sábado, 5 de agosto de 2017

Deputados arquivam denúncia de Janot

Em votação tensa nesta quarta-feira, os deputados barraram o andamento da denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente Michel Temer sob a acusação de corrupção passiva.
Entre os parlamentares, 263 se manifestaram a favor do relatório de Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG) - que recomendava o arquivamento da denúncia -, 19 se ausentaram da sessão e 2 se abstiveram de votar, somando 284. O governo precisava que ao menos 172 congressistas atuassem dessa forma.
Com o resultado, o plenário da Câmara impediu o Supremo Tribunal Federal (STF) de avaliar a abertura de uma ação que afastaria o presidente por até 180 dias para julgamento.
Para que o Supremo ficasse autorizado a analisar a denúncia eram necessários no mínimo 342 votos do total de 513 deputados.
Entre as justificativas do "Sim" ao parecer, os congressistas citaram, entre outras coisas, a estabilidade política do país, a continuidade das reformas e a urgência de acabar com o desemprego.
Em pronunciamento na noite desta quarta, o Temer disse que a decisão da Casa foi "clara e incontestável".
"A decisão soberana do Parlamento não é uma vitória pessoal, de quem quer que seja, mas é uma conquista do estado democrático de direito, da força das instituições e da própria Constituição."
Ele disse ainda que a votação obedeceu aos princípios do direito, frisando que o momento agora é de garantir o andamento das reformas propostas pelo governo.
"É diante dessa eloquente decisão que posso dizer que agora sigamos em frente com as ações necessárias para concluir o trabalho que meu governo começou há mais de um ano. Estamos retirando o Brasil da mais grave crise econômica da nossa história. É urgente colocar o país nos trilhos do crescimento, da geração de empregos, da modernização e da justiça social." Fonte: BBC Brasil - 2 agosto 2017

A evolução do trabalho ao longo da história

Até a Idade Média, o trabalho tinha má reputação. Então Martinho Lutero o pregou como dever divino. Hoje, robôs ameaçam substituir a mão de obra humana, mas esta pode ser uma oportunidade positiva para os humanos.

ÓCIO COMO IDEAL
Entre os pensadores da Grécia Antiga, trabalhar era malvisto. Aristóteles colocava o trabalho em oposição à liberdade ,e Homero via na ociosidade da antiga nobreza grega um objetivo desejável. O trabalho pesado era para mulheres, servos e escravos.

QUEM FAZ FESTA NÃO TRABALHA
Na Idade Média, trabalhar na agricultura era uma tarefa árdua. Quem era obrigado a trabalhos forçados por seus patrões, não tinha escolha. Mas, quem a tinha, preferia fazer festa e não se preocupar com o amanhã. Pensar em algum tipo de lucro era considerado vício. Uma cota de até cem dias livres por ano servia para garantir que o trabalho não ficasse em primeiro plano.

TRABALHO COMO ORDEM DIVINA
No século 16, Martinho Lutero declarou a ociosidade um pecado. O homem nasce para trabalhar, escreveu Lutero. Segundo ele, o trabalho é um "serviço divino" e ao mesmo tempo "vocação". No puritanismo anglo-americano, o trabalho é visto como um sinal de que quem o executa foi escolhido por Deus. Isso acelerou o desenvolvimento do capitalismo.

A SERVIÇO DAS MÁQUINAS
No século 18, começou a industrialização na Europa. Enquanto a população crescia, diminuía o espaço cultivável. As pessoas migraram para as cidades em busca de trabalho em fábricas e fundições. Em 1850, muitos ingleses trabalhavam 14 horas por dia, seis dias por semana. Os salários mal davam para sobreviver. Descobertas como a máquina a vapor e o tear mecânico triplicaram a produção.

OTIMIZAÇÃO DA LINHA DE MONTAGEM
No início do século 20, Henry Ford aperfeiçoou o trabalho na linha de montagem da indústria automobilística, estabelecendo padrões para a indústria em geral. Com isso, a produção do Ford modelo T foi facilitada em oito vezes, o que baixou o preço do veículo e possibilitou salários mais altos aos funcionários.

