Apresentado ao mundo em 5 de
julho de 1946, biquíni causou escândalo. Anos mais tarde, traje de banho
transformou a moda praia e tornou-se um símbolo de uma nova liberdade.
A data não foi escolhida por
acaso. Pouco antes, os militares dos Estados Unidos haviam realizado um teste
nuclear no atol de Bikini, no Pacífico Sul, atraindo atenção mundial. Réard
esperava que sua nova moda praia causasse um impacto semelhante. E conseguiu. A
apresentação provocou escândalo: para os padrões da época, o biquíni mostrava
pele demais.
Guardiões da moral ficaram
indignados. Naqueles anos do pós-guerra, esperava-se que as mulheres
circulassem de saia e avental comprido, não exibindo o corpo de forma tão
ousada. E, de fato, os pedaços de tecido eram minúsculos para a época. O
próprio Réard definiu sua invenção com um slogan que ficou famoso: "Um
biquíni só é realmente um biquíni se puder passar por dentro de uma aliança de
casamento".
A frase era dita em tom de
brincadeira, já que mais tarde ele desenvolveria modelos um pouco maiores.
UMBIGO ESCONDIDO
A lendária jornalista de moda
Diana Vreeland é frequentemente associada a uma frase que resume o impacto da
nova peça: segundo ela, o biquíni teria sido "a invenção mais importante
desde a bomba atômica".
Enquanto a revista Harper's
Bazaar percebeu rapidamente o potencial cultural e social do biquíni, outras
publicações de moda consideravam a peça ousada demais. A Vogue, por exemplo,
inicialmente tratou a tendência com cautela.
Isso começou a mudar quando estrelas
como Brigitte Bardot e Marilyn Monroe popularizaram o biquíni no início dos
anos 1950. A partir daí, as revistas de moda passaram a dar cada vez mais
espaço à peça. Nos anos 1960, o biquíni já fazia parte da moda de verão e
aparecia regularmente nas páginas da Vogue.
Uma curiosidade: durante os
primeiros anos, a edição americana da revista evitava mostrar o umbigo das
modelos. Os ensaios eram fotografados ou produzidos de forma a mantê-lo
coberto, pois sua exposição era considerada especialmente escandalosa. Esse tabu
só começou a desaparecer gradualmente nos anos 1960.
POUCO TECIDO PARA UMA NOVA
ERA
A consagração definitiva do
biquíni veio com o primeiro filme de James Bond: 007 Contra o Satânico Dr. No,
lançado em 1962. O modelo usado pela atriz suíça Ursula Andress entrou para a
história como o "biquíni de Dr. No".
A partir dos anos 1960, o
sucesso da peça tornou-se irreversível. Surgiram diferentes versões, como o
triquíni, com partes adesivas, e até o monokíni, que deixava os seios
descobertos – embora este último nunca tenha alcançado grande popularidade.
A revolução da moda praia
caminhou lado a lado com a crescente autonomia das mulheres. Foi a época da
popularização da pílula anticoncepcional, da minissaia e dos movimentos de
contestação social liderados pela juventude. Para muitas mulheres, o biquíni
tornou-se um símbolo de liberdade.
BIQUÍNI SUPERA O VESTIDO DE
NOIVA
Nas décadas de 1980 e 1990,
muitas grandes semanas de moda passaram a encerrar seus desfiles com coleções
de biquínis em vez dos tradicionais vestidos de noiva. Supermodelos como
Claudia Schiffer, Linda Evangelista e Naomi Campbell disputavam essas
apresentações.
Até hoje, o biquíni não perdeu seu poder. Cada vez mais, as mulheres demonstram confiança ao usá-lo, exibindo todos os tipos de corpos – sejam eles magros, curvilíneos ou marcados por gestações. Há quase 80 anos, o biquíni é uma declaração de liberdade, e tudo indica que continuará sendo. Fonte: DW - domingo, 5 de julho de 2026



