sexta-feira, 17 de março de 2017

América Latina: Atraso tecnológico



O atraso tecnológico da América Latina como decorrência de aspectos geográficos e de fatores microeconômicos

Obs Resumo do artigo de 22 páginas.

Introdução
A importância do efeito da tecnologia no desempenho e na competitividade das empresas é indiscutível: hoje novos produtos e processos dão às empresas a possibilidade de compensar seus fatores escassos ou fraquezas. E esses novos produtos e processos são obtidos por intermédio da tecnologia.
A tecnologia diminuiu muito a importância dos antigos fatores de produção considerados fundamentais. As vantagens clássicas, como salários baixos, matérias-primas abundantes, capital barato ou os grandes mercados internos foram  completamente anulados pela competição global que hoje prevalece entre as nações. O novo paradigma da competição é baseado na capacidade dos países e de suas respectivas empresas de inovarem. No entanto, como pretendemos mostrar, as empresas latino-americanas investem muito pouco em Pesquisa & Desenvolvimento e raramente atuam nos setores denominados de alta tecnologia. Governos têm responsabilidade nesse fato, por não contribuírem para criar um ambiente empresarial apropriado para o surgimento de inovações. Mas talvez a principal causa para essa inapetência tecnológica esteja na própria geografia da região. O presente artigo pretende examinar justamente essa relação entre o espaço latino-americano e a ocorrência de inovações tecnológicas.

A IMPORTÂNCIA DAS CONDIÇÕES GEOGRÁFICAS NO SURGIMENTO DE INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS
O que torna alguns lugares do mundo mais propensos à inovação do que outros? David Landes (1998) pergunta por que a Revolução Industrial aconteceu na Europa e mais especificamente na Grã-Bretanha, e não em outros países. O próprio Landes responde com razões de ordem cultural, histórica e geográfica, mas enfatiza que na Grã-Bretanha de meados do século XIX havia uma crescente autonomia da investigação intelectual combinada com um enorme interesse acerca do que na época se chamava “a invenção da invenção”, e que Landes denomina de rotinização da invenção. Esse aspecto acabou sendo o motor que desencadeou o surgimento de inúmeras descobertas científicas e inovações tecnológicas por parte da Grã-Bretanha e que resultou no domínio britânico sobre a economia mundial no final do século XIX.
Também datam do início do século XX as análises do economista russo Kondratiev. Como se sabe, Kondratiev (1925) foi o responsável pelo conceito de que o crescimento econômico ocorre em ondas, e cada uma delas tem uma duração aproximada entre 50 e 60 anos. Cada uma dessas ondas está associada a alguma importante mudança tecnológica. Já aconteceram quatro ondas e estamos agora na metade da quinta.
 Kondratiev dizia que a mudança tecnológica que caracteriza cada onda tem um impacto enorme sobre toda a economia e a sociedade no período da sua vigência. Cada onda, segundo ele, teria quatro subfases:
1. prosperidade com crescimento;
2. recessão;
3. depressão; e
4. decadência com substituição por uma nova onda.

Assim sendo, inicialmente a nova onda provoca um grande crescimento econômico e enormes mudanças na sociedade, incluindo quebra de paradigmas e mudanças culturais. No entanto, ao final do período, a demanda começa cair, além de haver uma saturação devido ao grande número de empresas competindo entre si. Nesse momento, os investimentos também diminuem, as empresas se concentram em racionalização e o desemprego aumenta. É quando começa a surgir a próxima onda com base no surgimento de alguma nova tecnologia revolucionária.

O PANORAMA TECNOLÓGICO DA AMÉRICA LATINA
Até o início do século XVI, alguns dos povos que habitavam a América Latina, principalmente os astecas, maias e incas, detinham conhecimentos científicos e tecnológicos muitas vezes superiores aos que, à mesma época, existiam na Europa ou na China. Em algumas áreas como astronomia, botânica, farmacologia e metalurgia, os espanhóis assimilaram os conhecimentos adquiridos na região e os disseminaram pela Europa.
Hoje, no entanto, a América Latina deixou de ser um importante provedor de  conhecimentos científicos e tecnológicos, pois apesar de representar cerca de 9% da população mundial, a região toda corresponde a apenas 1,6% do total investido  globalmente em Ciência & Tecnologia (C&T).
Erber (2000) aponta três razões estruturais para comprovar a dificuldade e a pouca atenção com a questão tecnológica no continente latino-americano:
1. A desproporção entre o peso econômico da região e os esforços feitos em C&T, sejam eles expressos pelos gastos com pesquisa e desenvolvimento ou pelo número de publicações científicas e patentes depositadas nos EUA;
2. O claramente melhor desempenho em atividades científicas do que em atividades tecnológicas; e
3. O predomínio de tecnologias importadas, provocando uma limitada articulação entre atividades científicas e tecnológicas na região.

