Periscopio News
mundo,sociedade,política,meio ambiente,educação,tecnologia
sexta-feira, 9 de outubro de 2026
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Por que ostentamos? O que está por trás do consumo de luxo
Segundo especialistas, status
e exclusividade influenciam relação com consumo, mas pesquisas apontam que
motivação podem ir muito além do dinheiro
Luxo de ostentação: pesquisas
apontam relação com insegurança, identidade e até para conquista de parceiros
Fernanda* tinha acabado de
completar 18 anos quando recebeu o primeiro salário. Com o dinheiro na conta,
decidiu comprar uma bolsa que, diz ela, talvez custasse, na época, mais do que
ela havia recebido naquele mês já que, por isso, a compra foi parcelada
diversas vezes.
Aquela foi, segundo ela, a
primeira de muitas compras feitas acima do que precisava ou podia pagar,
buscando "o melhor”. O padrão se repetiu com outros itens e, mais tarde,
com um carro que ela própria considera maior e mais sofisticado do que sua
rotina exigia.
"Eu sempre fui sozinha
com meu filho. Então, eu não precisava comprar um carro grande, cheio de
coisas. E eu queria sempre o melhor, o mais caro, com mais sofisticação. Tudo
do bom e do melhor, sem necessidade”, conta.
Fernanda diz que havia algo
além do desejo pelos produtos. "A partir daí, todo o meu dinheiro eu
gastava com coisas desnecessárias. Eu nunca guardei dinheiro na minha vida.
Sempre gastei tudo. Eu precisava me autoafirmar perante o outro”, diz ela.
O QUE EXPLICA A VONTADE DE
OSTENTAR?
Comprar um produto caro não
significa, necessariamente, ostentar. O mesmo objeto pode ser valorizado pela
qualidade, pelo design ou simplesmente pelo prazer de consumi-lo. A ostentação
aparece quando o bem também funciona como uma forma de comunicar algo aos
outros — como status, pertencimento ou exclusividade, o que nem sempre tem a
ver com dinheiro.
Isso ajuda a explicar por que
determinados produtos podem adquirir um valor que vai muito além da sua
utilidade, segundo especialistas.
A psicóloga econômica Vera
Rita Ferreira explica que os seres humanos são "inerentemente sociais” e,
desde cedo, influenciados pelo comportamento das pessoas ao redor. A imitação
faz parte do aprendizado: aprendemos, por exemplo, a falar e a andar observando
outras pessoas. No consumo, esse mecanismo também pode aparecer.
"Você se sente especial,
e todo mundo tem vontade de se sentir especial, de se destacar de alguma forma.
Mas as pessoas gostam de ter uma coisa mais cara porque menos gente vai ter
acesso a ela. Então, isso garante o seu lugar de exclusividade”, explica.
Na economia, uma das
primeiras teorias para esse tipo de comportamento surgiu com o economista e
sociólogo americano Thorstein Veblen, que descreveu o chamado "consumo
conspícuo", a aquisição e a exibição de bens como forma de demonstrar
riqueza e posição social.
O PRODUTO COMO PARTE DA
IDENTIDADE
Nelsio Rodrigues, professor
da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e pesquisador da área de consumo,
chama atenção para outra dimensão da ostentação: o pertencimento.
Por trás da decisão de
comprar um item caro — inclusive quando ele está fora do orçamento — pode
existir uma busca por diferenciação, mas também o desejo de fazer parte de
determinado grupo.
"A gente fala do ‘self
estendido': você se projeta em um artefato. O celular é um deles”. O conceito
de "self estendido”, formulado pelo pesquisador Russell Belk, parte da
ideia de que aquilo que possuímos também pode contribuir para a construção da
nossa identidade.
No mercado de luxo, marcas,
roupas, celulares, carros e outros objetos podem funcionar, portanto, como
sinais sobre quem somos ou sobre o grupo ao qual queremos pertencer.
"Você vai pertencer a
uma tribo, então, na verdade, ela [a ostentação] faz com que você se aproxime
do que você espera. A vaidade faz parte do processo, mas ela não é o principal.
Eu estou muito mais querendo pertencer a um grupo que usa determinada marca,
que vai a determinados shows", explica Rodrigues.
Pesquisas de diferentes áreas
também investigam a relação entre a ostentação e outras dimensões, como
autoestima, exclusão social e relacionamentos.
