sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Por que ostentamos? O que está por trás do consumo de luxo

Segundo especialistas, status e exclusividade influenciam relação com consumo, mas pesquisas apontam que motivação podem ir muito além do dinheiro

Luxo de ostentação: pesquisas apontam relação com insegurança, identidade e até para conquista de parceiros

Fernanda* tinha acabado de completar 18 anos quando recebeu o primeiro salário. Com o dinheiro na conta, decidiu comprar uma bolsa que, diz ela, talvez custasse, na época, mais do que ela havia recebido naquele mês já que, por isso, a compra foi parcelada diversas vezes.

Aquela foi, segundo ela, a primeira de muitas compras feitas acima do que precisava ou podia pagar, buscando "o melhor”. O padrão se repetiu com outros itens e, mais tarde, com um carro que ela própria considera maior e mais sofisticado do que sua rotina exigia.

"Eu sempre fui sozinha com meu filho. Então, eu não precisava comprar um carro grande, cheio de coisas. E eu queria sempre o melhor, o mais caro, com mais sofisticação. Tudo do bom e do melhor, sem necessidade”, conta.

Fernanda diz que havia algo além do desejo pelos produtos. "A partir daí, todo o meu dinheiro eu gastava com coisas desnecessárias. Eu nunca guardei dinheiro na minha vida. Sempre gastei tudo. Eu precisava me autoafirmar perante o outro”, diz ela.

O QUE EXPLICA A VONTADE DE OSTENTAR?

Comprar um produto caro não significa, necessariamente, ostentar. O mesmo objeto pode ser valorizado pela qualidade, pelo design ou simplesmente pelo prazer de consumi-lo. A ostentação aparece quando o bem também funciona como uma forma de comunicar algo aos outros — como status, pertencimento ou exclusividade, o que nem sempre tem a ver com dinheiro.

Isso ajuda a explicar por que determinados produtos podem adquirir um valor que vai muito além da sua utilidade, segundo especialistas.

A psicóloga econômica Vera Rita Ferreira explica que os seres humanos são "inerentemente sociais” e, desde cedo, influenciados pelo comportamento das pessoas ao redor. A imitação faz parte do aprendizado: aprendemos, por exemplo, a falar e a andar observando outras pessoas. No consumo, esse mecanismo também pode aparecer.

"Você se sente especial, e todo mundo tem vontade de se sentir especial, de se destacar de alguma forma. Mas as pessoas gostam de ter uma coisa mais cara porque menos gente vai ter acesso a ela. Então, isso garante o seu lugar de exclusividade”, explica.

Na economia, uma das primeiras teorias para esse tipo de comportamento surgiu com o economista e sociólogo americano Thorstein Veblen, que descreveu o chamado "consumo conspícuo", a aquisição e a exibição de bens como forma de demonstrar riqueza e posição social.

O PRODUTO COMO PARTE DA IDENTIDADE

Nelsio Rodrigues, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e pesquisador da área de consumo, chama atenção para outra dimensão da ostentação: o pertencimento.

Por trás da decisão de comprar um item caro — inclusive quando ele está fora do orçamento — pode existir uma busca por diferenciação, mas também o desejo de fazer parte de determinado grupo.

"A gente fala do ‘self estendido': você se projeta em um artefato. O celular é um deles”. O conceito de "self estendido”, formulado pelo pesquisador Russell Belk, parte da ideia de que aquilo que possuímos também pode contribuir para a construção da nossa identidade.

No mercado de luxo, marcas, roupas, celulares, carros e outros objetos podem funcionar, portanto, como sinais sobre quem somos ou sobre o grupo ao qual queremos pertencer.

"Você vai pertencer a uma tribo, então, na verdade, ela [a ostentação] faz com que você se aproxime do que você espera. A vaidade faz parte do processo, mas ela não é o principal. Eu estou muito mais querendo pertencer a um grupo que usa determinada marca, que vai a determinados shows", explica Rodrigues.

Pesquisas de diferentes áreas também investigam a relação entre a ostentação e outras dimensões, como autoestima, exclusão social e relacionamentos.

Para Vera Rita, a comparação com outras pessoas é um dos fatores que ajuda a explicar a dinâmica desse tipo de consumo. "Estamos sempre tentando encontrar um lugar na régua, que diga para a gente onde estamos. E a necessidade de ostentar vem primeiro dessa insegurança mesmo. Quem precisa [ostentar] é quem não tem muita certeza de onde está nessa régua”, afirma.

A relação entre incerteza sobre si mesmo e consumo ostensivo também aparece em outras pesquisas. Em um estudo publicado em 2023 na revista Frontiers in Psychology, por exemplo, participantes expostos a uma lembrança de rejeição ou traição apresentaram maior propensão ao consumo ostensivo do que aqueles que haviam relembrado uma experiência positiva de relacionamento.

