domingo, 13 de setembro de 2026

Robô chinês bate recorde mundial de Bolt nos 100 metros

Em teste, humanoide da fabricante de smartphones Honor correu 100 metros em 9,32 segundos, segundo emissora estatal da China. Marca supera recorde mundial humano detido pelo velocista jamaicano.

Um robô humanoide desenvolvido pela fabricante chinesa de smartphones Honor correu 100 metros em 9,32 segundos, informou a emissora estatal da China neste sábado (22/08), superando o recorde mundial humano detido pelo grande velocista jamaicano Usain Bolt.

O robô, chamado Lightning, atingiu uma velocidade máxima de 14,5 metros por segundo durante um evento de teste preparatório para os segundos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, que começaram em Pequim no sábado.

O desempenho superou o recorde mundial masculino dos 100 metros de 9,58 segundos, estabelecido por Bolt no Campeonato Mundial de Atletismo em Berlim, em 2009.

Recorde em meia maratona

A China tem promovido robôs humanoides como uma indústria estratégica emergente, com formuladores de políticas e empresas apostando que os avanços em IA e hardware acelerarão sua implementação na manufatura, logística e aplicações para o consumidor.

O Lightning também venceu a meia maratona de 21 km de Pequim em abril, em 50 minutos e 26 segundos, um ritmo mais rápido do que o recorde mundial masculino da elite humana.

O robô tinha 169 cm de altura e pernas de 95 cm na meia maratona. Desde então, pesquisadores alongaram suas pernas em 10 cm, chegando a 1,05 metro, antes dos Jogos Mundiais de Robôs Humanoides, informou a Televisão Central da China. Fonte: DW – sábado, 22 de agosto de 2026

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

O mito de que a Independência do Brasil foi pacífica

 Ao contrário do imaginário consolidado, houve derramamento de sangue e confrontos em várias partes do território brasileiro, do Pará à província Cisplatina, atestam historiadores contemporâneos.

Durante um ano e quatro meses, brasileiros interessados em autonomia e portugueses que queriam manter o controle da colônia se engalfinharam em batalhas onde hoje é o estado da Bahia. Foram pelo menos 150 mortes em diversos confrontos − o mais famoso deles, ocorrido em 8 de novembro de 1822, ficou conhecido como Batalha de Pirajá.

O episódio chamado de Independência do Brasil na Bahia é um retrato importante − e não único − que atesta como, contrariando o imaginário nacional, o processo de emancipação política do Brasil não ocorreu sem derramamento de sangue.

Outro episódio marcante foi a chamada Batalha do Jenipapo, ocorrida em 13 de março de 1823 às margens do rio homônimo na Vila de Campo Maior, atual estado do Piauí. Ali, moradores locais enfrentaram tropas que tentavam manter a região sob o comando da corte portuguesa. Como saldo, foram cerca de 220 mortos, 60 feridos e 542 homens feito prisioneiros. "Em números, foi a grande batalha do período da Independência, aponta o historiador Marcelo Cheche Galves, professor na Universidade Estadual do Maranhão.

"O processo de independência do Brasil não foi pacífico, e nem a violência foi ocasional", diz o historiador Paulo Henrique Martinez, professor na Universidade Estadual Paulista, ressaltando que a imagem de que a conquista da emancipação política brasileira foi feita de modo pacífico foi uma construção histórica.

CONSTRUÇÃO DA NARRATIVA PACÍFICA

"O primeiro imaginário a ser questionado é precisamente este: o do processo binário, com ou sem sangue. Sempre houve sangue. Os séculos 18 e 19 foram movidos a constantes guerras, revoluções e conflitos localizados ou não. Estas nunca foram imaginárias, mas concretas, com milhares de mortos e feridos, destruição, apropriação de territórios e espoliação econômica sistemáticas", contextualiza Martinez.

Segundo o historiador, no caso brasileiro, "a afirmação do processo pacífico ou relativamente pacífico foi uma construção enganadora". Esta serviu para "justificar e legitimar a permanência da Casa de Bragança [a família real que seguiu no comando depois da Independência], a persistência da monarquia e dos acordos políticos que lhe deram sustentação política, econômica, militar e ideológica".

Em outras palavras, havia um interesse do poder em passar uma mensagem de que a Independência havia ocorrido, mas tudo estava bem, os ânimos estavam controlados, e a vida podia seguir como antes.

"Todo o período da regência de Dom Pedro 1º foi marcado por um gigantesco esforço político, material operacional e financeiro para eventuais confrontos armados, considerados possibilidades reais e decisivas", ressalta Martinez.

Não à toa, o próprio príncipe feito imperador dirigiu-se aos paulistas chamando-os de "leais". Isso escondia uma "expectativa política apreensiva e angustiante": o risco de uma luta armada na província que ganhava importância, analisa o historiador.

"A ocorrência de confrontos armados sempre esteve presente no horizonte cotidiano, real e concreto do debate e das ações políticas dos grupos sociais e dos indivíduos que viveram o processo que resultou no desmembramento político do Brasil do Reino Unido de Portugal", pontua o professor.

CONTEXTO DE DESCONTROLE SOCIAL

Além das chamadas guerras em si, quando tropas organizadas pegavam em armas, o historiador Cheche Galves observa que havia, de norte a sul do país, um clima de animosidade − conforme registros da imprensa da época.

"Não há dúvida de que a Independência foi um processo lento e militarizado. Embora haja um apelo muito grande para as guerras no sentido formal, as batalhas que normalmente servem para construir o ideário dos feitos, houve por aqui uma tensão cotidiana envolvendo, nas ruas das cidades, aqueles que eram reconhecidos como brasileiros e os que eram reconhecidos como portugueses", comenta Galves.

Uma construção que tinha mais a ver com identificação, é verdade, porque se o próprio país independente havia acabado de nascer, juridicamente todos os envolvidos nessas contendas eram portugueses.

O momento suscitou "rivalidades antigas", conta o historiador. "Eram tensões cotidianas muito marcantes, envolvendo aqueles que controlavam o comércio e os contratos da época", exemplifica. "Houve prisões, espancamentos, arrombamentos de lojas, saques e toda uma guerra cotidiana nas ruas do Brasil."

