terça-feira, 11 de setembro de 2018

Lula entrega a Haddad a missão de levar o PT ao segundo turno

Depois de esticar a decisão oficial até o último momento possível, o Partido dos Trabalhadores (PT) confirmou nesta terça-feira o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad como seu candidato à Presidência da República. Haddad assume o lugar do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cabeça da chapa petista, com a tarefa de levar o partido ao segundo turno e de mostrar aos eleitores que é o verdadeiro herdeiro político do ex-metalúrgico, preso há cinco meses condenado em Curitiba condenado por corrupção e lavagem de dinheiro e, por isso, impedido de concorrer com base na Lei da Ficha Limpa. A troca ocorre no último dia do prazo dado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para que o partido indique o substituto de Lula, cuja inelegibilidade foi declarada em 1º de setembro.

A unção de Haddad como candidato presidencial ocorreu em uma reunião da Executiva nacional do PT na capital paranaense. "Levamos a candidatura de Lula até o limite possível", afirmou ao EL PAÍS um membro da Executiva do PT. A decisão oficial do partido foi anunciada na porta da Polícia Federal em Curitiba. Um dos fundadores do PT, o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, leu uma carta escrita por Lula, em que o ex-presidente afirmou que teve que tomar uma decisão no limite imposto pela Justiça. "Eu sei que um dia a verdadeira Justiça será feita e será reconhecida minha inocência. E nesse dia eu estarei junto com o Haddad para fazer o Governo do povo e da esperança. Nós todos estaremos lá, juntos, para fazer o Brasil feliz de novo", disse ele, na carta. "Fernando Haddad será Lula para milhões de Brasileiros", complementou. "Até a vitória."

Oficialmente, a campanha do ex-prefeito paulista dará a largada oficial na quarta, com uma reunião da coordenação da candidatura em São Paulo. Haddad terá como vice Manuela D'Ávila, do PCdoB, a principal sigla aliada na coligação. A operação de substituição do maior líder petista pelo ex-ministro da Educação vem sendo conduzida diretamente da sala do prédio da Polícia Federal onde o ex-presidente está detido. Nesta segunda-feira, Haddad esteve por duas ocasiões com Lula e cancelou sua participação num ato político em São Paulo que estava previsto para a noite. Dormiu em Curitiba e, na manhã desta terça-feira, se encontrou de novo com o ex-presidente. Deixou a prisão com a carta, posteriormente projetada em um telão da reunião da Executiva.

A decisão coloca um fim no imbróglio da candidatura petista, que nos últimos dias focou em tentar suspender a decisão da Justiça Eleitoral que declarou o ex-presidente inelegível ou em tentar, ao menos, adiar o prazo limite da sucessão. Os advogados do petista usavam como base para os pedidos a decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU para que o Brasil garanta os direitos políticos de Lula até o trânsito em julgado de sua sentença.

Mas, como era previsto pelo próprio partido, não houve sucesso. Com isso, o PT foi obrigado a desencadear a sucessão, sob pena de descumprir uma decisão da Justiça, o que abriria a brecha para que toda a chapa presidencial fosse questionada e, eventualmente, cassada.

A demora em indicar o nome petista viável para concorrer as eleições dividiu o partido. A ala de Haddad esperava que isso ocorresse antes, mas havia resistência de outra parte da sigla, especialmente ligada à presidenta da sigla Gleisi Hoffmann que acreditava que era preciso insistir no nome de Lula, para mostrar que o ex-presidente não havia sido abandonado — eles também avaliavam que, assim, a transferência de votos poderia acontecer mais facilmente.

A demora também desagradou parte dos aliados. Um integrante da cúpula do PCdoB criticou a demora na definição.. "Minha avaliação, que é compartilhada por muitos no partido, é de que essa demora foi um erro grave", afirmou. Ainda de acordo com ele, essa indefinição em uma eleição de "tiro curto", devido ao pouco tempo de campanha, ajuda a "pulverizar os votos de Lula entre candidatos do campo da esquerda", disse, citando Ciro Gomes. Mesmo a melhora no desempenho do ex-prefeito na última pesquisa Datafolha não foi vista como um resultado "ótimo": "Temos pouquíssimo tempo para crescer, perdemos um tempo precioso". El País - Curitiba 12 SET 2018 

sábado, 8 de setembro de 2018

Para 16 milhões de americanos, leite achocolatado vem de vacas marrons

Não, as vacas marrons não produzem leite achocolatado Não, as vacas marrons não produzem leite achocolatado  Um estudo realizado pelo Innovation Center for U.S. Dairy, organização que reúne produtores de laticínios nos Estados Unidos, revelou que 7% dos americanos adultos acreditam que o leite achocolatado é produzido por vacas marrons. O percentual parece pequeno, mas em números absolutos são cerca de 16,4 milhões de pessoas desinformadas. Além disso, 48% dos entrevistados não fazem ideia de onde vem o leite achocolatado.

