quinta-feira, 4 de junho de 2026

IA precisa ser "desarmada", diz papa em nova encíclica

"A IA não é neutra", diz Leão 14 ao pedir regulação global e criticar uso bélico e econômico da tecnologia. Em gesto inédito, pontífice também pediu perdão por papel da Igreja na escravidão.

O papa Leão 14 defendeu nesta segunda-feira (25/05) que a inteligência artificial (IA) precisa ser "desarmada" das lógicas que promovem "domínio, exclusão e morte". O apelo foi feito durante a apresentação da encíclica Magnifica Humanitas, primeiro grande documento de seu pontificado dedicado ao impacto da tecnologia na dignidade humana.

Ao explicar o uso do termo "desarmamento", o pontífice afirmou que se trata de uma escolha deliberadamente forte, destinada a "despertar consciências" diante de uma revolução tecnológica que, segundo ele, pode ter consequências ainda mais profundas que as transformações históricas anteriores.

"Desarmar a IA significa subtraí-la à lógica da competição armada, que hoje não é apenas militar, mas também econômica e cognitiva. Trata-se da corrida ao algoritmo mais eficaz e ao banco de dados mais vasto, com o objetivo de consolidar uma vantagem geopolítica ou comercial sobre todos os outros. Desarmar significa quebrar esta equivalência entre poder técnico e direito de governar. Não significa renunciar à tecnologia, mas impedir que ela domine o ser humano", escreveu.

"Significa retirá-la dos monopólios, torná-la discutível, contestável e, portanto, habitável, devolvendo-a à pluralidade das culturas humanas e das formas de vida. [...], IA é o ambiente em que estamos imersos e o poder com que temos de lidar. Por isso, não basta regulá-la: deve ser desarmada e tornada acolhedora", acrescentou.

TECNOLOGIA E CONFLITOS

Leão 14 destacou que a IA já está transformando não apenas a vida cotidiana, mas também a forma como conflitos são conduzidos. Nesse contexto, disse sentir-se "responsável" por apresentar a visão da Igreja sobre o tema.

Dividida em cinco capítulos, Magnifica humanitas parte de um pressuposto: a tecnologia não é uma “força antagônica em relação à pessoa", nem “um mal em si mesma". No entanto, ela "não é neutra, pois assume o rosto daqueles que a concebem, a financiam, a regulam e a utilizam". Ou seja: pode tanto ampliar a participação e a justiça quanto aumentar desigualdades, controle e exclusão.

O pontífice alertou, em especial, para o risco de concentração de poder nas mãos de poucos atores — como grandes empresas e plataformas digitais — que controlam dados, algoritmos e infraestrutura.

Ao traçar um paralelo com o debate sobre armamentos nucleares, o pontífice afirmou que a IA também precisa de limites claros. "Assim como a energia nuclear, deve estar a serviço de todos e do bem comum", disse.

Leão 14 insistiu que decisões tecnológicas não podem ser tomadas sem responsabilidade ética. Segundo ele, desenvolvimento e uso da IA devem ser acompanhados de regras, supervisão pública e mecanismos eficazes de proteção.

"O desenvolvimento e a utilização da IA no campo bélico devem estar sujeitos aos mais rigorosos compromissos éticos, no respeito pela dignidade humana e pela sacralidade da vida, evitando uma corrida ao armamento. [...] Por isso, não é lícito confiar a sistemas artificiais decisões letais ou, de qualquer forma, irreversíveis. Não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável.

"A IA não retira ao conflito a sua intrínseca desumanidade: apenas o torna mais rápido e impessoal, baixando a fasquia do recurso à violência e transformando a defesa em previsão operacional, com as vítimas reduzidas a dados. Habituamo-nos, assim, à ideia de que a violência é inevitável e deve apenas ser otimizada".

O papa também pediu maior cooperação global: "Só juntos — quem projeta os sistemas e quem sofre suas consequências — poderemos construir um futuro para toda a humanidade, e não apenas para poucos privilegiados”.