SURGE UMA NOVA CLASSE
Com as fábricas surge uma nova classe: o proletariado. Para Karl Marx, que cunhou este termo, o trabalho é a essência do homem. O genro de Marx, o socialista Paul Lafargue, constatou em 1880: "Um estranho vício domina a classe trabalhadora em todos os países (...) é o amor ao trabalho, um vício frenético, que leva à exaustão dos indivíduos". O cartaz acima diz: "Proletários do mundo, uni-vos"

PRODUÇÃO BARATEADA
Ao longo do século 20, aumentaram significativamente os custos sociais com os trabalhadores nas nações mais ricas do mundo. Como resultado, as empresas transferiram a produção para onde a mão de obra é mais barata. Em muitos países pobres prevalecem até hoje circunstâncias que lembram o início da industrialização na Europa: trabalho infantil, salários baixos e falta de segurança social.

NOVAS ÁREAS DE TRABALHO
Enquanto isso são criados na Europa mais empregos no setor de prestação de serviços. Cuidadores de idosos são procurados desesperadamente. Novos campos de trabalho estão se abrindo como resultado das transformações sociais e dos avanços tecnológicos. Com o passar do tempo, a jornada de trabalho foi reduzida e o volume de trabalho per capita diminuiu 30% entre 1960 e 2010.

TRABALHAR, NUNCA MAIS?
Eles não fazem greve, não exigem aumento salarial e são extremamente precisos: os robôs industriais estão revolucionando o mundo do trabalho. O economista americano Jeremy Rifkin fala até de uma "terceira revolução industrial" que irá acabar com salário assalariado.

ROBÔS VÃO NOS SUBSTITUIR?
Esta pergunta já é feita há 40 anos, desde que a automação chegou às fábricas, mas agora a situação parece se acirrar. Com o avanço da digitalização, da Internet das Coisas e da Indústria 4.0, muitas ocupações estão se tornando obsoletas – e não só na indústria.

ADMIRÁVEL MUNDO NOVO (DO TRABALHO)
As máquinas fazem o trabalho e as pessoas têm tempo para o essencial, segundo a utopia. A proteção ambiental, o atendimento de idosos e doentes e o apoio aos necessitados são tarefas no momento executadas primordialmente por voluntários. No mercado de trabalho do futuro, a vocação pode voltar a se transformar em carreira. Fonte: Deutsche Welle – agosto de 2017

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Luiz Melodia morre aos 66 anos

Cantor e compositor lutava contra um câncer na medula óssea. Autor de "Pérola negra" deixa várias composições e gravações que marcaram a música popular brasileira.

O cantor e compositor carioca Luiz Melodia morreu na sexta-feira (04/08), no Rio de Janeiro, enquanto lutava contra as complicações de um câncer na medula óssea. O corpo será velado na quadra da Escola de Samba Estácio de Sá.

Com o nome de Luiz Carlos dos Santos, o compositor nasceu no Morro do São Carlos, no bairro do Estácio, na região Central do Rio. Filho do sambista Oswaldo Melodia, Luiz Melodia lançou seu primeiro LP, Pérola negra, em 1973, aos 22 anos.

Ao longo da vida, o artista gravou numerosos discos e se apresentou diversas vezes na Europa. Seu último álbum, Zerima, foi lançado em 2014. Fonte: Deutsche Welle – 04.08.2017

domingo, 30 de julho de 2017

Custo do Poder Legislativo

Formado pelo Senado Federal e a Câmara de Deputados, o Poder Legislativo custa R$ 1,16 milhão por hora aos cidadãos brasileiros, em todos os 365 dias do ano. Essa é uma conclusão da organização não governamental (ONG) Contas Abertas, divulgada nesta semana. O custo inclui fins de semana, recessos parlamentares e as segundas e sextas-feiras, quando os parlamentares deixam a capital federal e retornam para suas bases eleitorais.

O VALOR TAMBÉM INCLUI O SALÁRIO DO PARLAMENTAR.
Cada deputado federal, por exemplo, recebe um salário bruto de R$ 33,7 mil.
Os 513 deputados federais custam, em média, R$ 86 milhões ao mês e um custo anual de R$ 1 bilhão.
Cada senador também tem um salário bruto de R$ 33,7 mil.

Segundo o fundador e secretário-geral da ONG, Gil Castello Branco, o levantamento dá ao cidadão "a dimensão exata de quanto custa nossa representação". "A democracia não tem preço, mas o nosso Congresso tem custos extremamente elevados. Ele tem uma péssima imagem junto à população e pode, sim, reduzir seus custos.

PRIVILÉGIOS
Cada parlamentar pode ter 25 assessores,
um senador pode ter 50, 60, inclusive no seu próprio escritório de representação.
Há privilégios e mordomias que podem ser contidos, diz Gil Castello Branco.