Para Vera Rita, a comparação
com outras pessoas é um dos fatores que ajuda a explicar a dinâmica desse tipo
de consumo. "Estamos sempre tentando encontrar um lugar na régua, que diga
para a gente onde estamos. E a necessidade de ostentar vem primeiro dessa
insegurança mesmo. Quem precisa [ostentar] é quem não tem muita certeza de onde
está nessa régua”, afirma.
A relação entre incerteza
sobre si mesmo e consumo ostensivo também aparece em outras pesquisas. Em um
estudo publicado em 2023 na revista Frontiers in Psychology, por exemplo,
participantes expostos a uma lembrança de rejeição ou traição apresentaram
maior propensão ao consumo ostensivo do que aqueles que haviam relembrado uma
experiência positiva de relacionamento.
No caso de Fernanda, ela
relaciona o próprio comportamento de consumo a uma experiência de rejeição
vivida na infância. "Minha mãe me abandonou quando eu tinha um ano de
idade. Então, hoje eu sei que por causa desse abandono, eu fazia, faço ainda,
mas bem controlado agora, essas compras desnecessárias para me autoafirmar para
os outros”, conta.
Já outro estudo, intitulado
Pavões, Porsches e Thorstein Veblen: o consumo ostentatório como sistema de
sinalização sexual, investigou o consumo ostensivo como uma possível forma de
sinalização sexual. Em quatro experimentos, os pesquisadores encontraram
evidências de que, entre homens, determinados contextos ligados a estratégias
de relacionamento de curto prazo estavam associados a gastos mais
extravagantes.
O resultado da pesquisa sugere que "ostentar bens associados a status para potenciais parceiros não se resume simplesmente a exibir recursos econômicos”, mas pode estar relacionado a conquistar parceiros de curto prazo, o que sugere que o consumo ostensivo pode desempenhar diferentes funções sociais, e não apenas comunicar riqueza.
QUANDO O STATUS PESA NO BOLSO
O problema aparece quando o
desejo de consumir deixa de caber no orçamento. Rodrigues afirma que a
diferenciação pelo consumo não é nova. Ao longo da história, o acesso restrito
a determinados bens, como arte e cultura, também funcionou como marcador de
posição social. No entanto, ele lembra que o acesso a produtos
"ostentatórios” mudou: se antes o luxo era inacessível, hoje as
facilidades de pagamento, com o crédito e o parcelamento, permitem adquirir
produtos de alto valor sem desembolsar todo o preço imediatamente.
O professor diz que, nesse
contexto, ganhou espaço nas redes sociais a expressão "pobreza de luxo”,
usada para descrever situações em que uma pessoa consegue acessar bens e
experiências associados a padrões de consumo mais altos, mas compromete o orçamento
com crédito e parcelamentos.
O parcelamento, por si só,
não significa endividamento. O problema aparece quando sucessivas compras
comprometem a renda futura e reduzem a capacidade de poupar ou lidar com
imprevistos.
Além disso, para Rodrigues,
há ainda uma dimensão que vai além das finanças: o consumo também pode
funcionar como uma forma de reconhecimento social.
"Nós temos um ponto aí
que é o não reconhecimento, que é um dano psicológico, um dano social de não
reconhecimento dos seus pares por não saber usar determinados instrumentos ou
não saber se comportar em determinados ambientes. Então, pensamos muito na
questão econômica, mas tem um impacto social e cognitivo das pessoas”,
complementa o professor.
No caso de Fernanda, as
compras chegaram a comprometer sua vida financeira. Ela conta que passou a
buscar ajuda profissional, com psicólogo e psiquiatra, além de participar dos
Devedores Anônimos (DA), grupo voltado a pessoas que desejam interromper o ciclo
de endividamento.
Hoje, ela utiliza também um
planejamento de gastos para estabelecer limites para compras e evitar decisões
impulsivas, evitando, assim, comprar itens luxuosos apenas para ostentar.
"Até R$ 100 eu não
pergunto para ninguém. Acima de R$ 100, eu vou perguntar para uma terceira pessoa
para ver se aquilo é importante para mim. E tem o teto de gasto, que é o plano
de gastos, em que colocamos os custos fixos e também valores extras que a gente
gostaria de gastar com alguma coisa. Então, se eu quero comprar uma bolsa, eu
posso gastar até R$ 150. Se eu quiser comprar um sapato, até R$ 100, por
exemplo”, explica ela.