DESINFORMAÇÃO, EXPLORAÇÃO E TRABALHO

Na encíclica, o líder da Igreja Católica também alertou para riscos concretos associados à IA, como manipulação da informação, violação de privacidade e reforço de preconceitos embutidos em algoritmos.

O documento menciona ainda novas formas de exploração, incluindo crimes contra menores facilitados por tecnologia e práticas próximas da "escravidão moderna" relacionadas à cadeia produtiva de sistemas digitais.

No mundo do trabalho, Leão 14 afirmou que a automação pode levar à desqualificação profissional e à vigilância excessiva dos trabalhadores, defendendo políticas de requalificação e proteção ao emprego.

O papa defendeu a criação de uma "ordem social justa na era digital", com leis adequadas e regras internacionais que garantam igualdade de acesso, proteção dos mais vulneráveis e combate à desinformação.

Para ele, o objetivo deve ser submeter o uso da tecnologia ao interesse público — e não apenas ao lucro.

PAPEL DA IGREJA E APELO FINAL

Apesar da crítica, Leão 14 ressaltou que a Igreja não pretende oferecer soluções técnicas. Seu papel, disse, é contribuir com uma visão ética e humanista em um momento de rápidas transformações.

"Cada pessoa é única e insubstituível", afirmou, ao destacar a importância de preservar a dignidade humana diante do avanço tecnológico.

O pontífice concluiu com um apelo à cooperação global: "Aprendamos a escutar uns aos outros, enfrentar com coragem os desafios do presente e construir uma sociedade mais humana e fraterna”.

PERDÃO POR PAPEL DA IGREJA NA ESCRAVIDÃO

Em sua encíclica, Leão 14 também fez um pedido histórico de desculpas pelo papel da Santa Sé em legitimar a escravidão e por não tê-la condenado durante séculos, classificando o histórico do Vaticano como uma "ferida na memória cristã".

Papados anteriores já pediram desculpas pelo envolvimento de cristãos no tráfico transatlântico de escravizados. Mas nenhum papa havia reconhecido publicamente, muito menos pedido perdão, pelo papel que papas do passado tiveram ao conceder autoridade explícita a soberanos europeus para subjugar e escravizar "infiéis".

Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Leão 14 tem em sua árvore genealógica tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos.

Leão mencionou o tráfico de escravos em relação ao que chamou de novas formas de escravidão e colonialismo impulsionadas pela revolução digital.

Católicos negros norte-americanos, ativistas e acadêmicos há muito tempo pedem que a Santa Sé faça uma reparação por seu papel no comércio colonial de seres humanos, para além de pedidos genéricos de desculpas pelo envolvimento de cristãos individuais.

"É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e a humilhação suportados por tantos, em contraste gritante com sua dignidade imensurável como pessoas infinitamente amadas pelo Senhor", escreveu Leão. "Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão."

Shannen Dee Williams, historiadora da Universidade de Dayton e autora de Subversive Habits ("Hábitos Subversivos"), livro de 2022 sobre a história das freiras católicas negras nos Estados Unidos, disse que o pedido de desculpas era um "passo monumental rumo ao tipo de revelação essencial da verdade e reparação que muitos católicos rezaram e trabalharam para testemunhar".

"A Igreja Católica nunca foi uma espectadora inocente na história da supremacia branca", disse Williams à agência Associated Press. "Católicos negros esperaram muito tempo para ouvir o Vaticano falar honestamente sobre os papéis centrais da Igreja no tráfico transatlântico de escravizados e na escravidão de bens móveis — e, por extensão, nos sistemas duradouros de racismo antinegro no mundo atual."

Uma série de diretrizes do Vaticano editadas no século 15 autorizou soberanos portugueses a conquistar a África e as Américas e a escravizar não cristãos.

