56º — Giuseppe Bove — Montesarchio, Itália

57º — L’Incanto — Punta del Este, Uruguai

58º — 180 GRAMMI — Roma, Itália

59º — La Fenice — Pistoia, Itália

60º — Modus — Milão, Itália

61º — I Vesuviani — Casoria, Itália

62º — Da Lioniello — Succivo, Itália

63º — Apogeo — Pietrasanta, Itália

64º — da Susy — Gurugram, Índia

65º — Bro. — Nápoles, Itália

66º — Salvo — Nápoles, Itália

67º — ‘O Fiore Mio — Faenza, Itália

68º — Raf Bonetta — Nápoles, Itália

69º — Fratelli Figurato — Madri, Espanha

70º — Bento Pizzeria — Rio de Janeiro, Brasil

70º — Raffaella — Las Condes, Chile

72º — Margherí — Cidade de Ho Chi Minh, Vietnã

71º — L’industrie Pizzeria — Nova York, Estados Unidos

73º — Surt — Copenhague, Dinamarca

74º — Stile Napoletano — Chester, Inglaterra

75º — Veridiana — São Paulo, Brasil

76º — Oura — Santiago de Compostela, Espanha

77º — Dante’s by Enis Baçova — Auckland, Nova Zelândia

78º — La Piola Pizza — Bruxelas, Bélgica

79º — 48h Pizza e Gnocchi Bar — Melbourne, Austrália

80º — Pizza Culture — Calgary

81º — ANTO — Singapura, Singapura

82º — Brunapoli — Vitacura, Chile

83º — Demaio — Bilbao, Espanha

84º — Atte. Pizzeria Napoletana — Buenos Aires, Argentina

85º — Saccharum — Altavilla Milicia, Itália

86º — Valentina’s — Madison, Estados Unidos

87º — Balmesina — Barcelona, Espanha

88º — Giotto — Florença, Itália

89º — Seba’s — Uvita, Costa Rica

90º — Stretch Pizza — Nova York, Estados Unidos

91º — Gigi Pipa — Este, Itália

92º — Audace — Nova York, Estados Unidos

93º — Zielona Górka — Pabianice, Polônia

94º — Giangi — Arielli, Itália

95º — Pasquale’s — South Kingstown, Estados Unidos

95º — Pizza Secret — Nova York, Itália

96º — Slice & Pie — Washington, Estados Unidos

97º — Matto Napoletano — Skopje, República da Macedônia do Norte

98º — Franko’s Pizza & Bar — Zagreb, Croácia

99º — Stagione — Casablanca

100º — Miami Slice — Miami, Estados Unidos.

COMO É COMER NA LEGGERA PIZZA NAPOLETANA

A cozinha é comandada pelo chef André Guidon, eleito melhor pizzaiolo do mundo em 2014 pela Associazione Verace Pizza Napoletana, entidade que promove a tradição da pizza napolitana.

Mesclando ingredientes italianos, a pizzaria trabalha seguindo a técnica napolitana, reconhecida como patrimônio imaterial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Nesta técnica, as massas são abertas manualmente, com fermentação natural e uma mistura de farinhas italianas, resultando em uma massa leve. Ela é assada em forno a lenha com temperatura de 450°C.

O cardápio da Leggera não é extenso, mas logo de cara destaca as conquistas da casa. As entradas variam de R$ 59 a R$ 77, como a parmegiana de berinjela.

Já as pizzas são divididas em três grupos: pequenas fritas, as com molho de tomate e as que não têm molho. A mais barata custa R$ 62 e a mais cara, R$ 85.

Além disso, o que chama atenção é que são usados tomates com denominação de origem da região do Monte Vesúvio, em Nápoles, na Itália, onde a pizza foi criada. E Nápoles é a cidade natal de um dos sócios do local, Bruno Caccavale. Ele chegou ao Brasil com a família quando tinha 10 anos.

"Eu cresci vendo minha mãe, tinhas tias, minha avó fazendo pizza napolitana. Eu ajudava a fazer, escolher ingredientes e a fritar. E todos se reuniam na casa para comer. Esse ambiente de casa, intimista, de todos juntos, é o que trouxemos aqui na pizzaria".

A EXPERIÊNCIA

O tempo de espera não passa de 20 minutos. As pizzas chegam em pratos individuais, bem quentes e são generosas: se o cliente não estiver com muita fome, dá para dividir entre duas pessoas.

A massa é leve e o recheio, bem saboroso.

SUCESSO INTERNACIONAL

A fama da premiação tem atraído clientes de outras partes do Brasil e também do exterior. “Sou de Manaus e descobri que a pizzaria foi premiada por um site. Vim ver o que tem de diferente para ser reconhecida desse jeito”, contou o engenheiro Afonso Castro.

O alemão Alex Kampinski, que trabalha como blogueiro de culinária e viagens, também entrou na fila:

“Encontrei a Leggera pelo TikTok e depois no Instagram, que tem mais de 90 mil seguidores. Pelas fotos já dava para ver que era uma boa pizza napolitana. Agora quero experimentar", momentos antes de comer a pizza da Leggera.

“É uma sensação de felicidade e extrema alegria toda premiação que recebemos até agora. Esse reconhecimento impacta o dia a dia, e deixa todo mundo orgulhoso. Vamos continuar prosseguindo”, disse o sócio-proprietário Bruno Caccavale. Fonte: g1 SP — 15/09/2026

sábado, 18 de julho de 2026

Invenção "mais importante desde a bomba atômica" faz 80 anos

 
Apresentado ao mundo em 5 de julho de 1946, biquíni causou escândalo. Anos mais tarde, traje de banho transformou a moda praia e tornou-se um símbolo de uma nova liberdade.

