sexta-feira, 13 de março de 2026
domingo, 22 de fevereiro de 2026
Igreja sagrada família atinge altura máxima após 144 anos
A Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, atingiu nesta sexta-feira a sua altura máxima prevista de 172,5 metros com a colocação da cruz no topo de sua torre central, 144 anos após o início da construção do edifício.
Com a ajuda de um grande
guindaste, os operários concluíram a instalação da cruz na torre de Jesus
Cristo, a mais alta das 18 torres da basílica projetada no século 19 pelo
arquiteto Antoni Gaudí (1852-1926), o gênio espanhol do Modernismo. A cruz tem
17 metros de altura e 13,5 metros de largura.
Desde outubro do ano passado,
quando atingiu 162,9 metros de altura, a Sagrada Família é a igreja mais alta
do mundo, ultrapassando a igreja luterana Ulmer Münster, em Ulm, na Alemanha.
A aparência da Sagrada
Família mudou consideravelmente nos últimos 15 anos, à medida que a construção
progredia, com a conclusão das quatro torres dos Evangelistas, assim como da
torre da Mãe de Deus.
CRUZ REVESTIDA DE VIDRO E
CERÂMICA BRANCA VITRIFICADA
A peça instalada nesta
sexta-feira é uma grande cruz com geometria de dupla torção, o mesmo método que
Gaudí usou para as colunas da basílica. Ela é revestida de vidro e cerâmica
branca vitrificada, para se assemelhar a um cristal, e nas extremidades dos
braços horizontais haverá janelas de onde se poderá admirar a cidade.
O arquiteto responsável pela
Sagrada Família, Jordi Faulí, disse que a torre foi criada precisamente com
cerâmica e vidro para que parecesse "resplandecente".
Fabricada na Alemanha, a cruz
chegou a Barcelona em quatorze peças maciças que foram pré-montadas na própria
Sagrada Família, em uma plataforma de trabalho localizada a 54 metros acima da
nave central. A cruz consiste em um braço inferior, quatro braços horizontais e
um braço vertical – o único que ainda falta instala, Cada braço pesa
aproximadamente doze toneladas.
"Hoje é um dia para
celebrar e lembrar de todos aqueles que trabalharam para tornar esta torre uma
realidade", disse o arquiteto.
Quando o trabalho de fixação
da cruz estiver concluído, a Sagrada Família enfrentará a construção da
terceira e última fachada do templo, a fachada da Glória, finalizando assim a
obra-prima de Gaudí, cuja construção começou em 1882.
CONCLUSÃO AINDA SEM PRAZO
DEFINIDO
A colocação da cruz marca um
passo importante na criação do monumento mais visitado da Espanha, com 4,8
milhões de ingressos vendidos em 2024, cuja construção sofreu inúmeros
contratempos desde que Gaudí assumiu o projeto.
Após o revés da pandemia de
covid-19, que forçou o abandono dos planos de concluir o templo em 2026, a
comissão de construção, uma fundação canônica privada, evita definir uma nova
data definitiva para a conclusão, embora a expectativa seja de concluí-la em
uma década.
Esses planos dependem de não
haver mais contratempos que afetem o fluxo de visitantes, a principal fonte de
financiamento das obras, e da resolução das divergências relativas à construção
dos controversos acessos à fachada da Glória, a entrada principal que ainda
precisa ser construída.
Segundo o projeto defendido
pelos construtores, a fachada deverá ser precedida por uma grande escadaria e
uma praça, cuja construção implicaria a demolição de vários edifícios
residenciais, algo a que os moradores se opõem.
O conflito terá de ser
mediado pela Câmara Municipal, que, em meio à crise habitacional da cidade,
afirma que não haverá acordo que não garanta soluções habitacionais adequadas
para os moradores. DW-sábado, 21 de
fevereiro de 2026
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Pobreza avança na Alemanha e atinge 16% da população do país
Estatísticas oficiais consideram como pobres quem tem renda inferior a 60% da renda média nacional. Em um ano, grupo aumentou em 200 mil, totalizando 13,3 milhões de pessoas. Alemães sofrem com alta do custo de vida.
