A Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, atingiu nesta sexta-feira a sua altura máxima prevista de 172,5 metros com a colocação da cruz no topo de sua torre central, 144 anos após o início da construção do edifício.
Com a ajuda de um grande
guindaste, os operários concluíram a instalação da cruz na torre de Jesus
Cristo, a mais alta das 18 torres da basílica projetada no século 19 pelo
arquiteto Antoni Gaudí (1852-1926), o gênio espanhol do Modernismo. A cruz tem
17 metros de altura e 13,5 metros de largura.
Desde outubro do ano passado,
quando atingiu 162,9 metros de altura, a Sagrada Família é a igreja mais alta
do mundo, ultrapassando a igreja luterana Ulmer Münster, em Ulm, na Alemanha.
A aparência da Sagrada
Família mudou consideravelmente nos últimos 15 anos, à medida que a construção
progredia, com a conclusão das quatro torres dos Evangelistas, assim como da
torre da Mãe de Deus.
CRUZ REVESTIDA DE VIDRO E
CERÂMICA BRANCA VITRIFICADA
A peça instalada nesta
sexta-feira é uma grande cruz com geometria de dupla torção, o mesmo método que
Gaudí usou para as colunas da basílica. Ela é revestida de vidro e cerâmica
branca vitrificada, para se assemelhar a um cristal, e nas extremidades dos
braços horizontais haverá janelas de onde se poderá admirar a cidade.
O arquiteto responsável pela
Sagrada Família, Jordi Faulí, disse que a torre foi criada precisamente com
cerâmica e vidro para que parecesse "resplandecente".
Fabricada na Alemanha, a cruz
chegou a Barcelona em quatorze peças maciças que foram pré-montadas na própria
Sagrada Família, em uma plataforma de trabalho localizada a 54 metros acima da
nave central. A cruz consiste em um braço inferior, quatro braços horizontais e
um braço vertical – o único que ainda falta instala, Cada braço pesa
aproximadamente doze toneladas.
"Hoje é um dia para
celebrar e lembrar de todos aqueles que trabalharam para tornar esta torre uma
realidade", disse o arquiteto.
Quando o trabalho de fixação
da cruz estiver concluído, a Sagrada Família enfrentará a construção da
terceira e última fachada do templo, a fachada da Glória, finalizando assim a
obra-prima de Gaudí, cuja construção começou em 1882.
CONCLUSÃO AINDA SEM PRAZO
DEFINIDO
A colocação da cruz marca um
passo importante na criação do monumento mais visitado da Espanha, com 4,8
milhões de ingressos vendidos em 2024, cuja construção sofreu inúmeros
contratempos desde que Gaudí assumiu o projeto.
Após o revés da pandemia de
covid-19, que forçou o abandono dos planos de concluir o templo em 2026, a
comissão de construção, uma fundação canônica privada, evita definir uma nova
data definitiva para a conclusão, embora a expectativa seja de concluí-la em
uma década.
Esses planos dependem de não
haver mais contratempos que afetem o fluxo de visitantes, a principal fonte de
financiamento das obras, e da resolução das divergências relativas à construção
dos controversos acessos à fachada da Glória, a entrada principal que ainda
precisa ser construída.
Segundo o projeto defendido
pelos construtores, a fachada deverá ser precedida por uma grande escadaria e
uma praça, cuja construção implicaria a demolição de vários edifícios
residenciais, algo a que os moradores se opõem.
O conflito terá de ser
mediado pela Câmara Municipal, que, em meio à crise habitacional da cidade,
afirma que não haverá acordo que não garanta soluções habitacionais adequadas
para os moradores. DW-sábado, 21 de
fevereiro de 2026