Em 1452, por exemplo, o papa Nicolau 5º emitiu a bula papal Dum Diversas, que concedeu ao rei de Portugal e a seus sucessores o direito de "invadir, conquistar, combater e subjugar" e tomar todas as posses — inclusive terras — de "sarracenos, pagãos e outros infiéis e inimigos do nome de Cristo" em qualquer lugar.

A bula também deu aos portugueses permissão para "reduzir suas pessoas à escravidão perpétua".

Essa bula e outra emitida três anos depois, Romanus Pontifex, formaram a base da Doutrina da Descoberta, a teoria que legitimou a apropriação colonial de terras na África e nas Américas.

As autorizações de Nicolau 5º aos portugueses foram confirmadas ou renovadas pelo papa Calixto 3º em 1456, pelo papa Sisto 6 em 1481 e pelo papa Leão 10 em 1514, segundo o padre Christopher J. Kellerman, jesuíta e autor de All Oppression Shall Cease: A History of Slavery, Abolitionism, and the Catholic Church ("Toda opressão cessará: Uma história da escravidão, do abolicionismo e da Igreja Católica").

REIS ESPANHÓIS RECEBERAM DIREITOS SEMELHANTES PARA AS AMÉRICAS.

Em 2023, o Vaticano repudiou formalmente a Doutrina da Descoberta, mas nunca rescindiu, revogou ou rejeitou formalmente as próprias bulas. O Vaticano sustenta que uma bula posterior, Sublimis Deus, de 1537, reafirmou que os povos indígenas não deveriam ser privados de sua liberdade nem da posse de seus bens, nem escravizados.

Santa Sé demorou a condenar a escravidão, diz Leão

Em sua encíclica, Leão recordou que seu homônimo, o papa Leão 13, foi o primeiro papa a condenar explicitamente a escravidão, em 1888, muito depois de muitos países já a terem abolido.

Ao reconhecer as bulas papais do século 15, Leão escreveu em sua encíclica: "Já no início da era moderna, a Sé Apostólica de Roma, respondendo a pedidos de soberanos, interveio várias vezes para regular e legitimar formas de subjugação e, em certos casos, inclusive a escravização de 'infiéis'."

Leão afirmou que não é possível julgar a moralidade dessas decisões com os padrões atuais. "No entanto, também não podemos negar ou minimizar o atraso com que tanto a sociedade quanto a Igreja passaram a denunciar o flagelo da escravidão", ressaltou.

O papa afirmou que a Igreja há muito tempo afirma a dignidade de todo ser humano como base de sua doutrina, "ainda que tenham sido necessários 18 séculos para que sua total incompatibilidade com a escravidão fosse explicitamente reconhecida".

"Isso constitui uma ferida na memória cristã, da qual não podemos nos considerar distantes", disse.

Durante uma visita a Camarões em 1985, o papa João Paulo 2º pediu perdão aos africanos pelo tráfico de escravos em nome dos cristãos que participaram dele, mas não em nome dos papas. Em uma visita à Ilha de Gorée, no Senegal, em 1992 — o maior centro de tráfico de escravos da África Ocidental —, ele denunciou a injustiça da escravidão e a chamou de "tragédia de uma civilização que se dizia cristã". Fonte: DW- 25 de maio de 2026


sábado, 30 de maio de 2026

Primeira Guerra Mundial: Batalha de Verdun

Há 110 anos, ataque alemão contra franceses, iniciava um dos confrontos mais sangrentos da Primeira Guerra: mais de 300 mil mortos e nenhum vencedor. Embate virou sinônimo da irracionalidade da guerra. 

Soldados franceses nas trincheiras de Verdun 


Há exatos 110 anos, em 21 de fevereiro de 1916, um forte ataque abalava no início da manhã os fortes e trincheiras da pequena cidade francesa de Verdun. Os alemães levaram 300 vagões de munição e dispararam de todas as suas armas, durante horas. A 150 quilômetros de distância era possível escutar o estrondo dos canhões.

