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quinta-feira, 5 de novembro de 2026
sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Robô guarda-costas da China levanta dúvidas sobre segurança
Humanoide da Unitree promete proteger pessoas e atuar em emergências. Porém, uma cena do vídeo promocional causa preocupação.
Até agora, os robôs
humanoides da empresa chinesa Unitree haviam chamado atenção principalmente por
suas espetaculares exibições de artes marciais. Mas a companhia de Hangzhou quer
dar um passo além e levar essas máquinas do entretenimento para aplicações
práticas.
Sua nova aposta é o H2-X, um
robô apresentado como um guarda-costas capaz de intervir em situações de perigo
e prestar ajuda em emergências. As imagens promocionais divulgadas em 21 de
outubro indicam o tipo de aplicação que a Unitree pretende dar ao robô.
Em uma das cenas, o H2-X
enfrenta um homem que ameaça uma mulher com uma faca. Em outras, aparece
levantando um carro sob o qual há uma pessoa presa, golpeando a porta de outro
veículo e afastando um pedestre da trajetória de um automóvel que se aproxima.
A apresentação se encaixa em
uma mudança de rumo mais ampla da empresa. Segundo a agência de notícias
Reuters, a Unitree expandiu rapidamente sua linha de humanoides neste ano com a
intenção de explorar aplicações em vigilância, segurança e resgate. O H2-X
representa, assim, uma tentativa de transformar as habilidades físicas que
tornaram seus robôs populares em ferramentas úteis para além do espetáculo.
DÚVIDAS SOBRE O H2-X
No entanto, como acontece
cada vez mais frequentemente com anúncios tecnológicos, o vídeo deixa tantas
perguntas quanto imagens impressionantes.
Por exemplo, segundo relata a
revista especializada Interesting Engineering, ainda faltam dados técnicos
sobre o H2-X. Também não está claro se o robô realizou as manobras de forma
autônoma, se foi controlado remotamente ou se executou movimentos previamente
programados.
Até o momento, a Unitree
também não anunciou o preço nem a data de comercialização do novo humanoide.
QUAIS OS RISCOS DE UM ROBÔ
TÃO FORTE?
A essas incógnitas soma-se
uma questão mais delicada: a segurança das pessoas que ele supostamente deve proteger.
Uma cena do vídeo ilustra essa preocupação. Nela, o H2-X tenta impedir que um
carro, que avança lentamente, atropele um manequim que representa uma criança.
Mas, ao tirá-lo da trajetória do veículo, acaba arremessando-o contra o chão.
Embora evite o atropelamento,
o robô acaba lançando o manequim com violência ao retirá-lo da trajetória do
veículo. Em uma situação real, uma manobra desse tipo poderia causar ferimentos
graves à pessoa que o robô tenta justamente proteger.
ROBÔ HUMANOIDE H2-X DA
UNITREEROBÔ HUMANOIDE H2-X DA UNITREE
O H2-X promete, portanto,
passar das acrobacias à proteção, mas, por enquanto, suas capacidades foram
demonstradas apenas em um vídeo promocional. Além das dúvidas sobre seu nível
de autonomia, permanecem dúvidas sobre os riscos de equipar robôs com tanta
força física para intervir em situações de conflito.
Resta saber se o H2-X
conseguirá atuar de forma confiável fora de ambientes controlados ou se, por
enquanto, continuará mais próximo da ficção do que da realidade. Fonte: DW-quinta-feira, 29 de outubro de 2026
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Eleições 2026: Lula é reeleito presidente da República
Os desafios de
Lula em seu quarto mandato
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil, derrotando Flávio Bolsonaro (PL) e garantindo seu quarto mandato.
Com mais de 64 milhões de
votos, o petista alcançou um feito inédito na democracia brasileira: é a
primeira vez que um presidente se reelege pela segunda vez e que um candidato
vence a eleição presidencial após terminar o primeiro turno em segundo lugar.
Apesar da vitória, Lula terá pela frente um cenário político desafiador, com um Congresso Nacional mais alinhado à direita e forte polarização no país. Fonte: BBC News Brasil - 26 outubro 2026
segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Só metade dos adolescentes sabe interpretar texto no Brasil
Alunos no país têm desempenho abaixo de média da OCDE, sobretudo em matemática, segundo Pisa 2025. Desigualdade socioeconômica pressiona resultados, e IA vira ferramenta do dia a dia.