IMPACTO DAS REDES SOCIAIS
Para os especialistas, as
redes sociais também deram uma nova dimensão à lógica do pertencimento. Em vez
de comparar nosso padrão de consumo apenas com o de pessoas próximas, como
vizinhos e familiares, hoje é possível acompanhar viagens, carros, celulares,
restaurantes e outros sinais de status de pessoas de diferentes grupos e
países.
"Isso explica, por
exemplo, o comportamento de manada. Todo mundo vai atrás. Com as redes sociais
isso virou uma coisa delirante”, diz a psicóloga econômica.
Para ela, a exposição
constante pode intensificar a comparação social, especialmente entre pessoas
que já se sentem inseguras em relação à própria posição.
"As redes sociais acabam
com a paz de espírito, principalmente das pessoas que estão mais inseguras e
insatisfeitas. Então, a pessoa pode se comparar com alguém que está lá na
China, na Suécia, e a gente vai perder porque aqui no sul global já começamos
perdendo porque a renda é completamente diferente. O país é mais desigual”,
detalha Vera Rita.
Justamente por isso, Fernanda
decidiu se afastar das redes sociais. "É um mercado aberto de vendas. A
gente acha que aquela pessoa tem e, quando você vai ver, ela está cheia de
dívida também. Então, a gente não sabe qual é a vida daquela pessoa e a gente se
compara com ela”. Fonte: DW-sexta-feira,
25 de setembro de 2026
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Incêndios e seca na Europa pressionam preço do azeite
Espanha, Grécia, Itália e
Portugal registram danos em áreas de cultivo de oliveiras em meio a um verão
marcado por calor extremo, seca prolongada e incêndios. Produtores veem risco
de virada nos preços.
O calor extremo, a seca
prolongada e os incêndios florestais vêm aumentando a pressão sobre a
agricultura europeia, especialmente sobre os olivais do sul do continente.
Produtores alertam que a combinação desses fatores tem reduzido a produtividade
das lavouras, comprometido a qualidade dos frutos e elevado os custos de
produção, o que pode resultar em novos aumentos nos preços de alimentos como o
azeite de oliva.
Estudos climáticos mostram
que o número de dias de verão com condições extremas favoráveis à propagação de
incêndios, combinação de calor, seca e vento, dobrou desde 1981, reforçando a
vulnerabilidade estrutural dos olivais e de outras culturas mediterrâneas.
A preocupação é compartilhada
por instituições e entidades do setor agrícola. No início de julho, a Comissão
Europeia apontava uma redução dos preços do azeite de oliva desde abril, devido
ao excesso da produção italiana.
Contudo, revisou sua previsão
para a produção de azeite do bloco, que deve recuar 5% no ciclo 2025/26. A
queda é puxada sobretudo pela Grécia, onde a produção deve encolher 18%. O
relatório alertava que as perspectivas para a próxima safra dependiam da
ausência de novos eventos climáticos extremos, devido à vulnerabilidade dos
olivais.
Poucas semanas depois, esse
cenário de risco começou a se concretizar. Segundo o jornal britânico The
Guardian, a associação agrícola espanhola ASAJA afirma que os incêndios
florestais que se intensificaram no paísa partir de meados de julho atingiram
pomares, vinhedos, áreas agrícolas, estufas e olivais, afetando produtos como
frutas cítricas, abacates, amêndoas, hortaliças e azeitonas. Milhares de
hectares foram devastados.
Para a entidade, a principal
preocupação não é a redução das exportações, mas o aumento dos custos de
produção, que tende a ser repassado aos consumidores. A Espanha também segue
enfrentando restrições hídricas que reduzem a umidade do solo e aumentam o
risco de queda prematura das azeitonas.
Além disso, antes mesmo dos
incêndios de julho, a colheita de cereais no país já havia sido revista para
baixo, de 24 milhões para cerca de 18,5 milhões de toneladas, ampliando a
pressão sobre os preços agrícolas.
Por ser a maior produtora
mundial de azeite, a Espanha tem papel central na formação dos preços globais.
O portal Data España ressalta que a estabilidade do mercado continua frágil
após a queda recente dos custos do azeite, que sucedeu um período de valores
recordes. No início do ano, chuvas intensas provocaram alagamentos em áreas
produtoras e reduziram as previsões de colheita. Agora, a seca extrema e os
incêndios voltam a ameaçar a produção.
GRÉCIA LUTA CONTRA DESTRUIÇÃO
DE OLIVAIS
O IMPACTO SOBRE O AZEITE É
PARTICULARMENTE RELEVANTE NA GRÉCIA.