No caso de Fernanda, ela relaciona o próprio comportamento de consumo a uma experiência de rejeição vivida na infância. "Minha mãe me abandonou quando eu tinha um ano de idade. Então, hoje eu sei que por causa desse abandono, eu fazia, faço ainda, mas bem controlado agora, essas compras desnecessárias para me autoafirmar para os outros”, conta.

Já outro estudo, intitulado Pavões, Porsches e Thorstein Veblen: o consumo ostentatório como sistema de sinalização sexual, investigou o consumo ostensivo como uma possível forma de sinalização sexual. Em quatro experimentos, os pesquisadores encontraram evidências de que, entre homens, determinados contextos ligados a estratégias de relacionamento de curto prazo estavam associados a gastos mais extravagantes.

O resultado da pesquisa sugere que "ostentar bens associados a status para potenciais parceiros não se resume simplesmente a exibir recursos econômicos”, mas pode estar relacionado a conquistar parceiros de curto prazo, o que sugere que o consumo ostensivo pode desempenhar diferentes funções sociais, e não apenas comunicar riqueza.

QUANDO O STATUS PESA NO BOLSO

O problema aparece quando o desejo de consumir deixa de caber no orçamento. Rodrigues afirma que a diferenciação pelo consumo não é nova. Ao longo da história, o acesso restrito a determinados bens, como arte e cultura, também funcionou como marcador de posição social. No entanto, ele lembra que o acesso a produtos "ostentatórios” mudou: se antes o luxo era inacessível, hoje as facilidades de pagamento, com o crédito e o parcelamento, permitem adquirir produtos de alto valor sem desembolsar todo o preço imediatamente.

O professor diz que, nesse contexto, ganhou espaço nas redes sociais a expressão "pobreza de luxo”, usada para descrever situações em que uma pessoa consegue acessar bens e experiências associados a padrões de consumo mais altos, mas compromete o orçamento com crédito e parcelamentos.

O parcelamento, por si só, não significa endividamento. O problema aparece quando sucessivas compras comprometem a renda futura e reduzem a capacidade de poupar ou lidar com imprevistos.

Além disso, para Rodrigues, há ainda uma dimensão que vai além das finanças: o consumo também pode funcionar como uma forma de reconhecimento social.

"Nós temos um ponto aí que é o não reconhecimento, que é um dano psicológico, um dano social de não reconhecimento dos seus pares por não saber usar determinados instrumentos ou não saber se comportar em determinados ambientes. Então, pensamos muito na questão econômica, mas tem um impacto social e cognitivo das pessoas”, complementa o professor.

No caso de Fernanda, as compras chegaram a comprometer sua vida financeira. Ela conta que passou a buscar ajuda profissional, com psicólogo e psiquiatra, além de participar dos Devedores Anônimos (DA), grupo voltado a pessoas que desejam interromper o ciclo de endividamento.

Hoje, ela utiliza também um planejamento de gastos para estabelecer limites para compras e evitar decisões impulsivas, evitando, assim, comprar itens luxuosos apenas para ostentar.

"Até R$ 100 eu não pergunto para ninguém. Acima de R$ 100, eu vou perguntar para uma terceira pessoa para ver se aquilo é importante para mim. E tem o teto de gasto, que é o plano de gastos, em que colocamos os custos fixos e também valores extras que a gente gostaria de gastar com alguma coisa. Então, se eu quero comprar uma bolsa, eu posso gastar até R$ 150. Se eu quiser comprar um sapato, até R$ 100, por exemplo”, explica ela.

IMPACTO DAS REDES SOCIAIS

Para os especialistas, as redes sociais também deram uma nova dimensão à lógica do pertencimento. Em vez de comparar nosso padrão de consumo apenas com o de pessoas próximas, como vizinhos e familiares, hoje é possível acompanhar viagens, carros, celulares, restaurantes e outros sinais de status de pessoas de diferentes grupos e países.

"Isso explica, por exemplo, o comportamento de manada. Todo mundo vai atrás. Com as redes sociais isso virou uma coisa delirante”, diz a psicóloga econômica.

Para ela, a exposição constante pode intensificar a comparação social, especialmente entre pessoas que já se sentem inseguras em relação à própria posição.

"As redes sociais acabam com a paz de espírito, principalmente das pessoas que estão mais inseguras e insatisfeitas. Então, a pessoa pode se comparar com alguém que está lá na China, na Suécia, e a gente vai perder porque aqui no sul global já começamos perdendo porque a renda é completamente diferente. O país é mais desigual”, detalha Vera Rita.

Justamente por isso, Fernanda decidiu se afastar das redes sociais. "É um mercado aberto de vendas. A gente acha que aquela pessoa tem e, quando você vai ver, ela está cheia de dívida também. Então, a gente não sabe qual é a vida daquela pessoa e a gente se compara com ela”. Fonte: DW-sexta-feira, 25 de setembro de 2026   

quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Incêndios e seca na Europa pressionam preço do azeite

Espanha, Grécia, Itália e Portugal registram danos em áreas de cultivo de oliveiras em meio a um verão marcado por calor extremo, seca prolongada e incêndios. Produtores veem risco de virada nos preços.

