segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Alemanha poderá ter déficit de mais de 700 mil trabalhadores

 Falta de mão de obra qualificada deve quase dobrar até 2029, aponta estudo. Fenômeno deve ser agravado, entre outros fatores, por aposentadorias e queda na migração.

A Alemanha corre o risco de não conseguir encontrar mão de obra qualificada para 723 mil vagas em seu mercado de trabalho até 2029.

Os dados, divulgados na segunda-feira (07/09), são de um estudo do Instituto da Economia Alemã (IW), ligado ao setor empresarial, que em 2024 contabilizou um déficit de 370 mil profissionais.

O maior déficit projetado, cerca de 39,1 mil vagas, é para vendedores no comércio. Outras áreas fortemente afetadas incluem a educação infantil (29,9 mil) e assistência social e pedagogia social (23,6 mil), seguidas pelos setores de enfermagem e cuidados de saúde (18,7 mil), instalações elétricas na construção civil (17,4 mil) e fisioterapia (16,3 mil).

MAIS APOSENTADOS, MENOS IMIGRANTES

A escassez de mão de obra deve ser agravada, entre outros fatores, pela entrada de muitas pessoas na aposentadoria ao longo dos próximos anos.

Ao mesmo tempo, a renovação da força de trabalho deverá ser insuficiente, já que a Alemanha poderá atrair menos trabalhadores do exterior.

Além disso, pesou nos cálculos dos economistas a expectativa de uma recuperação da economia alemã, o que tende a aumentar ainda mais a demanda por profissionais qualificados.

Os autores do estudo, contudo, ressaltaram que o déficit pode ser ainda maior, já que seus cálculos não levam em conta a tendência de queda nas taxas de natalidade.

O especialista em mão de obra qualificada do IW, Alexander Burstedde, afirmou que a falta de mão de obra qualificada será sentida pelos alemães no dia a dia, "por exemplo na busca por uma vaga numa casa de repouso ou por um prestador de serviços", como encanadores e pedreiros.

"Os políticos precisam aumentar os incentivos ao trabalho e providenciar mais imigração qualificada vinda de outros países da UE", recomendou.

A análise do IW projeta a evolução do mercado de trabalho até 2029 com base em dados disponíveis até o final de 2024 para cerca de 1.300 ocupações.  Fonte: Redação DW - 07/09/2026  

domingo, 11 de outubro de 2026

Produção de vinho na França deve ter pior safra em décadas

 Verão mais quente já registrado no país reduziu a produtividade dos vinhedos, e safra deve registrar queda pelo terceiro ano seguido. Na região de Champagne, colheita caiu quase pela metade em relação ao ano passado.

Após um verão marcado por ondas de calor, incêndios, e seca severa, a produção de vinho na França deve ser uma das piores dos últimos 30 anos, informou nesta segunda-feira (07/09) o Ministério da Agricultura francês.

A primeira estimativa oficial para a produção francesa no ano de 2026 está em 33,9 milhões de hectolitros, ou cerca de 4,5 bilhões de garrafas — 6% a menos do que no ano passado. O valor está 17% abaixo da média do período entre 2021 e 2025. É o terceiro ano consecutivo de safra fraca no país.

A França é o segundo maior produtor de vinhos do mundo (atrás apenas da Itália), e o maior exportador em termos de valor. Além das condições climáticas, o setor também foi impactado pelas tarifas vindas dos Estados Unidos, e por mudanças nos hábitos de consumo.

CHAMPAGNE ESTÁ ENTRE AS REGIÕES AFETADAS

A queda é particularmente grave em Champagne, no Nordeste do país, onde a produção deve ficar 49% abaixo do nível de 2025 e 47% inferior à média dos últimos cinco anos.

Outras regiões também devem registrar queda: em Bourgogne-Beaujolais, a produção deve ser um terço menor do que no ano passado; em Val de Loire, deve cair 12%; e em Charentes, 6%.

Já a maior região produtora da França, Languedoc-Roussillon, espera um crescimento de 5% em relação ao ano passado. Em Bordeaux, a safra deve ser 10% melhor em relação a 2025, depois que as chuvas do fim de agosto ajudaram a amenizar os efeitos da seca. A produção nas duas regiões, contudo, segue abaixo da média.

Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), 2025 já havia sido uma baixa histórica na produção de vinhos francesa, a menor safra desde 1957.

CRISE CLIMÁTICA PRESSIONA AGRICULTURA FRANCESA

Produtores de vinho na França iniciaram a colheita das uvas mais cedo do que o normal em 2026 devido às condições de calor extremo, de acordo com o Ministério da Agricultura. O mesmo aconteceu em outros países da Europa.

Embora a primavera tenha inicialmente proporcionado perspectivas melhores para a colheita deste ano, a seca e as ondas de calor do verão danificaram os vinhedos e reduziram a produtividade.

Além disso, a área cultivada para a produção de vinho está 2,5% menor em 2026 em comparação com 2025, já que produtores chegaram a arrancar parte de seus vinhedos nos últimos anos pelo excesso de oferta em relação ao consumo.

Não só os vinhedos têm sentido o impacto da crise climática. A agricultura francesa foi fortemente impactada pelas ondas de calor recorde e pela seca deste verão. Em agosto, o jornal The Guardian noticiou estimativas de perdas de milhares de toneladas de hortaliças, incluindo alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró.

Na sexta-feira (04/09), A França anunciou um pacote emergencial de ajuda para agricultores com valor superior a 1 bilhão de euros.

Em outros países da Europa, como Espanha, Grécia, Itália e Portugal, as condições do clima têm pressionado o cultivo de oliveiras e a produção de azeite. Fonte: DW- segunda-feira, 7 de setembro de 2026

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Por que ostentamos? O que está por trás do consumo de luxo

Segundo especialistas, status e exclusividade influenciam relação com consumo, mas pesquisas apontam que motivação podem ir muito além do dinheiro

Luxo de ostentação: pesquisas apontam relação com insegurança, identidade e até para conquista de parceiros

Fernanda* tinha acabado de completar 18 anos quando recebeu o primeiro salário. Com o dinheiro na conta, decidiu comprar uma bolsa que, diz ela, talvez custasse, na época, mais do que ela havia recebido naquele mês já que, por isso, a compra foi parcelada diversas vezes.

Aquela foi, segundo ela, a primeira de muitas compras feitas acima do que precisava ou podia pagar, buscando "o melhor”. O padrão se repetiu com outros itens e, mais tarde, com um carro que ela própria considera maior e mais sofisticado do que sua rotina exigia.

"Eu sempre fui sozinha com meu filho. Então, eu não precisava comprar um carro grande, cheio de coisas. E eu queria sempre o melhor, o mais caro, com mais sofisticação. Tudo do bom e do melhor, sem necessidade”, conta.

Fernanda diz que havia algo além do desejo pelos produtos. "A partir daí, todo o meu dinheiro eu gastava com coisas desnecessárias. Eu nunca guardei dinheiro na minha vida. Sempre gastei tudo. Eu precisava me autoafirmar perante o outro”, diz ela.

O QUE EXPLICA A VONTADE DE OSTENTAR?

Comprar um produto caro não significa, necessariamente, ostentar. O mesmo objeto pode ser valorizado pela qualidade, pelo design ou simplesmente pelo prazer de consumi-lo. A ostentação aparece quando o bem também funciona como uma forma de comunicar algo aos outros — como status, pertencimento ou exclusividade, o que nem sempre tem a ver com dinheiro.

Isso ajuda a explicar por que determinados produtos podem adquirir um valor que vai muito além da sua utilidade, segundo especialistas.

A psicóloga econômica Vera Rita Ferreira explica que os seres humanos são "inerentemente sociais” e, desde cedo, influenciados pelo comportamento das pessoas ao redor. A imitação faz parte do aprendizado: aprendemos, por exemplo, a falar e a andar observando outras pessoas. No consumo, esse mecanismo também pode aparecer.

"Você se sente especial, e todo mundo tem vontade de se sentir especial, de se destacar de alguma forma. Mas as pessoas gostam de ter uma coisa mais cara porque menos gente vai ter acesso a ela. Então, isso garante o seu lugar de exclusividade”, explica.

Na economia, uma das primeiras teorias para esse tipo de comportamento surgiu com o economista e sociólogo americano Thorstein Veblen, que descreveu o chamado "consumo conspícuo", a aquisição e a exibição de bens como forma de demonstrar riqueza e posição social.