 Em 1946, o engenheiro mecânico francêsLouis Réard buscava uma modelo profissional para promover sua criação, mas nenhuma delas estava disposta a usar a invenção. Ele então contratou a dançarina de striptease Micheline Bernardini para apresentar o primeiro biquíni em 5 de julho daquele ano.

A data não foi escolhida por acaso. Pouco antes, os militares dos Estados Unidos haviam realizado um teste nuclear no atol de Bikini, no Pacífico Sul, atraindo atenção mundial. Réard esperava que sua nova moda praia causasse um impacto semelhante. E conseguiu. A apresentação provocou escândalo: para os padrões da época, o biquíni mostrava pele demais.

Guardiões da moral ficaram indignados. Naqueles anos do pós-guerra, esperava-se que as mulheres circulassem de saia e avental comprido, não exibindo o corpo de forma tão ousada. E, de fato, os pedaços de tecido eram minúsculos para a época. O próprio Réard definiu sua invenção com um slogan que ficou famoso: "Um biquíni só é realmente um biquíni se puder passar por dentro de uma aliança de casamento".

A frase era dita em tom de brincadeira, já que mais tarde ele desenvolveria modelos um pouco maiores.

UMBIGO ESCONDIDO

A lendária jornalista de moda Diana Vreeland é frequentemente associada a uma frase que resume o impacto da nova peça: segundo ela, o biquíni teria sido "a invenção mais importante desde a bomba atômica".

Enquanto a revista Harper's Bazaar percebeu rapidamente o potencial cultural e social do biquíni, outras publicações de moda consideravam a peça ousada demais. A Vogue, por exemplo, inicialmente tratou a tendência com cautela.

Isso começou a mudar quando estrelas como Brigitte Bardot e Marilyn Monroe popularizaram o biquíni no início dos anos 1950. A partir daí, as revistas de moda passaram a dar cada vez mais espaço à peça. Nos anos 1960, o biquíni já fazia parte da moda de verão e aparecia regularmente nas páginas da Vogue.

Uma curiosidade: durante os primeiros anos, a edição americana da revista evitava mostrar o umbigo das modelos. Os ensaios eram fotografados ou produzidos de forma a mantê-lo coberto, pois sua exposição era considerada especialmente escandalosa. Esse tabu só começou a desaparecer gradualmente nos anos 1960.

POUCO TECIDO PARA UMA NOVA ERA

A consagração definitiva do biquíni veio com o primeiro filme de James Bond: 007 Contra o Satânico Dr. No, lançado em 1962. O modelo usado pela atriz suíça Ursula Andress entrou para a história como o "biquíni de Dr. No".

A partir dos anos 1960, o sucesso da peça tornou-se irreversível. Surgiram diferentes versões, como o triquíni, com partes adesivas, e até o monokíni, que deixava os seios descobertos – embora este último nunca tenha alcançado grande popularidade.

A revolução da moda praia caminhou lado a lado com a crescente autonomia das mulheres. Foi a época da popularização da pílula anticoncepcional, da minissaia e dos movimentos de contestação social liderados pela juventude. Para muitas mulheres, o biquíni tornou-se um símbolo de liberdade.

BIQUÍNI SUPERA O VESTIDO DE NOIVA

Nas décadas de 1980 e 1990, muitas grandes semanas de moda passaram a encerrar seus desfiles com coleções de biquínis em vez dos tradicionais vestidos de noiva. Supermodelos como Claudia Schiffer, Linda Evangelista e Naomi Campbell disputavam essas apresentações.

Até hoje, o biquíni não perdeu seu poder. Cada vez mais, as mulheres demonstram confiança ao usá-lo, exibindo todos os tipos de corpos – sejam eles magros, curvilíneos ou marcados por gestações. Há quase 80 anos, o biquíni é uma declaração de liberdade,  e tudo indica que continuará sendo. Fonte: DW - domingo, 5 de julho de 2026

quarta-feira, 25 de março de 2026

Cidade de SP consumiu cerca de 20 milhões de pães franceses por dia em 2025

 Volume anual chega a 7,3 bilhões de unidades; alta de até 12% em relação a 2024 reforça tradição do pãozinho. Dia do Pão Francês é celebrado no sábado (21).

 RESUMO

·Em 2025, a cidade de São Paulo registrou o consumo de cerca de 20 milhões de unidades por dia, o que representa aproximadamente 7,3 bilhões ao longo do ano.

·O volume diário atual mostra crescimento em relação a 2024, quando o consumo era de cerca de 18 milhões de unidades por dia.

·A alta, estimada entre 10% e 12%, reflete a retomada do consumo e reforça a presença consolidada do produto no hábito alimentar dos paulistanos.

Presente no café da manhã, no lanche da tarde e até como acompanhamento das refeições, o pão francês segue como protagonista nas padarias da capital paulista.

Em 2025, a cidade de São Paulo registrou o consumo de cerca de 20 milhões de unidades por dia, o que representa aproximadamente 7,3 bilhões ao longo do ano, segundo levantamento enviado Sampapão, entidade que representa os industriais de panificação e confeitaria de São Paulo.

O volume diário atual mostra crescimento em relação a 2024, quando o consumo era de cerca de 18 milhões de unidades por dia. A alta, estimada entre 10% e 12%, reflete a retomada do consumo e reforça a presença consolidada do produto no hábito alimentar dos paulistanos.