“É uma sensação terrível
quando você constrói algo com tanto esforço, e quando dinheiro não é fácil de
conseguir”, disse a produtora Anastasia Hatzoglou à Reuters sobre as queimadas
no país. As chamas, que se espalharam rapidamente, destruíram florestas
exuberantes e causaram grandes danos a oliveiras poucos meses antes da colheita,
um ritual anual muito aguardado em muitos lares gregos.
Ela afirmou que sua casa
sofreu danos extensos e que suas oliveiras foram queimadas. "Foi tanto
esforço, e quando você dedica cuidado à sua propriedade, à sua terra, ao azeite
que produz todos os anos, não é nada bom", contou.
Segundo o portal grego
Neakriti, o déficit hídrico agravado pelas ondas de calor e pelos incêndios tem
reduzido a produtividade dos olivais no país. Além dos danos provocados
diretamente pelo fogo, produtores relatam prejuízos causados pela fumaça, pela
piora da qualidade do ar e pela maior incidência de pragas e doenças
favorecidas pelas temperaturas elevadas. O resultado pode ser a redução do
tamanho dos frutos e da qualidade do azeite produzido.
O portal italiano Dissapore
descreve cenário semelhante em outros países mediterrâneos. De acordo com a
publicação, incêndios atingiram olivais na Grécia, Itália e Portugal. O calor
prolongado facilita também o avanço de pragas.
PRODUÇÃO AGRÍCOLA AFETADA
Os impactos climáticos não se
limitam às oliveiras. Segundo o jornal The Guardian, a associação francesa Légumes
de France estima perdas de milhares de toneladas de hortaliças, incluindo
alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró. Em algumas regiões, a produção pode
cair até 50% devido à falta de chuva e à escassez de água. O clima extremo
ainda afeta vinhedos de regiões tradicionais como Champagne, Bordeaux e
Borgonha, onde o amadurecimento acelerado das uvas ameaça reduzir os
rendimentos da safra.
A Europa enfrentou em junho e
julho de 2026 uma das ondas de calor mais severas já registradas, com
temperaturas acima de 40 °C em países como Alemanha, França, Dinamarca e
República Tcheca. O calor extremo provocou mais de 1.300 mortes apenas na
última semana de junho, além de interrupções em serviços públicos, derretimento
de asfalto e cancelamento de eventos em várias cidades europeias.
Cientistas afirmam que esse
tipo de evento teria sido "praticamente impossível” sem o aquecimento
global, e que a Europa já aquece duas vezes mais rápido que a média mundial,
com temperaturas médias 2,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Esse conjunto
de fatores consolidou 2026 como um dos verões mais extremos do continente,
agravando a pressão sobre sistemas agrícolas vulneráveis. Fonte: Redação DW-04/08/2026
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Pizzaria de SP é eleita a 6ª melhor do mundo; outras 4 da capital também
A Leggera Pizza Napoletana, de São Paulo, ficou em 6º lugar no ranking anual das 100 melhores pizzarias do mundo em 2026, elaborado pelo guia italiano 50 Top Pizza. A lista também tem outras quatro pizzarias paulistanas: QT Pizza Bar, em 17º; A Pizza da Mooca, em 41º; Unica Pizzeria, em 46º; e Veridiana, em 75º.
A premiação foi realizada na terça-feira
(15), no Teatro Mercadante, em Nápoles, na Itália.
A Leggera inaugurou na
capital paulista em 2013 e, atualmente, tem uma unidade em Perdizes e outra nos
Jardins. Ao longo da trajetória, acumulou prêmios internacionais, incluindo o
de melhor pizzaria da América Latina em 2024, 2025 e 2026. No ano passado,
também conquistou o terceiro lugar do ranking anual das 100 melhores pizzarias
do mundo.
No ranking deste ano, a
primeira colocada foi a Napoli on the Road, de Londres, na Inglaterra. Em
segundo lugar ficou a Una Pizza Napoletana, de Nova York, nos Estados Unidos,
seguida pela Confine, de Milão, na Itália.
Entre as brasileiras, São
Paulo foi a cidade com maior número de representantes na lista, com cinco
pizzarias no total entre as 100 melhores. Entrou também no ranking, na posição
70º, a Bento Pizzeria, do Rio de Janeiro.