Branco reforça que os abusos, verificáveis em todos os Poderes, têm o aval do presidente Michel Temer. "O dado do orçamento deles está na Lei Orçamentária Anual [LOA], sancionada pelo presidente da república. Temos criticado os 60 dias de férias de membros do Judiciário, auxílios a magistrados, os benefícios fiscais, que precisam ser revistos. Quando se tem um déficit de R$ 139 bilhões e o orçamento da saúde é de R$ 125 bilhões, o natural é que se tente reduzir essas despesas em todos os Poderes. Deveria partir dos próprios titulares dos Poderes a tentativa de reduzir [esses gastos]".

No cálculo, foram incluídos os recessos parlamentares e finais de semana. A ONG decidiu quantificar ainda os gastos gerados nas segundas e sextas-feiras, quando não há sessões deliberativas ordinárias. Nesses dias, porém, o Senado e a Câmara continuam funcionando, porque podem ocorrer sessões de debates, solenidades e reuniões de suas comissões. Em seu site, a ONG destacou que, nesses períodos, "os parlamentares deixam a capital federal para fazer política em suas bases eleitorais".

OUTRO LADO
A Agência Brasil solicitou às duas Casas do Congresso que comentassem o levantamento. A Câmara dos Deputados escreveu que "desconhece o método utilizado" e que mensurações como o da entidade "levam a valores genéricos pouco elucidativos", já que, entre os gastos, há valores relativos à compra de bens duráveis com longa vida útil, que poderiam ser juntados na classe de investimento. Esses bens, portanto, não poderiam ser interpretados como sinais de exorbitância.

"Esclarecemos que configura equívoco calcular as despesas da Câmara dos Deputados a cada hora com base na mera divisão do valor total de seu orçamento pela quantidade de horas ao longo de um ano, na medida em que a previsão descrita no Orçamento da União abrange despesas relacionadas tanto a custeio quanto a investimento. A partir do raciocínio utilizado, é possível concluir, por exemplo, que o Poder Legislativo custa, por cidadão brasileiro, cerca de meio centavo de real por hora ou R$ 48 por ano", diz trecho da nota.

Castello Branco rebateu, dizendo que "não cabe nenhuma contestação". "Só mudaram o denominador e querem contestar o critério. E é claro que tem que ser calculado o custeio. Há custos com os funcionários, água, vigilância, o cafezinho, o papel, os computadores, as obras, os automóveis, a manutenção dos imóveis funcionais, está tudo somado. É um cálculo simples. É o orçamento anual das casas dividido por 365", disse.

Em resposta à reportagem, o Senado se limitou a mencionar seu Portal da Transparência, que foi visitado mais de 743 mil vezes no ano passado. O número de acessos subiu 55,1%, em relação a 2015. Fonte: Agência Brasil - 29/07/2017

Dez curiosidades sobre o beijo

Gesto faz parte do dia a dia de grande parte das pessoas, em algumas culturas mais do que em outras. Saiba que benefícios beijar traz à saúde, quantas bactérias são trocadas durante um beijo e outros fatos interessantes.

1. O recorde mundial absoluto de beijo foi alcançado por um casal da Tailândia: seus lábios permaneceram em contato durante 58 horas, 35 minutos e 58 segundos – enquanto comiam, bebiam e usavam o banheiro.

2. Um beijo comum faz o corpo queimar 6,4 calorias por minuto. Sendo assim, cada um dos membros do casal recordista queimou cerca de 22.500 calorias.

3. Mas nem sempre beijos são bem vistos. Em alguns lugares há até mesmo leis para impedir o gesto. Nos estados americanos de Michigan e Connecticut, por exemplo, é proibido beijar mulheres aos domingos, o Dia do Senhor. Em Maryland, também nos EUA, é proibido beijar por mais de um segundo em lugares públicos. No pior dos casos, descumprir a lei pode resultar em prisão.

4. A Alemanha ocupa a segunda posição na lista dos lugares onde menos se beija, atrás apenas da Suécia. Cada alemão dá, em média, quatro beijos por dia. Já os franceses e italianos adoram beijar, com uma média de sete por dia.

5. A filematologia é a ciência que estuda o beijo. Pesquisadores já descobriram, por exemplo, que dois terços das pessoas inclinam a cabeça para a direita ao beijar.

