sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Robô guarda-costas da China levanta dúvidas sobre segurança

 Humanoide da Unitree promete proteger pessoas e atuar em emergências. Porém, uma cena do vídeo promocional causa preocupação.

Até agora, os robôs humanoides da empresa chinesa Unitree haviam chamado atenção principalmente por suas espetaculares exibições de artes marciais. Mas a companhia de Hangzhou quer dar um passo além e levar essas máquinas do entretenimento para aplicações práticas.

Sua nova aposta é o H2-X, um robô apresentado como um guarda-costas capaz de intervir em situações de perigo e prestar ajuda em emergências. As imagens promocionais divulgadas em 21 de outubro indicam o tipo de aplicação que a Unitree pretende dar ao robô.

Em uma das cenas, o H2-X enfrenta um homem que ameaça uma mulher com uma faca. Em outras, aparece levantando um carro sob o qual há uma pessoa presa, golpeando a porta de outro veículo e afastando um pedestre da trajetória de um automóvel que se aproxima.

A apresentação se encaixa em uma mudança de rumo mais ampla da empresa. Segundo a agência de notícias Reuters, a Unitree expandiu rapidamente sua linha de humanoides neste ano com a intenção de explorar aplicações em vigilância, segurança e resgate. O H2-X representa, assim, uma tentativa de transformar as habilidades físicas que tornaram seus robôs populares em ferramentas úteis para além do espetáculo.

DÚVIDAS SOBRE O H2-X

No entanto, como acontece cada vez mais frequentemente com anúncios tecnológicos, o vídeo deixa tantas perguntas quanto imagens impressionantes.

Por exemplo, segundo relata a revista especializada Interesting Engineering, ainda faltam dados técnicos sobre o H2-X. Também não está claro se o robô realizou as manobras de forma autônoma, se foi controlado remotamente ou se executou movimentos previamente programados.

Até o momento, a Unitree também não anunciou o preço nem a data de comercialização do novo humanoide.

QUAIS OS RISCOS DE UM ROBÔ TÃO FORTE?

A essas incógnitas soma-se uma questão mais delicada: a segurança das pessoas que ele supostamente deve proteger. Uma cena do vídeo ilustra essa preocupação. Nela, o H2-X tenta impedir que um carro, que avança lentamente, atropele um manequim que representa uma criança. Mas, ao tirá-lo da trajetória do veículo, acaba arremessando-o contra o chão.

Embora evite o atropelamento, o robô acaba lançando o manequim com violência ao retirá-lo da trajetória do veículo. Em uma situação real, uma manobra desse tipo poderia causar ferimentos graves à pessoa que o robô tenta justamente proteger.

ROBÔ HUMANOIDE H2-X DA UNITREEROBÔ HUMANOIDE H2-X DA UNITREE

O H2-X promete, portanto, passar das acrobacias à proteção, mas, por enquanto, suas capacidades foram demonstradas apenas em um vídeo promocional. Além das dúvidas sobre seu nível de autonomia, permanecem dúvidas sobre os riscos de equipar robôs com tanta força física para intervir em situações de conflito.

Resta saber se o H2-X conseguirá atuar de forma confiável fora de ambientes controlados ou se, por enquanto, continuará mais próximo da ficção do que da realidade.  Fonte:  DW-quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Coronavírus: Situação da cidade de São Paulo até 28 de outubro de 2026


segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Eleições 2026: Lula é reeleito presidente da República

 





























Os desafios de Lula em seu quarto mandato

  Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil, derrotando Flávio Bolsonaro (PL) e garantindo seu quarto mandato.

Com mais de 64 milhões de votos, o petista alcançou um feito inédito na democracia brasileira: é a primeira vez que um presidente se reelege pela segunda vez e que um candidato vence a eleição presidencial após terminar o primeiro turno em segundo lugar.

Apesar da vitória, Lula terá pela frente um cenário político desafiador, com um Congresso Nacional mais alinhado à direita e forte polarização no país. Fonte: BBC News Brasil - 26 outubro 2026

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Só metade dos adolescentes sabe interpretar texto no Brasil

 Alunos no país têm desempenho abaixo de média da OCDE, sobretudo em matemática, segundo Pisa 2025. Desigualdade socioeconômica pressiona resultados, e IA vira ferramenta do dia a dia.