Professora na Universidade de São Paulo e autora do recém-lançado Ideias em Confronto - Embates pelo Poder na Independência do Brasil e coorganizadora do Dicionário da Independência do Brasil, a historiadora Cecilia Helena de Salles Oliveira, aponta que essa ideia de separação pacífica tem a ver com a própria interpretação "de que a Independência foi uma continuidade em relação ao período colonial". "[Ideia esta] construída pelas gerações de políticos que organizaram o Império", frisa.

"Entretanto, os jornais e panfletos da época mostram que a palavra independência possuía outros significados, relacionando-se à construção de um espaço para o exercício da liberdade política e da cidade", analisa ela. Ou seja: na mesa havia propostas discrepantes para o que viria a ser um país a partir daquele momento.

"Nesse sentido, os conflitos políticos e os confrontos armados acabaram por envolver o conjunto da sociedade em torno de reivindicações e projetos diferentes", afirma Oliveira.

"TEMPERATURA POLÍTICA"

E então acabaram saltando aos olhos as batalhas ocorridas na Bahia e no Piauí, pela grandeza dos episódios. Não só: também houve conflitos grandes no Pará e na província Cisplatina − depois transformada em Uruguai.

"Na Bahia houve conflitos; no Pará, rendição diante das ameaças de duras represálias; e a Cisplatina romperia com a unidade do Império do Brasil pela própria Independência", enumera Martinez.

"Esses foram os episódios mais extremados e conhecidos. As tensões no Rio de Janeiro não alcançaram as mesmas proporções, mas o estopim para a conflagração esteve próximo de ser aceso. Foi impedido pela retirada das tropas portuguesas acantonadas na Baía de Guanabara", comenta.

"Quaisquer que sejam os exemplos buscados, tais guerras serão apenas termômetro da temperatura política e ideológica da organização do Estado nacional no Brasil e da composição política entre os grupos sociais que iriam conduzir os destinos do novo Império: grandes proprietários rurais e comerciantes, arrematadores de impostos, promotores do tráfico e do comércio de africanos escravizados e uma crescente elite burocrática e administrativa encastelada, desde logo, na organização do sistema judiciário e das Forças Armadas", ressalta o historiador.

Sim, como costuma acontecer, o povo simples que vivia no Brasil, da mesma forma que permaneceu alheio à Independência, nenhum interesse tinha em batalhas definidoras de quem deveria permanecer ou adquirir o controle das riquezas e do poder. Fonte: DW-Publicado 06/09/2022

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Terras raras, minerais estratégicos e críticos: entenda as diferenças

 Conhecidos pelo potencial para impulsionar a transição energética, terras raras, minerais estratégicos e minerais críticos vêm ganhando cada vez mais protagonismo global. Embora frequentemente tratados como sinônimos, os três conceitos cumprem papéis diferentes na geopolítica e na economia global.

Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), órgão do governo federal responsável por avaliar o potencial mineral do país, Elementos Terras Raras (ETR) são um grupo específico de 17 elementos químicos da tabela periódica: 15 lantanídeos (como lantânio, cério, neodímio e disprósio), escândio e ítrio.

Apesar do nome, não são necessariamente raros na natureza, mas costumam estar dispersos, o que dificulta a exploração econômica. São essenciais para tecnologias de ponta, como turbinas eólicas, carros elétricos, baterias, eletrônicos e sistemas de defesa.

Minerais estratégicos são aqueles considerados essenciais para o desenvolvimento econômico dos países e que tenham importância pela sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia, defesa e transição energética.

Minerais críticos são aqueles cujo suprimento pode envolver diferentes riscos de abastecimento: concentração geográfica da produção, dependência externa, instabilidade geopolítica, limitações tecnológicas, interrupção no fornecimento e dificuldade de substituição.

Por isso, a definição de quais minerais são estratégicos ou críticos depende de cada país. A lista também pode mudar conforme o tempo, de acordo com avanços tecnológicos, descobertas geológicas, mudanças geopolíticas e evolução da demanda. Porém, alguns exemplos mais comuns atualmente são: lítio, cobalto, grafita, níquel e nióbio.

Terras raras podem ser consideradas minerais críticos ou estratégicos, dependendo do contexto. Ou seja, toda terra rara pode ser estratégica, mas nem todo mineral estratégico é terra rara.

SITUAÇÃO NO BRASIL

Segundo o SGB, o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas. Isso representa cerca de 23% das reservas globais, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

A maior parte das terras raras no Brasil está concentrada em Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe. Esses estados têm os principais tipos de depósitos com potencial econômico.

Entre os minerais que costumam ser considerados críticos ou estratégicos na maior parte dos países, o Brasil se destaca por ter as maiores reservas de nióbio do mundo (94%), com 16 milhões de toneladas. Também é o segundo no ranking global de reservas de grafita (26%), com 74 milhões de toneladas, e o terceiro quando se trata de reservas de níquel (12%), com 16 milhões de toneladas.

O país tem uma lista de minerais considerados estratégicos para o desenvolvimento interno. Ela foi publicada na Resolução nº 2, de 18 de junho de 2021, do Ministério de Minas e Energia. Esses minerais são divididos em três grupos:

Precisam ser importados: enxofre, minério de fosfato, minério de potássio e minério de molibdênio.

Usados em produtos e processos de alta tecnologia: minério de cobalto, minério de cobre, minério de estanho, minério de grafita, minérios do grupo da platina, minério de lítio, minério de nióbio, minério de níquel, minério de silício, minério de tálio, minério de terras raras, minério de titânio, minério de tungstênio, minério de urânio e minério de vanádio.

Minerais com vantagem comparativa e geração de superávit na balança comercial: minério de alumínio, minério de cobre, minério de ferro, minério de grafita, minério de ouro, minério de manganês, minério de nióbio e minério de urânio.

DISPUTA GLOBAL

Esses recursos se tornaram centrais na disputa geopolítica global. Hoje, a China lidera amplamente o refino e a produção de terras raras, o que gera preocupação em outras potências, como Estados Unidos e União Europeia, que buscam diversificar fornecedores.

Nesse cenário, o Brasil aparece como um ator relevante. Especialistas apontam que o desafio brasileiro não está apenas na extração. A cadeia produtiva desses minerais envolve etapas complexas, como beneficiamento e refino, que ainda são pouco desenvolvidas no país.

Sem isso, o Brasil tende a continuar importando produtos de maior valor agregado, analisa o professor de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Luiz Jardim Wanderley, que é especialista na interseção entre política, economia e mineração.