Peter Dicken (1998) enfatiza que uma característica importante no desenvolvimento de países do Terceiro Mundo, sejam eles asiáticos ou latinoamericanos, é a forte presença do Estado. No entanto, o autor assinala o fato de que na América Latina os governos não foram tão bem-sucedidos como na Ásia.

Segundo ele, a razão principal para o insucesso dos vários governos desses países foi a falta de preocupação com o aumento da capacitação interna com vistas a aumentos de exportações. Enquanto, na Ásia, a preocupação maior era o crescimento das exportações de produtos industrializados, na América Latina a ênfase era na substituição de  importações.

Dicken chama a atenção para o fato de que a antiga divisão de trabalho, quando as nações desenvolvidas produziam bens manufaturados e as nações em desenvolvimento vendiam suas commodities, sejam estas minerais ou produtos agrícolas, não é mais válida. Hoje o fluxo de mercadorias pelo mundo é extremamente complexo e se tornou possível graças à fragmentação das cadeias produtivas.

Chris Freeman e Luc Soete (1997), ao compararem o desenvolvimento econômico de algumas nações da Ásia, especialmente Coréia do Sul e Taiwan, com o progresso da América Latina na década de 1980 chamam a atenção para a importância das diferenças que existem em alguns poucos aspectos. Fatos, segundo os autores, que foram decisivos para explicar o enorme crescimento dos tigres asiáticos e a estagnação das nações latino-americanas naquele período.

Para eles, as cinco deficiências abaixo citadas estão entre os principais problemas do continente quando comparado com os tigres asiáticos:
1. Sistema educacional deteriorado com baixa formação de engenheiros;
2. Muita transferência de tecnologia, especialmente dos Estados Unidos, mas baixa capacidade de absorção devido ao pequeno investimento das empresas locais em Pesquisa & Desenvolvimento;
3. Fraca infra-estrutura de Ciência & Tecnologia;
4. Atraso no desenvolvimento das telecomunicações; e
5. Nenhuma ênfase ao setor de produtos eletrônicos.

Para que um dado setor econômico de um determinado país tenha propensão a inovar, existem dez fatores cruciais.
1. Recursos Humanos de alta qualidade;
2. Sólida Infraestrutura de pesquisa em Universidades;
3. Infraestrutura de informação de alta qualidade;
4. Ampla oferta de capital de risco;
5. Presença de clusters em vez de empresas isoladas;
6. Rede de fornecedores de alta competência/excelência;
7. Consumidores exigentes e demandantes de qualidade e sofisticação
8. Consumidores que criam a demanda de forma pioneira e inédita antes que outros consumidores em outros países o façam;
9. Intensa rivalidade entre as empresas locais do setor em questão;
10. Contexto local que encoraje o investimento em pesquisa.

Ao percorrer esse conjunto de dez fatores, é fácil perceber que, em sua grande maioria, eles realmente inexistem ou são muito fracos em toda a América Latina. Talvez a única exceção seja o item 6 – rede de fornecedores de alta competência/excelência. Isso pelo desenvolvido parque industrial do Brasil secundado pelo México.

Cumpre destacar que Porter e Stern mencionam a América Latina e destacam como grandes vulnerabilidades da região, no que diz respeito ao surgimento de inovações, a pouca ligação entre as empresas e as universidades. De acordo com os autores, “o sistema de ensino superior na América Latina tem pouca ligação com as empresas e muito pouco envolvimento com as políticas nacionais voltadas para ciência e tecnologia”. Isso é confirmado por outros autores que se dedicaram a analisar a questão científica e tecnológica do continente. Sagasti (1981) aponta como um dos problemas crônicos da América Latina o enorme distanciamento entre a produção de ciência e a geração de tecnologia, o que, segundo ele, é uma conseqüência da inexistência de  relação entre a universidade e a empresa.

Parte do problema é cultural. O México herdou a tradição européia do cientista como acadêmico e não o modelo norte-americano do cientista inventor e empresário. Para um pesquisador universitário ter ligação com a indústria é considerado prostituição pelos colegas. Do lado da indústria, não há forte tradição de investimento em P&D. Até o início dos anos 80, o México tinha uma política industrial de propriedade estatal e protecionismo que resultava em pouco incentivo ao investimento em inovação. Agora as empresas querem modernizar sua tecnologia, mas voltam-se mais para as empresas estrangeiras atrás de ajuda, e não se mostram dispostas a esperar o tempo necessário para que a ciência e a tecnologia nacionais encontrem respostas para suas necessidades.

Em suma, há várias razões para que o envolvimento das empresas e dos países da América Latina com desenvolvimento tecnológico seja pequeno. Mas, para finalizar essa relação, não se pode deixar de mencionar os aspectos culturais e a análise amarga de Montaner:
A real tragédia da América Latina é que o capital é limitado e boa parte dele está em mãos de empresários não comprometidos com o risco ou com a inovação mas sim com a especulação... Não são capitalistas modernos, mas atuam como senhores da terra de tradição feudal.