O PRODUTO COMO PARTE DA IDENTIDADE

Nelsio Rodrigues, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e pesquisador da área de consumo, chama atenção para outra dimensão da ostentação: o pertencimento.

Por trás da decisão de comprar um item caro — inclusive quando ele está fora do orçamento — pode existir uma busca por diferenciação, mas também o desejo de fazer parte de determinado grupo.

"A gente fala do ‘self estendido': você se projeta em um artefato. O celular é um deles”. O conceito de "self estendido”, formulado pelo pesquisador Russell Belk, parte da ideia de que aquilo que possuímos também pode contribuir para a construção da nossa identidade.

No mercado de luxo, marcas, roupas, celulares, carros e outros objetos podem funcionar, portanto, como sinais sobre quem somos ou sobre o grupo ao qual queremos pertencer.

"Você vai pertencer a uma tribo, então, na verdade, ela [a ostentação] faz com que você se aproxime do que você espera. A vaidade faz parte do processo, mas ela não é o principal. Eu estou muito mais querendo pertencer a um grupo que usa determinada marca, que vai a determinados shows", explica Rodrigues.

Pesquisas de diferentes áreas também investigam a relação entre a ostentação e outras dimensões, como autoestima, exclusão social e relacionamentos.

Para Vera Rita, a comparação com outras pessoas é um dos fatores que ajuda a explicar a dinâmica desse tipo de consumo. "Estamos sempre tentando encontrar um lugar na régua, que diga para a gente onde estamos. E a necessidade de ostentar vem primeiro dessa insegurança mesmo. Quem precisa [ostentar] é quem não tem muita certeza de onde está nessa régua”, afirma.

A relação entre incerteza sobre si mesmo e consumo ostensivo também aparece em outras pesquisas. Em um estudo publicado em 2023 na revista Frontiers in Psychology, por exemplo, participantes expostos a uma lembrança de rejeição ou traição apresentaram maior propensão ao consumo ostensivo do que aqueles que haviam relembrado uma experiência positiva de relacionamento.

No caso de Fernanda, ela relaciona o próprio comportamento de consumo a uma experiência de rejeição vivida na infância. "Minha mãe me abandonou quando eu tinha um ano de idade. Então, hoje eu sei que por causa desse abandono, eu fazia, faço ainda, mas bem controlado agora, essas compras desnecessárias para me autoafirmar para os outros”, conta.

Já outro estudo, intitulado Pavões, Porsches e Thorstein Veblen: o consumo ostentatório como sistema de sinalização sexual, investigou o consumo ostensivo como uma possível forma de sinalização sexual. Em quatro experimentos, os pesquisadores encontraram evidências de que, entre homens, determinados contextos ligados a estratégias de relacionamento de curto prazo estavam associados a gastos mais extravagantes.

O resultado da pesquisa sugere que "ostentar bens associados a status para potenciais parceiros não se resume simplesmente a exibir recursos econômicos”, mas pode estar relacionado a conquistar parceiros de curto prazo, o que sugere que o consumo ostensivo pode desempenhar diferentes funções sociais, e não apenas comunicar riqueza.

QUANDO O STATUS PESA NO BOLSO

O problema aparece quando o desejo de consumir deixa de caber no orçamento. Rodrigues afirma que a diferenciação pelo consumo não é nova. Ao longo da história, o acesso restrito a determinados bens, como arte e cultura, também funcionou como marcador de posição social. No entanto, ele lembra que o acesso a produtos "ostentatórios” mudou: se antes o luxo era inacessível, hoje as facilidades de pagamento, com o crédito e o parcelamento, permitem adquirir produtos de alto valor sem desembolsar todo o preço imediatamente.

O professor diz que, nesse contexto, ganhou espaço nas redes sociais a expressão "pobreza de luxo”, usada para descrever situações em que uma pessoa consegue acessar bens e experiências associados a padrões de consumo mais altos, mas compromete o orçamento com crédito e parcelamentos.

O parcelamento, por si só, não significa endividamento. O problema aparece quando sucessivas compras comprometem a renda futura e reduzem a capacidade de poupar ou lidar com imprevistos.