O número de pessoas ameaçadas
pela pobreza aumentou na Alemanha : passou de 13,1 milhões em 2024 para 13,3
milhões em 2025, o equivalente a 16,1% da população.
Os dados são do microcenso do
Escritório Federal de Estatísticas (Destatis), que segue uma definição relativa
da União Europeia: é considerado pobre aquele que tem renda inferior a 60% da
renda média da população nacional.
Esse valor varia de acordo
com a situação familiar de cada um. No caso dos solteiros, é considerado vulnerável
à pobreza quem tem renda líquida de até 1.446 euros por mês (R$ 8.920). Para
famílias compostas por dois adultos e dois menores com até 14 anos, esse limiar
é de 3.036 euros (R$ 18.729).
RISCO É MAIOR ENTRE
ESTRANGEIROS
Desempregados e pessoas que
vivem sozinhas são os grupos mais afetados (64,9% e 30,9%, respectivamente),
seguidos de mães ou pais solo (28,7%) e aposentados (19,1%).
O risco de pobreza também é
significativamente maior entre estrangeiros, atingindo quase um terço deste
grupo (32,5%). Já entre alemães, esse percentual é de 13,2%. Ainda assim, o
percentual aumentou nos dois grupos em relação a 2024.
CUSTO DE VIDA AUMENTOU DESDE
A GUERRA NA UCRÂNIA
Os alemães têm sofrido com
uma alta acentuada no custo de vida, puxada principalmente pelos aluguéis e
pela escalada geral de preços desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.
"A pobreza não é só um
número abstrato", declarou Katja Kipping, da Associação Paritária
Nacional, que reúne entidades privadas dedicadas à promoção do bem-estar social
no país. "Para os afetados, a pobreza significa crianças sem casaco de
inverno, famílias que precisam economizar no aquecimento, pessoas que postergam
uma visita ao dentista."
Michaela Engelmeier, da
Associação Social Alemã, lembrou os debates internos recentes no governo sobre
cortes na assistência social : "Em vez de discutir cortes, é preciso taxar
grandes fortunas de forma justa e [garantir] uma seguridade social consistente
." Fonte:DW-terça-feira, 3 de
fevereiro de 2026
domingo, 8 de fevereiro de 2026
Nenhum estado atinge 30% de jovens com matemática básica após pandemia
O percentual de jovens que concluem o ensino médio até os 18 anos com aprendizado acima do básico em matemática diminuiu no Brasil entre 2019 e 2023, anos pré e pós-pandemia. A conclusão é do IIE (Índice de Inclusão Educacional).
No período, o indicador
nacional caiu de 25,5% para 21,4% —uma redução de 4,1 pontos percentuais.
Portanto, apenas dois a cada dez formados tinham o conhecimento esperado na
disciplina.
O IIE foi desenvolvido pela
organização Metas Sociais a pedido do Instituto Natura. Ele retrata a proporção
de indivíduos a concluir a educação básica até a idade esperada e com
desempenho minimamente adequado nos exames de proficiência.
Para isso, a ferramenta
combina informações do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), do Censo
Escolar e da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua.
Para o Saeb, por exemplo, o
patamar de conhecimento essencial em matemática corresponde a 300 pontos na
escala de proficiência, que chega a 500. Abaixo disso, os estudantes demonstram
dificuldade para resolver problemas com porcentagens, interpretar gráficos ou
lidar com situações numéricas do cotidiano.
No cenário pós-pandemia,
nenhum estado brasileiro conseguiu fazer ao menos 30% dos jovens atingirem esse
nível de aprendizado na idade certa.
Segundo os dados do IIE, a piora
chegou a todas as regiões do país, inclusive aquelas com os melhores resultados
antes da emergência sanitária.
"Tivemos uma geração
excluída do aprendizado em matemática", avalia David Saad,
diretor-presidente do Instituto Natura e cocriador do IIE. "Esses jovens
formados em 2023 foram muito impactados pela pandemia, claro, mas os dados
indicam um problema maior."