Veja a lista completa:
1º — Napoli on the Road —
Londres, Inglaterra
2º — Una Pizza Napoletana —
Nova York, Estados Unidos
3º — Confine — Milão, Itália
4º — I Masanielli – Francesco
Martucci — Caserta, Itália
4º — Seu Pizza Illuminati —
Roma, Itália
5º — Pizzeria Sei — Los
Angeles, Estados Unidos
5º — Tony’s Pizza Napoletana
— São Francisco, Estados Unidos
6º — Leggera Pizza Napoletana — São Paulo, Brasil
7º — RistoPizza by Napoli sta
ca — Tóquio, Japão
8º — Baldoria — Madri,
Espanha
9º — The Pizza Bar on 38th —
Tóquio, Japão
10º — Razza — Jersey City,
Estados Unidos
11º — Allería — Providencia,
Chile
12º — Palazzo Petrucci
Pizzeria — Nápoles, Itália
13º — I Tigli — San
Bonifacio, Itália
14º — 50 Kalò — Nápoles,
Itália
15º — Avenida Calò — Roma,
Itália
16º — gigi’s — Sydney,
Austrália
17º — Pizzardi Artigianale —
Bogotá, Colômbia
16º — Fiata — Hong Kong,
China
17º — QT Pizza Bar — São Paulo, Brasil
18º — Dry Milano — Milão,
Itália
19º — Cambia-Menti — Caserta,
Itália
20º — Sasà Martucci —
Caserta, Itália
21º — BOB Alchimia a Spicchi
— Montepaone Lido, Itália
22º — IMperfetto — Puteaux,
França
23º — 50 Kalò — Londres,
Inglaterra
24º — Ti Amo — Adrogué,
Argentina
25º — La Clásica — San
Salvador, El Salvador
26º — Truly Pizza — Dana
Point, Estados Unidos
27º — Francesco Martucci
Miami — Miami, Flórida
28º — Spacca Napoli — Seul,
Coreia do Sul
29º — Sartoria Panatieri —
Barcelona, Espanha
30º — Don Antonio — Nova
York, Estados Unidos
31º — Crosta — Makati,
Filipinas
32º — Jay’s — Kenmore,
Estados Unidos
33º — Pizza Zulu — Fürth,
Alemanha
34º — Massilia — Bangcoc,
Tailândia
35º — Robert’s — Chicago,
Estados Unidos
35º — Ribalta — Nova York,
Estados Unidos
36º — nNea — Amsterdã, Países
Baixos
37º — Flama — Miraflores,
Peru
38º — Leña — Cleveland,
Estados Unidos
39º — Sapori Italiani U
Taliana — Bratislava, Eslováquia
40º — La Cascina dei Sapori —
Rezzato, Itália
41º — A Pizza da Mooca — São Paulo, Brasil
42º — SHOP225 — Melbourne,
Austrália
43º — La Notizia — Nápoles,
Itália
44º — Ken’s Artisan Pizza —
Portland, Estados Unidos
45º — Pizzeria Braceria
CESARI!! — Nagoia, Japão
46º — Unica Pizzeria — São Paulo, Brasil
47º — La Leggenda — Miami,
Estados Unidos
47º — ‘O Munaciello — Miami,
Estados Unidos
48º — a mano — Makati,
Filipinas
49º — Forno d’Oro — Lisboa,
Portugal
50º — Bottega — Pequim, China
51º — Portarossa — Pampatar,
Venezuela
52º — Via Toledo — Viena,
Áustria
53º — Sestogusto — Turim,
Itália
54º — Clementina — Fiumicino,
Itália
55º — La Bolla — Caserta,
Itália
56º — Giuseppe Bove —
Montesarchio, Itália
57º — L’Incanto — Punta del
Este, Uruguai
58º — 180 GRAMMI — Roma,
Itália
59º — La Fenice — Pistoia,
Itália
60º — Modus — Milão, Itália
61º — I Vesuviani — Casoria,
Itália
62º — Da Lioniello — Succivo,
Itália
63º — Apogeo — Pietrasanta,
Itália
64º — da Susy — Gurugram,
Índia
65º — Bro. — Nápoles, Itália
66º — Salvo — Nápoles, Itália
67º — ‘O Fiore Mio — Faenza,
Itália
68º — Raf Bonetta — Nápoles,
Itália
69º — Fratelli Figurato —
Madri, Espanha
70º — Bento Pizzeria — Rio de Janeiro, Brasil
70º — Raffaella — Las Condes,
Chile
72º — Margherí — Cidade de Ho
Chi Minh, Vietnã
71º — L’industrie Pizzeria —
Nova York, Estados Unidos
73º — Surt — Copenhague,
Dinamarca
74º — Stile Napoletano —
Chester, Inglaterra
75º — Veridiana — São Paulo, Brasil
76º — Oura — Santiago de
Compostela, Espanha