Além de símbolo cultural, o pão francês também tem peso econômico significativo. Apenas na cidade de São Paulo, o faturamento gerado com o produto pode chegar a aproximadamente R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões por ano, considerando o preço médio praticado nas padarias.

Para o presidente do Sampapão, a data comemorativa é uma oportunidade de fortalecer a relação entre o setor e os consumidores.

“O pão francês é o grande convite diário para que as pessoas entrem nas nossas padarias. Celebrar o dia 21 de março com promoções e engajamento nas redes sociais é a nossa forma de agradecer ao paulistano por essa fidelidade histórica. 

Mostramos, assim, que a panificação sabe unir a maestria e a tradição das fornadas quentes com as novas tendências de relacionamento com o consumidor”, destaca o presidente do Sampapão. Fonte: g1 SP-21/03/2026

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Igreja sagrada família atinge altura máxima após 144 anos

A Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, atingiu nesta sexta-feira a sua altura máxima prevista de 172,5 metros com a colocação da cruz no topo de sua torre central, 144 anos após o início da construção do edifício.

Com a ajuda de um grande guindaste, os operários concluíram a instalação da cruz na torre de Jesus Cristo, a mais alta das 18 torres da basílica projetada no século 19 pelo arquiteto Antoni Gaudí (1852-1926), o gênio espanhol do Modernismo. A cruz tem 17 metros de altura e 13,5 metros de largura.

Desde outubro do ano passado, quando atingiu 162,9 metros de altura, a Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo, ultrapassando a igreja luterana Ulmer Münster, em Ulm, na Alemanha.

A aparência da Sagrada Família mudou consideravelmente nos últimos 15 anos, à medida que a construção progredia, com a conclusão das quatro torres dos Evangelistas, assim como da torre da Mãe de Deus.

CRUZ REVESTIDA DE VIDRO E CERÂMICA BRANCA VITRIFICADA

A peça instalada nesta sexta-feira é uma grande cruz com geometria de dupla torção, o mesmo método que Gaudí usou para as colunas da basílica. Ela é revestida de vidro e cerâmica branca vitrificada, para se assemelhar a um cristal, e nas extremidades dos braços horizontais haverá janelas de onde se poderá admirar a cidade.

O arquiteto responsável pela Sagrada Família, Jordi Faulí, disse que a torre foi criada precisamente com cerâmica e vidro para que parecesse "resplandecente".

Fabricada na Alemanha, a cruz chegou a Barcelona em quatorze peças maciças que foram pré-montadas na própria Sagrada Família, em uma plataforma de trabalho localizada a 54 metros acima da nave central. A cruz consiste em um braço inferior, quatro braços horizontais e um braço vertical – o único que ainda falta instala, Cada braço pesa aproximadamente doze toneladas.

"Hoje é um dia para celebrar e lembrar de todos aqueles que trabalharam para tornar esta torre uma realidade", disse o arquiteto.

Quando o trabalho de fixação da cruz estiver concluído, a Sagrada Família enfrentará a construção da terceira e última fachada do templo, a fachada da Glória, finalizando assim a obra-prima de Gaudí, cuja construção começou em 1882.

CONCLUSÃO AINDA SEM PRAZO DEFINIDO

A colocação da cruz marca um passo importante na criação do monumento mais visitado da Espanha, com 4,8 milhões de ingressos vendidos em 2024, cuja construção sofreu inúmeros contratempos desde que Gaudí assumiu o projeto.

Após o revés da pandemia de covid-19, que forçou o abandono dos planos de concluir o templo em 2026, a comissão de construção, uma fundação canônica privada, evita definir uma nova data definitiva para a conclusão, embora a expectativa seja de concluí-la em uma década.

Esses planos dependem de não haver mais contratempos que afetem o fluxo de visitantes, a principal fonte de financiamento das obras, e da resolução das divergências relativas à construção dos controversos acessos à fachada da Glória, a entrada principal que ainda precisa ser construída.

Segundo o projeto defendido pelos construtores, a fachada deverá ser precedida por uma grande escadaria e uma praça, cuja construção implicaria a demolição de vários edifícios residenciais, algo a que os moradores se opõem.

O conflito terá de ser mediado pela Câmara Municipal, que, em meio à crise habitacional da cidade, afirma que não haverá acordo que não garanta soluções habitacionais adequadas para os moradores. DW-sábado, 21 de fevereiro de 2026

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Pobreza avança na Alemanha e atinge 16% da população do país

 Estatísticas oficiais consideram como pobres quem tem renda inferior a 60% da renda média nacional. Em um ano, grupo aumentou em 200 mil, totalizando 13,3 milhões de pessoas. Alemães sofrem com alta do custo de vida.

O número de pessoas ameaçadas pela pobreza aumentou na Alemanha : passou de 13,1 milhões em 2024 para 13,3 milhões em 2025, o equivalente a 16,1% da população.

Os dados são do microcenso do Escritório Federal de Estatísticas (Destatis), que segue uma definição relativa da União Europeia: é considerado pobre aquele que tem renda inferior a 60% da renda média da população nacional.

Esse valor varia de acordo com a situação familiar de cada um. No caso dos solteiros, é considerado vulnerável à pobreza quem tem renda líquida de até 1.446 euros por mês (R$ 8.920). Para famílias compostas por dois adultos e dois menores com até 14 anos, esse limiar é de 3.036 euros (R$ 18.729).

RISCO É MAIOR ENTRE ESTRANGEIROS

Desempregados e pessoas que vivem sozinhas são os grupos mais afetados (64,9% e 30,9%, respectivamente), seguidos de mães ou pais solo (28,7%) e aposentados (19,1%).

