domingo, 11 de outubro de 2026

Produção de vinho na França deve ter pior safra em décadas

 Verão mais quente já registrado no país reduziu a produtividade dos vinhedos, e safra deve registrar queda pelo terceiro ano seguido. Na região de Champagne, colheita caiu quase pela metade em relação ao ano passado.

Após um verão marcado por ondas de calor, incêndios, e seca severa, a produção de vinho na França deve ser uma das piores dos últimos 30 anos, informou nesta segunda-feira (07/09) o Ministério da Agricultura francês.

A primeira estimativa oficial para a produção francesa no ano de 2026 está em 33,9 milhões de hectolitros, ou cerca de 4,5 bilhões de garrafas — 6% a menos do que no ano passado. O valor está 17% abaixo da média do período entre 2021 e 2025. É o terceiro ano consecutivo de safra fraca no país.

A França é o segundo maior produtor de vinhos do mundo (atrás apenas da Itália), e o maior exportador em termos de valor. Além das condições climáticas, o setor também foi impactado pelas tarifas vindas dos Estados Unidos, e por mudanças nos hábitos de consumo.

CHAMPAGNE ESTÁ ENTRE AS REGIÕES AFETADAS

A queda é particularmente grave em Champagne, no Nordeste do país, onde a produção deve ficar 49% abaixo do nível de 2025 e 47% inferior à média dos últimos cinco anos.

Outras regiões também devem registrar queda: em Bourgogne-Beaujolais, a produção deve ser um terço menor do que no ano passado; em Val de Loire, deve cair 12%; e em Charentes, 6%.

Já a maior região produtora da França, Languedoc-Roussillon, espera um crescimento de 5% em relação ao ano passado. Em Bordeaux, a safra deve ser 10% melhor em relação a 2025, depois que as chuvas do fim de agosto ajudaram a amenizar os efeitos da seca. A produção nas duas regiões, contudo, segue abaixo da média.

Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), 2025 já havia sido uma baixa histórica na produção de vinhos francesa, a menor safra desde 1957.

CRISE CLIMÁTICA PRESSIONA AGRICULTURA FRANCESA

Produtores de vinho na França iniciaram a colheita das uvas mais cedo do que o normal em 2026 devido às condições de calor extremo, de acordo com o Ministério da Agricultura. O mesmo aconteceu em outros países da Europa.

Embora a primavera tenha inicialmente proporcionado perspectivas melhores para a colheita deste ano, a seca e as ondas de calor do verão danificaram os vinhedos e reduziram a produtividade.

Além disso, a área cultivada para a produção de vinho está 2,5% menor em 2026 em comparação com 2025, já que produtores chegaram a arrancar parte de seus vinhedos nos últimos anos pelo excesso de oferta em relação ao consumo.

Não só os vinhedos têm sentido o impacto da crise climática. A agricultura francesa foi fortemente impactada pelas ondas de calor recorde e pela seca deste verão. Em agosto, o jornal The Guardian noticiou estimativas de perdas de milhares de toneladas de hortaliças, incluindo alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró.

Na sexta-feira (04/09), A França anunciou um pacote emergencial de ajuda para agricultores com valor superior a 1 bilhão de euros.

Em outros países da Europa, como Espanha, Grécia, Itália e Portugal, as condições do clima têm pressionado o cultivo de oliveiras e a produção de azeite. Fonte: DW- segunda-feira, 7 de setembro de 2026

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