Considerações finais
A América Latina é muito rica em recursos naturais e de uma forma geral sua mão-de-obra é barata. Esses foram os principais ingredientes que fomentaram as grandes empresas originárias da região, com raríssimas exceções. Por conta desses fatores, nosso continente ostenta algumas empresas poderosas, mas quase sempre atuantes em setores que foram importantes no século XIX, mas que deixaram de ser relevantes neste século XXI. Ser ator global em setores como bebidas, cimento, mineração, agricultura, pesca ou aço não é de todo mau, mas não é suficiente. Como vimos, os países mais avançados apresentam empresas nos setores que hoje dominam a economia mundial como telefonia, software, hardware, equipamentos médicos ou a indústria farmacêutica. Em outras palavras, podemos dizer que mesmo as grandes empresas latino-americanas de uma forma geral estão fora dos setores de alta tecnologia, com raríssimas exceções como a brasileira Embraer. Empresas do nosso continente quando conseguem porte e projeção para atuar no mercado mundial estão em setores de baixa tecnologia na maioria dos casos produzindo commodities: Petrobras e Cemex são ótimos exemplos.

Os governos dos países mais avançados já perceberam, há tempos, que a competitividade das nações é resultado da competitividade de suas empresas e que, portanto, o que lhes compete é criar as condições para que suas empresas locais possam concorrer internacionalmente. Por isso dão toda atenção ao suporte necessário de Ciência & Tecnologia. Mas também já sabem que nenhuma nação pode ser auto-suficiente em todas as tecnologias. Assim, os Estados Unidos se aperfeiçoaram e criam tecnologia em áreas como farmacêutica, informática e telecomunicações, a Alemanha em mecânica, o Japão em robótica, a Inglaterra em biotecnologia e genética.

No entanto, podemos ter esperanças. Como falamos anteriormente, ao citar os ciclos de Kondratiev, nos últimos 250 anos sempre houve um fator tecnológico que, em média a cada 60 anos, definia o que de importante mudava na economia e na sociedade. Já tivemos quatro ciclos completos e estamos neste momento na quinta onda, a onda da Tecnologia da Informação. Acontece que essa onda está atravessando o seu auge, o que significa que nos próximos anos ela começa a perder importância e uma nova onda estará predominando e definindo a nova dinâmica da economia mundial talvez em 20 anos apenas.

Essa sexta onda será a da Biotecnologia e das Ciências da Vida. A América Latina tem amplas condições para se dar bem nessa sexta onda, não só por já estar desenvolvendo pesquisas de qualidade na área mas, principalmente, devido à riqueza que apresenta com sua biodiversidade, mormente na região amazônica, que avança nos territórios de pelo menos cinco países da América do Sul, inclusive o Brasil.

Em cada uma das ondas anteriores, países e regiões souberam se beneficiar e aproveitaram-se da respectiva onda para conseguir seu desenvolvimento social graças ao crescimento econômico alcançado. A América Latina não pode perder essa janela de oportunidade.
Fonte: Paulo Roberto Feldmann-Professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA. USP), São Paulo, SP,

Pensamento de gestão

1. Dois funcionários e o gerente de uma empresa saem para almoçar e na rua encontram uma antiga lâmpada a óleo. Eles esfregam a lâmpada e de dentro dela sai um gênio. O gênio diz: - Eu só posso conceder três desejos, então, concederei um a cada um de vocês! - Eu primeiro, eu primeiro. ' grita um dos funcionários. .. Eu quero estar nas Bahamas dirigindo um barco, sem ter nenhuma preocupação na vida '... Pufff e ele foi.
O outro funcionário se apressa a fazer o seu pedido: - Eu quero estar no Havaí, com o amor da minha vida e um provimento interminável de piña colada! Puff, e ele se foi. - Agora você - diz o gênio para o gerente. - Eu quero aqueles dois de volta ao escritório logo depois do almoço para uma reunião!
CONCLUSÃO: *DEIXE SEMPRE O SEU CHEFE FALAR PRIMEIRO*.

2. Na África todas as manhãs o veadinho acorda sabendo que deverá conseguir correr mais do que o leão se quiser se manter vivo. Todas as manhãs o leão acorda sabendo que deverá correr mais que o veadinho se não quiser morrer de fome.
CONCLUSÃO: *NÃO FAZ DIFERENÇA SE VOCÊ É VEADINHO OU LEÃO, QUANDO O SOL NASCER VOCÊ TEM QUE COMEÇAR A CORRER.*

3.Um corvo está sentado numa árvore o dia inteiro sem fazer nada.. Um pequeno coelho vê o corvo e pergunta: - Eu posso sentar como você e não fazer nada o dia inteiro? O corvo responde: - Claro, porque não? O coelho senta no chão embaixo da árvore e relaxa. De repente uma raposa aparece e come o coelho.
CONCLUSÃO: *PARA FICAR SENTADO SEM FAZER NADA, VOCÊ DEVE ESTAR NO TOPO *.