O risco de pobreza também é significativamente maior entre estrangeiros, atingindo quase um terço deste grupo (32,5%). Já entre alemães, esse percentual é de 13,2%. Ainda assim, o percentual aumentou nos dois grupos em relação a 2024.

CUSTO DE VIDA AUMENTOU DESDE A GUERRA NA UCRÂNIA

Os alemães têm sofrido com uma alta acentuada no custo de vida, puxada principalmente pelos aluguéis e pela escalada geral de preços desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

"A pobreza não é só um número abstrato", declarou Katja Kipping, da Associação Paritária Nacional, que reúne entidades privadas dedicadas à promoção do bem-estar social no país. "Para os afetados, a pobreza significa crianças sem casaco de inverno, famílias que precisam economizar no aquecimento, pessoas que postergam uma visita ao dentista."

Michaela Engelmeier, da Associação Social Alemã, lembrou os debates internos recentes no governo sobre cortes na assistência social : "Em vez de discutir cortes, é preciso taxar grandes fortunas de forma justa e [garantir] uma seguridade social consistente ." Fonte:DW-terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

sábado, 7 de setembro de 2024

Brasil é 6ª economia que mais cresceu no mundo em 2024


A economia brasileira chegou até a metade de 2024 tendo crescido 2,5% nos 12 meses anteriores — o que coloca o país em 6º lugar entre as economias do G20 que mais cresceram neste ano. O G20 é um grupo que reúne algumas das maiores economias do mundo.

Entre junho de 2023 e junho deste ano, o Brasil só cresceu menos do que Índia, Indonésia, China, Rússia e Estados Unidos — e igualou o índice da Turquia.

Registraram crescimento menor do que o Brasil os seguintes países: Coreia do Sul, Canadá, México, França, Itália e Reino Unido — além da zona do euro, como um todo.

A Alemanha registrou crescimento nulo, e a Arábia Saudita viu sua economia contrair no período.

África do Sul, Argentina, Austrália e Japão ainda não têm dados sobre o segundo trimestre de suas economias.

Os resultados do Brasil e de outros países confirmam uma tendência apontada para este ano por relatórios de grandes entidades — como Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) — de que a economia global está se normalizando após anos de instabilidade provocada pela pandemia e por conflitos.

Eles sinalizam que o crescimento econômico está vindo de dois lugares em especial: dos Estados Unidos e dos mercados emergentes, entre eles o Brasil. Fonte: BBC Brasil - 3 setembro 2024

terça-feira, 9 de julho de 2024

Revolução Constitucionalista de 1932 em São Paulo


A Revolução Constitucionalista de 1932 de 1932 completa 92 anos nesta terça-feira (9), data considerada magna no estado de São Paulo por ter marcado o conflito armado entre forças paulistas que tinham por objetivo derrubar o governo de Getúlio Vargas. O militar gaúcho havia assumido a presidência do governo provisório nacional após um golpe de Estado decorrente da Revolução de 1930, contra o presidente eleito Júlio Prestes, representante da política paulista.

O dia tornou-se feriado estadual em 1997, com a aprovação da Lei 9.497 pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) e promulgada pelo ex-governador Mário Covas, que instituiu o 9 de julho como Data Magna de São Paulo.

Outra causa do conflito foi a ruptura da política do ‘café com leite’, a alternância de poder entre as elites de Minas Gerais e São Paulo, que caracterizou a República Velha (1889-1930). Indignados com a situação, setores da sociedade paulista passaram a promover grandes mobilizações populares contra o governo, que se estendiam para outros estados como Minas Gerais, Alagoas e Rio Grande do Sul.

No Rio de Janeiro, em 1931, o Partido Comunista Brasileiro (PCB) organizou uma manifestação contra a carestia, violentamente reprimida. O estopim da fase armada do levante foi uma manifestação no dia 23 de maio de 1932, na Praça da República, onde ficava a sede do governo do interventor nomeado por Vargas.

Foi nessa ocasião em que um conflito após uma invasão a um escritório do Partido Popular Paulista deixou mortos quatro estudantes: Mario Martins de Almeida, Euclydes Bueno Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Américo de Camargo Andrade, que passaram a ser mártires do movimento, que adotou a sigla MMDC, com as iniciais dos nomes dos estudantes. Um quinto manifestante morreu dias depois no hospital.

A rebelião armada estourou no dia 9 de julho e voluntários começaram a se apresentar para engrossar o exército a favor da causa paulista. As operações militares começaram no dia 12 de julho com frentes de batalha nas divisas com o Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e no litoral, com pelo menos 50 mil homens. Entretanto, o exército federal era bem maior e melhor equipado, com cerca de 100 mil pessoas, e São Paulo acabou perdendo o apoio dos outros estados, exceto do Mato Grosso.

A batalha durou três meses e acabou com a rendição dos paulistas no dia 2 de outubro. Em maio de 1933, foram realizadas eleições para a Assembleia Constituinte e, em novembro, foi elaborada a Constituição brasileira, promulgada pelo presidente Getúlio Vargas, em 1934.

POLÊMICAS

Segundo o historiador Francisco Quartim de Moraes, as causas para que São Paulo se levantasse em uma guerra civil contra o resto do país são, além de complexas, motivo de polêmica. Moraes explicou que parte da oligarquia paulista, sobretudo aqueles que estavam ligados ao Partido Republicano Paulista, buscavam a retomada do poder, quase hegemônico, que exerceram durante toda a Primeira República.