“O Brasil mantém o mesmo padrão de dependência que teve ao longo de sua história. Foi assim com o ouro colonial, passando pelo ferro e até o petróleo. Servindo para o mundo como um país primário-exportador. A gente exporta muitos minerais e os consome muito pouco no mercado nacional”, diz Jardim.

Além da dimensão econômica, há também questões ambientais e sociais. A exploração desses recursos gera impactos significativos nos lugares onde ocorre.

“Não existe mineração sustentável. Toda mineração causa impactos ambientais pesados, como o comprometimento de recursos hídricos. Também causa pressão econômica nos municípios em que ocorre: aumento da pobreza, desigualdade e violência urbana. O que temos hoje é um modelo completamente insustentável de mineração”, avalia o geógrafo.

“É possível fazer um modelo um pouco menos degradante. Mas, ainda assim, continuariam sendo feitos grandes buracos para extrair esses minérios. Continuariam a desmontar montanhas e a afetar cursos de água. Precisamos pensar com muita calma se realmente vale a pena, já que perdemos muitos recursos naturais e os efeitos socioambientais são significativos”, complementa.  Fonte: Agência Brasil-Publicado em 25/04/2026

sábado, 18 de julho de 2026

Invenção "mais importante desde a bomba atômica" faz 80 anos

 
Apresentado ao mundo em 5 de julho de 1946, biquíni causou escândalo. Anos mais tarde, traje de banho transformou a moda praia e tornou-se um símbolo de uma nova liberdade.

 Em 1946, o engenheiro mecânico francêsLouis Réard buscava uma modelo profissional para promover sua criação, mas nenhuma delas estava disposta a usar a invenção. Ele então contratou a dançarina de striptease Micheline Bernardini para apresentar o primeiro biquíni em 5 de julho daquele ano.

A data não foi escolhida por acaso. Pouco antes, os militares dos Estados Unidos haviam realizado um teste nuclear no atol de Bikini, no Pacífico Sul, atraindo atenção mundial. Réard esperava que sua nova moda praia causasse um impacto semelhante. E conseguiu. A apresentação provocou escândalo: para os padrões da época, o biquíni mostrava pele demais.

Guardiões da moral ficaram indignados. Naqueles anos do pós-guerra, esperava-se que as mulheres circulassem de saia e avental comprido, não exibindo o corpo de forma tão ousada. E, de fato, os pedaços de tecido eram minúsculos para a época. O próprio Réard definiu sua invenção com um slogan que ficou famoso: "Um biquíni só é realmente um biquíni se puder passar por dentro de uma aliança de casamento".

A frase era dita em tom de brincadeira, já que mais tarde ele desenvolveria modelos um pouco maiores.

UMBIGO ESCONDIDO

A lendária jornalista de moda Diana Vreeland é frequentemente associada a uma frase que resume o impacto da nova peça: segundo ela, o biquíni teria sido "a invenção mais importante desde a bomba atômica".

Enquanto a revista Harper's Bazaar percebeu rapidamente o potencial cultural e social do biquíni, outras publicações de moda consideravam a peça ousada demais. A Vogue, por exemplo, inicialmente tratou a tendência com cautela.

Isso começou a mudar quando estrelas como Brigitte Bardot e Marilyn Monroe popularizaram o biquíni no início dos anos 1950. A partir daí, as revistas de moda passaram a dar cada vez mais espaço à peça. Nos anos 1960, o biquíni já fazia parte da moda de verão e aparecia regularmente nas páginas da Vogue.

Uma curiosidade: durante os primeiros anos, a edição americana da revista evitava mostrar o umbigo das modelos. Os ensaios eram fotografados ou produzidos de forma a mantê-lo coberto, pois sua exposição era considerada especialmente escandalosa. Esse tabu só começou a desaparecer gradualmente nos anos 1960.

POUCO TECIDO PARA UMA NOVA ERA

A consagração definitiva do biquíni veio com o primeiro filme de James Bond: 007 Contra o Satânico Dr. No, lançado em 1962. O modelo usado pela atriz suíça Ursula Andress entrou para a história como o "biquíni de Dr. No".

A partir dos anos 1960, o sucesso da peça tornou-se irreversível. Surgiram diferentes versões, como o triquíni, com partes adesivas, e até o monokíni, que deixava os seios descobertos – embora este último nunca tenha alcançado grande popularidade.

A revolução da moda praia caminhou lado a lado com a crescente autonomia das mulheres. Foi a época da popularização da pílula anticoncepcional, da minissaia e dos movimentos de contestação social liderados pela juventude. Para muitas mulheres, o biquíni tornou-se um símbolo de liberdade.

BIQUÍNI SUPERA O VESTIDO DE NOIVA

Nas décadas de 1980 e 1990, muitas grandes semanas de moda passaram a encerrar seus desfiles com coleções de biquínis em vez dos tradicionais vestidos de noiva. Supermodelos como Claudia Schiffer, Linda Evangelista e Naomi Campbell disputavam essas apresentações.

Até hoje, o biquíni não perdeu seu poder. Cada vez mais, as mulheres demonstram confiança ao usá-lo, exibindo todos os tipos de corpos – sejam eles magros, curvilíneos ou marcados por gestações. Há quase 80 anos, o biquíni é uma declaração de liberdade,  e tudo indica que continuará sendo. Fonte: DW - domingo, 5 de julho de 2026

domingo, 12 de julho de 2026

Morre cantor e compositor Peppino Di Capri, do sucesso 'Champagne'

O cantor e compositor italiano Peppino di Capri morreu na manhã deste sábado, na ilha de Capri, na Itália, aos 86 anos. A notícia foi divulgada na própria rede social do artista, com uma fotografia e a legenda "tchau, Peppino". A causa da morte não foi divulgada pela família.

Nascido em julho de 1939 na mesma ilha onde morreu, Peppino foi um renomado cantor, pianista e compositor, se destacando-se como um dos grandes astros da música popular italiana do século 20. Ele ficou mundialmente famoso por clássicos românticos como "Champagne" e "Roberta" —sendo essa última a que deu início a uma onda de batismos de crianças com esse nome na Itália. Fonte: Folha de São Paulo - 11.jul.2026  

 


 

 

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Bonnie Tyler, cantora, morre aos 75 anos

 Bonnie Tyler é conhecida por milhões como a cantora de voz rouca por trás do sucesso dos anos 80 Total Eclipse of the Heart.