O calor extremo, a seca prolongada e os incêndios florestais vêm aumentando a pressão sobre a agricultura europeia, especialmente sobre os olivais do sul do continente. Produtores alertam que a combinação desses fatores tem reduzido a produtividade das lavouras, comprometido a qualidade dos frutos e elevado os custos de produção, o que pode resultar em novos aumentos nos preços de alimentos como o azeite de oliva.

Estudos climáticos mostram que o número de dias de verão com condições extremas favoráveis à propagação de incêndios, combinação de calor, seca e vento, dobrou desde 1981, reforçando a vulnerabilidade estrutural dos olivais e de outras culturas mediterrâneas.

A preocupação é compartilhada por instituições e entidades do setor agrícola. No início de julho, a Comissão Europeia apontava uma redução dos preços do azeite de oliva desde abril, devido ao excesso da produção italiana.

Contudo, revisou sua previsão para a produção de azeite do bloco, que deve recuar 5% no ciclo 2025/26. A queda é puxada sobretudo pela Grécia, onde a produção deve encolher 18%. O relatório alertava que as perspectivas para a próxima safra dependiam da ausência de novos eventos climáticos extremos, devido à vulnerabilidade dos olivais.

Poucas semanas depois, esse cenário de risco começou a se concretizar. Segundo o jornal britânico The Guardian, a associação agrícola espanhola ASAJA afirma que os incêndios florestais que se intensificaram no paísa partir de meados de julho atingiram pomares, vinhedos, áreas agrícolas, estufas e olivais, afetando produtos como frutas cítricas, abacates, amêndoas, hortaliças e azeitonas. Milhares de hectares foram devastados.

Para a entidade, a principal preocupação não é a redução das exportações, mas o aumento dos custos de produção, que tende a ser repassado aos consumidores. A Espanha também segue enfrentando restrições hídricas que reduzem a umidade do solo e aumentam o risco de queda prematura das azeitonas.

Além disso, antes mesmo dos incêndios de julho, a colheita de cereais no país já havia sido revista para baixo, de 24 milhões para cerca de 18,5 milhões de toneladas, ampliando a pressão sobre os preços agrícolas.

Por ser a maior produtora mundial de azeite, a Espanha tem papel central na formação dos preços globais. O portal Data España ressalta que a estabilidade do mercado continua frágil após a queda recente dos custos do azeite, que sucedeu um período de valores recordes. No início do ano, chuvas intensas provocaram alagamentos em áreas produtoras e reduziram as previsões de colheita. Agora, a seca extrema e os incêndios voltam a ameaçar a produção.

GRÉCIA LUTA CONTRA DESTRUIÇÃO DE OLIVAIS

O IMPACTO SOBRE O AZEITE É PARTICULARMENTE RELEVANTE NA GRÉCIA.

“É uma sensação terrível quando você constrói algo com tanto esforço, e quando dinheiro não é fácil de conseguir”, disse a produtora Anastasia Hatzoglou à Reuters sobre as queimadas no país. As chamas, que se espalharam rapidamente, destruíram florestas exuberantes e causaram grandes danos a oliveiras poucos meses antes da colheita, um ritual anual muito aguardado em muitos lares gregos.

Ela afirmou que sua casa sofreu danos extensos e que suas oliveiras foram queimadas. "Foi tanto esforço, e quando você dedica cuidado à sua propriedade, à sua terra, ao azeite que produz todos os anos, não é nada bom", contou.

Segundo o portal grego Neakriti, o déficit hídrico agravado pelas ondas de calor e pelos incêndios tem reduzido a produtividade dos olivais no país. Além dos danos provocados diretamente pelo fogo, produtores relatam prejuízos causados pela fumaça, pela piora da qualidade do ar e pela maior incidência de pragas e doenças favorecidas pelas temperaturas elevadas. O resultado pode ser a redução do tamanho dos frutos e da qualidade do azeite produzido.

O portal italiano Dissapore descreve cenário semelhante em outros países mediterrâneos. De acordo com a publicação, incêndios atingiram olivais na Grécia, Itália e Portugal. O calor prolongado facilita também o avanço de pragas.

PRODUÇÃO AGRÍCOLA AFETADA

Os impactos climáticos não se limitam às oliveiras. Segundo o jornal The Guardian, a associação francesa Légumes de France estima perdas de milhares de toneladas de hortaliças, incluindo alface, cenoura, alho, cebola e alho-poró. Em algumas regiões, a produção pode cair até 50% devido à falta de chuva e à escassez de água. O clima extremo ainda afeta vinhedos de regiões tradicionais como Champagne, Bordeaux e Borgonha, onde o amadurecimento acelerado das uvas ameaça reduzir os rendimentos da safra.