77º — Dante’s by Enis Baçova
— Auckland, Nova Zelândia
78º — La Piola Pizza —
Bruxelas, Bélgica
79º — 48h Pizza e Gnocchi Bar
— Melbourne, Austrália
80º — Pizza Culture — Calgary
81º — ANTO — Singapura,
Singapura
82º — Brunapoli — Vitacura,
Chile
83º — Demaio — Bilbao, Espanha
84º — Atte. Pizzeria
Napoletana — Buenos Aires, Argentina
85º — Saccharum — Altavilla
Milicia, Itália
86º — Valentina’s — Madison,
Estados Unidos
87º — Balmesina — Barcelona,
Espanha
88º — Giotto — Florença,
Itália
89º — Seba’s — Uvita, Costa
Rica
90º — Stretch Pizza — Nova
York, Estados Unidos
91º — Gigi Pipa — Este,
Itália
92º — Audace — Nova York,
Estados Unidos
93º — Zielona Górka —
Pabianice, Polônia
94º — Giangi — Arielli,
Itália
95º — Pasquale’s — South
Kingstown, Estados Unidos
95º — Pizza Secret — Nova
York, Itália
96º — Slice & Pie —
Washington, Estados Unidos
97º — Matto Napoletano —
Skopje, República da Macedônia do Norte
98º — Franko’s Pizza &
Bar — Zagreb, Croácia
99º — Stagione — Casablanca
100º — Miami Slice — Miami,
Estados Unidos.
COMO É COMER NA LEGGERA PIZZA
NAPOLETANA
A cozinha é comandada pelo
chef André Guidon, eleito melhor pizzaiolo do mundo em 2014 pela Associazione
Verace Pizza Napoletana, entidade que promove a tradição da pizza napolitana.
Mesclando ingredientes
italianos, a pizzaria trabalha seguindo a técnica napolitana, reconhecida como
patrimônio imaterial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (Unesco).
Nesta técnica, as massas são
abertas manualmente, com fermentação natural e uma mistura de farinhas
italianas, resultando em uma massa leve. Ela é assada em forno a lenha com
temperatura de 450°C.
O cardápio da Leggera não é
extenso, mas logo de cara destaca as conquistas da casa. As entradas variam de
R$ 59 a R$ 77, como a parmegiana de berinjela.
Já as pizzas são divididas em
três grupos: pequenas fritas, as com molho de tomate e as que não têm molho. A
mais barata custa R$ 62 e a mais cara, R$ 85.
Além disso, o que chama
atenção é que são usados tomates com denominação de origem da região do Monte
Vesúvio, em Nápoles, na Itália, onde a pizza foi criada. E Nápoles é a cidade
natal de um dos sócios do local, Bruno Caccavale. Ele chegou ao Brasil com a
família quando tinha 10 anos.
"Eu cresci vendo minha
mãe, tinhas tias, minha avó fazendo pizza napolitana. Eu ajudava a fazer,
escolher ingredientes e a fritar. E todos se reuniam na casa para comer. Esse
ambiente de casa, intimista, de todos juntos, é o que trouxemos aqui na
pizzaria".
A EXPERIÊNCIA
O tempo de espera não passa
de 20 minutos. As pizzas chegam em pratos individuais, bem quentes e são
generosas: se o cliente não estiver com muita fome, dá para dividir entre duas
pessoas.
A massa é leve e o recheio,
bem saboroso.
SUCESSO INTERNACIONAL
A fama da premiação tem
atraído clientes de outras partes do Brasil e também do exterior. “Sou de
Manaus e descobri que a pizzaria foi premiada por um site. Vim ver o que tem de
diferente para ser reconhecida desse jeito”, contou o engenheiro Afonso Castro.
O alemão Alex Kampinski, que
trabalha como blogueiro de culinária e viagens, também entrou na fila:
“Encontrei a Leggera pelo
TikTok e depois no Instagram, que tem mais de 90 mil seguidores. Pelas fotos já
dava para ver que era uma boa pizza napolitana. Agora quero experimentar",
momentos antes de comer a pizza da Leggera.