Cerca de metade dos estudantes de 15 anos do Brasil (49%) reúnem as habilidades necessárias para a interpretação de texto, mostraram os resultados do mais recente Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa 2025), uma pesquisa da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) publicada na terça-feira (08/09).

Segundo o estudo, estes são os alunos capazes de, no mínimo, "identificar a ideia principal em um texto de extensão moderada, localizar informações com base em critérios explícitos, embora às vezes complexos, e refletir sobre o propósito e a forma dos textos quando explicitamente solicitados a fazê-lo."

Já a média para os 38 países-membros da OCDE foi de 69%. Entretanto, a leitura foi, dentre as áreas de estudo examinadas pelo Pisa 2025, aquela que teve a maior queda global de desempenho entre os alunos desta idade nos últimos dez anos.

"Essa tendência é particularmente preocupante, pois as habilidades de leitura são a base da aprendizagem em todo o currículo e são essenciais para localizar, avaliar, interpretar e refletir sobre informações em um mundo cada vez mais digital," afirma o relatório.

Ao redor dos países da OCDE, 6% dos estudantes têm alta performance na leitura, isto é, conseguem "compreender textos longos, lidar com conceitos abstratos ou contraintuitivos e distinguir entre fatos e opiniões, com base em pistas implícitas relacionadas ao conteúdo ou à fonte da informação". No Brasil, o índice é de apenas 1%.

Considerado o indicador de desempenho educacional mais influente do mundo, o Pisa 2025 entrevistou mais de 760 mil alunos de 15 anos em 91 países, incluindo cerca de 30 mil adolescentes em 1 mil escolas no Brasil. Pela aplicação de um teste e de um questionário pessoal, o estudo avalia a capacidade dos estudantes de aplicar seus conhecimentos e habilidades em leitura, matemática e ciências a situações da vida real.

BRASIL PATINA NA MATEMÁTICA

Houve também queda dramática no desempenho dos estudantes em matemática ao redor do mundo. No caso brasileiro, os resultados se mantiveram estáveis na última década, mas o país ainda patina em comparação às economias da OCDE.

É na matemática que está a maior lacuna de desempenho dos estudantes brasileiros. Só 28% dos alunos que participaram do estudo demonstraram proficiência, contra a média de 65% nos países da OCDE.

Na prática, isso significa que estes adolescentes "são capazes de interpretar e reconhecer, sem instruções diretas, como uma situação simples pode ser representada matematicamente (por exemplo, comparando as distâncias de duas rotas alternativas ou convertendo preços para uma moeda diferente)," explica a pesquisa.

Para a China, em contrapartida, o percentual de proficiência matemática foi de 96%, em linha com o desempenho do país nas outras áreas analisadas.

O PESO DA DESIGUALDADE NAS CIÊNCIAS

Ao redor do mundo, a situação socioeconômica dos alunos impacta os seus resultados nos estudos em todas as disciplinas. E, no Brasil, o efeito da desigualdade é ainda maior do que a média da OCDE.

Entre os 25% dos alunos no topo da pirâmide social, a nota média nas ciências naturais supera em 96 pontos a dos 25% dos estudantes na base da pirâmide, por exemplo. A média dessa diferença entre os países da OCDE ficou em 85 pontos.

Em geral, o PISA considera que 20 pontos na nota equivalem a um ano de aprendizado em qualquer uma das disciplinas examinadas.

O peso da desigualdade se aprofundou entre 2015 e 2025 no Brasil, enquanto diminuiu nos países ricos da OCDE. "Nesse período, o desempenho melhorou entre os alunos de classe alta, mas permaneceu estável entre os alunos de classe baixa," detalha a pesquisa sobre o caso brasileiro.

A estimativa do PISA 2025 é que, no ano passado, 21% dos alunos frequentassem escolas onde a educação era restringida pela falta de professores; 26% em instituições impactadas pela falta DE MATERIAIS; E 28% EM INSTALAÇÕES PRECÁRIAS.