3.Um fazendeiro resolve colher algumas frutas em sua propriedade, pega um balde vazio e segue rumo às árvores frutíferas. No caminho ao passar por uma lagoa, ouve vozes femininas que provavelmente invadiram suas terras.
Ao se aproximar lentamente, observa várias belas garotas nuas se banhando na lagoa, quando elas percebem a sua presença, nadam até a parte mais profunda da lagoa e gritam: - Nós não vamos sair daqui enquanto você não deixar de nos espiar e for embora. O fazendeiro responde: - Eu não vim aqui para espiar vocês, eu só vim alimentar os jacarés!
CONCLUSÃO: *A CRIATIVIDADE É O QUE FAZ A DIFERENÇA NA HORA DE ATINGIRMOS NOSSOS OBJETIVOS MAIS RAPIDAMENTE*.

3. Na natureza, nunca há prêmios ou castigos. Há conseqüências.
LEMBRA MUITO,  O QUE ACONTECEU COM A PLATAFORMA DEEPWATER HORIZONT.

4. Somos o que fazemos repetidamente. A excelência, então, não é um ato, mas um hábito.(Aristóteles)
NADA MAIS É DO QUE O PRINCIPIO DE QUALIDADE

quarta-feira, 15 de março de 2017

Conflito na Síria completa seis anos

Em 15 de março de 2011, a revolta tomou as ruas das principais cidades do país, em um chamado "dia de fúria" que marca o início do conflito na Síria. Nos dias seguintes, o Exército começou a reprimir brutalmente os manifestantes, matando dezenas.
O que começou como um levante popular contra um regime autoritário se transformou em uma tragédia humanitária de proporções históricas.
Nesta quarta-feira  (15), a guerra na Síria completa seis anos, acumulando mais de 470 mil mortos e 11,2 milhões de pessoas forçadas a deixar suas casas. Destas, 4,9 milhões buscaram asilo em outros países, alimentando a crise global de refugiados.
O país segue em um atoleiro de violência sem perspectivas de paz no horizonte. Representantes de grupos rebeldes e do regime sírio reúnem-se periodicamente em negociações patrocinadas por potências mundiais, mas fracassam em encontrar uma solução política para além de tréguas temporárias.

CRONOLOGIA
Março de 2011-Protestos contra o ditador Bashar al-Assad são reprimidos
Julho de 2012-Rebeldes tomam o controle de Aleppo, principal centro comercial do país
Setembro de 2013-ONU aponta uso de armas químicas em ataque próximo a Damasco que deixou 300 mortos
Junho de 2014- Estado Islâmico proclama "califado" em partes da Síria e do Iraque
Setembro de 2014 - Começam ataques aéreos de coalizão liderada pelos EUA contra posições do EI
Setembro de 2015-Rússia começa bombardeios na Síria em defesa de Assad
Agosto de 2016-Exército turco invade norte da Síria para combater o EI e conter avanço dos curdos
Dezembro de 2016 - Após meses cercados pelo regime, rebeldes são expulsos de Aleppo
Fonte: Folha de São Paulo - 15/03/2017 02h00

Comentário:

PAÍSES ENVOLVIDOS NO CONFLITO:

SÍRIA
Quanto às alianças externas, Assad conta com o apoio do Irã,  do grupo libanês Hezbollah e de milícias do Iraque, formando um “eixo xiita” no Oriente Médio.

EUA
Opõe-se a Assad e ao "EI" e apoia grupos rebeldes moderados.

RÚSSIA
Opõe-se ao "EI" e outros rebeldes, mas apoia Assad. O Kremlin tem sido um aliado constante do regime sírio, mesmo antes do início do conflito. Além de um comprador importante para sua indústria bélica, a Rússia tem um interesse estratégico na Síria: mantém a base naval de Tartus, sua única no Mar Mediterrâneo.

IRÃ
Opõe-se ao "Estado Islâmico" e militantes islâmicos de orientação sunita. Apóia o governo de Assad. O país segue a tradição xiita do Islã.

ARÁBIA SAUDITA
Opõe-se a Assad. Apóia os rebeldes sunitas.
A Arábia Saudita é um dos principais financiadores de rebeldes de orientação sunita, incluindo alguns mais radicais. Outros países árabes que fazem parte da coalizão liderada pelos EUA são Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Jordânia.

TURQUIA
Apoia a coalizão liderada pelos EUA e também grupos rebeldes. Opõe-se ao regime de Assad e a separatistas curdos. Turquia, país muçulmano também de maioria sunita, é outra potência regional envolvida no conflito sírio.