6. Beijar fortalece o sistema imunológico e retarda o envelhecimento. Além disso, somente o fato de pensar num beijo já aumenta a salivação e ajuda a combater o tártaro.

7. Em 90% dos países as pessoas se beijam. Como e por que varia de cultura para cultura. Os franceses, por exemplo, gostam de dar três beijos na bochecha ao cumprimentar alguém. No Brasil, dependendo da região, se dá um ou dois beijinhos, ou, como diz a sabedoria popular, "três para casar". Já no Japão, as pessoas só se beijam quando ambos querem sexo.

8. Beijar não é um gesto afetuoso com o qual as pessoas se acostumaram ao logo do tempo, mas fruto do instinto. O mesmo vale para orangotangos e outros primatas. Gansos também demonstram afeto ao encostarem os bicos, e elefantes, ao colocarem a tromba uns na boca dos outros.

9. Quando beijamos, mais de 100 bilhões de células nervosas são estimuladas. Hormônios da felicidade e adrenalina percorrem nosso corpo e fazem nosso coração bater mais rápido. A pressão sanguínea e a temperatura corporal sobem.

10. Durante um beijo, trocamos com nosso parceiro 60 miligramas de água, 0,5 miligramas de proteína, 0,15 miligramas de secreção, 0,4 miligramas de sal e até 22 mil bactérias. Fonte: Deutsche Welle - Data 06.07.2016

sábado, 29 de julho de 2017

EUA começam a responsabilizar traficantes pelas mortes por overdose

O traficante conhecido como EZ estacionou diante do ponto de seu fornecedor em Staten Island, voltou-se ao freguês ao seu lado e, segundo promotores, lhe disse em tom de quem se gaba que eles estavam prestes a comprar a heroína mais potente do mercado. Tão forte que um saquinho usado pouco tempo antes pelo pai de um amigo dele havia matado o homem.

"Não é tudo ótimo", disse o traficante, cujo nome real é Stephen Cummings, aludindo à potência da heroína "batizada" com fentanil.

O freguês era um policial à paisana que trabalhava com a promotoria pública do condado de Richmond para tentar prender um grupo de traficantes em atividade na costa norte da ilha. O policial usava microfone escondido, e a conversa entre ele e o traficante gravada em 3 de janeiro, falando da morte por overdose de Richard P. Zeifert, virou a prova número um usada no indiciamento de um suspeito traficante de Nova York que é alvo de várias acusações criminais, incluindo homicídio, o que é raro no caso de traficantes.

Enquanto a heroína e seu "primo" sintético, o fentanil, levam cada vez mais vítimas ao necrotério, os promotores estão se aventurando em território legal nunca antes navegado, como fizeram na década de 1970, para combater o flagelo.

As acusações criminais de homicídio doloso agravado e homicídio por negligência criminal registradas contra Cummings seguem os moldes de estratégias semelhantes empregadas recentemente por promotores no interior de Nova York e em Long Island. E também emulam uma ação movida há três anos pela promotora especial de narcóticos de Nova York Bridget G. Brennan, contra um médico especialista em controle da dor, Stan Xuhui Li, sentenciado a mais de dez anos de prisão.

Condenar um médico por provocar a morte por negligência de seus pacientes vai muito além de provar que um traficante de drogas fez o mesmo com um freguês, mas reflete a mesma abordagem, em que promotores combinam as leis atuais com novas ferramentas investigativas para combater a maré crescente de mortes ligadas a opiáceos. O promotor público do condado de Richmond, Michael E. McMahon, já aplicou essa tática em mais de 240 casos de overdose.

"Não estamos vencendo esta guerra", disse Brennan. "Precisamos fazer mais."

Os casos são difíceis de processar. Os promotores precisam vincular as provas médicas relativas às drogas consumidas a uma overdose fatal, algo que exige uma dissecação cuidadosa dos resultados dos exames de toxicologia. E precisam apresentar provas de que o traficante tinha conhecimento dos riscos associados às drogas mas as vendeu assim mesmo, algo que, segundo advogados de defesa, contraria o objetivo dos traficantes, que é angariar mais fregueses, e não matá-los.

Pesando essas táticas, os júris precisam levar em conta questões espinhosas, diferenciando entre dependentes químicos e predadores nas fileiras dos traficantes e decidindo se um traficante deve ser responsabilizado pela morte de uma pessoa que ingeriu drogas sabidamente perigosas.
Fonte: Folha de Sao Paulo - 26/07/2017