Além disso, para Rodrigues, há ainda uma dimensão que vai além das finanças: o consumo também pode funcionar como uma forma de reconhecimento social.

"Nós temos um ponto aí que é o não reconhecimento, que é um dano psicológico, um dano social de não reconhecimento dos seus pares por não saber usar determinados instrumentos ou não saber se comportar em determinados ambientes. Então, pensamos muito na questão econômica, mas tem um impacto social e cognitivo das pessoas”, complementa o professor.

No caso de Fernanda, as compras chegaram a comprometer sua vida financeira. Ela conta que passou a buscar ajuda profissional, com psicólogo e psiquiatra, além de participar dos Devedores Anônimos (DA), grupo voltado a pessoas que desejam interromper o ciclo de endividamento.

Hoje, ela utiliza também um planejamento de gastos para estabelecer limites para compras e evitar decisões impulsivas, evitando, assim, comprar itens luxuosos apenas para ostentar.

"Até R$ 100 eu não pergunto para ninguém. Acima de R$ 100, eu vou perguntar para uma terceira pessoa para ver se aquilo é importante para mim. E tem o teto de gasto, que é o plano de gastos, em que colocamos os custos fixos e também valores extras que a gente gostaria de gastar com alguma coisa. Então, se eu quero comprar uma bolsa, eu posso gastar até R$ 150. Se eu quiser comprar um sapato, até R$ 100, por exemplo”, explica ela.

IMPACTO DAS REDES SOCIAIS

Para os especialistas, as redes sociais também deram uma nova dimensão à lógica do pertencimento. Em vez de comparar nosso padrão de consumo apenas com o de pessoas próximas, como vizinhos e familiares, hoje é possível acompanhar viagens, carros, celulares, restaurantes e outros sinais de status de pessoas de diferentes grupos e países.

"Isso explica, por exemplo, o comportamento de manada. Todo mundo vai atrás. Com as redes sociais isso virou uma coisa delirante”, diz a psicóloga econômica.

Para ela, a exposição constante pode intensificar a comparação social, especialmente entre pessoas que já se sentem inseguras em relação à própria posição.

"As redes sociais acabam com a paz de espírito, principalmente das pessoas que estão mais inseguras e insatisfeitas. Então, a pessoa pode se comparar com alguém que está lá na China, na Suécia, e a gente vai perder porque aqui no sul global já começamos perdendo porque a renda é completamente diferente. O país é mais desigual”, detalha Vera Rita.

Justamente por isso, Fernanda decidiu se afastar das redes sociais. "É um mercado aberto de vendas. A gente acha que aquela pessoa tem e, quando você vai ver, ela está cheia de dívida também. Então, a gente não sabe qual é a vida daquela pessoa e a gente se compara com ela”. Fonte: DW-sexta-feira, 25 de setembro de 2026   

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Incêndios e seca na Europa pressionam preço do azeite

Espanha, Grécia, Itália e Portugal registram danos em áreas de cultivo de oliveiras em meio a um verão marcado por calor extremo, seca prolongada e incêndios. Produtores veem risco de virada nos preços.

O calor extremo, a seca prolongada e os incêndios florestais vêm aumentando a pressão sobre a agricultura europeia, especialmente sobre os olivais do sul do continente. Produtores alertam que a combinação desses fatores tem reduzido a produtividade das lavouras, comprometido a qualidade dos frutos e elevado os custos de produção, o que pode resultar em novos aumentos nos preços de alimentos como o azeite de oliva.

Estudos climáticos mostram que o número de dias de verão com condições extremas favoráveis à propagação de incêndios, combinação de calor, seca e vento, dobrou desde 1981, reforçando a vulnerabilidade estrutural dos olivais e de outras culturas mediterrâneas.

A preocupação é compartilhada por instituições e entidades do setor agrícola. No início de julho, a Comissão Europeia apontava uma redução dos preços do azeite de oliva desde abril, devido ao excesso da produção italiana.

Contudo, revisou sua previsão para a produção de azeite do bloco, que deve recuar 5% no ciclo 2025/26. A queda é puxada sobretudo pela Grécia, onde a produção deve encolher 18%. O relatório alertava que as perspectivas para a próxima safra dependiam da ausência de novos eventos climáticos extremos, devido à vulnerabilidade dos olivais.