“Esse poder foi colocado em cheque pela Revolução de 1930. Também lhes motivava o medo de uma Revolução Social mais radical. Outro grupo político, o Partido Democrático, havia apoiado o movimento de 30, mas se sentia alijado dos rumos que o Governo Provisório tomava. Durante a interventoria de João Alberto, nomeado para o cargo por Getúlio Vargas, a crise se agudizou exponencialmente’, disse o historiador.

De acordo com Moraes, o novo interventor, socialista e revolucionário, ex-comandante de um destacamento da Coluna Miguel Costa-Luis Carlos Prestes, tomou uma série de medidas que assustaram o poder político e econômico paulista. Entre elas, houve a promulgação de leis trabalhistas e a tentativa de legalização do Partido Comunista do Brasil no estado de São Paulo.

“Se no início a campanha paulista se centrou no pedido da nomeação de um interventor ‘paulista e civil’ em oposição a João Alberto, que era pernambucano e militar, depois que Vargas nomeou interventores paulistas e civis, como o próprio Pedro de Toledo, que seguiu como governador de São Paulo mesmo durante o movimento armado iniciado em 09 de julho, essa campanha perdeu o seu sentido”, diz o historiador.

Segundo ele, o mesmo ocorreu com a campanha que dá nome oficial ao movimento, quando paulistas (e também outras figuras de todo o país) clamavam pela reconstitucionalização do país. Se em um primeiro momento essa campanha teve força e encontrou eco no pensamento de muitos brasileiros, depois que Vargas promulgou o Código Eleitoral em 24 de fevereiro de 1932, com medidas como o voto feminino, a justiça eleitoral e o voto secreto, e depois marcou oficialmente, em 14 de maio de 1932, a data para que ocorresse a constituinte de 1933-1934, essa argumentação perdeu a maior parte de sua força.

“Ambas as datas são anteriores ao levante de 9 de julho e, portanto, não podem ter sido resultado da guerra civil. São Paulo buscava retornar à federalização garantida pela constituição de 1891. Isso era explícito nos discursos e manifestos do movimento paulista. Enquanto a Revolução de 30 havia tido um caráter centralizador”, explicou.

Para Moraes, embora muitos autores indiquem que a reconstitucionalização seja um legado do movimento paulista de 1932, isso não condiz com a ordem dos fatos. “A reconstitucionalização do país já estava completamente estruturada, nos moldes em que ocorreu meses antes do início da guerra civil. O legado concreto de 1932 é a criação de um sentimento de identidade no povo paulista, o que hoje podemos chamar de paulistaneidade. Realçada todo 9 de julho e que teve no quarto centenário da cidade, em 1954, um momento chave com a criação do Obelisco do Ibirapuera”, finalizou o historiador. Fonte: Agência Brasil - São Paulo - Publicado em 09/07/2024  


sexta-feira, 1 de março de 2024

Os perigos, vícios e diversões da vida noturna na Roma antiga

 Quando o sol baixava, Roma se tornava algo bem diferente das imagens de filmes e séries

Muitos de nós conseguem imaginar os brilhantes espaços cobertos de mármore da Roma antiga em um dia ensolarado, porque esta é a imagem exibida por filmes e séries, além dos livros de história.

Mas o que acontecia ao anoitecer?

Mais especificamente, o que acontecia com a grande maioria da população da cidade imperial que vivia em casas abarrotadas e não nas amplas mansões dos mais ricos?

Lembre-se de que, no século 1 a.C., na época de Júlio César, a Roma antiga era uma cidade de 1 milhão de habitantes: ricos e pobres, escravos e ex-escravos, nativos e estrangeiros.

Foi a primeira métropole multicultural do mundo, com bairros marginais, residências de múltiplas ocupações e zonas de aterros sanitários - e tendemos a nos esquecer disso tudo quando nos concentramos em suas magníficas colunas e praças.

Então, como era a cidade de Roma, a verdadeira Roma, depois que se apagavam as luzes?

CAMINHAR PELAS RUAS PODIA SER FATAL

O melhor ponto de partida é a sátira do poeta Juvenal, que evocou uma imagem desagradável da vida cotidiana em Roma ao redor de 100 d.C..

O poeta Juvenal escreveu uma sátira sobre as noites da Roma antiga.Juvenal alertou sobre os riscos de caminhar pelas ruas ao anoitecer sob janelas abertas. No melhor dos casos, podiam chover os excrementos armazenados durante o dia. No pior, uma pessoa podia ser acertada na cabeça pelos objetos lançados dos andares superiores.

"Penses nos diferentes e diversos perigos da noite. (...)

Se tu fores a um jantar sem um testamento, merecerás a pena de ser chamado de incauto e indiscreto, porque estarás sujeito a muitos perigos.

Há morte sob cada janela aberta em seu caminho.

Farás bem, portanto, se ao céu pedires que a maior desgraça que tentem te causar, seja que se contentem em banhar-te, jogando sobre ti o vaso pestilento."

Juvenal também fala do risco de topar com pessoas ricas que passeavam com seus mantos escarlates e comitivas de seguidores parasitas e empurravam para o lado quem estivesse em seu caminho.

MAS ESTA VISÃO DO POETA DE ROMA À NOITE É PRECISA?

Foi realmente um lugar onde coisas caíam sobre as cabeças dos transeuntes, onde os ricos e poderosos te derrubavam no chão e passavam por cima e no qual, como Juvenal observa em outras passagens, uma pessoa corria o risco de ser assaltada e roubada por gangues de bandidos? Provavelmente, sim.

NÃO HAVIA FORÇA POLICIAL

Fora do esplêndido centro cívico, Roma era um labirinto de ruelas estreitas e corredores. Não havia iluminação pública, nem locais adequados onde jogar fora excrementos ou, ainda, vigilância de uma força policial. Ao anoitecer, deve ter sido um lugar ameaçador.