“É uma sensação de felicidade
e extrema alegria toda premiação que recebemos até agora. Esse reconhecimento
impacta o dia a dia, e deixa todo mundo orgulhoso. Vamos continuar prosseguindo”,
disse o sócio-proprietário Bruno Caccavale.
domingo, 13 de setembro de 2026
Robô chinês bate recorde mundial de Bolt nos 100 metros
Em teste, humanoide da fabricante de smartphones Honor correu 100 metros em 9,32 segundos, segundo emissora estatal da China. Marca supera recorde mundial humano detido pelo velocista jamaicano.
Um robô humanoide
desenvolvido pela fabricante chinesa de smartphones Honor correu 100 metros em
9,32 segundos, informou a emissora estatal da China neste sábado (22/08),
superando o recorde mundial humano detido pelo grande velocista jamaicano Usain
Bolt.
O robô, chamado Lightning,
atingiu uma velocidade máxima de 14,5 metros por segundo durante um evento de
teste preparatório para os segundos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, que
começaram em Pequim no sábado.
O desempenho superou o
recorde mundial masculino dos 100 metros de 9,58 segundos, estabelecido por
Bolt no Campeonato Mundial de Atletismo em Berlim, em 2009.
Recorde em meia maratona
A China tem promovido robôs
humanoides como uma indústria estratégica emergente, com formuladores de
políticas e empresas apostando que os avanços em IA e hardware acelerarão sua
implementação na manufatura, logística e aplicações para o consumidor.
O Lightning também venceu a
meia maratona de 21 km de Pequim em abril, em 50 minutos e 26 segundos, um
ritmo mais rápido do que o recorde mundial masculino da elite humana.
O robô tinha 169 cm de altura e pernas de 95 cm na meia maratona. Desde então, pesquisadores alongaram suas pernas em 10 cm, chegando a 1,05 metro, antes dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, informou a Televisão Central da China. Fonte: DW – sábado, 22 de agosto de 2026
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
O mito de que a Independência do Brasil foi pacífica
Ao contrário do imaginário consolidado, houve derramamento de sangue e confrontos em várias partes do território brasileiro, do Pará à província Cisplatina, atestam historiadores contemporâneos.
Durante um ano e quatro
meses, brasileiros interessados em autonomia e portugueses que queriam manter o
controle da colônia se engalfinharam em batalhas onde hoje é o estado da Bahia.
Foram pelo menos 150 mortes em diversos confrontos − o mais famoso deles, ocorrido
em 8 de novembro de 1822, ficou conhecido como Batalha de Pirajá.
O episódio chamado de
Independência do Brasil na Bahia é um retrato importante − e não único − que
atesta como, contrariando o imaginário nacional, o processo de emancipação
política do Brasil não ocorreu sem derramamento de sangue.
Outro episódio marcante foi a
chamada Batalha do Jenipapo, ocorrida em 13 de março de 1823 às margens do rio
homônimo na Vila de Campo Maior, atual estado do Piauí. Ali, moradores locais
enfrentaram tropas que tentavam manter a região sob o comando da corte
portuguesa. Como saldo, foram cerca de 220 mortos, 60 feridos e 542 homens
feito prisioneiros. "Em números, foi a grande batalha do período da
Independência, aponta o historiador Marcelo Cheche Galves, professor na
Universidade Estadual do Maranhão.
"O processo de
independência do Brasil não foi pacífico, e nem a violência foi
ocasional", diz o historiador Paulo Henrique Martinez, professor na
Universidade Estadual Paulista, ressaltando que a imagem de que a conquista da
emancipação política brasileira foi feita de modo pacífico foi uma construção
histórica.
CONSTRUÇÃO DA NARRATIVA
PACÍFICA
"O primeiro imaginário a
ser questionado é precisamente este: o do processo binário, com ou sem sangue.
Sempre houve sangue. Os séculos 18 e 19 foram movidos a constantes guerras,
revoluções e conflitos localizados ou não. Estas nunca foram imaginárias, mas
concretas, com milhares de mortos e feridos, destruição, apropriação de
territórios e espoliação econômica sistemáticas", contextualiza Martinez.
Segundo o historiador, no
caso brasileiro, "a afirmação do processo pacífico ou relativamente
pacífico foi uma construção enganadora". Esta serviu para "justificar
e legitimar a permanência da Casa de Bragança [a família real que seguiu no
comando depois da Independência], a persistência da monarquia e dos acordos
políticos que lhe deram sustentação política, econômica, militar e
ideológica".
Em outras palavras, havia um
interesse do poder em passar uma mensagem de que a Independência havia
ocorrido, mas tudo estava bem, os ânimos estavam controlados, e a vida podia
seguir como antes.