Poucas semanas depois, esse cenário de risco começou a se concretizar. Segundo o jornal britânico The Guardian, a associação agrícola espanhola ASAJA afirma que os incêndios florestais que se intensificaram no paísa partir de meados de julho atingiram pomares, vinhedos, áreas agrícolas, estufas e olivais, afetando produtos como frutas cítricas, abacates, amêndoas, hortaliças e azeitonas. Milhares de hectares foram devastados.

Para a entidade, a principal preocupação não é a redução das exportações, mas o aumento dos custos de produção, que tende a ser repassado aos consumidores. A Espanha também segue enfrentando restrições hídricas que reduzem a umidade do solo e aumentam o risco de queda prematura das azeitonas.

Além disso, antes mesmo dos incêndios de julho, a colheita de cereais no país já havia sido revista para baixo, de 24 milhões para cerca de 18,5 milhões de toneladas, ampliando a pressão sobre os preços agrícolas.

Por ser a maior produtora mundial de azeite, a Espanha tem papel central na formação dos preços globais. O portal Data España ressalta que a estabilidade do mercado continua frágil após a queda recente dos custos do azeite, que sucedeu um período de valores recordes. No início do ano, chuvas intensas provocaram alagamentos em áreas produtoras e reduziram as previsões de colheita. Agora, a seca extrema e os incêndios voltam a ameaçar a produção.

GRÉCIA LUTA CONTRA DESTRUIÇÃO DE OLIVAIS

O IMPACTO SOBRE O AZEITE É PARTICULARMENTE RELEVANTE NA GRÉCIA.

“É uma sensação terrível quando você constrói algo com tanto esforço, e quando dinheiro não é fácil de conseguir”, disse a produtora Anastasia Hatzoglou à Reuters sobre as queimadas no país. As chamas, que se espalharam rapidamente, destruíram florestas exuberantes e causaram grandes danos a oliveiras poucos meses antes da colheita, um ritual anual muito aguardado em muitos lares gregos.

Ela afirmou que sua casa sofreu danos extensos e que suas oliveiras foram queimadas. "Foi tanto esforço, e quando você dedica cuidado à sua propriedade, à sua terra, ao azeite que produz todos os anos, não é nada bom", contou.

Segundo o portal grego Neakriti, o déficit hídrico agravado pelas ondas de calor e pelos incêndios tem reduzido a produtividade dos olivais no país. Além dos danos provocados diretamente pelo fogo, produtores relatam prejuízos causados pela fumaça, pela piora da qualidade do ar e pela maior incidência de pragas e doenças favorecidas pelas temperaturas elevadas. O resultado pode ser a redução do tamanho dos frutos e da qualidade do azeite produzido.

O portal italiano Dissapore descreve cenário semelhante em outros países mediterrâneos. De acordo com a publicação, incêndios atingiram olivais na Grécia, Itália e Portugal. O calor prolongado facilita também o avanço de pragas.

PRODUÇÃO AGRÍCOLA AFETADA

Os impactos climáticos não se limitam às oliveiras. Segundo o jornal The Guardian, a associação francesa Légumes de France estima perdas de milhares de toneladas de hortaliças, incluindo alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró. Em algumas regiões, a produção pode cair até 50% devido à falta de chuva e à escassez de água. O clima extremo ainda afeta vinhedos de regiões tradicionais como Champagne, Bordeaux e Borgonha, onde o amadurecimento acelerado das uvas ameaça reduzir os rendimentos da safra.

A Europa enfrentou em junho e julho de 2026 uma das ondas de calor mais severas já registradas, com temperaturas acima de 40 °C em países como Alemanha, França, Dinamarca e República Tcheca. O calor extremo provocou mais de 1.300 mortes apenas na última semana de junho, além de interrupções em serviços públicos, derretimento de asfalto e cancelamento de eventos em várias cidades europeias.

Cientistas afirmam que esse tipo de evento teria sido "praticamente impossível” sem o aquecimento global, e que a Europa já aquece duas vezes mais rápido que a média mundial, com temperaturas médias 2,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Esse conjunto de fatores consolidou 2026 como um dos verões mais extremos do continente, agravando a pressão sobre sistemas agrícolas vulneráveis. Fonte: Redação DW-04/08/2026