A ordem de atacar os franceses fora dada pelo chefe do Estado-Maior alemão, Erich von Falkenhayn. Ele queria pôr fim à guerra de posições que, desde setembro de 1914 – poucos meses após o início da Primeira Guerra Mundial –, se arrastava na frente ocidental entre a Bélgica e a França.

A intenção de Falkenhayn era romper o front e retornar à guerra de movimento, como explica o historiador Olaf Jessen, autor de um livro sobre a Batalha de Verdun publicado em alemão.

Mas em vez disso, alemães e franceses passariam os próximos dez meses travando uma luta feroz por cada vilarejo e cada colina.

PRESOS NO "INFERNO DE VERDUN"

O obus de cerco alemão "Bertha Gorda",
com alcance de mais de 9 mil metros


Dali em diante, a batalha tornaria‑se o símbolo de um massacre sem sentido. Durante a extenuante guerra de trincheiras, os soldados têm seus nervos consumidos por ratos, piolhos, frio e má alimentação. A morte é sua companheira constante, e o inimigo está, muitas vezes, a apenas 30 metros de distância.

A artilharia mais moderna deveria decidir a batalha – morteiros pesados, além de lança‑chamas e metralhadoras. Sobre os menos de 30 quilômetros quadrados de trincheiras chovem 26 milhões de granadas explosivas e 100 mil granadas de gás tóxico.

No verão, o odor pungente de cadáveres paira sobre o campo de batalha; partes de corpos em decomposição, arremessadas pela pressão das bombas, pendem dos galhos das árvores queimadas. No inverno, a água ou lama gelada alcança os soldados até os joelhos. As tropas enfrentam a fome e a sede, e bebem de poças de chuva nas quais, entre carcaças de cavalos, seus camaradas sangravam até morrer.

Ali, o ser humano era "mero material de guerra", observa Jessen. "Essa experiência desumana ficou gravada na memória coletiva com termos como 'moinho de sangue' e 'inferno de Verdun'."

O horror também transparece nas cartas de soldados a entes queridos.

"Verdun, uma palavra terrível! Incontáveis pessoas, jovens e cheias de esperança, tiveram de entregar aqui suas vidas; seus [ossos] agora apodrecem em algum lugar, entre posições, em valas comuns, em cemitérios", escreve o estudante de teologia Paul Boelicke, de 20 anos, à sua família. "O front oscila: hoje o inimigo está na colina, amanhã [seremos] nós; sempre há aqui um combate desesperado. Alguns, que ainda há pouco se alegravam com o sol quente, logo ouviam urros e choros se aproximando de algum lugar. Acabaram‑se todos os sonhos de paz e lar; o homem vira verme e procura o buraco mais profundo. Campos de bombardeio e de batalha onde nada se vê além de fumaça sufocante, gás, torrões de terra e trapos voando pelo ar, rodopiando selvagemente: isto é Verdun."

UMA BATALHA "ANORMALMENTE CRUEL"

A Batalha de Verdun deixou mais de 300 mil mortos e mais de 400 mil feridos.

No fim, em 18 de dezembro de 1916, passados dez meses e após incontáveis impactos de artilharia, a área parecia uma paisagem lunar.

"A batalha foi anormalmente cruel", diz Jessen. "Mesmo para os padrões da Primeira Guerra Mundial. Também os números de vítimas tão altos: que tantas pessoas tenham morrido em tão poucos quilômetros quadrados – isso não aconteceu em nenhum outro lugar naquela época."

No início, os alemães até lograram avançar, mas "depois os franceses reconquistaram quase todo o terreno que os alemães haviam conquistado durante meses com grandes perdas", afirma Jessen.

"Depois de 300 dias e 300 noites, o lado alemão estava praticamente de volta ao ponto em que a ofensiva havia começado, em 21 de fevereiro de 1916." Um dos motivos foi a longa permanência dos soldados alemães no front: "A moral de combate dos alemães estava arrasada pelo esgotamento."