Bonnie continuou a ter uma série de outros sucessos, incluindo Holding out for a Hero, It's A Heartache, Together e If You Were A Woman (And I Was A Man).

A cantora britânica — cujo nome verdadeiro era Gaynor Hopkins — faleceu aos 75 anos.

Um comunicado em seu site oficial desta quinta-feira (9/7) informa que ela morreu "inesperadamente" na noite passada, em um hospital português, "em decorrência da doença para a qual estava sendo tratada".

Após alcançar a fama, ela foi apelidada de "a Rod Stewart feminina" por sua voz rouca e teve uma carreira que durou 50 anos.

Mas tudo começou ainda jovem, quando ela levava discos em sacolas plásticas para a casa da tia para ouvir música com os primos. Fonte: BBC – quinta-feira, 9 de julho de 2026

 

 


 


quarta-feira, 8 de julho de 2026

Produção de robôs humanoides na China deve ultrapassar 100 mil unidades

 

World Intelligence Expo 2026 em Tianjin,
no norte da China


A produção de robôs humanóides na China deverá ultrapassar as 100 000 unidades este ano, afirmou na terça-feira Gan Xiaobin, vice-diretor do departamento de ciência e tecnologia do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação.

A taxa de penetração das aplicações de IA entre as empresas industriais chinesas acima de um determinado porte ultrapassou os 30 por cento, enquanto o Fundo Nacional de Investimento na Indústria da IA está a intensificar as suas operações para canalizar mais capital social para o setor, afirmou.

Muitas das inovações estarão em exposição durante a WAIC 2026, que terá lugar em Xangai, de 17 a 20 de julho. Fonte: Xinhua - 07/07/2026  

sábado, 13 de junho de 2026

O acidente que levou farmacêutico a inventar os palitos de fósforo

O Museu Preston Park, em Stockton, na Inglaterra,

exibe fósforos muito similares às Luzes de Fricção

de John Walker

Em 1826, exatos 200 anos atrás, um episódio acidental mudaria para sempre a forma como criamos luz e calor.

O farmacêutico experimental inglês John Walker (1781-1859) misturava substâncias químicas, tentando produzir explosivos, quando um palito coberto com a mistura atingiu inadvertidamente uma pedra em frente à sua lareira, criando uma chama espontânea.

Walker nasceu em meio à Revolução Industrial, na cidade portuária de Stockton-on-Tees, no nordeste da Inglaterra.

O motor a vapor de James Watt (1736-1819), principal impulsionador dos avanços da época, teve seu lançamento comercial em 1776 e a primeira ferrovia pública utilizando locomotivas a vapor chegou a Stockton, no condado de Durnham, em 1825.

Qutro anos depois, a locomotiva Rocket ("Foguete"), do engenheiro George Stephenson (1781-1848), provou que as locomotivas a vapor podiam puxar trens de passageiros a 50 km/h. E, pouco tempo depois, viagens que levavam 12 dias a cavalo já podiam ser realizadas em apenas oito horas.

Mas as pessoas ainda tinham dificuldade para acender o fogo que produzia aquela potência. Elas usavam pedra e aço, ou trabalhavam para manter as brasas permanentemente acesas.

Até que a invenção acidental de Walker revolucionou a produção, aplicação e a portabilidade do fogo.

Walker era cirurgião formado. Mas, desencorajado pela natureza sanguinária dos cenários de operações do início do século 19, ele estudou novamente para ser farmacêutico.

Em 1826, ele passava a maior parte do tempo produzindo medicamentos para seres humanos, cavalos, bois e até galinhas, segundo Alan Middleton, autor do livro A Tale of Hope and Despair: North of England Match Co. West Hartlepool 1932-1954 ("Uma história de esperança e desespero: a North of England Match Co. West Hartlepool 1932-1954", em tradução livre).

Mas, basicamente, Walker também fazia experiências com substâncias químicas.

"Walker era um homem muito gentil e inteligente e, segundo alguns, talvez um aventureiro", segundo Middleton.

"Uma das suas paixões era a química. Ele misturava substâncias para produzir espoletas [os dispositivos que permitem que as armas disparem] para seus amigos agricultores."

"Um dia, ele preparou uma certa mistura e deixou para secar", ele conta.

"Quando secou, ele simplesmente bateu o pedaço de madeira sobre a lareira — e pegou fogo. Foi o momento genial de algo que ninguém no mundo havia feito antes."

"Ele percebeu as possibilidades comerciais daquilo. Aconteceu em algum momento em 1826, não sabemos a data exata, mas a primeira venda ocorreu em abril de 1827."

"Ele os chamou de 'luzes de fricção' e eram vendidos inicialmente às centenas por lata", explica Middleton.

As "luzes de fricção" de Walker eram palitos de madeira chatos e muito finos, com uma extremidade mergulhada em uma pasta feita de clorato de potássio, sulfeto de antimônio, goma arábica e água.

E, ao ser esfregado em um pedaço de lixa dobrado, o palito ardia, criando uma chama.

Walker manteve sua fórmula em segredo, mas nunca a patenteou. Seu produto era oferecido a baixo custo e o inventor conseguia atender à demanda de Stockton.

Mas, segundo o Pharmaceutical Journal, "os fósforos de Walker não eram perfeitos. O revestimento ardente de enxofre, às vezes, caía do palito, com risco de danificar o piso ou as roupas do usuário".

Em 1829, Samuel Jones, de Londres, lançou seus próprios fósforos "Lúcifer", uma cópia exata das Luzes de Fricção de Walker. Eles se tornaram os primeiros a serem produzidos em massa.

E, logo em seguida, outras pessoas começaram a aprimorar a fórmula, segundo conta à BBC o presidente da Sociedade Britânica de Rótulos de Caixas e Cartelas de Fósforos (BML&BS, na sigla em inglês), Derek Judd.

O tamanho e o formato da embalagem em lata também passaram por alterações.

Foi apenas em 1844 que uma versão produzida na Suécia popularizou a caixa de fósforos moderna.

"Esta foi a primeira caixa de fósforos realmente patenteada", segundo Judd.

 Em muitas regiões, a fabricação de fósforos se tornou uma indústria doméstica. Eles eram produzidos em casa, fornecendo às famílias uma renda extra um tanto arriscada.