REBELDES
Longe de compor uma frente comum homogênea, os rebeldes presentam mais de 40 facções armadas, com entre 100 e 1.500 combatentes cada uma.

sábado, 11 de março de 2017

Consumismo eletrônico

Computadores, notebooks, iPods, agendas eletrônicas, TVs,celulares, essas maravilhas modernas da comunicação, para que servem?
O perigo da tecnologia eletrônica, principalmente do computador e celular é sua utilidade. Para que serve? É uma ferramenta de trabalho ou de entretenimento? O modismo tecnológico, quanto mais potente o computador ou o celular com mais acessórios, mais acompanho a sociedade de consumo. O computador e celular viraram marca de consumo. É o Mac Donald´s eletrônico. É o Mc eletrônico.   

O filosofo Herbert Marcuse: em Sociedade Tecnológica sintetiza esse consumismo desenfreado; “ De fato, uma sociedade avançada, em razão do progresso tecnológico, somente se sustenta quando organiza e explora, com êxito, a produtividade da civilização industrial. A crescente produtividade de mercadorias e serviços traz consigo atitudes e hábitos prescritos, que acabam mobilizando a sociedade em seu todo, com a promessa utópica do ócio, do entretenimento e lazer organizados”.

Esse princípio é utilizado pelo marketing da obsolescência planejada. As novas tecnologias são guardadas, mesmo estando prontas para lançamento, até que a que está no mercado entre em declínio. Manter produtos antigos é um grande desafio. Isso porque uma das estratégias da indústria é oferecer novas versões, com novos recursos ou  ampliados, com o objetivo de fazer os consumidores substituírem seus produtos rapidamente. Na essência o consumidor continua fazendo a mesma coisa com produto mais sofisticado. Vira um vício, como se fosse fumar um cigarro. A indústria utiliza esse estratagema,  quanto mais rápido você introduz pequenas modificações, mais você acelera o ciclo produtivo, tornando o consumidor dependente  dessas mudanças.

Como exemplo, é o caso das máquinas digitais, antigamente com a máquina mecânica, o consumidor procurava entender das técnicas de fotografias para obter o máximo  de sua câmera, hoje, a preocupação é quanto de pixels tem a máquina, isto é, a potência da máquina. A preocupação com a fotografia é relegada ao segundo plano. Isso acontece com a maioria dos produtos eletrônicos. A novidade impera sobre o conhecimento.   
Esse é o grande problema futuro da sociedade; o consumo necessário verso consumo supérfluo. Esse é o grande desafio do Planeta Terra, tornar-se um Planeta Verde ou um Planeta de Plástico. 

Uma dura realidade no Japão: a pobreza existe

Satomi Sato, uma viúva de 51 anos, sabia que teria dificuldades para criar sua filha adolescente com os menos de US$ 17 mil por ano que ganha em dois empregos. Ainda assim, ficou surpresa quando o governo anunciou pela primeira vez, no semestre passado, uma linha de pobreza oficial -e ela se situava abaixo.

"Não quero usar a palavra 'pobreza', mas realmente estou pobre", disse Sato, que trabalha de manhã fazendo refeições embaladas e à tarde entregando jornais. "'Pobreza' ainda é uma palavra muito estranha no Japão."
Após anos de estagnação econômica e crescentes disparidades de renda, o Japão, que já foi orgulhosamente igualitário, está acordando atrasado para o fato de que tem um grande e crescente número de pobres.
A revelação pelo Ministério do Trabalho de que quase 1 em cada 6 japoneses (ou 20 milhões de pessoas) vivia na pobreza em 2007 surpreendeu o país e provocou um debate sobre possíveis soluções.

Muitos japoneses que se atém ao mito popular de que seu país é uniformemente de classe média ficaram ainda mais chocados ao ver que o índice de pobreza do país, de 15,7%, está próximo do número dado pela Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento aos EUA (17,1%), cujas desigualdades sociais há muito são vistas com desprezo e pena pelos japoneses.
Mas talvez igualmente surpreendente tenha sido a admissão do governo de que manteve em segredo as estatísticas de pobreza desde 1998, enquanto negava o problema. Isso terminou em agosto, quando um governo de viés esquerdista liderado pelo premiê Yukio Hatoyama substituiu o Partido Liberal Democrata, há muito tempo no governo, com a promessa de forçar os legendários burocratas sigilosos do Japão a ser mais abertos, especialmente sobre problemas sociais, disseram autoridades do governo e especialistas.

"O governo sabia do problema da pobreza, mas o escondia", disse Makoto Yuasa, chefe da Rede Antipobreza, um grupo sem fins lucrativos. "Tinha medo de enfrentar a realidade."
Seguindo uma fórmula reconhecida internacionalmente, o ministério definiu a linha de pobreza em cerca de US$ 22 mil anuais para uma família de quatro pessoas, a metade da renda familiar média do Japão.

Pesquisadores estimam que o índice de pobreza no Japão tenha duplicado desde o colapso dos mercados imobiliário e financeiro do país no início dos anos 90, que provocou duas décadas de estagnação e declínio da renda.