O adversário de Falkenhayn, Philippe Pétain, o defensor de Verdun, adotou desde o início um sistema de rotação dos soldados. Ele envolveu literalmente toda a nação na batalha no leste da França. Quase todo soldado francês foi enviado às trincheiras diante de Verdun – mas pôde deixá‑las novamente após poucos dias, explica Jessen, para "evitar que o cansaço e a desmoralização surgissem tão rapidamente".

DEIXAR O INIMIGO "SANGRAR"

Como a estratégia ofensiva de Falkenhayn fracassou, ele foi deposto em 29 de agosto de 1916 como chefe do Estado-Maior alemão. No lugar dele, assumiu o general Paul von Hindenburg. Tropas alemãs já eram necessárias em outros lugares, especialmente na frente de batalha em Somme, onde tropas britânicas haviam iniciado uma ofensiva em junho de 1916 para aliviar os franceses em Verdun.

Finda a Batalha de Verdun, Falkenhayn ainda tentaria, anos mais tarde, atenuar sua inglória atuação e o fracasso das tropas alemãs. Em suas memórias, o oficial escreveu que pretendia fazer o exército francês "sangrar": "Se, para dois soldados alemães mortos, cinco franceses tivessem de sangrar, isso seria algo bom e promissor."

Para os veteranos sobreviventes, aquela declaração era uma "traição", relata Jessen. "Tiveram de ler que um de seus principais generais os via apenas como material humano", afirma.

PONTO DE VIRADA NA PRIMEIRA GUERRA

Segundo Jessen, apesar de não ter sido uma batalha decisiva, Verdun foi um "marco muito, muito importante na história da Primeira Guerra Mundial", "uma espécie de ponto de virada rumo à derrota alemã" que, além disso, "deslocou o equilíbrio de poder na Alemanha em direção a uma ditadura militar e acelerou a entrada dos Estados Unidos na guerra".

O confronto em Verdun também alimentou a chamada "lenda da punhalada nas costas" (em alemão: Dolchstosslegende), espalhada deliberadamente pelo comando militar – que para não admitir sua responsabilidade pelo fracasso alemão na Primeira Guerra propagou, a partir de 1918, a imagem de um exército invencível traído por social-democratas e judeus.

SÍMBOLO DA IRRACIONALIDADE DA GUERRA

Cruzes em frente ao Ossuário de Douaumont, inaugurado em 1932, 
lembra soldados desconhecidos mortos na Batalha de Verdun

Hoje, Verdun é para os alemães sinônimo da absoluta falta de sentido da guerra; já na França, a batalha é lembrada com um sentimento de união nacional e até de vitória — embora, na realidade, tenha sido um impasse militar pago com sofrimento desumano.

Em 1932, foi inaugurado na cidade um monumento onde repousam os ossos de inúmeros soldados desconhecidos. Desde 1967, o Memorial de Verdun lembra os mortos no confronto.

Em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial, o autor britânico H. G. Wells cunhou a frase "The war that will end war" ("A guerra que acabará com a guerra"). Mas se algum dos soldados franceses ou alemães que caíram em Verdun acreditava nisso, enganou‑se.

Mais de cem anos depois, voltam a surgir imagens de uma guerra estagnada na Europa — não em fotos históricas em preto e branco, mas em registros modernos da Ucrânia.

"Ao olhar imagens atuais do Donbass, veem-se grandes paralelos", diz Jessen.

Em Verdun, a insistência de alemães e franceses na vitória foi uma aposta levada às últimas consequências porque cada lado acreditava precisar dela para "compensar as perdas horrendas" em seus exércitos, enquanto apostava no "colapso psicológico e político do adversário".

"Isso lembra muito a situação na Ucrânia e na Rússia. Também ali, no momento, não vejo como romper [o impasse]", compara o historiador.

Antes inimigos mortais, Alemanha e França são hoje bons amigos. Jessen diz esperar que as pessoas aprendam com a história.