Para ele, há um problema de
metas e estrutura do ensino de matemática no país.
"O Brasil faz isso muito
bem com alfabetização, por exemplo. Foi criado um programa e estabelecido aonde
queremos chegar", diz. "Que política pública temos focada em
matemática? É preciso um trabalho nessa direção", segue. Fonte: Folha de São Paulo - 2.fev.2026
domingo, 25 de janeiro de 2026
Covid-19 mata 1,7 mil brasileiros em 2025
Dados da Fiocruz revelam 10.410 casos graves da doença no último ano, com baixa adesão à imunização preocupando autoridades sanitárias
Plataforma Infogripe da
Fiocruz registrou 55 óbitos e 2.440 internações de crianças menores de 2 anos
no último ano, enquanto cobertura vacinal infantil atingiu apenas 3,49%
O Brasil contabilizou
aproximadamente 1,7 mil óbitos por Covid-19 em 2025, mesmo após cinco anos do
início da campanha de imunização contra a doença no país. Os dados foram
divulgados pela plataforma Infogripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) nesta
sexta-feira (23/01). O monitoramento também identificou 10.410 pessoas que
desenvolveram quadros graves após infecção pelo coronavírus no último ano.
A baixa adesão à vacinação
preocupa as autoridades sanitárias. Das 21,9 milhões de doses distribuídas pelo
Ministério da Saúde aos estados e municípios em 2025, apenas 8 milhões foram
efetivamente aplicadas na população, representando menos de 40% do total
disponibilizado. Fonte: TMC - 24 de janeiro de 2026
sábado, 24 de janeiro de 2026
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Corpo humano não funciona como deveria em temperatura acima de 35°C
A onda de calor que elevou as temperaturas na semana do Natal, no Rio de Janeiro, São Paulo e em outros seis estados ao redor, no Sudeste, Centro-Oeste e Sul, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), deve se estender até a próxima segunda-feira (29). Para essas áreas, o órgão emitiu aviso vermelho, de grande perigo, o que significa temperaturas 5º C acima da média por mais de 5 dias e alta probabilidade de risco à vida, danos e acidentes.
Com aumento do calor extremo,
resultado especialmente das mudanças climáticas induzidas pelo homem, uma série
de medidas são necessárias para diminuir o impacto na saúde. De acordo com o
clínico geral e coordenador do Pronto Atendimento dos Hospital Sírio-Libanês,
em São Paulo, Luiz Fernando Penna, esse quadro tem potencial de gerar a
falência térmica do corpo.
"Essa é uma emergência
médica caracterizada pela confusão mental, pele quente e seca e temperatura
corporal acima de 40º C", explicou o profissional de saúde.
Se o corpo apresentar esses
sinais e sintomas, é necessário buscar atendimento médico de imediato, advertiu
o médico.
Na avaliação do médico do
Sírio, o impacto do calor na saúde é subestimado. "Muitas pessoas
acreditam que causa apenas mal-estar, mas estamos falando de riscos reais, que
incluem desde quedas de pressão até falência térmica", alertou.
Quando está muito quente,
Penna explica que o corpo humano trabalha no limite. O organismo aumenta a
sudorese, o que faz acelerar os batimentos cardíacos e dilata os vasos
sanguíneos. "Esses mecanismos, porém, têm limite. E, quando falham,
instala-se a falência térmica", explicou.
O calor extremo também agrava
o quadro de quem convive com doenças crônicas, tais como hipertensão,
insuficiência cardíaca, diabetes, doença pulmonar obstrutiva crônica (Dpoc) e
doença renal crônica.
Pessoas que fazem uso de
diuréticos, anti-hipertensivos, antidepressivos, anticolinérgicos e
antipsicóticos também precisam redobrar a atenção. Os medicamentos podem
aumentar a dilatação ou descontrolar a regulação térmica natural do corpo.