A Europa enfrentou em junho e julho de 2026 uma das ondas de calor mais severas já registradas, com temperaturas acima de 40 °C em países como Alemanha, França, Dinamarca e República Tcheca. O calor extremo provocou mais de 1.300 mortes apenas na última semana de junho, além de interrupções em serviços públicos, derretimento de asfalto e cancelamento de eventos em várias cidades europeias.

Cientistas afirmam que esse tipo de evento teria sido "praticamente impossível” sem o aquecimento global, e que a Europa já aquece duas vezes mais rápido que a média mundial, com temperaturas médias 2,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Esse conjunto de fatores consolidou 2026 como um dos verões mais extremos do continente, agravando a pressão sobre sistemas agrícolas vulneráveis. Fonte: Redação DW-04/08/2026

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Pizzaria de SP é eleita a 6ª melhor do mundo; outras 4 da capital também

 


A Leggera Pizza Napoletana, de São Paulo, ficou em 6º lugar no ranking anual das 100 melhores pizzarias do mundo em 2026, elaborado pelo guia italiano 50 Top Pizza. A lista também tem outras quatro pizzarias paulistanas: QT Pizza Bar, em 17º; A Pizza da Mooca, em 41º; Unica Pizzeria, em 46º; e Veridiana, em 75º.

A premiação foi realizada na terça-feira (15), no Teatro Mercadante, em Nápoles, na Itália.

A Leggera inaugurou na capital paulista em 2013 e, atualmente, tem uma unidade em Perdizes e outra nos Jardins. Ao longo da trajetória, acumulou prêmios internacionais, incluindo o de melhor pizzaria da América Latina em 2024, 2025 e 2026. No ano passado, também conquistou o terceiro lugar do ranking anual das 100 melhores pizzarias do mundo.

No ranking deste ano, a primeira colocada foi a Napoli on the Road, de Londres, na Inglaterra. Em segundo lugar ficou a Una Pizza Napoletana, de Nova York, nos Estados Unidos, seguida pela Confine, de Milão, na Itália.

Entre as brasileiras, São Paulo foi a cidade com maior número de representantes na lista, com cinco pizzarias no total entre as 100 melhores. Entrou também no ranking, na posição 70º, a Bento Pizzeria, do Rio de Janeiro.

Veja a lista completa:

