terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Pobreza avança na Alemanha e atinge 16% da população do país

 Estatísticas oficiais consideram como pobres quem tem renda inferior a 60% da renda média nacional. Em um ano, grupo aumentou em 200 mil, totalizando 13,3 milhões de pessoas. Alemães sofrem com alta do custo de vida.

O número de pessoas ameaçadas pela pobreza aumentou na Alemanha : passou de 13,1 milhões em 2024 para 13,3 milhões em 2025, o equivalente a 16,1% da população.

Os dados são do microcenso do Escritório Federal de Estatísticas (Destatis), que segue uma definição relativa da União Europeia: é considerado pobre aquele que tem renda inferior a 60% da renda média da população nacional.

Esse valor varia de acordo com a situação familiar de cada um. No caso dos solteiros, é considerado vulnerável à pobreza quem tem renda líquida de até 1.446 euros por mês (R$ 8.920). Para famílias compostas por dois adultos e dois menores com até 14 anos, esse limiar é de 3.036 euros (R$ 18.729).

RISCO É MAIOR ENTRE ESTRANGEIROS

Desempregados e pessoas que vivem sozinhas são os grupos mais afetados (64,9% e 30,9%, respectivamente), seguidos de mães ou pais solo (28,7%) e aposentados (19,1%).

O risco de pobreza também é significativamente maior entre estrangeiros, atingindo quase um terço deste grupo (32,5%). Já entre alemães, esse percentual é de 13,2%. Ainda assim, o percentual aumentou nos dois grupos em relação a 2024.

CUSTO DE VIDA AUMENTOU DESDE A GUERRA NA UCRÂNIA

Os alemães têm sofrido com uma alta acentuada no custo de vida, puxada principalmente pelos aluguéis e pela escalada geral de preços desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

"A pobreza não é só um número abstrato", declarou Katja Kipping, da Associação Paritária Nacional, que reúne entidades privadas dedicadas à promoção do bem-estar social no país. "Para os afetados, a pobreza significa crianças sem casaco de inverno, famílias que precisam economizar no aquecimento, pessoas que postergam uma visita ao dentista."

Michaela Engelmeier, da Associação Social Alemã, lembrou os debates internos recentes no governo sobre cortes na assistência social : "Em vez de discutir cortes, é preciso taxar grandes fortunas de forma justa e [garantir] uma seguridade social consistente ." Fonte:DW-terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Nenhum estado atinge 30% de jovens com matemática básica após pandemia

 O percentual de jovens que concluem o ensino médio até os 18 anos com aprendizado acima do básico em matemática diminuiu no Brasil entre 2019 e 2023, anos pré e pós-pandemia. A conclusão é do IIE (Índice de Inclusão Educacional).

No período, o indicador nacional caiu de 25,5% para 21,4% —uma redução de 4,1 pontos percentuais. Portanto, apenas dois a cada dez formados tinham o conhecimento esperado na disciplina.

O IIE foi desenvolvido pela organização Metas Sociais a pedido do Instituto Natura. Ele retrata a proporção de indivíduos a concluir a educação básica até a idade esperada e com desempenho minimamente adequado nos exames de proficiência.

Para isso, a ferramenta combina informações do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), do Censo Escolar e da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua.

Para o Saeb, por exemplo, o patamar de conhecimento essencial em matemática corresponde a 300 pontos na escala de proficiência, que chega a 500. Abaixo disso, os estudantes demonstram dificuldade para resolver problemas com porcentagens, interpretar gráficos ou lidar com situações numéricas do cotidiano.

No cenário pós-pandemia, nenhum estado brasileiro conseguiu fazer ao menos 30% dos jovens atingirem esse nível de aprendizado na idade certa.

Segundo os dados do IIE, a piora chegou a todas as regiões do país, inclusive aquelas com os melhores resultados antes da emergência sanitária.

"Tivemos uma geração excluída do aprendizado em matemática", avalia David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura e cocriador do IIE. "Esses jovens formados em 2023 foram muito impactados pela pandemia, claro, mas os dados indicam um problema maior."

Para ele, há um problema de metas e estrutura do ensino de matemática no país.

"O Brasil faz isso muito bem com alfabetização, por exemplo. Foi criado um programa e estabelecido aonde queremos chegar", diz. "Que política pública temos focada em matemática? É preciso um trabalho nessa direção", segue. Fonte: Folha de São Paulo - 2.fev.2026

domingo, 25 de janeiro de 2026

Covid-19 mata 1,7 mil brasileiros em 2025

Dados da Fiocruz revelam 10.410 casos graves da doença no último ano, com baixa adesão à imunização preocupando autoridades sanitárias

Plataforma Infogripe da Fiocruz registrou 55 óbitos e 2.440 internações de crianças menores de 2 anos no último ano, enquanto cobertura vacinal infantil atingiu apenas 3,49%

O Brasil contabilizou aproximadamente 1,7 mil óbitos por Covid-19 em 2025, mesmo após cinco anos do início da campanha de imunização contra a doença no país. Os dados foram divulgados pela plataforma Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta sexta-feira (23/01). O monitoramento também identificou 10.410 pessoas que desenvolveram quadros graves após infecção pelo coronavírus no último ano.