"Para quem já tem uma
condição de base, o calor impõe uma sobrecarga perigosa", acrescentou o
médico.
As altas temperaturas
interferem ainda no sono, prejudicando o humor, aumentando a irritabilidade e
reduzindo a produtividade, já que afetam o tempo de descanso, a memória e a
tomada rápida de decisões.
Para essas situações, não
basta se hidratar, é preciso se proteger, evitar a exposição entre 10h e 16h,
usar roupas leves e claras, priorizar ambientes ventilados e não fazer
exercícios físicos. Aqueles trabalhadores que não podem evitar sair no calor
extremo, como profissionais da construção civil, de entregas e da coleta de
lixo, devem fazer pausas frequentes nas horas mais quentes, recomenda.
"Não existe adaptação
completa para ondas de calor extremas e repetidas", explica Fernando
Penna. "Acima de 35°C com alta umidade, o corpo humano simplesmente não consegue
funcionar como deveria".
A recomendação do coordenador
de pronto-socorro é evitar situações de riscos e reconhecer sinais precoces de
falência térmica para evitar o colapso.
No Rio de Janeiro, já foi
comprovado por pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz, de fevereiro de 2025, que as
altas temperaturas estão relacionadas ao aumento da mortalidade. O risco é
maior para idosos e pessoas com alguma doença, como diabetes e hipertensão,
além de Alzheimer, insuficiência renal e infecções urinárias. O trabalho da
Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) analisou mais de 800 mil
mortes entre 2012 e 2024.
"A maioria dos estudos
sobre calor e mortalidade concentra suas análises em doenças cardiovasculares e
respiratórias", disse, em nota, o pesquisador João Henrique de Araujo.
"Todavia, há estudos que relatam esses efeitos também para doenças
metabólicas, do trato urinário e doenças como Alzheimer, sobre as quais
dissertamos", acrescenta.
Antes de planejar suas atividades,
procure saber quão quente e úmido será o dia;
Mantenha sua casa fresca
Sempre que possível, proteja
a casa da entrada de calor, feche portas, janelas e cortinas durante as horas mais quentes e abra de noite para
refrescar;
Use ventiladores e aparelhos
de ar-condicionado, se disponíveis; mas sem exagerar na regulagem do frio para
não causar choque térmico
Proteja-se do calor
Não saia durante os horários
mais quentes;
Quando estiver ao livre, use
protetor solar, chapéus e guarda-chuvas;
Evite permanecer em ambientes
fechados e sem circulação de ar, onde o calor se acumula e pode ser mais
intenso do que ao ar livre.
Mantenha-se fresco e
hidratado
Beba mais água, recuse
bebidas alcoólicas acreditando que vai relaxar, o álcool acelera a
desidratação;
Use tecidos respiráveis,
roupas escuras e pesadas retêm calor e dificultam a ventilação;
cuidado com banhos gelados, que provocam efeito rebote e fazem o corpo aumentar a produção de calor. Fontes: Unicef e Hospital Sírio-Libanês; Agência Brasil-Publicado em 26/12/2025
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
Exército de robôs para trabalhar em indústrias
O primeiro robô humanoide do
mundo capaz de realizar troca autônoma de baterias.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
terça-feira, 9 de dezembro de 2025
domingo, 7 de dezembro de 2025
Julgamentos de Nurembergue: os nazistas no banco dos reús
Com o fim da Segunda Guerra, os países aliados levaram os nazistas a julgamento. Pela primeira vez, representantes de um Estado tiveram que responder por seus crimes perante um tribunal internacional.