1º — Napoli on the Road — Londres, Inglaterra

2º — Una Pizza Napoletana — Nova York, Estados Unidos

3º — Confine — Milão, Itália

4º — I Masanielli – Francesco Martucci — Caserta, Itália

4º — Seu Pizza Illuminati — Roma, Itália

5º — Pizzeria Sei — Los Angeles, Estados Unidos

5º — Tony’s Pizza Napoletana — São Francisco, Estados Unidos

6º — Leggera Pizza Napoletana — São Paulo, Brasil

7º — RistoPizza by Napoli sta ca — Tóquio, Japão

8º — Baldoria — Madri, Espanha

9º — The Pizza Bar on 38th — Tóquio, Japão

10º — Razza — Jersey City, Estados Unidos

11º — Allería — Providencia, Chile

12º — Palazzo Petrucci Pizzeria — Nápoles, Itália

13º — I Tigli — San Bonifacio, Itália

14º — 50 Kalò — Nápoles, Itália

15º — Avenida Calò — Roma, Itália

16º — gigi’s — Sydney, Austrália

17º — Pizzardi Artigianale — Bogotá, Colômbia

16º — Fiata — Hong Kong, China

17º — QT Pizza Bar — São Paulo, Brasil

18º — Dry Milano — Milão, Itália

19º — Cambia-Menti — Caserta, Itália

20º — Sasà Martucci — Caserta, Itália

21º — BOB Alchimia a Spicchi — Montepaone Lido, Itália

22º — IMperfetto — Puteaux, França

23º — 50 Kalò — Londres, Inglaterra

24º — Ti Amo — Adrogué, Argentina

25º — La Clásica — San Salvador, El Salvador

26º — Truly Pizza — Dana Point, Estados Unidos

27º — Francesco Martucci Miami — Miami, Flórida

28º — Spacca Napoli — Seul, Coreia do Sul

29º — Sartoria Panatieri — Barcelona, Espanha

30º — Don Antonio — Nova York, Estados Unidos

31º — Crosta — Makati, Filipinas

32º — Jay’s — Kenmore, Estados Unidos

33º — Pizza Zulu — Fürth, Alemanha

34º — Massilia — Bangcoc, Tailândia

35º — Robert’s — Chicago, Estados Unidos

35º — Ribalta — Nova York, Estados Unidos

36º — nNea — Amsterdã, Países Baixos

37º — Flama — Miraflores, Peru

38º — Leña — Cleveland, Estados Unidos

39º — Sapori Italiani U Taliana — Bratislava, Eslováquia

40º — La Cascina dei Sapori — Rezzato, Itália

41º — A Pizza da Mooca — São Paulo, Brasil

42º — SHOP225 — Melbourne, Austrália

43º — La Notizia — Nápoles, Itália

44º — Ken’s Artisan Pizza — Portland, Estados Unidos

45º — Pizzeria Braceria CESARI!! — Nagoia, Japão

46º — Unica Pizzeria — São Paulo, Brasil

47º — La Leggenda — Miami, Estados Unidos

47º — ‘O Munaciello — Miami, Estados Unidos

48º — a mano — Makati, Filipinas

49º — Forno d’Oro — Lisboa, Portugal

50º — Bottega — Pequim, China

51º — Portarossa — Pampatar, Venezuela

52º — Via Toledo — Viena, Áustria

53º — Sestogusto — Turim, Itália

54º — Clementina — Fiumicino, Itália

55º — La Bolla — Caserta, Itália

56º — Giuseppe Bove — Montesarchio, Itália

57º — L’Incanto — Punta del Este, Uruguai

58º — 180 GRAMMI — Roma, Itália

59º — La Fenice — Pistoia, Itália

60º — Modus — Milão, Itália

61º — I Vesuviani — Casoria, Itália

62º — Da Lioniello — Succivo, Itália

63º — Apogeo — Pietrasanta, Itália

64º — da Susy — Gurugram, Índia

65º — Bro. — Nápoles, Itália

66º — Salvo — Nápoles, Itália

67º — ‘O Fiore Mio — Faenza, Itália

68º — Raf Bonetta — Nápoles, Itália

69º — Fratelli Figurato — Madri, Espanha

70º — Bento Pizzeria — Rio de Janeiro, Brasil

70º — Raffaella — Las Condes, Chile

72º — Margherí — Cidade de Ho Chi Minh, Vietnã

71º — L’industrie Pizzeria — Nova York, Estados Unidos

73º — Surt — Copenhague, Dinamarca

74º — Stile Napoletano — Chester, Inglaterra

75º — Veridiana — São Paulo, Brasil

76º — Oura — Santiago de Compostela, Espanha

77º — Dante’s by Enis Baçova — Auckland, Nova Zelândia

78º — La Piola Pizza — Bruxelas, Bélgica

79º — 48h Pizza e Gnocchi Bar — Melbourne, Austrália

80º — Pizza Culture — Calgary

81º — ANTO — Singapura, Singapura

82º — Brunapoli — Vitacura, Chile

83º — Demaio — Bilbao, Espanha

84º — Atte. Pizzeria Napoletana — Buenos Aires, Argentina

85º — Saccharum — Altavilla Milicia, Itália

86º — Valentina’s — Madison, Estados Unidos

87º — Balmesina — Barcelona, Espanha

88º — Giotto — Florença, Itália

89º — Seba’s — Uvita, Costa Rica

90º — Stretch Pizza — Nova York, Estados Unidos

91º — Gigi Pipa — Este, Itália

92º — Audace — Nova York, Estados Unidos

93º — Zielona Górka — Pabianice, Polônia

94º — Giangi — Arielli, Itália

95º — Pasquale’s — South Kingstown, Estados Unidos

95º — Pizza Secret — Nova York, Itália

96º — Slice & Pie — Washington, Estados Unidos

97º — Matto Napoletano — Skopje, República da Macedônia do Norte

98º — Franko’s Pizza & Bar — Zagreb, Croácia

99º — Stagione — Casablanca

100º — Miami Slice — Miami, Estados Unidos.

COMO É COMER NA LEGGERA PIZZA NAPOLETANA

A cozinha é comandada pelo chef André Guidon, eleito melhor pizzaiolo do mundo em 2014 pela Associazione Verace Pizza Napoletana, entidade que promove a tradição da pizza napolitana.

Mesclando ingredientes italianos, a pizzaria trabalha seguindo a técnica napolitana, reconhecida como patrimônio imaterial pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Nesta técnica, as massas são abertas manualmente, com fermentação natural e uma mistura de farinhas italianas, resultando em uma massa leve. Ela é assada em forno a lenha com temperatura de 450°C.

O cardápio da Leggera não é extenso, mas logo de cara destaca as conquistas da casa. As entradas variam de R$ 59 a R$ 77, como a parmegiana de berinjela.

Já as pizzas são divididas em três grupos: pequenas fritas, as com molho de tomate e as que não têm molho. A mais barata custa R$ 62 e a mais cara, R$ 85.

Além disso, o que chama atenção é que são usados tomates com denominação de origem da região do Monte Vesúvio, em Nápoles, na Itália, onde a pizza foi criada. E Nápoles é a cidade natal de um dos sócios do local, Bruno Caccavale. Ele chegou ao Brasil com a família quando tinha 10 anos.

"Eu cresci vendo minha mãe, tinhas tias, minha avó fazendo pizza napolitana. Eu ajudava a fazer, escolher ingredientes e a fritar. E todos se reuniam na casa para comer. Esse ambiente de casa, intimista, de todos juntos, é o que trouxemos aqui na pizzaria".