A pesquisa faz parte de uma campanha de informação sobre o consumo do leite. O trabalho foi publicado no início do mês no site "Food&Wine", mas ganhou repercussão apenas nesta sexta-feira, quando foi divulgado pelo “Washington Post”, um dos maiores jornais daquele país. As entrevistas foram realizadas pela Edelman Intelligence entre os dias 5 e 9 de maio deste ano, com mil adultos de todos os 50 estados americanos, por meio de questionários on-line, informou  Lisa McComb, responsável pela comunicação do Innovation Center for U.S. Dairy.

Os resultados trazem outros dados interessantes;
■ 63% dos entrevistados que disseram preferir ficar em casa e comer cookies com leite numa sexta-feira do que sair,
■  cada quatro americanos iria a uma loja de conveniência antes das 6h apenas para comprar leite.
■ 9 em cada dez americanos consomem leite diariamente, e
■ 43% começam o dia com alguma bebida com leite.

DESINFORMAÇÃO
Mas o dado que mais chama atenção é realmente a desinformação de uma parcela da população. Tanto que a organização criou uma página em seu site especialmente para dizer que se trata de um “mito”.
 “Na verdade, o leite achocolatado, ou qualquer leite com sabor, é o leite branco da vaca com aditivos e adoçantes”, explica a organização.
A matéria publicada pelo “Washington Post” chama atenção para outros dados que revelam a falta de informação básica dos americanos em relação aos produtos agropecuários. Eles não sabem onde o alimento é cultivado, nem como ele chega aos mercados. Um estudo do Departamento da Agricultura realizado na década de 1990 descobriu que um em cada cinco adultos não sabia que os hambúrgueres são feitos de carne.

— No fim, trata-se de uma questão de exposição — disse Cecily Upton, cofundadora da ONG FoodCorps, que oferece educação alimentar em escolas primárias. — Agora, nós estamos condicionados a pensar que se você precisa de comida, você vai ao mercado. Nada no nosso sistema educacional ensina às crianças de onde vem a comida até aquele ponto. Fonte: Extra - 16/06/17  

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

A chegada da geração Z

Dentro de um ano, a geração Z representará 32% da população mundial. Geração Z, você sabe, é aquela a que eu e provavelmente você não pertencemos: a das pessoas nascidas no século 21, ou seja, a partir de 2001. São os garotos que logo estarão entrando na maioridade e dirigindo instituições, empresas e, talvez, nossas vidas.

A geração Z é diferente de todas que existiram. Quando nasceu, o mundo já era digital e ela não conheceu outro. É um mundo que cabe inteirinho num treco composto de um teclado e de uma tela de três polegadas —o resto é mera paisagem, incluindo pai, mãe, cachorro, professora e time de futebol. A geração Z sabe que existe um mundo circundante, porque a comida lhe aparece na mesa em horas certas e nunca lhe faltam tênis, bonés e mochilas. Mas o que faz esse mundo funcionar, se é que funciona, não é da conta dela.

E aí é que está o problema. Para uma geração que, dentro de alguns anos, poderá estar no poder, seu conhecimento do mundo físico é mínimo. Seu dia a dia não comporta livros, discos, filmes, jornais, revistas ou mesmo brinquedos materiais —tudo lhe vem da nuvem. É um mundo quase abstrato. O que se passa hoje no noticiário —guerras, ataques terroristas, dramas humanos, eleições— só lhe dirá respeito se forem assuntos de um game. Para ela, a história não existe. Nunca houve passado. 
Só que, por algum tempo, a geração Z não estará sozinha. Terá de dividir o mundo com a chamada geração milênio, que nasceu entre 1981 e 2000 e compõe hoje 31,5% da humanidade. Esta sabe melhor das coisas, porque conheceu o mundo ainda primitivo, sem celulares e computadores, e viveu a transição para o digital.  