O anúncio do ministério expõe um problema que, segundo os trabalhadores sociais, é facilmente desprezado na relativa homogeneidade do Japão, que não tem altos índices de criminalidade, decadência urbana ou divisões raciais acentuadas como os EUA. Especialistas e assistentes sociais dizem que os pobres do Japão são difíceis de identificar, porque eles se esforçam para manter as aparências de conforto da classe média.
Poucos japoneses pobres se dispõem a admitir suas dificuldades, por medo de estigmatização.

Enquanto pouco mais da metade das mães solteiras do Japão, como Sato, são pobres -aproximadamente o mesmo índice dos EUA-, ela e sua filha, Mayu, 17, se esforçam para ocultar suas privações.
Por fora sorriem, ela disse, mas "por dentro choram" quando amigas ou parentes falam sobre férias, um luxo que não podem pagar. "Dizer que somos pobres chamaria a atenção, por isso prefiro esconder", disse Sato, que mora em um projeto habitacional do governo em Memuro (norte).

Ela disse que tinha pouco dinheiro mesmo antes de seu marido, um operador de máquinas de construção, morrer de câncer no pulmão três anos atrás. Segundo Sato, as dificuldades de sua família começaram no final dos anos 1990, quando o declínio econômico se acentuou.
Mesmo com dois empregos, Sato diz que não consegue pagar uma consulta médica ou comprar remédios para tratar dores nas articulações e tonturas. Quando sua filha precisou de US$ 700 para comprar uniformes escolares, no ano passado, ela economizou reduzindo suas refeições para apenas duas por dia.

Para especialistas, o caso de Sato é típico. Eles dizem que mais de 80% dos que vivem na pobreza no Japão fazem parte dos chamados trabalhadores pobres, de salários baixos, empregos temporários sem garantias e poucos benefícios. Geralmente eles ganham o suficiente para comer, mas não para ir a restaurantes com amigos ou ao cinema.
"A pobreza em uma sociedade próspera geralmente não significa viver esfarrapado", disse Masami Iwata, professor de assistência social na Universidade Feminina do Japão, em Tóquio. "São pessoas que têm telefones celulares e carros, mas estão isoladas do resto da sociedade."
Fonte: Folha de São Paulo, segunda-feira, 03 de maio de 2010-The New York Times

Comentário:
É triste essa situação. O sistema atual de trabalho mudou, estamos em nova era industrial onde as máquinas, robôs e métodos de produção pressionam a mão de obra. Hoje não existe equilíbrio entre oferta e procura de mão de obra. De um lado o crescimento demográfico e aumento da oferta de mão de obra e do outro lado os métodos de produção cada vez mais reduzem a necessidade da mão de obra. É um desequilíbrio crescente.
A música  do  compositor e cantor Gonzaguinha; Guerreiro Menino (um Homem Também Chora) retrata muito bem essa situação:
Um homem se humilha
Se castram seu sonho
Seu sonho é sua vida
E a vida é trabalho
E sem o seu trabalho
Um homem não tem honra
E sem a sua honra
Se morre, se mata
Não dá pra ser feliz
Não dá pra ser feliz

Não existe droga segura

Entrevista extremamente interessante publicada na revista Veja, da psiquiatra mexicana Nora Volkow, 54 anos, é uma das mais importantes pesquisadoras sobre drogas do mundo.

A diretora do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas afirma  que nem mesmo a maconha nem muito menos a DMT, presente  no chá do Santo Daime, podem ser consideradas inofensivas
"Há quem veja a maconha como uma droga inofensiva. Trata-se de um erro. Comprovadamente, ela tem efeitos bastante danosos"
A psiquiatra mexicana Nora Volkow, 54 anos, é uma das mais importantes pesquisadoras sobre drogas no mundo. Quando, porém, o assunto são os danos neurobiológicos que essas substâncias causam, Volkow pode ser considerada a número 1. Foi a psiquiatra quem primeiro usou a tomografia para comprovar as consequências do uso de drogas no cérebro e foi também ela quem, nos anos 80, mostrou que, ao contrário do que se pensava até então, a cocaína é, sim, capaz de viciar. Desde 2003 na direção do Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas, nos Estados Unidos, Volkow esteve no Brasil na semana passada para uma palestra na Universidade Federal de São Paulo. Dias antes de chegar, falou a VEJA, por telefone, de seu escritório em Rockville, próximo a Washington.

1-Há quinze dias, um cartunista brasileiro e seu filho foram mortos por um jovem com sintomas de esquizofrenia e que usava constantemente maconha e dimetiltriptamina (DMT), na forma de um chá conhecido como Santo Daime. Que efeitos essas drogas têm sobre um cérebro esquizofrênico?
Portadores de esquizofrenia têm propensão à paranoia, e tanto a maconha quanto a DMT (presente no chá do Santo Daime) agravam esse sintoma, além de aumentar a profundidade e a frequência das alucinações. Drogas que produzem psicoses por si próprias, como metanfetamina, maconha e LSD, podem piorar a doença mental de uma forma abrupta e veloz.