"As mulheres e crianças que moram na região perto da fábrica recebiam por produção [não por salário] para fazer caixas", conta Judd, "até que vieram as máquinas e aquilo se tornou um negócio multimilionário".

Mas uma invenção posterior gerou um sensível declínio da produção de fósforos: o isqueiro.

"O volume real dos negócios diminuiu ao longo dos anos", explica Judd. "Empresas desapareceram".

Ainda assim, os fósforos continuam sendo comuns em todo o mundo. Além de permanecerem como um produto essencial, eles também se tornaram um acessório da moda, segundo Middleton. Embalagens personalizadas e especiais são vendidas por até US$ 250 (cerca de R$ 1,25 mil).

Mas seu inventor permanece sendo um personagem obscuro. Middleton e Judd concordam que John Walker, passados 200 anos da sua invenção, merece ser mais reconhecido.

"Walker foi um personagem histórico que não desejava acompanhar sua invenção", segundo Judd. "Se tivesse feito, poderia ter ficado mais conhecido."

Felizmente, os moradores de Stockton têm a mesma sensação.

Muitos deles esperam que as comemorações do 200° aniversário da invenção (que começam no dia do nascimento de Walker, 29 de maio) finalmente tragam ao extraordinário inventor local o crédito que ele merece.

"Esperamos que, ao longo dos eventos programados para este ano e para o próximo, mais pessoas passem a conhecer seu papel no desenvolvimento dos fósforos comuns que todos nós usamos hoje em dia", afirma a presidente do conselho local, Lisa Evans.

"A invenção do palito de fricção possibilitou a criação de chamas instantaneamente, com pouco esforço. E a popularização dos fósforos tornou as tarefas domésticas e industriais muito mais fáceis e rápidas."

"A chama que ele criou continua a inspirar as pessoas até hoje", conclui Evans. Fonte: BBC Brasil - 29 maio 2026


quinta-feira, 4 de junho de 2026

IA precisa ser "desarmada", diz papa em nova encíclica

"A IA não é neutra", diz Leão 14 ao pedir regulação global e criticar uso bélico e econômico da tecnologia. Em gesto inédito, pontífice também pediu perdão por papel da Igreja na escravidão.

O papa Leão 14 defendeu nesta segunda-feira (25/05) que a inteligência artificial (IA) precisa ser "desarmada" das lógicas que promovem "domínio, exclusão e morte". O apelo foi feito durante a apresentação da encíclica Magnifica Humanitas, primeiro grande documento de seu pontificado dedicado ao impacto da tecnologia na dignidade humana.

Ao explicar o uso do termo "desarmamento", o pontífice afirmou que se trata de uma escolha deliberadamente forte, destinada a "despertar consciências" diante de uma revolução tecnológica que, segundo ele, pode ter consequências ainda mais profundas que as transformações históricas anteriores.

"Desarmar a IA significa subtraí-la à lógica da competição armada, que hoje não é apenas militar, mas também econômica e cognitiva. Trata-se da corrida ao algoritmo mais eficaz e ao banco de dados mais vasto, com o objetivo de consolidar uma vantagem geopolítica ou comercial sobre todos os outros. Desarmar significa quebrar esta equivalência entre poder técnico e direito de governar. Não significa renunciar à tecnologia, mas impedir que ela domine o ser humano", escreveu.

"Significa retirá-la dos monopólios, torná-la discutível, contestável e, portanto, habitável, devolvendo-a à pluralidade das culturas humanas e das formas de vida. [...], IA é o ambiente em que estamos imersos e o poder com que temos de lidar. Por isso, não basta regulá-la: deve ser desarmada e tornada acolhedora", acrescentou.

TECNOLOGIA E CONFLITOS

Leão 14 destacou que a IA já está transformando não apenas a vida cotidiana, mas também a forma como conflitos são conduzidos. Nesse contexto, disse sentir-se "responsável" por apresentar a visão da Igreja sobre o tema.

Dividida em cinco capítulos, Magnifica humanitas parte de um pressuposto: a tecnologia não é uma “força antagônica em relação à pessoa", nem “um mal em si mesma". No entanto, ela "não é neutra, pois assume o rosto daqueles que a concebem, a financiam, a regulam e a utilizam". Ou seja: pode tanto ampliar a participação e a justiça quanto aumentar desigualdades, controle e exclusão.

O pontífice alertou, em especial, para o risco de concentração de poder nas mãos de poucos atores — como grandes empresas e plataformas digitais — que controlam dados, algoritmos e infraestrutura.

Ao traçar um paralelo com o debate sobre armamentos nucleares, o pontífice afirmou que a IA também precisa de limites claros. "Assim como a energia nuclear, deve estar a serviço de todos e do bem comum", disse.

Leão 14 insistiu que decisões tecnológicas não podem ser tomadas sem responsabilidade ética. Segundo ele, desenvolvimento e uso da IA devem ser acompanhados de regras, supervisão pública e mecanismos eficazes de proteção.

"O desenvolvimento e a utilização da IA no campo bélico devem estar sujeitos aos mais rigorosos compromissos éticos, no respeito pela dignidade humana e pela sacralidade da vida, evitando uma corrida ao armamento. [...] Por isso, não é lícito confiar a sistemas artificiais decisões letais ou, de qualquer forma, irreversíveis. Não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável.

"A IA não retira ao conflito a sua intrínseca desumanidade: apenas o torna mais rápido e impessoal, baixando a fasquia do recurso à violência e transformando a defesa em previsão operacional, com as vítimas reduzidas a dados. Habituamo-nos, assim, à ideia de que a violência é inevitável e deve apenas ser otimizada".

O papa também pediu maior cooperação global: "Só juntos — quem projeta os sistemas e quem sofre suas consequências — poderemos construir um futuro para toda a humanidade, e não apenas para poucos privilegiados”.

DESINFORMAÇÃO, EXPLORAÇÃO E TRABALHO

Na encíclica, o líder da Igreja Católica também alertou para riscos concretos associados à IA, como manipulação da informação, violação de privacidade e reforço de preconceitos embutidos em algoritmos.

O documento menciona ainda novas formas de exploração, incluindo crimes contra menores facilitados por tecnologia e práticas próximas da "escravidão moderna" relacionadas à cadeia produtiva de sistemas digitais.

No mundo do trabalho, Leão 14 afirmou que a automação pode levar à desqualificação profissional e à vigilância excessiva dos trabalhadores, defendendo políticas de requalificação e proteção ao emprego.

