quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Os Petralhas e tráfico de influência

bligo-Petralhas.jpgMinistra Erenice Guerra deixa o governo

Porta-voz leu carta de demissão da ministra no Palácio do Planalto. Filho da ministra é acusado de tráfico de influência na Casa Civil

O porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, anunciou oficialmente nesta quinta-feira (16) a demissão de Erenice Guerra da Casa Civil.

O substituto interino é o atual secretário-executivo da Casa Civil, Carlos Eduardo Esteves Lima. De acordo com o Planalto, deve ser nomeado na próxima semana o novo ocupante do cargo.

No Palácio do Planalto, o porta-voz leu a carta de demissão "em caráter irrevogável" redigida por Erenice. Ela classificou como "levianas" as denúncias contra ela e disse "necessitar de paz" para se defender.

Na carta de demissão, Erenice voltou a dizer que as acusações contra ela têm motivação eleitoral. “Por ter formação cristã, não desejo nem para o pior dos meus inimigos que ele venha a passar por uma campanha de desqualificação como a que se desencadeou contra mim e minha família. As paixões eleitorais não podem justificar esse vale-tudo”, disse. Na última terça-feira (7), ela divulgou nota em que atribui as denúncias a um “candidato aético e derrotado”.

A decisão de substituir Erenice foi tomada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após uma reunião com a ministra nesta quinta.

Segundo reportagem da revista “Veja”, Israel Guerra, filho da ministra, teria intermediado contratos de uma empresa de transporte aéreo MTA com os Correios mediante pagamento de propina.

Nesta quinta (16), reportagem do jornal “Folha de S.Paulo” diz que Israel também pediu uma comissão para obter no Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) empréstimo para uma empresa energética. De acordo com a publicação, os donos da companhia se reuniram com Erenice em novembro do ano passado.

Desde que as denúncias começaram a aparecer na imprensa, no último sábado (11), Erenice se defendeu por meio de notas à imprensa.

Ela negou as acusações e pediu, na terça-feira (13), que o Ministério da Justiça e a Controladoria-Geral da União investigassem os contratos firmados com suposta participação de Israel Guerra. No mesmo dia, Lula reuniu ministros do governo para pedir explicações públicas sobre as acusações.

O ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, anunciou abertura de inquérito pela Polícia Federal para verificar se houve tráfico de influência nas operações da empresa aérea e os Correios, mas excluiu a ministra das investigações.

Na ocasião, o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, alegou que Erenice não “está diretamente ligada aos fatos”. Os Correios divulgaram nota confirmando que mantém contratos com a MTA, mas alegou que os negócios era legais e firmados após processo de licitação. A empresa de transporte aéreo negou que tenha relações “contratuais ou negociais” com Erenice e Israel Guerra.

Atuação no ministério

Antes de assumir como ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra ocupava o cargo de secretária-executiva do ministério. A atuação ao lado da então ministra Dilma Rousseff vinha desde o Ministério de Minas e Energia.

Como secretária-executiva da Casa Civil, Erenice foi envolvida no escândalo da quebra de sigilo da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, mas não teve participação comprovada.

Logo após assumir o cargo deixado por Dilma Rousseff, Erenice foi peça importante na negociação prévia e no lançamento do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), em maio deste ano. O plano colocou a estatal Telebras como "espinha dorsal" da banda larga no Brasil.

Durante o período de Erenice no cargo ocorreram as enchentes nos estados de Alagoas e Pernambuco. A Casa Civil coordenou o envio de fundos para atender às vítimas das enchentes.

A ministra-chefe tocou a contratação de empresas para construir a hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu (PA). Também durante sua passagem pelo cargo, Erenice participou da tramitação do processo de capitalização da Petrobras referente à área do pré-sal.

Mais recentemente, ela participou da criação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado), lançado nesta quarta (15) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Erenice cancelou de última hora a presença na cerimônia de lançamento do plano.

Fonte: Gazeta do Povo - 16/09/2010 

Comentário: O PT quando estava na oposição dizia que era  uma partido que não admitia conchavos, corruptos,etc. Criticava os demais partidos como partidos fisiologistas. No poder transformou-se num partido fisiologista. Oito anos de poder, oito anos de corrupção. A ministra diretamente ou indiretamente emprega no governo,  filhos, parentes, como se fosse um jogo de dominó, interligados com a finalidade financeira, propina, comissão, etc. Ela acha natural, como os demais políticos fazem do governo a extensão de sua casa familiar. Tudo gira em família. É máfia política na acepção da palavra, infiltra-se em qualquer setor do governo com a única finalidade de usurpação do erário nacional. Agarra-se ao poder e até coloca colete de salva-vidas, para não afundar. A ética pública não existe, não sabe o que é servir a Nação. Esse é o retrato do PT. Vazamento de informações confidenciais na Receita Federal, Presidente do Banco do Brasil aplica ou melhor guarda 80 mil dólares em casa, pois a aplicação deve ser muito melhor do que aplicar em fundos de investimentos, e assim, a família do PT governa o país. Eles fazem um autêntico butim da Nação.