"Todo o período da regência
de Dom Pedro 1º foi marcado por um gigantesco esforço político, material
operacional e financeiro para eventuais confrontos armados, considerados
possibilidades reais e decisivas", ressalta Martinez.
Não à toa, o próprio príncipe
feito imperador dirigiu-se aos paulistas chamando-os de "leais". Isso
escondia uma "expectativa política apreensiva e angustiante": o risco
de uma luta armada na província que ganhava importância, analisa o historiador.
"A ocorrência de
confrontos armados sempre esteve presente no horizonte cotidiano, real e
concreto do debate e das ações políticas dos grupos sociais e dos indivíduos
que viveram o processo que resultou no desmembramento político do Brasil do
Reino Unido de Portugal", pontua o professor.
CONTEXTO DE DESCONTROLE
SOCIAL
Além das chamadas guerras em
si, quando tropas organizadas pegavam em armas, o historiador Cheche Galves
observa que havia, de norte a sul do país, um clima de animosidade − conforme
registros da imprensa da época.
"Não há dúvida de que a
Independência foi um processo lento e militarizado. Embora haja um apelo muito
grande para as guerras no sentido formal, as batalhas que normalmente servem
para construir o ideário dos feitos, houve por aqui uma tensão cotidiana
envolvendo, nas ruas das cidades, aqueles que eram reconhecidos como
brasileiros e os que eram reconhecidos como portugueses", comenta Galves.
Uma construção que tinha mais
a ver com identificação, é verdade, porque se o próprio país independente havia
acabado de nascer, juridicamente todos os envolvidos nessas contendas eram
portugueses.
O momento suscitou
"rivalidades antigas", conta o historiador. "Eram tensões
cotidianas muito marcantes, envolvendo aqueles que controlavam o comércio e os
contratos da época", exemplifica. "Houve prisões, espancamentos,
arrombamentos de lojas, saques e toda uma guerra cotidiana nas ruas do
Brasil."
Professora na Universidade de
São Paulo e autora do recém-lançado Ideias em Confronto - Embates pelo Poder na
Independência do Brasil e coorganizadora do Dicionário da Independência do
Brasil, a historiadora Cecilia Helena de Salles Oliveira, aponta que essa ideia
de separação pacífica tem a ver com a própria interpretação "de que a
Independência foi uma continuidade em relação ao período colonial".
"[Ideia esta] construída pelas gerações de políticos que organizaram o
Império", frisa.
"Entretanto, os jornais
e panfletos da época mostram que a palavra independência possuía outros
significados, relacionando-se à construção de um espaço para o exercício da
liberdade política e da cidade", analisa ela. Ou seja: na mesa havia
propostas discrepantes para o que viria a ser um país a partir daquele momento.
"Nesse sentido, os
conflitos políticos e os confrontos armados acabaram por envolver o conjunto da
sociedade em torno de reivindicações e projetos diferentes", afirma
Oliveira.
"TEMPERATURA
POLÍTICA"
E então acabaram saltando aos
olhos as batalhas ocorridas na Bahia e no Piauí, pela grandeza dos episódios.
Não só: também houve conflitos grandes no Pará e na província Cisplatina −
depois transformada em Uruguai.
"Na Bahia houve
conflitos; no Pará, rendição diante das ameaças de duras represálias; e a
Cisplatina romperia com a unidade do Império do Brasil pela própria
Independência", enumera Martinez.
"Esses foram os
episódios mais extremados e conhecidos. As tensões no Rio de Janeiro não
alcançaram as mesmas proporções, mas o estopim para a conflagração esteve
próximo de ser aceso. Foi impedido pela retirada das tropas portuguesas
acantonadas na Baía de Guanabara", comenta.
"Quaisquer que sejam os
exemplos buscados, tais guerras serão apenas termômetro da temperatura política
e ideológica da organização do Estado nacional no Brasil e da composição
política entre os grupos sociais que iriam conduzir os destinos do novo
Império: grandes proprietários rurais e comerciantes, arrematadores de
impostos, promotores do tráfico e do comércio de africanos escravizados e uma
crescente elite burocrática e administrativa encastelada, desde logo, na
organização do sistema judiciário e das Forças Armadas", ressalta o
historiador.
Sim, como costuma acontecer, o povo simples que vivia no Brasil, da mesma forma que permaneceu alheio à Independência, nenhum interesse tinha em batalhas definidoras de quem deveria permanecer ou adquirir o controle das riquezas e do poder. Fonte: DW-Publicado 06/09/2022