Mas, em breve, a geração Z olhará para a do milênio assim como a minha, de 1900 e preto e branco, olhava para os mais velhos quando eles falavam de sapatos com galochas e carros a gasogênio —com carinhosa superioridade.Fonte: Folha de São Paulo - 3.set.2018 - Ruy Castro

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

The Cranberries

The Cranberries é uma banda de rock formada em Limerick, Irlanda, em 1989, embora amplamente associado com o rock alternativo, o som da banda também incorpora indie pop, post-punk, folk e elementos de dream pop.
A banda ganhou fama internacional nos anos 90. Foi uma das bandas de rock mais bem sucedidas dos anos 90,  vendeu 60 milhões de cópias somente nos Estados Unidos e mais de 180 milhões de álbuns em todo o mundo.

Em 15 de Janeiro de 2018 a vocalista da banda, Dolores O'Riordan faleceu em Londres, onde se encontrava para uma sessão de gravação Fonte: Wkipédia




Pink Floyd

Pink Floyd foi uma banda britânica de rock, formada em Londres em 1965, que atingiu sucesso internacional com sua música psicodélica e progressiva. Seu trabalho foi marcado pelo uso de letras filosóficas, experimentações musicais, encartes de álbuns inovadores e shows elaborados.  É um dos grupos de rock mais influentes e comercialmente bem-sucedidos da história. Em 2013, a banda somava mais de 250 milhões de álbuns vendidos em todo mundo. Fonte: Wikipédia


  


quarta-feira, 5 de setembro de 2018

O êxodo venezuelano

Até 2001, a Venezuela ostentava o título de país mais rico da América Latina e era um polo receptor de imigrantes que fugiam de países vizinhos em crise.

Num drástico desvio de rota, sob o comando do chavismo, hoje agrupa todos os ingredientes que são o prenúncio para um desfecho catastrófico: hiperinflação de 1.000.000%, desabastecimento, perseguição de opositores e um êxodo de 2,3 milhões de pessoas, apenas para citar alguns.

O que já é considerado o maior deslocamento da América Latina acendeu o alarme nos vizinhos. A fuga desenfreada de venezuelanos ganhou contornos xenófobos, com medidas arbitrárias do outro lado da fronteira com Brasil, Equador, Colômbia e Peru.

Esta conjunção deixa claro por que a Venezuela perdeu o posto de destino de imigrantes na América Latina e despeja diariamente levas de cidadãos para fora de suas fronteiras. É difícil vislumbrar que o cenário se reverta a médio prazo. E a rejeição dos vizinhos aos venezuelanos que fogem, deixando-os no limbo, só agravará a crise. Fonte: G1-21/08/2018

sábado, 1 de setembro de 2018

Brasil e a automação de empresas

País é só o 39º entre 44 que mais usam a robótica; especialistas veem perda de competitividade

Depois que um profissional da fábrica da Unilever em Aguaí (SP) coloca um conjunto de 93 latas vazias na esteira, ninguém mais precisa encostar nelas para que caixas de desodorantes cheios e tampados das marcas Dove e Rexona deixem a empresa.

Trabalham ali empilhadeiras autônomas, que levam caixas com insumos e itens prontos de um lado para o outro, máquinas que sozinhas enchem as garrafas e as tampam em fração de segundo e braços robóticos que fazem o encaixotamento dos itens.
Há também um robô que, de duas em duas horas, pega itens prontos e verifica características como peso e diâmetro.

As máquinas registram tudo o que fazem e geram gráficos para que os operadores acompanhem o processo.
Equipadas com sensores, elas se comunicam. Ninguém precisa avisar que faltam latinhas na esteira. O sistema faz solicitações de mais suprimentos por conta própria.

Braços humanos não são usados nem para abastecer o caminhão que leva os itens para o centro de distribuição da empresa. Caixas com o produto final são empilhadas sobre uma esteira posicionada na frente do veículo e descarregam o conteúdo ali dentro.
Ricardo Gomes, diretor da fábrica, diz que ela foi desenvolvida buscando o que há de mais atual em termos de sustentabilidade e tecnologia. Com três anos, é a unidade mais nova da companhia no Brasil. A Unilever tem dez complexos fabris no país.

Segundo ele, a automação torna a produção mais eficiente, aumentando a qualidade e reduzindo o desperdício. Em algumas semanas, até o abastecimento da esteira com latas será feito por máquinas.