A EXPERIÊNCIA

O tempo de espera não passa de 20 minutos. As pizzas chegam em pratos individuais, bem quentes e são generosas: se o cliente não estiver com muita fome, dá para dividir entre duas pessoas.

A massa é leve e o recheio, bem saboroso.

SUCESSO INTERNACIONAL

A fama da premiação tem atraído clientes de outras partes do Brasil e também do exterior. “Sou de Manaus e descobri que a pizzaria foi premiada por um site. Vim ver o que tem de diferente para ser reconhecida desse jeito”, contou o engenheiro Afonso Castro.

O alemão Alex Kampinski, que trabalha como blogueiro de culinária e viagens, também entrou na fila:

“Encontrei a Leggera pelo TikTok e depois no Instagram, que tem mais de 90 mil seguidores. Pelas fotos já dava para ver que era uma boa pizza napolitana. Agora quero experimentar", momentos antes de comer a pizza da Leggera.

“É uma sensação de felicidade e extrema alegria toda premiação que recebemos até agora. Esse reconhecimento impacta o dia a dia, e deixa todo mundo orgulhoso. Vamos continuar prosseguindo”, disse o sócio-proprietário Bruno Caccavale. Fonte: g1 SP — 15/09/2026

domingo, 13 de setembro de 2026

Robô chinês bate recorde mundial de Bolt nos 100 metros

Em teste, humanoide da fabricante de smartphones Honor correu 100 metros em 9,32 segundos, segundo emissora estatal da China. Marca supera recorde mundial humano detido pelo velocista jamaicano.

Um robô humanoide desenvolvido pela fabricante chinesa de smartphones Honor correu 100 metros em 9,32 segundos, informou a emissora estatal da China neste sábado (22/08), superando o recorde mundial humano detido pelo grande velocista jamaicano Usain Bolt.

O robô, chamado Lightning, atingiu uma velocidade máxima de 14,5 metros por segundo durante um evento de teste preparatório para os segundos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, que começaram em Pequim no sábado.

O desempenho superou o recorde mundial masculino dos 100 metros de 9,58 segundos, estabelecido por Bolt no Campeonato Mundial de Atletismo em Berlim, em 2009.

Recorde em meia maratona

A China tem promovido robôs humanoides como uma indústria estratégica emergente, com formuladores de políticas e empresas apostando que os avanços em IA e hardware acelerarão sua implementação na manufatura, logística e aplicações para o consumidor.

O Lightning também venceu a meia maratona de 21 km de Pequim em abril, em 50 minutos e 26 segundos, um ritmo mais rápido do que o recorde mundial masculino da elite humana.

O robô tinha 169 cm de altura e pernas de 95 cm na meia maratona. Desde então, pesquisadores alongaram suas pernas em 10 cm, chegando a 1,05 metro, antes dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, informou a Televisão Central da China. Fonte: DW – sábado, 22 de agosto de 2026

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O mito de que a Independência do Brasil foi pacífica

 Ao contrário do imaginário consolidado, houve derramamento de sangue e confrontos em várias partes do território brasileiro, do Pará à província Cisplatina, atestam historiadores contemporâneos.

Durante um ano e quatro meses, brasileiros interessados em autonomia e portugueses que queriam manter o controle da colônia se engalfinharam em batalhas onde hoje é o estado da Bahia. Foram pelo menos 150 mortes em diversos confrontos − o mais famoso deles, ocorrido em 8 de novembro de 1822, ficou conhecido como Batalha de Pirajá.

O episódio chamado de Independência do Brasil na Bahia é um retrato importante − e não único − que atesta como, contrariando o imaginário nacional, o processo de emancipação política do Brasil não ocorreu sem derramamento de sangue.

Outro episódio marcante foi a chamada Batalha do Jenipapo, ocorrida em 13 de março de 1823 às margens do rio homônimo na Vila de Campo Maior, atual estado do Piauí. Ali, moradores locais enfrentaram tropas que tentavam manter a região sob o comando da corte portuguesa. Como saldo, foram cerca de 220 mortos, 60 feridos e 542 homens feito prisioneiros. "Em números, foi a grande batalha do período da Independência, aponta o historiador Marcelo Cheche Galves, professor na Universidade Estadual do Maranhão.

"O processo de independência do Brasil não foi pacífico, e nem a violência foi ocasional", diz o historiador Paulo Henrique Martinez, professor na Universidade Estadual Paulista, ressaltando que a imagem de que a conquista da emancipação política brasileira foi feita de modo pacífico foi uma construção histórica.

CONSTRUÇÃO DA NARRATIVA PACÍFICA

"O primeiro imaginário a ser questionado é precisamente este: o do processo binário, com ou sem sangue. Sempre houve sangue. Os séculos 18 e 19 foram movidos a constantes guerras, revoluções e conflitos localizados ou não. Estas nunca foram imaginárias, mas concretas, com milhares de mortos e feridos, destruição, apropriação de territórios e espoliação econômica sistemáticas", contextualiza Martinez.