O papa defendeu a criação de uma "ordem social justa na era digital", com leis adequadas e regras internacionais que garantam igualdade de acesso, proteção dos mais vulneráveis e combate à desinformação.

Para ele, o objetivo deve ser submeter o uso da tecnologia ao interesse público — e não apenas ao lucro.

PAPEL DA IGREJA E APELO FINAL

Apesar da crítica, Leão 14 ressaltou que a Igreja não pretende oferecer soluções técnicas. Seu papel, disse, é contribuir com uma visão ética e humanista em um momento de rápidas transformações.

"Cada pessoa é única e insubstituível", afirmou, ao destacar a importância de preservar a dignidade humana diante do avanço tecnológico.

O pontífice concluiu com um apelo à cooperação global: "Aprendamos a escutar uns aos outros, enfrentar com coragem os desafios do presente e construir uma sociedade mais humana e fraterna”.

PERDÃO POR PAPEL DA IGREJA NA ESCRAVIDÃO

Em sua encíclica, Leão 14 também fez um pedido histórico de desculpas pelo papel da Santa Sé em legitimar a escravidão e por não tê-la condenado durante séculos, classificando o histórico do Vaticano como uma "ferida na memória cristã".

Papados anteriores já pediram desculpas pelo envolvimento de cristãos no tráfico transatlântico de escravizados. Mas nenhum papa havia reconhecido publicamente, muito menos pedido perdão, pelo papel que papas do passado tiveram ao conceder autoridade explícita a soberanos europeus para subjugar e escravizar "infiéis".

Primeiro papa nascido nos Estados Unidos, Leão 14 tem em sua árvore genealógica tanto pessoas escravizadas quanto proprietários de escravos.

Leão mencionou o tráfico de escravos em relação ao que chamou de novas formas de escravidão e colonialismo impulsionadas pela revolução digital.

Católicos negros norte-americanos, ativistas e acadêmicos há muito tempo pedem que a Santa Sé faça uma reparação por seu papel no comércio colonial de seres humanos, para além de pedidos genéricos de desculpas pelo envolvimento de cristãos individuais.

"É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e a humilhação suportados por tantos, em contraste gritante com sua dignidade imensurável como pessoas infinitamente amadas pelo Senhor", escreveu Leão. "Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão."

Shannen Dee Williams, historiadora da Universidade de Dayton e autora de Subversive Habits ("Hábitos Subversivos"), livro de 2022 sobre a história das freiras católicas negras nos Estados Unidos, disse que o pedido de desculpas era um "passo monumental rumo ao tipo de revelação essencial da verdade e reparação que muitos católicos rezaram e trabalharam para testemunhar".

"A Igreja Católica nunca foi uma espectadora inocente na história da supremacia branca", disse Williams à agência Associated Press. "Católicos negros esperaram muito tempo para ouvir o Vaticano falar honestamente sobre os papéis centrais da Igreja no tráfico transatlântico de escravizados e na escravidão de bens móveis — e, por extensão, nos sistemas duradouros de racismo antinegro no mundo atual."

Uma série de diretrizes do Vaticano editadas no século 15 autorizou soberanos portugueses a conquistar a África e as Américas e a escravizar não cristãos.

Em 1452, por exemplo, o papa Nicolau 5º emitiu a bula papal Dum Diversas, que concedeu ao rei de Portugal e a seus sucessores o direito de "invadir, conquistar, combater e subjugar" e tomar todas as posses — inclusive terras — de "sarracenos, pagãos e outros infiéis e inimigos do nome de Cristo" em qualquer lugar.

A bula também deu aos portugueses permissão para "reduzir suas pessoas à escravidão perpétua".

Essa bula e outra emitida três anos depois, Romanus Pontifex, formaram a base da Doutrina da Descoberta, a teoria que legitimou a apropriação colonial de terras na África e nas Américas.

As autorizações de Nicolau 5º aos portugueses foram confirmadas ou renovadas pelo papa Calixto 3º em 1456, pelo papa Sisto 6 em 1481 e pelo papa Leão 10 em 1514, segundo o padre Christopher J. Kellerman, jesuíta e autor de All Oppression Shall Cease: A History of Slavery, Abolitionism, and the Catholic Church ("Toda opressão cessará: Uma história da escravidão, do abolicionismo e da Igreja Católica").

REIS ESPANHÓIS RECEBERAM DIREITOS SEMELHANTES PARA AS AMÉRICAS.

Em 2023, o Vaticano repudiou formalmente a Doutrina da Descoberta, mas nunca rescindiu, revogou ou rejeitou formalmente as próprias bulas. O Vaticano sustenta que uma bula posterior, Sublimis Deus, de 1537, reafirmou que os povos indígenas não deveriam ser privados de sua liberdade nem da posse de seus bens, nem escravizados.

Santa Sé demorou a condenar a escravidão, diz Leão

Em sua encíclica, Leão recordou que seu homônimo, o papa Leão 13, foi o primeiro papa a condenar explicitamente a escravidão, em 1888, muito depois de muitos países já a terem abolido.

Ao reconhecer as bulas papais do século 15, Leão escreveu em sua encíclica: "Já no início da era moderna, a Sé Apostólica de Roma, respondendo a pedidos de soberanos, interveio várias vezes para regular e legitimar formas de subjugação e, em certos casos, inclusive a escravização de 'infiéis'."

Leão afirmou que não é possível julgar a moralidade dessas decisões com os padrões atuais. "No entanto, também não podemos negar ou minimizar o atraso com que tanto a sociedade quanto a Igreja passaram a denunciar o flagelo da escravidão", ressaltou.

O papa afirmou que a Igreja há muito tempo afirma a dignidade de todo ser humano como base de sua doutrina, "ainda que tenham sido necessários 18 séculos para que sua total incompatibilidade com a escravidão fosse explicitamente reconhecida".

"Isso constitui uma ferida na memória cristã, da qual não podemos nos considerar distantes", disse.

Durante uma visita a Camarões em 1985, o papa João Paulo 2º pediu perdão aos africanos pelo tráfico de escravos em nome dos cristãos que participaram dele, mas não em nome dos papas. Em uma visita à Ilha de Gorée, no Senegal, em 1992 — o maior centro de tráfico de escravos da África Ocidental —, ele denunciou a injustiça da escravidão e a chamou de "tragédia de uma civilização que se dizia cristã". Fonte: DW- 25 de maio de 2026


sábado, 30 de maio de 2026

Primeira Guerra Mundial: Batalha de Verdun

Há 110 anos, ataque alemão contra franceses, iniciava um dos confrontos mais sangrentos da Primeira Guerra: mais de 300 mil mortos e nenhum vencedor. Embate virou sinônimo da irracionalidade da guerra. 