IA vira realidade cotidiana

Pela primeira vez, o Pisa avaliou o uso de inteligência artificial (IA) entre os alunos pesquisados. Ao redor do mundo, os chatbots já se consolidam como ferramentas para os estudantes, "criando desafios e oportunidades para o seu aprendizado", segundo o relatório.

No Brasil, 48% dos adolescentes reportaram usar chatbots de IA para a aprendizagem pelo menos uma vez na semana, em comparação à média de 46% na OCDE. As principais tarefas executadas são pesquisas preliminares sobre um tema novo, resumos de leituras ou a elaboração de rascunhos para trabalhos escritos.

Apenas 11% dos alunos afirmaram nunca ou quase nunca usar chatbots de IA para qualquer uma das tarefas escolares analisadas no Pisa (a média da OCDE foi de 14%).

Dentro das escolas, porém, a restrição do uso de celulares mudou a rotina dos alunos significativamente nos últimos três anos. No ano passado, 81% dos pesquisados do Pisa 2025 estudavam em escolas onde os aparelhos eram proibidos, em comparação a 37% em 2022.

Segundo o estudo, a proibição dos celulares tende a reduzir a distração dos alunos com recursos digitais.

DESAFIOS DE ADAPTAÇÃO

Os números não explicam diretamente por que há um declínio global na performance dos estudantes. Os autores do estudo indicam que o fato de as escolas terem fechado durante a pandemia de covid-19 pode ter sido um fator para a piora das habilidades de leitura, por exemplo.

Mas não há uma relação direta entre o tempo de suspensão das aulas presenciais e a performance dos estudantes na leitura. Além disso, esta tendência de queda em vários países já vinha antes da pandemia, acrescenta o relatório.

Para os especialistas, o cenário "sugere problemas estruturais mais profundos nos sistemas educacionais, com desafios tanto no âmbito escolar quanto no nível do sistema". Esses desafios incluem o impacto das distrações digitais sobre os alunos e o crescente desinteresse pela leitura de livros.

"De modo geral, os dados sugerem deficiências na forma como os sistemas educacionais estão se adaptando às mudanças sociais, tecnológicas e econômicas", afirma o resumo do estudo. "Olhando para o futuro, o desafio para os formuladores de políticas não é simplesmente recuperar o terreno perdido, mas garantir que as escolas atendam às demandas do mundo, que mudam rapidamente."

Enquanto isso, os pais podem contribuir para o potencial das crianças, demonstrando apoio e curiosidade em relação aos estudos delas e ajudando-as a desenvolver atitudes positivas em relação à escola, afirma o relatório. Fonte: Redação DW- terça-feira, 8 de setembro de 2026

Alemanha poderá ter déficit de mais de 700 mil trabalhadores

 Falta de mão de obra qualificada deve quase dobrar até 2029, aponta estudo. Fenômeno deve ser agravado, entre outros fatores, por aposentadorias e queda na migração.

A Alemanha corre o risco de não conseguir encontrar mão de obra qualificada para 723 mil vagas em seu mercado de trabalho até 2029.

Os dados, divulgados na segunda-feira (07/09), são de um estudo do Instituto da Economia Alemã (IW), ligado ao setor empresarial, que em 2024 contabilizou um déficit de 370 mil profissionais.

O maior déficit projetado, cerca de 39,1 mil vagas, é para vendedores no comércio. Outras áreas fortemente afetadas incluem a educação infantil (29,9 mil) e assistência social e pedagogia social (23,6 mil), seguidas pelos setores de enfermagem e cuidados de saúde (18,7 mil), instalações elétricas na construção civil (17,4 mil) e fisioterapia (16,3 mil).

MAIS APOSENTADOS, MENOS IMIGRANTES

A escassez de mão de obra deve ser agravada, entre outros fatores, pela entrada de muitas pessoas na aposentadoria ao longo dos próximos anos.

Ao mesmo tempo, a renovação da força de trabalho deverá ser insuficiente, já que a Alemanha poderá atrair menos trabalhadores do exterior.

Além disso, pesou nos cálculos dos economistas a expectativa de uma recuperação da economia alemã, o que tende a aumentar ainda mais a demanda por profissionais qualificados.