A única proteção pública possível de esperar era a força paramilitar dos vigias urbanos. O que exatamente faziam e quão efetivos eram são pontos abertos para debate.

Os vigias deveriam proteger Roma de incêndios, mas, quando a cidade ardeu em 64 d.C., eles aproveitaram para saquer

Estavam divididos em batalhões, e sua principal tarefa era vigiar o surgimento de incêndios, algo frequente nos blocos de casas mal construídas, com braseiros ardendo nos andares de cima.

Mas havia poucas ferramentas para lidar com eles, além de uma pequena quantidade de vinagre, algumas mantas para sufocar as chamas e hastes pesadas para derrubar as construções vizinhas e evitar que o incêndio se propagasse.

Às vezes, eles se tornavam heróis. De fato, há um memorial para um vigia em Ostia, perto de Roma, que tentou resgatar pessoas presas pelo fogo e morreu no processo - seu enterro foi pago pelo poder público.

Mas nem sempre eram tão altruístas. No grande incêndio de Roma do ano 64 d.C., a história conta que os vigias participaram dos saques à cidade e se aproveitaram de seu conhecimento sobre ela para encontrar grandes riquezas.

PROTEÇÃO POR CONTA PRÓPRIA

De qualquer forma, os vigias não eram uma força policial e tinham pouca autoridade quando ocorriam pequenos delitos noturnos.

 OS ROMANOS NÃO TINHAM PROTEÇÃO APÓS A CHEGADA DA NOITE

Quem fosse vítima de um, tinha de se defender sozinho, como mostra um caso particularmente difícil discutido em um antigo manual sobre direito romano.

O caso se refere a um comerciante que mantinha seu negócio aberto à noite e deixou uma luminária no balcão que dava para a rua. Quando o objeto foi roubado, o dono da loja perseguiu o ladrão, e eles começaram a brigar.

O criminoso tinha uma arma - um pedaço de corda com um metal na ponta - e a usou contra o comerciante, que reagiu com um golpe tão forte que arrancou o olho do ladrão.

O dilema dos advogados romanos era se o comerciante era responsável pelo ferimento. Em um debate que ecoa alguns dos nossos próprios dilemas de até onde o dono de um negócio ou imóvel pode ir para se defender de um criminoso, os advogados disseram que o ladrão estava armado e havia dado o primeiro golpe, portanto, devia assumir a responsabilidade de ter pedido um olho.

O incidente é um bom exemplo do que poderia ocorrer nas ruas de Roma depois do anoitecer: pequenas brigas podiam ganhar grandes proporções e uma vasilha jogada de uma janela poderia ser fatal.

BARES E JOGOS DE AZAR

Mas a noite romana não era apenas perigosa: era também divertida. Havia clubes, tabernas e bares abertos até altas horas.

Ainda que uma pessoa compartilhasse uma casa pequena com muita gente, se fosse um homem, poderia escapar do aperto por algumas horas para beber, fazer apostas ou se divertir com as garçonetes.

A elite romana desprezava estes locais. Ainda que o jogo fosse uma das atividades favoritas da sociedade romana - dizia-se que o imperador Claudio havia escrito um manual sobre o tema -, isso não impediam que as classes mais altas denunciassem os maus hábitos dos pobres e seu vício em jogos de azar.

Felizmente, temos algumas imagens da diversão em bares romanos do ponto de vista dos cidadãos comuns e não de seus críticos. Elas não estão em Roma, mas nas paredes dos bares de Pompeia, e mostram cenas típicas: grupos de homens sentados ao redor de mesas, pedindo outra rodada de bebidas, a interação entre clientes e garçonetes e uma grande quantidade de jogos. Há até indícios de violência.

E OS RICOS?

Onde estavam os mais ricos durante essa agitada vida noturna nas ruas? A maioria estava comodamente dormindo em suas camas, em casas luxuosas, com o auxílio de escravos e a proteção de cães de guarda.

Por trás das suas portas, reinava a paz - a menos, é claro, que houvesse um ataque -, e só ouviam os sons da vida dura nas ruas. Mas havia romanos na elite para quem a vida nas ruas era muito mais emocionante, e era ali que eles queriam estar.

O imperador Nero costumava vagar pelas ruas de Roma disfarçado para se divertir e provocar confusão

Nas ruas de Roma, podia-se encontrar o imperador Nero em suas noites livres. Ao anoitecer, segundo conta seu biógrafo Suetônio, ele se disfarçava, visitava os bares da cidade e vagava pelas ruas, provocando confusão com seus companheiros.

Quando cruzava com homens a caminho de casa, os golpeava. Quando tinha vontade, invadia lojas fechadas e vendia no palácio o que roubava. Também se metia em brigas e, aparentemente, corria com frequência o risco de ser ferido ou morto.

E, ainda que muitos dos ricos evitassem sair de casa depois do anoitecer, outros faziam isso acompanhados por escravos que atuavam como seguranças privados ou um grande séquito de ajudantes, em busca de diversão.

Pelos relatos de Suetônio, talvez um dos maiores perigos de se andar à noite em Roma fosse encontrar o imperador. Fonte: BBC History - 26 março 2019


sábado, 20 de janeiro de 2024

10 DICAS DE ANTIGOLPE

1. Cuidado com as suas senhas

Não compartilhe sua senha com amigos e parentes ou encaminhe senhas por aplicativos de mensagens, e-mails ou SMS. Nunca utilize dados pessoais como senha (ex. data de aniversário, placa de carro etc.), nem números repetidos ou sequenciais (ex. 111111 ou 123456), nem anote senhas em papel, no celular ou no computador. 