A baixa adesão à vacinação preocupa as autoridades sanitárias. Das 21,9 milhões de doses distribuídas pelo Ministério da Saúde aos estados e municípios em 2025, apenas 8 milhões foram efetivamente aplicadas na população, representando menos de 40% do total disponibilizado. Fonte: TMC - 24 de janeiro de 2026

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Corpo humano não funciona como deveria em temperatura acima de 35°C

A onda de calor que elevou as temperaturas na semana do Natal, no Rio de Janeiro, São Paulo e em outros seis estados ao redor, no Sudeste, Centro-Oeste e Sul, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), deve se estender até a próxima segunda-feira (29). Para essas áreas, o órgão emitiu aviso vermelho, de grande perigo, o que significa temperaturas 5º C acima da média por mais de 5 dias e alta probabilidade de risco à vida, danos e acidentes.

Com aumento do calor extremo, resultado especialmente das mudanças climáticas induzidas pelo homem, uma série de medidas são necessárias para diminuir o impacto na saúde. De acordo com o clínico geral e coordenador do Pronto Atendimento dos Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, Luiz Fernando Penna, esse quadro tem potencial de gerar a falência térmica do corpo.

"Essa é uma emergência médica caracterizada pela confusão mental, pele quente e seca e temperatura corporal acima de 40º C", explicou o profissional de saúde.

Se o corpo apresentar esses sinais e sintomas, é necessário buscar atendimento médico de imediato, advertiu o médico.

Na avaliação do médico do Sírio, o impacto do calor na saúde é subestimado. "Muitas pessoas acreditam que causa apenas mal-estar, mas estamos falando de riscos reais, que incluem desde quedas de pressão até falência térmica", alertou.

Quando está muito quente, Penna explica que o corpo humano trabalha no limite. O organismo aumenta a sudorese, o que faz acelerar os batimentos cardíacos e dilata os vasos sanguíneos. "Esses mecanismos, porém, têm limite. E, quando falham, instala-se a falência térmica", explicou.

O calor extremo também agrava o quadro de quem convive com doenças crônicas, tais como hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (Dpoc) e doença renal crônica.

Pessoas que fazem uso de diuréticos, anti-hipertensivos, antidepressivos, anticolinérgicos e antipsicóticos também precisam redobrar a atenção. Os medicamentos podem aumentar a dilatação ou descontrolar a regulação térmica natural do corpo.

"Para quem já tem uma condição de base, o calor impõe uma sobrecarga perigosa", acrescentou o médico.

As altas temperaturas interferem ainda no sono, prejudicando o humor, aumentando a irritabilidade e reduzindo a produtividade, já que afetam o tempo de descanso, a memória e a tomada rápida de decisões.

Para essas situações, não basta se hidratar, é preciso se proteger, evitar a exposição entre 10h e 16h, usar roupas leves e claras, priorizar ambientes ventilados e não fazer exercícios físicos. Aqueles trabalhadores que não podem evitar sair no calor extremo, como profissionais da construção civil, de entregas e da coleta de lixo, devem fazer pausas frequentes nas horas mais quentes, recomenda.

"Não existe adaptação completa para ondas de calor extremas e repetidas", explica Fernando Penna. "Acima de 35°C com alta umidade, o corpo humano simplesmente não consegue funcionar como deveria".

A recomendação do coordenador de pronto-socorro é evitar situações de riscos e reconhecer sinais precoces de falência térmica para evitar o colapso.

No Rio de Janeiro, já foi comprovado por pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, de fevereiro de 2025, que as altas temperaturas estão relacionadas ao aumento da mortalidade. O risco é maior para idosos e pessoas com alguma doença, como diabetes e hipertensão, além de Alzheimer, insuficiência renal e infecções urinárias. O trabalho da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) analisou mais de 800 mil mortes entre 2012 e 2024.

"A maioria dos estudos sobre calor e mortalidade concentra suas análises em doenças cardiovasculares e respiratórias", disse, em nota, o pesquisador João Henrique de Araujo. "Todavia, há estudos que relatam esses efeitos também para doenças metabólicas, do trato urinário e doenças como Alzheimer, sobre as quais dissertamos", acrescenta.

Antes de planejar suas atividades, procure saber quão quente e úmido será o dia;

Mantenha sua casa fresca

Sempre que possível, proteja a casa da entrada de calor, feche portas, janelas e cortinas durante as  horas mais quentes e abra de noite para refrescar;

Use ventiladores e aparelhos de ar-condicionado, se disponíveis; mas sem exagerar na regulagem do frio para não causar choque térmico

Proteja-se do calor

Não saia durante os horários mais quentes;

Quando estiver ao livre, use protetor solar, chapéus e guarda-chuvas;

Evite permanecer em ambientes fechados e sem circulação de ar, onde o calor se acumula e pode ser mais intenso do que ao ar livre.

Mantenha-se fresco e hidratado

Beba mais água, recuse bebidas alcoólicas acreditando que vai relaxar, o álcool acelera a desidratação;

Use tecidos respiráveis, roupas escuras e pesadas retêm calor e dificultam a ventilação;

 cuidado com banhos gelados, que provocam efeito rebote e fazem o corpo aumentar a produção de calor. Fontes: Unicef e Hospital Sírio-Libanês; Agência Brasil-Publicado em 26/12/2025  

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025