Cerca de metade dos
estudantes de 15 anos do Brasil (49%) reúnem as habilidades necessárias para a
interpretação de texto, mostraram os resultados do mais recente Programa
Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa 2025), uma pesquisa da Organização
para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicada na terça-feira
(08/09).
Segundo o estudo, estes são
os alunos capazes de, no mínimo, "identificar a ideia principal em um
texto de extensão moderada, localizar informações com base em critérios
explícitos, embora às vezes complexos, e refletir sobre o propósito e a forma
dos textos quando explicitamente solicitados a fazê-lo."
Já a média para os 38
países-membros da OCDE foi de 69%. Entretanto, a leitura foi, dentre as áreas
de estudo examinadas pelo Pisa 2025, aquela que teve a maior queda global de
desempenho entre os alunos desta idade nos últimos dez anos.
"Essa tendência é
particularmente preocupante, pois as habilidades de leitura são a base da
aprendizagem em todo o currículo e são essenciais para localizar, avaliar,
interpretar e refletir sobre informações em um mundo cada vez mais
digital," afirma o relatório.
Ao redor dos países da OCDE,
6% dos estudantes têm alta performance na leitura, isto é, conseguem
"compreender textos longos, lidar com conceitos abstratos ou
contraintuitivos e distinguir entre fatos e opiniões, com base em pistas
implícitas relacionadas ao conteúdo ou à fonte da informação". No Brasil,
o índice é de apenas 1%.
Considerado o indicador de
desempenho educacional mais influente do mundo, o Pisa 2025 entrevistou mais de
760 mil alunos de 15 anos em 91 países, incluindo cerca de 30 mil adolescentes
em 1 mil escolas no Brasil. Pela aplicação de um teste e de um questionário
pessoal, o estudo avalia a capacidade dos estudantes de aplicar seus
conhecimentos e habilidades em leitura, matemática e ciências a situações da
vida real.
BRASIL PATINA NA MATEMÁTICA
Houve também queda dramática
no desempenho dos estudantes em matemática ao redor do mundo. No caso brasileiro,
os resultados se mantiveram estáveis na última década, mas o país ainda patina
em comparação às economias da OCDE.
É na matemática que está a
maior lacuna de desempenho dos estudantes brasileiros. Só 28% dos alunos que
participaram do estudo demonstraram proficiência, contra a média de 65% nos
países da OCDE.
Na prática, isso significa que estes adolescentes "são capazes de interpretar e reconhecer, sem instruções diretas, como uma situação simples pode ser representada matematicamente (por exemplo, comparando as distâncias de duas rotas alternativas ou convertendo preços para uma moeda diferente)," explica a pesquisa.
Para a China, em
contrapartida, o percentual de proficiência matemática foi de 96%, em linha com
o desempenho do país nas outras áreas analisadas.
O PESO DA DESIGUALDADE NAS
CIÊNCIAS
Ao redor do mundo, a situação
socioeconômica dos alunos impacta os seus resultados nos estudos em todas as
disciplinas. E, no Brasil, o efeito da desigualdade é ainda maior do que a
média da OCDE.
Entre os 25% dos alunos no topo da pirâmide social, a nota média nas ciências naturais supera em 96 pontos a dos 25% dos estudantes na base da pirâmide, por exemplo. A média dessa diferença entre os países da OCDE ficou em 85 pontos.
Em geral, o PISA considera
que 20 pontos na nota equivalem a um ano de aprendizado em qualquer uma das
disciplinas examinadas.
O peso da desigualdade se
aprofundou entre 2015 e 2025 no Brasil, enquanto diminuiu nos países ricos da
OCDE. "Nesse período, o desempenho melhorou entre os alunos de classe
alta, mas permaneceu estável entre os alunos de classe baixa," detalha a
pesquisa sobre o caso brasileiro.
A estimativa do PISA 2025 é
que, no ano passado, 21% dos alunos frequentassem escolas onde a educação era
restringida pela falta de professores; 26% em instituições impactadas pela
falta DE MATERIAIS; E 28% EM INSTALAÇÕES PRECÁRIAS.