Os nazistas Hermann Göring (1893-1946), Rudolf Hess (1894-1987), Joachim von Ribbentrop (1893-1946) e Wilhelm Keitel (1882-1946) no banco dos réus em Nurembergue. Da esquerda para a direita: os nazistas Hermann Göring (1893-1946), chefe da Luftwaffe; Rudolf Hess (1894-1987), vice de Hitler; o ministro do Exterior Joachim von Ribbentrop (1893-1946); e o comandante supremo das Forças Armadas Wilhelm Keitel (1882-1946) Foto: Keystone Archives/Heritage-Imags/picture-alliance
"Por meio deste, acuso
as seguintes pessoas de crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a
humanidade: Hermann Wilhelm Göring, Rudolf Hess , Joachim von Ribbentrop…"
A sala 600 do Palácio da
Justiça de Nurembergue está lotada enquanto o procurador-chefe, o americano
Robert H. Jackson, lê um nome após o outro. Sua lista é longa. O
"Julgamento dos Principais Crimes de Guerra" contra 24 representantes
de alto escalão do Estado nazista tem início em 20 de novembro de 1945, em Nurembergue.
Ao longo dos próximos 218 dias de audiências, mais de 230 testemunhas serão
interrogadas, 300.000 declarações serão lidas e 16.000 páginas de atas serão
escritas.
A escolha de Nurembergue como
local do julgamento não foi coincidência. A cidade bávara já havia sido palco
das convenções em massa do Partido Nazista. Aqui, o regime nazista exerceu seu
poder, e aqui as Leis de Nurembergue foram promulgadas — a legislação racista e
antissemita que abriu caminho para o Holocausto .
MUDANÇA DE PARADIGMA
Foi a primeira vez na
história que altos representantes de um Estado foram responsabilizados
pessoalmente por seus atos desumanos. Uma novidade no sistema jurídico
internacional.
Após a derrota da Alemanha na
Segunda Guerra Mundial , as potências vitoriosas – Estados Unidos, Reino Unido,
França e União Soviética – uniram-se: os crimes do Terceiro Reich não poderiam
ficar impunes. Milhões de pessoas haviam sido vítimas do regime nazista –
assassinadas em campos de concentração, vítimas da guerra, da fome, da
escravização e do trabalho forçado.
Pela primeira vez, a questão
da culpa individual também se tornou crucial. "Até então, um líder como
Hermann Göring contava – e talvez até pensasse assim – que a Alemanha, o Estado
pelo qual ele agia, seria responsabilizada, mas não ele próprio", explicou
o jurista Philipp Graebke .
NINGUÉM SE DECLAROU CULPADO
À medida que os
interrogatórios aconteciam, um réu após o outro declarava-se
"inocente". "Os assassinatos em massa foram realizados exclusivamente
e sem influência, sob as ordens do chefe de Estado, Adolf Hitler",
argumentou Julius Streicher, um antissemita fanático e editor do jornal de
propaganda nazista Der Stürmer.
Walther Funk, em sua função de presidente do
Reichsbank (o banco central da Alemanha nazista), negou aos judeus o acesso às
contas bancárias.
Nessa posição, ele também
ordenou a transferência para o Reichsbank dos bens de judeus assassinados nos
campos de extermínio, incluindo o ouro de seus dentes. Em Nurembergue, ele testemunhou
no tribunal: "Ninguém morreu como resultado de medidas que ordenei. Sempre
respeitei a propriedade alheia. Sempre me esforcei para ajudar as pessoas
necessitadas. E para lhes proporcionar, na medida do possível, felicidade e
alegria."
O braço direito de Hitler, Hermann Göring ,
parcialmente responsável pela construção dos primeiros campos de concentração,
também se declarou "inocente" com convicção.
"Já disse que não tinha
a menor ideia da dimensão do que estava acontecendo", respondeu quando
questionado se havia uma política voltada para o extermínio dos judeus. Ele
afirmou estar ciente apenas de que a emigração dos judeus estava sendo
planejada, não o seu extermínio.
DOZE SENTENÇAS DE MORTE, SETE
SENTENÇAS DE PRISÃO
Muitos dos principais
nazistas não demonstraram remorso e consistentemente atribuíram a culpa
exclusivamente a Hitler, que já não podia ser condenado, pois havia cometido
suicídio nos últimos dias da guerra.
Mas toda negação foi inútil.