Soldados franceses nas trincheiras de Verdun 


Há exatos 110 anos, em 21 de fevereiro de 1916, um forte ataque abalava no início da manhã os fortes e trincheiras da pequena cidade francesa de Verdun. Os alemães levaram 300 vagões de munição e dispararam de todas as suas armas, durante horas. A 150 quilômetros de distância era possível escutar o estrondo dos canhões.

A ordem de atacar os franceses fora dada pelo chefe do Estado-Maior alemão, Erich von Falkenhayn. Ele queria pôr fim à guerra de posições que, desde setembro de 1914 – poucos meses após o início da Primeira Guerra Mundial –, se arrastava na frente ocidental entre a Bélgica e a França.

A intenção de Falkenhayn era romper o front e retornar à guerra de movimento, como explica o historiador Olaf Jessen, autor de um livro sobre a Batalha de Verdun publicado em alemão.

Mas em vez disso, alemães e franceses passariam os próximos dez meses travando uma luta feroz por cada vilarejo e cada colina.

PRESOS NO "INFERNO DE VERDUN"

O obus de cerco alemão "Bertha Gorda",
com alcance de mais de 9 mil metros


Dali em diante, a batalha tornaria‑se o símbolo de um massacre sem sentido. Durante a extenuante guerra de trincheiras, os soldados têm seus nervos consumidos por ratos, piolhos, frio e má alimentação. A morte é sua companheira constante, e o inimigo está, muitas vezes, a apenas 30 metros de distância.

A artilharia mais moderna deveria decidir a batalha – morteiros pesados, além de lança‑chamas e metralhadoras. Sobre os menos de 30 quilômetros quadrados de trincheiras chovem 26 milhões de granadas explosivas e 100 mil granadas de gás tóxico.

No verão, o odor pungente de cadáveres paira sobre o campo de batalha; partes de corpos em decomposição, arremessadas pela pressão das bombas, pendem dos galhos das árvores queimadas. No inverno, a água ou lama gelada alcança os soldados até os joelhos. As tropas enfrentam a fome e a sede, e bebem de poças de chuva nas quais, entre carcaças de cavalos, seus camaradas sangravam até morrer.

Ali, o ser humano era "mero material de guerra", observa Jessen. "Essa experiência desumana ficou gravada na memória coletiva com termos como 'moinho de sangue' e 'inferno de Verdun'."

O horror também transparece nas cartas de soldados a entes queridos.

"Verdun, uma palavra terrível! Incontáveis pessoas, jovens e cheias de esperança, tiveram de entregar aqui suas vidas; seus [ossos] agora apodrecem em algum lugar, entre posições, em valas comuns, em cemitérios", escreve o estudante de teologia Paul Boelicke, de 20 anos, à sua família. "O front oscila: hoje o inimigo está na colina, amanhã [seremos] nós; sempre há aqui um combate desesperado. Alguns, que ainda há pouco se alegravam com o sol quente, logo ouviam urros e choros se aproximando de algum lugar. Acabaram‑se todos os sonhos de paz e lar; o homem vira verme e procura o buraco mais profundo. Campos de bombardeio e de batalha onde nada se vê além de fumaça sufocante, gás, torrões de terra e trapos voando pelo ar, rodopiando selvagemente: isto é Verdun."

UMA BATALHA "ANORMALMENTE CRUEL"

A Batalha de Verdun deixou mais de 300 mil mortos e mais de 400 mil feridos.

No fim, em 18 de dezembro de 1916, passados dez meses e após incontáveis impactos de artilharia, a área parecia uma paisagem lunar.

"A batalha foi anormalmente cruel", diz Jessen. "Mesmo para os padrões da Primeira Guerra Mundial. Também os números de vítimas tão altos: que tantas pessoas tenham morrido em tão poucos quilômetros quadrados – isso não aconteceu em nenhum outro lugar naquela época."

No início, os alemães até lograram avançar, mas "depois os franceses reconquistaram quase todo o terreno que os alemães haviam conquistado durante meses com grandes perdas", afirma Jessen.

"Depois de 300 dias e 300 noites, o lado alemão estava praticamente de volta ao ponto em que a ofensiva havia começado, em 21 de fevereiro de 1916." Um dos motivos foi a longa permanência dos soldados alemães no front: "A moral de combate dos alemães estava arrasada pelo esgotamento."

O adversário de Falkenhayn, Philippe Pétain, o defensor de Verdun, adotou desde o início um sistema de rotação dos soldados. Ele envolveu literalmente toda a nação na batalha no leste da França. Quase todo soldado francês foi enviado às trincheiras diante de Verdun – mas pôde deixá‑las novamente após poucos dias, explica Jessen, para "evitar que o cansaço e a desmoralização surgissem tão rapidamente".

DEIXAR O INIMIGO "SANGRAR"

Como a estratégia ofensiva de Falkenhayn fracassou, ele foi deposto em 29 de agosto de 1916 como chefe do Estado-Maior alemão. No lugar dele, assumiu o general Paul von Hindenburg. Tropas alemãs já eram necessárias em outros lugares, especialmente na frente de batalha em Somme, onde tropas britânicas haviam iniciado uma ofensiva em junho de 1916 para aliviar os franceses em Verdun.

Finda a Batalha de Verdun, Falkenhayn ainda tentaria, anos mais tarde, atenuar sua inglória atuação e o fracasso das tropas alemãs. Em suas memórias, o oficial escreveu que pretendia fazer o exército francês "sangrar": "Se, para dois soldados alemães mortos, cinco franceses tivessem de sangrar, isso seria algo bom e promissor."

Para os veteranos sobreviventes, aquela declaração era uma "traição", relata Jessen. "Tiveram de ler que um de seus principais generais os via apenas como material humano", afirma.

PONTO DE VIRADA NA PRIMEIRA GUERRA

Segundo Jessen, apesar de não ter sido uma batalha decisiva, Verdun foi um "marco muito, muito importante na história da Primeira Guerra Mundial", "uma espécie de ponto de virada rumo à derrota alemã" que, além disso, "deslocou o equilíbrio de poder na Alemanha em direção a uma ditadura militar e acelerou a entrada dos Estados Unidos na guerra".