2. Cuidados com seu cartão

Nunca entregue seu cartão a ninguém. Os bancos não pedem os cartões de volta, mesmo se houver a possibilidade de fraude ou defeito. Eles também não mandam um portador buscar seu cartão.

3. Confira seu cartão após uma compra

Ao terminar de realizar uma compra na maquininha, verifique o nome no cartão para ter certeza de que realmente é o seu. Sempre confira o valor na maquininha antes de digitar a sua senha. E proteja o código de segurança.

4. Ative duplo fator de autenticação

Sempre ative a função de segurança “duplo fator de autenticação” em suas contas na internet que oferecem essa opção: e-mail, redes sociais, aplicativos, sistemas operacionais etc.

5. Atenção com ligações

Se receber contato em nome do banco solicitando para ligar para sua Central de Atendimento, ligue a partir de outro aparelho, assim evita que o golpista “prenda” a sua linha telefônica e nunca informe suas senhas.

6. Nunca clique em links desconhecidos

Sempre confira a origem das mensagens ao receber promoções e e-mails que se dizem do banco. Nunca clique em links de promoções muito vantajosas ou que peçam sincronização, atualização, manutenção de token, app ou cadastro. O banco nunca envia e-mails informando que sua conta foi invadida e pede para enviar os seus dados.

7. Cuidado em compras online

Dê preferência a sites conhecidos e confira sempre se o endereço do site é o verdadeiro. Para garantir, não clique em links, digite o endereço no navegador. Sempre use o cartão virtual para realizar compras na internet.

8. Cuidado nas operações bancárias

Sempre confira o nome do recebedor ao pagar um boleto, realizar transferências ou Pix.

9. Não fotografe ou filme a tela do caixa eletrônico ao usá-lo

Nunca envie fotos, vídeos ou capturas de tela pelo celular. Se precisar de auxílio no caixa eletrônico, peça ajuda a um funcionário do banco devidamente identificado.

10. Cuidado com o que compartilha nas redes sociais

Um simples post pode dar muitas informações sobre você para golpistas. O que você compartilha pode ajudar bandidos a conhecer seu perfil e comportamento.  Fonte: Febraban

terça-feira, 31 de outubro de 2023

31 de outubro: verdadeira história do Halloween e Saci-pererê

Os celtas, um povo que viveu bem antes do nascimento de Jesus Cristo na região onde hoje ficam Inglaterra, Escócia e Irlanda, comemoravam o Dia de Samhain (pronuncia-se "so-in") em 31 de outubro. Era o fim da "temporada do sol" e o começo do frio, quando chegava o inverno e a terra congelava.

Mas a data também marcava para eles a abertura de um portal entre o mundo dos mortos e o dos vivos. Nesse dia, acreditavam que as almas dos mortos saiam à procura dos vivos —o que gerava muito, muito medo dessa "visita" anual. Daí eles resolveram se vestir da forma mais estranha possível, para não parecerem humanos e despistarem os espíritos.

Quase dois mil anos depois, os celtas foram conquistados pelos romanos, que comemoravam o Dia de Pomona na mesma época do Samhain. Pomona era a deusa da agricultura, frutas e jardins. Assim, verduras e maçãs, simbolizando fartura de alimentos para as colheitas do ano seguinte, foram incluídas na antiga festa celta.

FERIADO DE TODOS OS SANTOS

Mais mil anos se passaram, e veio a influência da Igreja Católica, com o feriado de primeiro de novembro, chamado de All Hallows Day (Dia de Todos os Santos, em inglês).

No dia anterior, o 31 de outubro, ficou conhecido como Hallows Eve, ou "véspera de Todos os Santos", dando origem ao nome que conhecemos hoje, Halloween.

Permaneceu o costume celta de acender e danças na fogueiras, usando fantasias de esqueletos, diabinhos, fantasmas e monstros e enfeitando as casas com lanternas feitas de abóboras escavadas e iluminadas por dentro com a chama de uma vela.

Ficaram também as superstições: se uma moça descascar uma maçã sem romper a casca e atirá-la por cima do ombro, à meia-noite, ao cair no chão ela formará a primeira letra do nome de seu futuro marido.

Na Irlanda, as crianças iam de casa em casa pedindo alimentos para comemorar a noite de Halloween, o que deu origem ao hábito de pedir doces dizendo: "gostosuras ou travessuras!"

NO BRASIL, VIVA O SACI

Como você pode ver, o Halloween, ou Dia das Bruxas, como é conhecido no Brasil, combina várias tradições muito antigas dos povos da Europa, e, mais tarde, da América do Norte.

Vários grupos ligados ao folclore brasileiro, isto é, nossa cultura popular, protestaram contra a adoção dessa festividade "importada" e criaram o Dia do Saci, em 31 de outubro, para valorizar as lendas daqui. Fonte: UOL Educação-24/10/2023  

"QUANDO SURGIU A LENDA DO SACI 


O estudo das origens das lendas do folclore brasileiro é alvo do interesse de diversos folcloristas. No caso do saci, esses estudos apontam que sua lenda remonta ao final do século XVIII ou começo do século XIX. Isso porque não existem relatos sobre saci nos primeiros séculos do período colonial do Brasil como existem de outras lendas, como a do curupira, que é mencionada em um relato de 1560.