2-Que efeitos essas drogas produzem em um cérebro saudável?
Em alguém que não tenha esquizofrenia, os efeitos relacionados com a ansiedade e com a paranoia serão, provavelmente, mais moderados. Não é incomum, porém, que pessoas saudáveis, mas com suscetibilidade maior a tais substâncias, possam vir a desenvolver psicoses.
Estudos conduzidos pela senhora nos anos 80 provaram que a cocaína tinha, sim, a capacidade de viciar o usuário e de causar danos permanentes ao cérebro. Até então, ela era considerada uma droga relativamente "segura".

3-Existe alguma droga que seja segura no que diz respeito à capacidade de viciar e de causar danos à saúde?
Não existe droga segura, a não ser a cafeína. Como ela é estimulante e produz efeitos farmacológicos nos receptores de adenosina, é, sim, uma droga. Mas não há evidências de que vicie nem de que seja tóxica - a não ser que você tenha problemas cardiovasculares. Ainda não sabemos se é prejudicial a crianças e adolescentes, mas para adultos não há nenhum problema.

4-E a maconha?
Há quem veja a maconha como uma droga inofensiva. Trata-se de um erro. Comprovadamente, a maconha tem efeitos bastante danosos. Ela pode bloquear receptores neurais muito importantes. Estudos feitos em animais mostraram que, expostos ao componente ativo da maconha, o tetraidrocanabinol (THC), eles deixam de produzir seus próprios canabinoides naturais (associados ao controle do apetite, memória e humor). Isso causa desde aumento da ansiedade até perda de memória e depressão. Claro que há pessoas que fumam maconha diariamente por toda a vida sem que sofram consequências negativas, assim como há quem fume cigarros até os 100 anos de idade e não desenvolva câncer de pulmão. Mas até agora não temos como saber quem é tolerante à droga e quem não é. Então, a maconha é, sim, perigosa.

5-A senhora concorda que ela seja a porta de entrada para outras drogas?
Se você olhar os dados, verá que a maior parte dos usuários de cocaína começou com a maconha. Mas, ao olharmos os dados de quem fuma maconha, veremos que essas pessoas geralmente começaram com cigarros ou álcool. Qual seria a verdadeira droga de entrada, então? Uma das leituras sobre essa questão é que, durante a adolescência, as pessoas bebem e fumam cigarros porque esses produtos estão disponíveis e são legais e, quando crescem, elas se tornam propensas a usar drogas mais pesadas. Uma leitura alternativa é que a exposição à nicotina e ao álcool na juventude faz com que as pessoas fiquem mais vulneráveis aos efeitos de outras drogas. Para mim, essa é a hipótese correta. A exposição precoce às drogas muda a sensibilidade do sistema de recompensa do cérebro. Como esse sistema se torna menos sensível, os dependentes químicos buscam uma compensação nas drogas.

6-Por que em geral as pessoas começam a usar drogas na adolescência?
O cérebro do adolescente é muito menos conectado do que o de um adulto. Como resultado, os adolescentes não conseguem controlar e regular a intensidade de suas emoções e desejos da mesma forma que os mais velhos. Isso faz com que vivam de maneira mais vigorosa, mas, ao mesmo tempo, assumam riscos maiores, como experimentar drogas.

7-O uso de drogas na adolescência é mais perigoso do que na vida adulta?
Certamente, porque o cérebro de um adolescente é mais plástico e mais sensível aos estímulos externos que vão moldá-lo. A forma que seu cérebro vai tomar na idade adulta depende muito dos estímulos que você recebeu quando criança e adolescente. O risco de desenvolver o vício também é maior para o adolescente. O motivo é o mesmo: a plasticidade cerebral nessa fase, que faz com que o jovem apreenda informações muito mais facilmente do que o adulto.

8-Por que é tão difícil quebrar o ciclo de desejo, compulsão e perda de controle que o vício traz? É difícil porque o cérebro, em consequência do uso de drogas, é modificado de maneira física. A dependência química é uma doença cerebral que muda a bioquímica, a função e a anatomia do cérebro. Ocorre da seguinte maneira: todas as drogas aumentam a concentração de dopamina no cérebro. Quando o sistema dopaminérgico é ativado vez após outra pelo consumo repetido dessas substâncias, ele sofre modificações, de forma que passa a não funcionar mais quando a pessoa não está sob efeito da droga. Com isso, o usuário procura usar mais drogas - para tentar compensar esse déficit.

9-O que faz alguém se viciar em uma droga?
Isso pode variar de pessoa para pessoa e de acordo com o tipo de droga. Mas, de modo geral, é preciso que a pessoa seja exposta à substância repetidamente. Mesmo nessas condições, nem todos os usuários se viciam. Porém cerca de 10% deles desenvolvem o vício depois de pouco tempo de uso. Nos casos em que isso ocorre, o usuário tem uma vulnerabilidade que pode ser de ordem biológica ou social. Isso significa que ele pode ter uma predisposição genética para o vício ou estar sob algum tipo de stress que ajudou a disparar o gatilho da adição. Os traumas mais potentes ocorrem na infância: abandono, repetidas negligências, abusos físicos, sexuais, convivência com pais presos ou portadores de doenças mentais. Mas é claro que nada disso resulta em vício se a pessoa não tiver acesso às drogas.