Os autores do estudo, contudo, ressaltaram que o déficit pode ser ainda maior, já que seus cálculos não levam em conta a tendência de queda nas taxas de natalidade.

O especialista em mão de obra qualificada do IW, Alexander Burstedde, afirmou que a falta de mão de obra qualificada será sentida pelos alemães no dia a dia, "por exemplo na busca por uma vaga numa casa de repouso ou por um prestador de serviços", como encanadores e pedreiros.

"Os políticos precisam aumentar os incentivos ao trabalho e providenciar mais imigração qualificada vinda de outros países da UE", recomendou.

A análise do IW projeta a evolução do mercado de trabalho até 2029 com base em dados disponíveis até o final de 2024 para cerca de 1.300 ocupações.  Fonte: Redação DW - 07/09/2026  

domingo, 11 de outubro de 2026

Produção de vinho na França deve ter pior safra em décadas

 Verão mais quente já registrado no país reduziu a produtividade dos vinhedos, e safra deve registrar queda pelo terceiro ano seguido. Na região de Champagne, colheita caiu quase pela metade em relação ao ano passado.

Após um verão marcado por ondas de calor, incêndios, e seca severa, a produção de vinho na França deve ser uma das piores dos últimos 30 anos, informou nesta segunda-feira (07/09) o Ministério da Agricultura francês.

A primeira estimativa oficial para a produção francesa no ano de 2026 está em 33,9 milhões de hectolitros, ou cerca de 4,5 bilhões de garrafas — 6% a menos do que no ano passado. O valor está 17% abaixo da média do período entre 2021 e 2025. É o terceiro ano consecutivo de safra fraca no país.

A França é o segundo maior produtor de vinhos do mundo (atrás apenas da Itália), e o maior exportador em termos de valor. Além das condições climáticas, o setor também foi impactado pelas tarifas vindas dos Estados Unidos, e por mudanças nos hábitos de consumo.

CHAMPAGNE ESTÁ ENTRE AS REGIÕES AFETADAS

A queda é particularmente grave em Champagne, no Nordeste do país, onde a produção deve ficar 49% abaixo do nível de 2025 e 47% inferior à média dos últimos cinco anos.

Outras regiões também devem registrar queda: em Bourgogne-Beaujolais, a produção deve ser um terço menor do que no ano passado; em Val de Loire, deve cair 12%; e em Charentes, 6%.

Já a maior região produtora da França, Languedoc-Roussillon, espera um crescimento de 5% em relação ao ano passado. Em Bordeaux, a safra deve ser 10% melhor em relação a 2025, depois que as chuvas do fim de agosto ajudaram a amenizar os efeitos da seca. A produção nas duas regiões, contudo, segue abaixo da média.

Segundo a Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), 2025 já havia sido uma baixa histórica na produção de vinhos francesa, a menor safra desde 1957.

CRISE CLIMÁTICA PRESSIONA AGRICULTURA FRANCESA

Produtores de vinho na França iniciaram a colheita das uvas mais cedo do que o normal em 2026 devido às condições de calor extremo, de acordo com o Ministério da Agricultura. O mesmo aconteceu em outros países da Europa.

Embora a primavera tenha inicialmente proporcionado perspectivas melhores para a colheita deste ano, a seca e as ondas de calor do verão danificaram os vinhedos e reduziram a produtividade.

Além disso, a área cultivada para a produção de vinho está 2,5% menor em 2026 em comparação com 2025, já que produtores chegaram a arrancar parte de seus vinhedos nos últimos anos pelo excesso de oferta em relação ao consumo.

Não só os vinhedos têm sentido o impacto da crise climática. A agricultura francesa foi fortemente impactada pelas ondas de calor recorde e pela seca deste verão. Em agosto, o jornal The Guardian noticiou estimativas de perdas de milhares de toneladas de hortaliças, incluindo alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró.

Na sexta-feira (04/09), A França anunciou um pacote emergencial de ajuda para agricultores com valor superior a 1 bilhão de euros.

Em outros países da Europa, como Espanha, Grécia, Itália e Portugal, as condições do clima têm pressionado o cultivo de oliveiras e a produção de azeite. Fonte: DW- segunda-feira, 7 de setembro de 2026