IA vira realidade cotidiana
Pela primeira vez, o Pisa
avaliou o uso de inteligência artificial (IA) entre os alunos pesquisados. Ao
redor do mundo, os chatbots já se consolidam como ferramentas para os
estudantes, "criando desafios e oportunidades para o seu aprendizado",
segundo o relatório.
No Brasil, 48% dos
adolescentes reportaram usar chatbots de IA para a aprendizagem pelo menos uma
vez na semana, em comparação à média de 46% na OCDE. As principais tarefas
executadas são pesquisas preliminares sobre um tema novo, resumos de leituras
ou a elaboração de rascunhos para trabalhos escritos.
Apenas 11% dos alunos
afirmaram nunca ou quase nunca usar chatbots de IA para qualquer uma das
tarefas escolares analisadas no Pisa (a média da OCDE foi de 14%).
Dentro das escolas, porém, a
restrição do uso de celulares mudou a rotina dos alunos significativamente nos
últimos três anos. No ano passado, 81% dos pesquisados do Pisa 2025 estudavam
em escolas onde os aparelhos eram proibidos, em comparação a 37% em 2022.
Segundo o estudo, a proibição
dos celulares tende a reduzir a distração dos alunos com recursos digitais.
DESAFIOS DE ADAPTAÇÃO
Os números não explicam
diretamente por que há um declínio global na performance dos estudantes. Os
autores do estudo indicam que o fato de as escolas terem fechado durante a
pandemia de covid-19 pode ter sido um fator para a piora das habilidades de
leitura, por exemplo.
Mas não há uma relação direta
entre o tempo de suspensão das aulas presenciais e a performance dos estudantes
na leitura. Além disso, esta tendência de queda em vários países já vinha antes
da pandemia, acrescenta o relatório.
Para os especialistas, o
cenário "sugere problemas estruturais mais profundos nos sistemas
educacionais, com desafios tanto no âmbito escolar quanto no nível do
sistema". Esses desafios incluem o impacto das distrações digitais sobre
os alunos e o crescente desinteresse pela leitura de livros.
"De modo geral, os dados
sugerem deficiências na forma como os sistemas educacionais estão se adaptando
às mudanças sociais, tecnológicas e econômicas", afirma o resumo do
estudo. "Olhando para o futuro, o desafio para os formuladores de
políticas não é simplesmente recuperar o terreno perdido, mas garantir que as
escolas atendam às demandas do mundo, que mudam rapidamente."
Enquanto isso, os pais podem contribuir para o potencial das crianças, demonstrando apoio e curiosidade em relação aos estudos delas e ajudando-as a desenvolver atitudes positivas em relação à escola, afirma o relatório. Fonte: Redação DW- terça-feira, 8 de setembro de 2026
Alemanha poderá ter déficit de mais de 700 mil trabalhadores
Falta de mão de obra qualificada deve quase dobrar até 2029, aponta estudo. Fenômeno deve ser agravado, entre outros fatores, por aposentadorias e queda na migração.
A Alemanha corre o risco de
não conseguir encontrar mão de obra qualificada para 723 mil vagas em seu
mercado de trabalho até 2029.
Os dados, divulgados na segunda-feira
(07/09), são de um estudo do Instituto da Economia Alemã (IW), ligado ao setor
empresarial, que em 2024 contabilizou um déficit de 370 mil profissionais.
O maior déficit projetado,
cerca de 39,1 mil vagas, é para vendedores no comércio. Outras áreas fortemente
afetadas incluem a educação infantil (29,9 mil) e assistência social e
pedagogia social (23,6 mil), seguidas pelos setores de enfermagem e cuidados de
saúde (18,7 mil), instalações elétricas na construção civil (17,4 mil) e
fisioterapia (16,3 mil).
MAIS APOSENTADOS, MENOS
IMIGRANTES
A escassez de mão de obra
deve ser agravada, entre outros fatores, pela entrada de muitas pessoas na
aposentadoria ao longo dos próximos anos.
Ao mesmo tempo, a renovação
da força de trabalho deverá ser insuficiente, já que a Alemanha poderá atrair
menos trabalhadores do exterior.
Além disso, pesou nos
cálculos dos economistas a expectativa de uma recuperação da economia alemã, o
que tende a aumentar ainda mais a demanda por profissionais qualificados.
Os autores do estudo,
contudo, ressaltaram que o déficit pode ser ainda maior, já que seus cálculos
não levam em conta a tendência de queda nas taxas de natalidade.