10-É possível curar o vício?
Nós não podemos curá-lo atualmente, apenas tratá-lo. Quando você tem uma infecção bacteriana, toma um antibiótico e está curado. Agora, se você tem asma ou diabetes, tem de tomar algum tipo de medicamento ao longo de sua vida. É um tratamento para sua condição, não uma cura. Hoje, existem apenas tratamentos para o vício, que combinam medicamentos e terapias comportamentais. Estamos desenvolvendo uma vacina contra o vício de cocaína e nicotina, mas são apenas pesquisas ainda.

11-É possível, depois de se reabilitar, voltar a usar drogas sem se viciar?
Há casos já identificados. Por muito tempo se disse, principalmente sobre o alcoolismo, que, se você é alcoólatra, nunca, mas nunca mesmo, poderá chegar perto de novo da droga. Em pesquisas, há evidências de que alguns alcoólatras conseguem voltar a beber um ou dois copos de vez em quando sem se viciar, mas eles são a minoria. O problema é que não sabemos quem será capaz de se ater a apenas alguns drinques e quem vai se viciar de novo, por isso recomendamos clinicamente que todos fiquem afastados da droga.

12-Está em curso no Brasil uma campanha para descriminalizar a maconha. A senhora concorda com isso?
Não concordo porque, ao descriminalizar a maconha, você estará contribuindo para que mais gente a consuma. Há quem não fume por medo da repercussão negativa que a atitude pode provocar - e descriminalizá-la significa dizer: "Se você fumar, está tudo bem".

13-Um grupo de pesquisadores brasileiros está discutindo a possibilidade de permitir o uso medicinal da maconha. Quais são os benefícios já comprovados da droga?
As pesquisas mostram que os canabinoides, inclusive o THC, têm algumas ações terapêuticas úteis. Por exemplo, diminuem a resposta à náusea, o que é muito útil para pacientes com câncer que estão enfrentando uma quimioterapia. Outra vantagem comprovada é que eles aumentam o apetite e podem ajudar a combater a anorexia que acomete pacientes com doenças como a aids, por exemplo. Além disso, podem ter benefícios analgésicos e diminuir a pressão interna do olho, o que pode evitar um glaucoma. O que nosso instituto apregoa é que você pode ter o benefício dos canabinoides sem os efeitos colaterais que resultam do fumo da maconha, como a perda de memória, por exemplo. Por isso, estamos encorajando o desenvolvimento de medicamentos que maximizem as propriedades terapêuticas da droga sem seus efeitos danosos. No mercado americano, já existem algumas pílulas, como a Marinol, que permitem isso.

14-Em suas pesquisas a senhora descobriu que o córtex orbitofrontal, a principal área do cérebro afetada por quem tem transtorno obsessivo-compulsivo, também está ligado ao vício. É essa a chave da compulsão pelas drogas?
Eu concluí que a pessoa viciada em drogas desenvolve uma obsessão e uma compulsão pela droga similares às daquela que tem transtorno obsessivo-compulsivo. O que o vício e o TOC têm em comum é que ambas as doenças afetam as mesmas áreas do cérebro, aquelas relacionadas aos hábitos e aos controles. Mas, embora o local afetado seja o mesmo e a apresentação dos sintomas se dê de forma parecida, os mecanismos que levam a essas anormalidades não são.

15-A senhora também estudou a função da dopamina em quem come compulsivamente. Que relações se podem fazer entre a obesidade e o vício em drogas?
Ambos resultam em uma busca compulsiva por uma recompensa: no caso da obesidade é a comida e no caso da adição é a droga. Nos dois, há a perda de controle. Quem é patologicamente obeso come mesmo quando não quer. Podemos dizer que algumas pessoas parecem ser viciadas em comida, embora até o momento isso não tenha sido aceito nas comunidades clínica e científica.

16-A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, disse recentemente que o povo americano tem uma demanda insaciável por drogas. A senhora acredita que essa demanda é mesmo mais intensa nos EUA do que em outros países?
O prazer oriundo das drogas é uma comodidade que você compra, como um luxo. Então há, sem dúvida, um elemento econômico nessa discussão. Também existem elementos relacionados à estrutura social e às normas. Os americanos são mais tolerantes em relação a comportamentos diferentes do que muitos outros povos. Isso resulta também em maior aceitação do uso de drogas.

17-A senhora nunca sentiu vontade de experimentar alguma droga?
Bebo de vez em quando um copo de vinho e experimentei cigarros quando era adolescente. Nunca usei cocaína, maconha nem outro tipo de droga ilícita. Amo meu cérebro e nunca pensei em estragá-lo.
Fonte:Veja - 29/03/2010