A lenda do saci surgiu, segundo os estudos, na região Sul do Brasil entre os índios guarani. Conta-se que, a princípio, era conhecida no idioma tupi-guarani como çaa cy perereg. A influência dessa lenda no Sul foi tão grande que ela não ficou reclusa ao Brasil e espalhou-se pelos países vizinhos. Na Argentina, Uruguai e Paraguai, o saci-pererê é conhecido como yacy-yateré, e existem algumas diferenças entre essas versões.

O yacy-yateré, diferentemente do saci, não é careca e possui cabelos loiros, usa um bastão de ouro como varinha mágica (que o torna invisível) e um chapéu de palha. É anão assim como o saci, mas faz travessuras diferentes: os paraguaios acreditam que yacy-yateré atrai crianças para fazer maldade com elas: roubar, ou deixá-las loucas ou surdas, dependendo da versão.

Os argentinos, por sua vez, falam que yacy atrai moças solteiras para então engravidá-las e, diferentemente do saci brasileiro, aquele tem as duas pernas. As diferenças entre as lendas são resultados das diferenças das culturas que as influenciaram.

A lenda do saci, como citado, surgiu no Sul do Brasil, mas acabou espalhando-se por todo o território brasileiro e incorporando elementos de outras lendas regionais que apresentam seres com características parecidas, como a caipora, na região central do país, e o matintapereira, na região Norte.

Os folcloristas brasileiros também apontam diversas lendas de origem europeia que podem ter influenciado as características do saci. Um dos exemplos mais citados é o trasgo, um ser de pequena estatura que faz maldades e faz parte do folclore de Portugal. O hábito de fumar que o saci possui é atribuído à influência das culturas indígena e africana, nas quais esse ato era comum. Outro elemento da cultura africana é o fato do saci ter perdido uma das pernas após uma luta de capoeira.

Na origem da lenda do saci, ele era um protetor da floresta e, por isso, muitos consideram-no como um personagem derivado da lenda do curupira. Na medida em que sua história espalhou-se, ela foi incorporando outros elementos que fazem parte do folclore de cada região e que podem ser oriundos de outras culturas.

SACI-PERERÊ E MONTEIRO LOBATO

O trabalho de Monteiro Lobato como escritor foi responsável por popularizar a lenda do saci no Brasil.

Até o começo do século XX, a lenda do saci era muito conhecida nos rincões do país, mas, por meio de Monteiro Lobato, ela ganhou nova importância e dimensão. Esse é um famoso escritor do começo do século XX que ficou famoso por ter criado uma das histórias infantis mais conhecidas do Brasil: Sítio do pica-pau-amarelo.

A associação de Monteiro Lobato com a lenda do saci iniciou-se em 1917, quando o escritor realizou um inquérito no jornal O Estado de São Paulo, com o objetivo de colher respostas dos leitores a respeito do que eles sabiam ou tinham ouvido falar sobre ela. O retorno foi considerável, e Monteiro Lobato recebeu dezenas de respostas dos leitores do jornal.

Com base nessas respostas, o escritor e folclorista sistematizou a lenda do saci para dar origem ao livro Sacy-pererê: resultado de um inquérito, publicado em 1918. Esse livro foi o primeiro no Brasil sobre a lenda do saci e foi o responsável por espalhá-la por regiões que não a conheciam. Em 1921, Monteiro Lobato adaptou a lenda para o público infantil ao publicar O saci, livro que faz parte da coleção do Sítio do pica-pau-amarelo." Fonte: Daniel Neves Silva, formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG)

sábado, 28 de outubro de 2023

Brasil exclui do consumo idosos 60+, que já superam jovens de 20 anos

Preconceito com a idade torna mais velhos invisíveis para empresas, seja como consumidores, seja como profissionais. Fonte: Folha de São Paulo - 14.out.2023



sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Número de bares e restaurantes com prejuízo em agosto aumenta 5%

Em todo o país, o número de bares e restaurantes que encerraram o mês de agosto no prejuízo cresceu 5%, segundo pesquisa da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) divulgada na quinta-feira (12) para a Agência Brasil. Os dados mostram, ainda, que 24% das empresas ficaram no vermelho no mesmo mês, enquanto 34% tiveram equilíbrio financeiro e 41% dos estabelecimentos pesquisados acusaram lucro.

A principal razão apontada para o saldo negativo no caixa dos bares e restaurantes foi a queda das vendas no mês, sinalizada por 82% dos entrevistados. A redução do número de clientes (67%), dívidas (43%) e custo dos insumos (36%) foram as outras causas apontadas por empresários que tiveram prejuízo. Foram entrevistados 1.979 donos de bares e restaurantes em todo o Brasil entre os dias 28 de setembro e 6 e outubro.  

O levantamento indica, ainda, que as empresas mais novas são as que mais operam no prejuízo. Das que têm entre um e três anos, 33% tiveram prejuízo. Das com mais de 10 anos, o percentual cai para 18%. Outro fator que interfere é o tamanho da empresa.

Dos bares e restaurantes com faturamento de até R$ 1 milhão, 33% encerraram agosto no prejuízo, enquanto apenas 8% dos que têm faturamento acima de R$ 4,8 milhões fecharam agosto no vermelho. 

No vermelho

O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, destacou que, mesmo que a inflação esteja mais controlada, os meses no prejuízo dificultam recompor as perdas que o setor teve com a pandemia.

"Apesar do Dia dos Pais, as empresas do setor tiveram um agosto mais duro, apontando uma ligeira queda no movimento. Quem sofre mais são as empresas mais novas, que ainda estão investindo e aprendendo a controlar os custos, e os empreendimentos menores, que têm mais dificuldade com o fluxo de caixa", finalizou. Fonte: Agência Brasil – Brasília - Publicado em 12/10/2023