Fonte: DW- sábado, 21 de fevereiro de 2026

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Coronavírus: Situação da cidade de São Paulo até 28 de maio de 2026

 

Táxis autônomos já são realidade, e muitos têm levado caos às ruas

 Os testes de carros autônomos já vêm ganhando o mundo: antes restritos aos Estados Unidos, os táxis sem motorista já estão levando passageiros também em lugares como China, Emirados Árabes Unidos, Japão e Europa. Além disso, modelos particulares com capacidade de direção própria também já são oferecidos por marcas como BMW, Mercedes-Benz e Li Auto.

Com mais carros sem condutor rodando, a tecnologia avança e aperfeiçoa sua inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, as falhas vêm ficando mais evidentes e problemas simples, mas de potencial catastrófico, vão sendo flagrados em vídeos que circulam e viralizam nas redes sociais.

BAGUNÇA NOS EUA

Em Austin, Texas (EUA), um táxi autônomo da Waymo - subsidiária da Alphabet, dona do Google - viralizou ao 'bugar' no pior momento possível: a saída de ambulâncias para resgate de vítimas de um tiroteio em massa. O atentado, ocorrido no domingo passado (1º), deixou três mortos e 13 feridos até o momento.

Nas imagens, o Jaguar I-Pace adaptado usado pela empresa repentinamente para atravessado na rua, enquanto os socorristas aguardam passagem. Aparentemente "confuso", o carro tentava balizar para frente e para trás, sem sair do lugar de fato.

Um policial, então, se aproxima do veículo e aperta um botão que faz contato com um operador remoto da empresa. Em seguida, um motorista humano assume o comando remotamente e o carro se retira para um estacionamento ao lado.

No fim, os socorristas informaram que o atraso foi pequeno, sem prejuízo às vítimas. A solução, entretanto, só veio rápida porque os policiais de Austin tiveram um treinamento específico para lidar com tais veículos.

Caso mais grave aconteceu na cidade de São Francisco, na Califórnia (EUA): lá, os robotáxis já operam há mais tempo e alguns geraram grandes transtornos também em um momento crítico.

Ao longo de dezembro do ano passado, a cidade registrou cerca de 20 apagões, que geraram caos aos habitantes e acabaram impactando veículos de condução autônima.

Acontece que, sem energia, os supervisores remotos dos carros não conseguiam se conectar a eles. Sem a supervisão humana - obrigatório em intervalos de tempo -, os carros entravam em modo de segurança e simplesmente não saíam do lugar.

O caso foi para a Justiça, onde a Waymo se desculpou e admitiu quase 1.600 bloqueios de via causados pela parada dos carros em meio ao apagão. Na audiência, as autoridades questionaram até o impacto dos carros autônomos em grandes tragédias, como terremotos.

Lá, as forças policiais também são treinadas para remover tais veículos em caso de emergência. Os legisladores, entretanto, afirmaram que, com 1.600 paradas, foram perdidas inúmeras horas de trabalho em um momento crítico.

"Nossos socorristas não são assistentes de automóveis", afirmou um supervisor do serviço na sessão.

DE QUEM É A CULPA?

A questão de responsabilidade também vem sendo posta à prova com o aumento dos carros autônomos, incluindo casos de vítimas fatais (humanas e animais).

Via de regra, os estados e as cidades que permitem tais veículos submetem-nos a uma legislação sob medida.

No caso da Califórnia, por exemplo, as empresas devem possuir seguro que inclui terceiros para cada carro que circula. As câmeras e dispositivos de armazenamento de dados do carro também devem reter todo o histórico de corridas, a fim de conferência em caso de acidentes.

Quando acidentes ocorrem, a legislação diz, em linhas gerais, que haver uma análise se o carro operava em condições permitidas e cumprindo todos os resguardos de segurança.

Mesma coisa foi definida pela Suprema Corte da China: o 'STF chinês' determinou, no mês passado, que, se um carro com ADAS se envolver em um acidente, o condutor pode ser responsabilizado caso tenha descumprido a regra de atenção mínima para cada nível de automação. Fonte: UOL - 04/03/2026