O especialista em mão de obra
qualificada do IW, Alexander Burstedde, afirmou que a falta de mão de obra qualificada
será sentida pelos alemães no dia a dia, "por exemplo na busca por uma
vaga numa casa de repouso ou por um prestador de serviços", como
encanadores e pedreiros.
"Os políticos precisam
aumentar os incentivos ao trabalho e providenciar mais imigração qualificada
vinda de outros países da UE", recomendou.
A análise do IW projeta a evolução do mercado de trabalho até 2029 com base em dados disponíveis até o final de 2024 para cerca de 1.300 ocupações. Fonte: Redação DW - 07/09/2026
domingo, 11 de outubro de 2026
Produção de vinho na França deve ter pior safra em décadas
Verão mais quente já registrado no país reduziu a produtividade dos vinhedos, e safra deve registrar queda pelo terceiro ano seguido. Na região de Champagne, colheita caiu quase pela metade em relação ao ano passado.
Após um verão marcado por
ondas de calor, incêndios, e seca severa, a produção de vinho na França deve
ser uma das piores dos últimos 30 anos, informou nesta segunda-feira (07/09) o
Ministério da Agricultura francês.
A primeira estimativa oficial
para a produção francesa no ano de 2026 está em 33,9 milhões de hectolitros, ou
cerca de 4,5 bilhões de garrafas — 6% a menos do que no ano passado. O valor
está 17% abaixo da média do período entre 2021 e 2025. É o terceiro ano
consecutivo de safra fraca no país.
A França é o segundo maior
produtor de vinhos do mundo (atrás apenas da Itália), e o maior exportador em
termos de valor. Além das condições climáticas, o setor também foi impactado
pelas tarifas vindas dos Estados Unidos, e por mudanças nos hábitos de consumo.
CHAMPAGNE ESTÁ ENTRE AS
REGIÕES AFETADAS
A queda é particularmente
grave em Champagne, no Nordeste do país, onde a produção deve ficar 49% abaixo
do nível de 2025 e 47% inferior à média dos últimos cinco anos.
Outras regiões também devem
registrar queda: em Bourgogne-Beaujolais, a produção deve ser um terço menor do
que no ano passado; em Val de Loire, deve cair 12%; e em Charentes, 6%.
Já a maior região produtora
da França, Languedoc-Roussillon, espera um crescimento de 5% em relação ao ano
passado. Em Bordeaux, a safra deve ser 10% melhor em relação a 2025, depois que
as chuvas do fim de agosto ajudaram a amenizar os efeitos da seca. A produção
nas duas regiões, contudo, segue abaixo da média.
Segundo a Organização Internacional
da Vinha e do Vinho (OIV), 2025 já havia sido uma baixa histórica na produção
de vinhos francesa, a menor safra desde 1957.
CRISE CLIMÁTICA PRESSIONA
AGRICULTURA FRANCESA
Produtores de vinho na França
iniciaram a colheita das uvas mais cedo do que o normal em 2026 devido às
condições de calor extremo, de acordo com o Ministério da Agricultura. O mesmo
aconteceu em outros países da Europa.
Embora a primavera tenha
inicialmente proporcionado perspectivas melhores para a colheita deste ano, a
seca e as ondas de calor do verão danificaram os vinhedos e reduziram a
produtividade.
Além disso, a área cultivada
para a produção de vinho está 2,5% menor em 2026 em comparação com 2025, já que
produtores chegaram a arrancar parte de seus vinhedos nos últimos anos pelo
excesso de oferta em relação ao consumo.
Não só os vinhedos têm
sentido o impacto da crise climática. A agricultura francesa foi fortemente
impactada pelas ondas de calor recorde e pela seca deste verão. Em agosto, o
jornal The Guardian noticiou estimativas de perdas de milhares de toneladas de
hortaliças, incluindo alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró.
Na sexta-feira (04/09), A França
anunciou um pacote emergencial de ajuda para agricultores com valor superior a
1 bilhão de euros.
Em outros países da Europa, como Espanha, Grécia, Itália e Portugal, as condições do clima têm pressionado o cultivo de oliveiras e a produção de azeite. Fonte: DW- segunda-feira, 7 de setembro de 2026