Segundo o historiador, no caso brasileiro, "a afirmação do processo pacífico ou relativamente pacífico foi uma construção enganadora". Esta serviu para "justificar e legitimar a permanência da Casa de Bragança [a família real que seguiu no comando depois da Independência], a persistência da monarquia e dos acordos políticos que lhe deram sustentação política, econômica, militar e ideológica".

Em outras palavras, havia um interesse do poder em passar uma mensagem de que a Independência havia ocorrido, mas tudo estava bem, os ânimos estavam controlados, e a vida podia seguir como antes.

"Todo o período da regência de Dom Pedro 1º foi marcado por um gigantesco esforço político, material operacional e financeiro para eventuais confrontos armados, considerados possibilidades reais e decisivas", ressalta Martinez.

Não à toa, o próprio príncipe feito imperador dirigiu-se aos paulistas chamando-os de "leais". Isso escondia uma "expectativa política apreensiva e angustiante": o risco de uma luta armada na província que ganhava importância, analisa o historiador.

"A ocorrência de confrontos armados sempre esteve presente no horizonte cotidiano, real e concreto do debate e das ações políticas dos grupos sociais e dos indivíduos que viveram o processo que resultou no desmembramento político do Brasil do Reino Unido de Portugal", pontua o professor.

CONTEXTO DE DESCONTROLE SOCIAL

Além das chamadas guerras em si, quando tropas organizadas pegavam em armas, o historiador Cheche Galves observa que havia, de norte a sul do país, um clima de animosidade − conforme registros da imprensa da época.

"Não há dúvida de que a Independência foi um processo lento e militarizado. Embora haja um apelo muito grande para as guerras no sentido formal, as batalhas que normalmente servem para construir o ideário dos feitos, houve por aqui uma tensão cotidiana envolvendo, nas ruas das cidades, aqueles que eram reconhecidos como brasileiros e os que eram reconhecidos como portugueses", comenta Galves.

Uma construção que tinha mais a ver com identificação, é verdade, porque se o próprio país independente havia acabado de nascer, juridicamente todos os envolvidos nessas contendas eram portugueses.

O momento suscitou "rivalidades antigas", conta o historiador. "Eram tensões cotidianas muito marcantes, envolvendo aqueles que controlavam o comércio e os contratos da época", exemplifica. "Houve prisões, espancamentos, arrombamentos de lojas, saques e toda uma guerra cotidiana nas ruas do Brasil."

Professora na Universidade de São Paulo e autora do recém-lançado Ideias em Confronto - Embates pelo Poder na Independência do Brasil e coorganizadora do Dicionário da Independência do Brasil, a historiadora Cecilia Helena de Salles Oliveira, aponta que essa ideia de separação pacífica tem a ver com a própria interpretação "de que a Independência foi uma continuidade em relação ao período colonial". "[Ideia esta] construída pelas gerações de políticos que organizaram o Império", frisa.

"Entretanto, os jornais e panfletos da época mostram que a palavra independência possuía outros significados, relacionando-se à construção de um espaço para o exercício da liberdade política e da cidade", analisa ela. Ou seja: na mesa havia propostas discrepantes para o que viria a ser um país a partir daquele momento.

"Nesse sentido, os conflitos políticos e os confrontos armados acabaram por envolver o conjunto da sociedade em torno de reivindicações e projetos diferentes", afirma Oliveira.

"TEMPERATURA POLÍTICA"

E então acabaram saltando aos olhos as batalhas ocorridas na Bahia e no Piauí, pela grandeza dos episódios. Não só: também houve conflitos grandes no Pará e na província Cisplatina − depois transformada em Uruguai.

"Na Bahia houve conflitos; no Pará, rendição diante das ameaças de duras represálias; e a Cisplatina romperia com a unidade do Império do Brasil pela própria Independência", enumera Martinez.

"Esses foram os episódios mais extremados e conhecidos. As tensões no Rio de Janeiro não alcançaram as mesmas proporções, mas o estopim para a conflagração esteve próximo de ser aceso. Foi impedido pela retirada das tropas portuguesas acantonadas na Baía de Guanabara", comenta.

"Quaisquer que sejam os exemplos buscados, tais guerras serão apenas termômetro da temperatura política e ideológica da organização do Estado nacional no Brasil e da composição política entre os grupos sociais que iriam conduzir os destinos do novo Império: grandes proprietários rurais e comerciantes, arrematadores de impostos, promotores do tráfico e do comércio de africanos escravizados e uma crescente elite burocrática e administrativa encastelada, desde logo, na organização do sistema judiciário e das Forças Armadas", ressalta o historiador.