As evidências eram esmagadoras: filmes dos campos de concentração, depoimentos
de sobreviventes, cartas e ordens dos perpetradores. Pela primeira vez, o mundo
viu as atrocidades cometidas nos campos de Auschwitz-Birkenau , Buchenwald e
Bergen-Belsen.
Em 1º de outubro de 1946, os
primeiros Julgamentos de Nurembergue foram concluídos. O tribunal proferiu doze
sentenças de morte, sete sentenças de prisão e três absolvições aos réus
nazistas do alto escalão.
"JUSTIÇA DOS
VENCEDORES"
"Quando os réus foram condenados,
a maioria dos alemães pensou: 'Agora finalmente pegamos os verdadeiros culpados
e pronto'", diz Bernhard Gotto, do Instituto de História Contemporânea de
Munique-Berlim.
Sua colega Stefanie Palm
acrescenta: "Os Julgamentos de Nurembergue estabeleceram uma certa
narrativa entre a população alemã: [...] todos os outros apenas cumpriram
ordens, foram meros seguidores, não tinham culpa! [...] Adotou-se uma espécie
de perspectiva de vítima: 'Somos as vítimas desse pequeno grupo em torno de
Hitler'".
Sob esse ponto de vista, a
maioria dos alemães se opôs aos doze julgamentos subsequentes contra advogados,
médicos e industriais que atuaram no regime. O tribunal foi considerado
"justiça dos vencedores" [expressão pejorativa usada para se referir
à aplicação da justiça pela parte vitoriosa de um conflito], porque levanta
imediatamente a questão de até onde se estende a responsabilidade pelos crimes
nazistas", diz Gotto.
"E então, de repente,
não são mais apenas Göring e Keitel, a Wehrmacht [as Forças Armadas Alemãs),
Himmler e, claro, Hitler que são acusados de seduzir os alemães, mas o fardo
dessa culpa é distribuído por mais pessoas, e a maioria dos alemães não queria
aceitar isso."
PRECURSORES DO TRIBUNAL PENAL
INTERNACIONAL
Hoje, os Julgamentos de
Nurembergue são considerados um marco no direito internacional. Em 1945,
esperava-se que os padrões legais aplicados em Nurembergue fossem replicados
igualmente a todos a partir de então. Nenhum criminoso de guerra deveria ter a
possibilidade de invocar unilateralmente o poder de seu cargo ou as leis de seu
próprio país.
O jurista Philipp Graebke
afirma que, a partir dos Julgamentos de Nurembergue, "podemos traçar uma
linha direta, através da tradição dos tribunais da ONU para crimes de guerra na
década de 1990, até a criação do Tribunal Penal Internacional (TPI)".
No entanto, "isso certamente
não levou à aplicação impecável do direito penal internacional desde 1946, nem
à aplicação impecável que vemos hoje", esclarece ele.
O TPI foi estabelecido em
Haia, na Holanda, apenas em 1998 e iniciou suas atividades em 2002. Mas nem
todos os Estados o reconhecem. As principais grandes potências estão ausentes
dos 125 Estados-membros: Estados Unidos, Rússia, China e Índia. Israel também
não é membro.
TPI: APENAS UM TIGRE DE
PAPEL?
Mas mesmo Estados que
reconhecem o TPI já desafiaram mandados de prisão. Até recentemente, a regra
para líderes acusados era simples: se você não quer ir para a prisão, basta
não sair do seu país.
Agora, nem isso é mais
necessário. Por exemplo, o presidente da Rússia, Vladimir Putin , contra quem
existe um mandado de prisão pelo sequestro de crianças ucranianas, viajou para
a Mongólia, signatária do TPI, em setembro de 2024 e foi recebido com todas as
honras. A Mongólia é altamente dependente economicamente de seu poderoso
vizinho.