Gomes nega que a adoção de automação diminua o número de trabalhadores. Segundo o executivo, ela permite que eles deixem atividades repetitivas e desconfortáveis e passem a se dedicar a buscar melhorias para a produção ou atuar em outras áreas.

"Temos de desmistificar a ideia de que a automação impacta a participação de pessoas. Quando a usamos, precisamos do ser humano, mas em áreas estratégicas."  A companhia não informa qual o número de profissionais na unidade de Aguaí.

Apesar de a robótica estar em crescimento no Brasil, exemplos como o da multinacional ainda são raros no país.

Segundo dados da IFR (Federação Internacional de Robótica, na sigla em inglês);
■  o Brasil tem dez robôs a cada 10 mil trabalhadores.
■ A média global é de 74.
■ O Brasil fica na 39ª posição em um ranking de 44 países que mais usam a tecnologia.
■ A liderança é da Coreia do Sul, com 631 robôs por 10 mil trabalhadores, seguida por Singapura (488) e Alemanha (309).

COMPETITIVIDADE DAS EMPRESAS BRASILEIRAS
O atraso ameaça a competitividade das empresas brasileiras, segundo Fernando Madani, coordenador do curso de engenharia de controle e automação do Instituto Mauá de Tecnologia.
"Existe o medo da perda de empregos que a automação traria. Mas, se não formos mais eficientes, vamos perder todos os empregos", diz.

MÃO DE OBRA ESPECIALIZADA
Segundo Madani, um desafio para empresas que querem adotar robótica é ter mão de obra especializada para dar manutenção aos sistemas, especialmente no caso de pequenas e médias companhias.
"Um robô não é mais tão caro, é possível comprar muitos deles pelo preço de um carro premium, de R$ 300 mil."

Empresas que fornecem robôs no Brasil, as estrangeiras ABB e Kuka e a nacional Pollux dizem que, apesar da presença baixa deles no país, a demanda vem em alta.
"Na crise, os grandes investimentos em linhas automotivas [em que robôs são mais adotados] foram menores, mas outros setores estão investindo mais", afirma Daniel Diniz, gerente de marketing e vendas da ABB.

Edouard Mekhalian, diretor-geral da Kuka para o Brasil, diz que a demanda por robôs cresce cerca de 15% ao ano.
Segundo ele, entre os fatores que dificultam o avanço da robótica no Brasil;
■ mercado historicamente mais fechado (o que diminuiria a busca por competitividade),
■ as incertezas com relação à política e à economia (que afastam investimentos) e
■ um mercado consumidor que não é acessado por toda a população.

José Rizzo, presidente da Pollux, afirma que o avanço do uso de robôs na década ficou abaixo de sua expectativa. Ele diz que acreditava que, com o barateamento da tecnologia e o aumento do custo da mão de obra, haveria um crescimento forte a partir de 2014. Porém, como resultado da elevação do desemprego, o interesse por eles não foi o esperado.

ALUGUEL DE ROBÔS
Como os clientes não estavam dispostos a fazer investimentos, a companhia passou a oferecer robôs como serviço, alugando os equipamentos e ficando responsável por sua programação e manutenção. Desde 2017, em vez de o cliente ter de investir R$ 400 mil em um projeto com robô, ele passa a ter a opção de pagar R$ 8.000 mensais para usar a tecnologia.
"Dificilmente iríamos acelerar a adoção no modelo antigo. Agora, de cada dez robôs instalados, oito são nesse modelo."
Apesar de a iniciativa ter dado bons resultados, ele diz que a situação do país é preocupante: "Se não mudarmos nossa realidade, nem em cem anos tiraremos o atraso".
Fonte: Folha de São Paulo - 7.ago.2018

Comentário:
As mudanças na forma como trabalhamos e produzimos nossas riquezas são irreversíveis. Nossa economia mudou e a sociedade deve passar por tempos complicados por causa disso. Não existe uma fórmula pronta para resolvermos essa equação, pois o momento ainda é novo. A tecnologia certamente já alterou a forma como muitos empregos funcionam, chegando a eliminar algumas funções, mas medidas efetivas precisam ser tomadas por nossos governantes. A questão social afeta toda a população e infelizmente não vejo uma ação real sendo executada. É preciso tomar uma atitude agora para ao menos amenizar as preocupantes consequências dessa eliminação em massa de empregos. Fonte: Martin Ford (autor do livro “Rise of the Robots”)