Sim, como costuma acontecer, o povo simples que vivia no Brasil, da mesma forma que permaneceu alheio à Independência, nenhum interesse tinha em batalhas definidoras de quem deveria permanecer ou adquirir o controle das riquezas e do poder. Fonte: DW-Publicado 06/09/2022

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Terras raras, minerais estratégicos e críticos: entenda as diferenças

 Conhecidos pelo potencial para impulsionar a transição energética, terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos vêm ganhando cada vez mais protagonismo global. Embora frequentemente tratados como sinônimos, os três conceitos cumprem papéis diferentes na geopolítica e na economia global.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), órgão do governo federal responsável por avaliar o potencial mineral do país, Elementos Terras Raras (ETR) são um grupo específico de 17 elementos químicos da tabela periódica: 15 lantanídeos (como lantânio, cério, neodímio e disprósio), escândio e ítrio.

Apesar do nome, não são necessariamente raros na natureza, mas costumam estar dispersos, o que dificulta a exploração econômica. São essenciais para tecnologias de ponta, como turbinas eólicas, carros elétricos, baterias, eletrônicos e sistemas de defesa.

Minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento econômico dos países e que tenham importância pela sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia, defesa e transição energética.

Minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento: concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupção no fornecimento e dificuldade de substituição.

Por isso, a definição de quais minerais são estratégicos ou críticos depende de cada país. A lista também pode mudar conforme o tempo, de acordo com avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e evolução da demanda. Porém, alguns exemplos mais comuns atualmente são: lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio.

Terras raras podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto. Ou seja, toda terra rara pode ser estratégica, mas nem todo mineral estratégico é terra rara.

SITUAÇÃO NO BRASIL

Segundo o SGB, o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas. Isso representa cerca de 23% das reservas globais, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

A maior parte das terras raras no Brasil está concentrada em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. Esses estados têm os principais tipos de depósitos com potencial econômico.

Entre os minerais que costumam ser considerados críticos ou estratégicos na maior parte dos países, o Brasil se destaca por ter as maiores reservas de nióbio do mundo (94%), com 16 milhões de toneladas. Também é o segundo no ranking global de reservas de grafita (26%), com 74 milhões de toneladas, e o terceiro quando se trata de reservas de níquel (12%), com 16 milhões de toneladas.

O país tem uma lista de minerais considerados estratégicos para o desenvolvimento interno. Ela foi publicada na Resolução nº 2, de 18 de junho de 2021, do Ministério de Minas e Energia. Esses minerais são divididos em três grupos:

Precisam ser importados: enxofre, minério de fosfato, minério de potássio e minério de molibdênio.

Usados em produtos e processos de alta tecnologia: minério de cobalto, minério de cobre, minério de estanho, minério de grafita, minérios do grupo da platina, minério de lítio, minério de nióbio, minério de níquel, minério de silício, minério de tálio, minério de terras raras, minério de titânio, minério de tungstênio, minério de urânio e minério de vanádio.

Minerais com vantagem comparativa e geração de superávit na balança comercial: minério de alumínio, minério de cobre, minério de ferro, minério de grafita, minério de ouro, minério de manganês, minério de nióbio e minério de urânio.

DISPUTA GLOBAL

Esses recursos se tornaram centrais na disputa geopolítica global. Hoje, a China lidera amplamente o refino e a produção de terras raras, o que gera preocupação em outras potências, como Estados Unidos e União Europeia, que buscam diversificar fornecedores.

Nesse cenário, o Brasil aparece como um ator relevante. Especialistas apontam que o desafio brasileiro não está apenas na extração. A cadeia produtiva desses minerais envolve etapas complexas, como beneficiamento e refino, que ainda são pouco desenvolvidas no país.

Sem isso, o Brasil tende a continuar importando produtos de maior valor agregado, analisa o professor de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Luiz Jardim Wanderley, que é especialista na interseção entre política, economia e mineração.

“O Brasil mantém o mesmo padrão de dependência que teve ao longo de sua história. Foi assim com o ouro colonial, passando pelo ferro e até o petróleo. Servindo para o mundo como um país primário-exportador. A gente exporta muitos minerais e os consome muito pouco no mercado nacional”, diz Jardim.

Além da dimensão econômica, há também questões ambientais e sociais. A exploração desses recursos gera impactos significativos nos lugares onde ocorre.

“Não existe mineração sustentável. Toda mineração causa impactos ambientais pesados, como o comprometimento de recursos hídricos. Também causa pressão econômica nos municípios em que ocorre: aumento da pobreza, desigualdade e violência urbana. O que temos hoje é um modelo completamente insustentável de mineração”, avalia o geógrafo.

“É possível fazer um modelo um pouco menos degradante. Mas, ainda assim, continuariam sendo feitos grandes buracos para extrair esses minérios. Continuariam a desmontar montanhas e a afetar cursos de água. Precisamos pensar com muita calma se realmente vale a pena, já que perdemos muitos recursos naturais e os efeitos socioambientais são significativos”, complementa.  Fonte: Agência Brasil-Publicado em 25/04/2026