Portanto, o fato de um criminoso de guerra ser levado a julgamento depende do empenho dos Estados-membros. E o próprio Tribunal de Haia não têm os recursos nem a autoridade para levar os suspeitos a julgamento. Fonte: DW - quarta-feira, 19 de novembro de 2025
domingo, 30 de novembro de 2025
Fome à americana: 47 milhões nos EUA vivem sem saber se terão o que comer
Nos Estados Unidos, 47,4 milhões de pessoas vivem na incerteza diária sobre a próxima refeição, segundo dados oficiais de 2023 e 2024.
Enquanto o Brasil tem 54,7
milhões de pessoas sem saber se terão o que comer, os EUA —com economia 13
vezes maior— exibem um contingente semelhante de vulneráveis.
De tamanho comparável ao
Bolsa Família, o Snap teve repasses afetados durante os 43 dias do
"shutdown", entre 1º de outubro e 12 de novembro, quando o governo
dos EUA parou por falta de acordo orçamentário no Congresso.
"Há uma polarização no
mercado de trabalho: há vagas que tornam alguém riquíssimo e muitos empregos
que pagam muito pouco diante custo de vida nos EUA", diz Luke Shaefer,
professor de políticas públicas da Universidade de Michigan e um dos principais
especialistas do país em pobreza e bem-estar social.
Segundo ele, até o ano
passado o Snap era um raro exemplo de programa social bem-sucedido em um país
conhecido pela precariedade de sua rede de proteção.
O salário mínimo federal está
congelado em US$ 7,25 a hora desde 2009. Nesse período, os custos básicos
dispararam. Entre 2011 e 2024, o preço médio das casas saltou mais de 86% —de
US$ 225 mil para US$ 419 mil…
A retomada dos repasses do Snap no último dia
12 não significa que o problema acabou para quem depende do benefício.
ESPECIALISTAS DIZEM QUE A
TENDÊNCIA NOS EUA É QUE MAIS PESSOAS DEPENDAM DO SNAP.
Hoje são cerca de 42 milhões
de beneficiários (1 a cada 8 americanos), a um custo de US$ 100 bilhões (cerca
de R$ 533 bilhões). Em média, o repasse foi de US$ 190 por mês (cerca de R$
1.000).
No Brasil, o Bolsa Família
atendeu em novembro 48,6 milhões de pessoas (cerca de 1 a cada 4 brasileiros)
—o menor patamar de participantes em três anos.
O benefício médio ficou em R$
683. O orçamento reservado para este ano é de R$ 158,6 bilhões.
Embora ambos visem reduzir
fome e pobreza, Snap e Bolsa Família têm critérios diferentes. Nos EUA, o
benefício só pode ser usado para comprar alimentos.
No Brasil, o objetivo é a
transferência de renda, e a família decide como gastar —em comida, remédios ou
material escolar, por exemplo.
O Bolsa Família cobra
contrapartidas de frequência escolar e acompanhamento de saúde, inexistentes no
programa americano.
Por outro lado, o Snap exige
que adultos beneficiários comprovem um certo período de horas mensais
trabalhadas, ainda que de modo voluntário.
Trump não esconde o interesse
em cortar o Snap, ação que já começou com a aprovação em julho da lei
orçamentária "One Big Beautiful Bill Act" (em tradução livre,
"Uma Grande e Bela Lei"), que impôs regras mais rígidas ao programa.
Os critérios para receber o
benefício variam de estado para estado, mas, basicamente, é preciso comprovar
renda abaixo de determinado limite.
O que muda no Snap com Trump
·
Trabalho
obrigatório: adultos de 18 a 64 anos sem emprego ou atividade qualificada por
80h/mês só recebem benefício a cada período de três anos.
·
Benefícios menores:
famílias sem idosos ou deficientes terão menos ajuda. Isenção para cuidadores
vale só para crianças menores de 14 anos.
·
Imigrantes
afetados: refugiados, asilados e pessoas com proteção humanitária têm
elegibilidade limitada ou eliminada.
·
Especialistas
consideram a exigência de 20 horas de trabalho por semana inexequível em
algumas regiões e estimam que milhões perderão o benefício.