O confronto em Verdun também alimentou a chamada "lenda da punhalada nas costas" (em alemão: Dolchstosslegende), espalhada deliberadamente pelo comando militar – que para não admitir sua responsabilidade pelo fracasso alemão na Primeira Guerra propagou, a partir de 1918, a imagem de um exército invencível traído por social-democratas e judeus.

SÍMBOLO DA IRRACIONALIDADE DA GUERRA

Cruzes em frente ao Ossuário de Douaumont, inaugurado em 1932, 
lembra soldados desconhecidos mortos na Batalha de Verdun

Hoje, Verdun é para os alemães sinônimo da absoluta falta de sentido da guerra; já na França, a batalha é lembrada com um sentimento de união nacional e até de vitória — embora, na realidade, tenha sido um impasse militar pago com sofrimento desumano.

Em 1932, foi inaugurado na cidade um monumento onde repousam os ossos de inúmeros soldados desconhecidos. Desde 1967, o Memorial de Verdun lembra os mortos no confronto.

Em 1914, no início da Primeira Guerra Mundial, o autor britânico H. G. Wells cunhou a frase "The war that will end war" ("A guerra que acabará com a guerra"). Mas se algum dos soldados franceses ou alemães que caíram em Verdun acreditava nisso, enganou‑se.

Mais de cem anos depois, voltam a surgir imagens de uma guerra estagnada na Europa — não em fotos históricas em preto e branco, mas em registros modernos da Ucrânia.

"Ao olhar imagens atuais do Donbass, veem-se grandes paralelos", diz Jessen.

Em Verdun, a insistência de alemães e franceses na vitória foi uma aposta levada às últimas consequências porque cada lado acreditava precisar dela para "compensar as perdas horrendas" em seus exércitos, enquanto apostava no "colapso psicológico e político do adversário".

"Isso lembra muito a situação na Ucrânia e na Rússia. Também ali, no momento, não vejo como romper [o impasse]", compara o historiador.

Antes inimigos mortais, Alemanha e França são hoje bons amigos. Jessen diz esperar que as pessoas aprendam com a história.

Fonte: DW- sábado, 21 de fevereiro de 2026

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Coronavírus: Situação da cidade de São Paulo até 28 de maio de 2026

 

Táxis autônomos já são realidade, e muitos têm levado caos às ruas

 Os testes de carros autônomos já vêm ganhando o mundo: antes restritos aos Estados Unidos, os táxis sem motorista já estão levando passageiros também em lugares como China, Emirados Árabes Unidos, Japão e Europa. Além disso, modelos particulares com capacidade de direção própria também já são oferecidos por marcas como BMW, Mercedes-Benz e Li Auto.

Com mais carros sem condutor rodando, a tecnologia avança e aperfeiçoa sua inteligência artificial.

Ao mesmo tempo, as falhas vêm ficando mais evidentes e problemas simples, mas de potencial catastrófico, vão sendo flagrados em vídeos que circulam e viralizam nas redes sociais.

BAGUNÇA NOS EUA

Em Austin, Texas (EUA), um táxi autônomo da Waymo - subsidiária da Alphabet, dona do Google - viralizou ao 'bugar' no pior momento possível: a saída de ambulâncias para resgate de vítimas de um tiroteio em massa. O atentado, ocorrido no domingo passado (1º), deixou três mortos e 13 feridos até o momento.

Nas imagens, o Jaguar I-Pace adaptado usado pela empresa repentinamente para atravessado na rua, enquanto os socorristas aguardam passagem. Aparentemente "confuso", o carro tentava balizar para frente e para trás, sem sair do lugar de fato.

Um policial, então, se aproxima do veículo e aperta um botão que faz contato com um operador remoto da empresa. Em seguida, um motorista humano assume o comando remotamente e o carro se retira para um estacionamento ao lado.

No fim, os socorristas informaram que o atraso foi pequeno, sem prejuízo às vítimas. A solução, entretanto, só veio rápida porque os policiais de Austin tiveram um treinamento específico para lidar com tais veículos.

Caso mais grave aconteceu na cidade de São Francisco, na Califórnia (EUA): lá, os robotáxis já operam há mais tempo e alguns geraram grandes transtornos também em um momento crítico.

Ao longo de dezembro do ano passado, a cidade registrou cerca de 20 apagões, que geraram caos aos habitantes e acabaram impactando veículos de condução autônima.

Acontece que, sem energia, os supervisores remotos dos carros não conseguiam se conectar a eles. Sem a supervisão humana - obrigatório em intervalos de tempo -, os carros entravam em modo de segurança e simplesmente não saíam do lugar.

O caso foi para a Justiça, onde a Waymo se desculpou e admitiu quase 1.600 bloqueios de via causados pela parada dos carros em meio ao apagão. Na audiência, as autoridades questionaram até o impacto dos carros autônomos em grandes tragédias, como terremotos.

Lá, as forças policiais também são treinadas para remover tais veículos em caso de emergência. Os legisladores, entretanto, afirmaram que, com 1.600 paradas, foram perdidas inúmeras horas de trabalho em um momento crítico.

"Nossos socorristas não são assistentes de automóveis", afirmou um supervisor do serviço na sessão.

DE QUEM É A CULPA?

A questão de responsabilidade também vem sendo posta à prova com o aumento dos carros autônomos, incluindo casos de vítimas fatais (humanas e animais).

Via de regra, os estados e as cidades que permitem tais veículos submetem-nos a uma legislação sob medida.

No caso da Califórnia, por exemplo, as empresas devem possuir seguro que inclui terceiros para cada carro que circula. As câmeras e dispositivos de armazenamento de dados do carro também devem reter todo o histórico de corridas, a fim de conferência em caso de acidentes.

Quando acidentes ocorrem, a legislação diz, em linhas gerais, que haver uma análise se o carro operava em condições permitidas e cumprindo todos os resguardos de segurança.

Mesma coisa foi definida pela Suprema Corte da China: o 'STF chinês' determinou, no mês passado, que, se um carro com ADAS se envolver em um acidente, o condutor pode ser responsabilizado caso tenha descumprido a regra de atenção mínima para cada nível de automação. Fonte: UOL - 04/03/2026