Fonte: UOL, em Washington (EUA)-29/11/2025
sábado, 29 de novembro de 2025
quinta-feira, 27 de novembro de 2025
Bomba da 2ª Guerra força evacuação de 21 mil na Alemanha
Três especialistas em remoção
de explosivos atuaram por cerca de uma hora para desabilitar os explosivos da
bomba, que pesava cerca de 450 quilos.
Após a operação de
desativação, a bomba foi removida e os moradores puderam retornar às suas
casas.
Antes da remoção, vias e estradas
de ferro dentro de um raio de 800 metros foram bloqueados e cerca de 21 mil
pessoas tiveram que deixar suas casas e apartamentos.
Essa foi a maior operação de
evacuação já realizada em Nurembergue após a descoberta de uma bomba da época
da 2° Guerra, informaram as autoridades da cidade.
A bomba havia sido encontrada
nesta semana durante trabalhos de construção na Rua Avenarius, no distrito de
Grossreuth, no oeste da cidade.
CENTENAS DE EQUIPES DE
EMERGÊNCIA NO LOCAL
A partir das 19h30 (horário local)
de sexta-feira, a polícia começou a bloquear ruas na área afetada. Veículos com
alto-falantes percorreram a região para informar os moradores.
Ônibus de transporte levaram
os afetados ao centro escolar de Berliner Platz (Praça de Berlim), onde um centro
de atendimento foi montado.
As autoridades também pediram
aos moradores que deixassem suas casas o mais cedo possível e ficassem com
parentes ou amigos.
Quase 500 bombeiros, cerca de
250 voluntários do serviço de resgate, 60 membros da organização de proteção
civil (THW) e mais de 100 policiais participaram da operação em apoio às
equipes que desativaram os explosivos.
PROBLEMA RECORRENTE NA
ALEMANHA
As descobertas de bombas da
Segunda Guerra Mundial em canteiros de obras e construções ocorrem com frequência
em todo o país.
Em setembro, duas bombas da
Segunda Guerra Mundial encontradas em bairros diferentes de Berlim, acabaram
forçando a retirada de mais de 20 mil moradores de suas casas.
Em agosto, equipes de
segurança desativaram uma bomba de fabricação britânica encontrada em Dresden,
no leste da Alemanha. A operação para desarmar o dispositivo de 250 quilos
exigiu a evacuação de 17 mil pessoas que viviam em um raio de mil metros de
onde o artefato se encontrava.
Uma bomba da 2ª Guerra de 500
quilos encontrada em Berlim em 2023Uma bomba da 2ª Guerra de 500 quilos
encontrada em Berlim em 2023
Em junho, a cidade de Colônia
precisou evacuar 20 mil pessoas para desarmar três bombas americanas lançadas
por aviões na Segunda Guerra. No estado da Renânia do Norte-Vestfália, onde
fica a cidade, mais de 1,6 mil explosivos foram desativados no ano passado.
Já no estado de Brandemburgo,
que fica ao redor de Berlim, apenas em 2024, especialistas coletaram 90 minas,
48 mil granadas, 500 bombas incendiárias, 450 bombas de alto poder explosivo
com mais de cinco quilos e cerca de 330 mil cartuchos.
Cidades como Frankfurt também
enfrentam o problema. Em 2018, 60 mil pessoas precisaram deixar suas casas para
que um explosivo fosse desarmado.
Em 2012, uma bomba precisou
ser completamente detonada em Munique. Procedimento similar acontece com
frequência quando dispositivos são encontrados no leito de rios como o Elba e o
Reno.
O problema também atinge
vários países vizinhos. Na França e na Bélgica, munições das duas Guerras
Mundiais são encontradas regularmente, especialmente da Primeira Guerra, em
regiões como Verdun e Somme.
Na Itália, a seca no Vale do Rio Pó em 2022 trouxe à tona explosivos antigos. No Reino Unido, uma bomba alemã de uma tonelada teve que ser detonada de forma controlada em Exeter em 2021, danificando mais de 250 prédios. Fonte: DW - sábado, 15 de novembro de 2025