Lembra os irmãos Metralhas que tentavam roubar a caixa-forte do tio Patinhas. Aqui, ao contrário, eles conseguem e não necessitam de máscaras. E o Lula fazendo jus a fama da Lula, o molusco,  que pode expelir tinta e afugentar os seus predadores, ele sai  incólume da corrupção.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Governo de Cuba cortará meio milhão de empregos públicos




Mais de meio milhão de servidores públicos de Cuba perderão seus empregos nos próximos meses, ao mesmo tempo em que é anunciada uma transformação radical nos modelos salariais e de trabalho para atenuar a grave situação econômica. A mudança, que há semanas corria como um rumor pela ilha, se tornou pública nesta segunda-feira em um comunicado divulgado pela CTC (Central de Trabalhadores de Cuba), que aprovou a medida para "manter o controle sistemático do andamento do processo".

O comunicado informa sobre a "redução de mais de 500 mil postos de trabalho no setor estadual e, paralelamente, o aumento no setor privado", e detalha que este processo será realizado durante o próximo ano, mais precisamente "até o primeiro trimestre de 2011".

Alguns órgãos do Partido Comunista de Cuba -- único no país -- já foram instruídos para que expliquem aos trabalhadores o que está por vir, enquanto outros já orientaram os funcionários a elaborarem "listas" de pessoas mais ou menos necessárias.

O economista Juan Triana, pesquisador do Centro de Estudos da Economia Cubana, reconheceu que a medida de abrir mão de meio milhão de funcionários é difícil em um país onde a força de trabalho é de três milhões, mas lembrou que já existe meio milhão de trabalhadores no setor privado.

"As contas do Estado já estão saturadas e é muito duro para qualquer governo, mas já não existe mais remédio", disse Triana, além de acrescentar que a absorção desses desempregados deverá ficar a cargo de "pequenas empresas, cooperativas e empresas familiares, pois não acho que Cuba possa inventar nada novo".

O comunicado da CTC não garante uma nova função aos desempregados, mas sugere um "horizonte de opções com novos tipos de empregos não estatais como arrendamento, usufruto, cooperativas e o trabalho por conta própria para onde se deslocarão milhares de trabalhadores nos próximos anos".




CONTROLE
Em Cuba existem centenas de atividades e de negócios que fogem ao controle público, seja em transporte, alimentação, turismo ou quase todos os tipos de serviço, como pode ser comprovado por qualquer visitante "convidado" em plena rua a comprar vários tipos de produtos.
Mas se todas essas atividades não são legalizadas é pela enorme burocracia exigida da iniciativa privada, como lembra o economista dissidente Óscar Espinosa Chepe, que acredita que os problemas poderiam ser resolvidos através do desenvolvimento de um modelo tributário mais eficaz.
Paradoxalmente, o discurso de Chepe e de outros economistas contrários ao regime parece cada vez mais com o do próprio governo: o comunicado da CTC reconhece hoje que há "mudanças necessárias e inadiáveis a serem introduzidas na economia e na sociedade para transformar e tornar mais eficiente o atual processo de trabalho".
Foi o presidente Raúl Castro que insistiu na necessidade de introduzir mudanças e enxugar o governo inchado, o que acabou sendo feito em excesso com mais de um milhão de pessoas.

A foto mostra o modelo de sapataria estatal, tem mais trabalhadores  (6)  do que clientes. É o ócio do trabalho.

O presidente, em discurso realizado no dia 1º de agosto, quis tranqüilizar a sociedade: "Ninguém ficará abandonado a sua própria sorte" porque "o Estado Socialista oferecerá o apoio necessário para uma vida digna".

Na semana passada, o ex-ditador cubano, Fidel Castro, surpreendeu o mundo ao declarar a uma revista americana que o modelo cubano não funciona mais nem para Cuba, e embora tenha explicado dois dias que não se referia ao sistema capitalista, muitos em Havana acham que não havia outra interpretação.

Pelo que foi analisado, Fidel --considerado o "ideólogo" frente ao pragmático Raúl Castro-- dava um respaldo a seu irmão nesta nova readaptação do socialismo cubano cuja última atualização passa por dolorosos eufemismos tão frequentes em outros lugares como os "ajustes de emprego". Fonte: Folha.com - 13/09/2010 

Comentário:
A realidade econômica chegou  aos cubanos, passaram quase 50 anos, a maioria ganhando salário do Estado sem trabalhar e agora  terão de procurar emprego ou montar um negócio.
Um sindicalista americano que visitou a antiga URSS, disse o que mais agradou na visita foi a possibilidade de não fazer nada e receber um salário por isto.
O governo cubano planeja ajudar os demitidos para encontrar  trabalho  no setor privado e bem como criar ocupações nas seguintes atividades; criação de coelhos,  pintor,  fabricação e tijolos, coleta de lixo e pilotagem de balsas ao redor da ilha. Quem nunca trabalhou será muito difícil adaptar-se a essa nova situação, tem de trabalhar. A característica do socialismo é o ócio.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Revival:Electric Light Orchestra- ELO

Electric Light Orchestra foi uma banda de rock britânica dos anos 70 e 80. Depois de várias mudanças na formação, o grupo alcançou sucesso no final dos anos 70 com com disk music.

Elo-Roll Over Beethoven



The Beatles - Roll Over Beethoven



Lo que cuesta comer en Cuba

No hay nada tan complejo y estresante en Cuba como alimentarse. "Es terrible. Poner tres platos diarios de comida a la mesa se lleva de un zarpazo el 90% de los ingresos en mi hogar", argumenta Caridad, una pediatra de 39 años.

Una mujer compra calabazas en las calles cubanas.

"Imagínate mi caso, señala Orlando, un obrero de la construcción de 46 años. Tengo cuatro hijos, esposa y mi madre enferma. No recibo dinero del extranjero y no me pagan un centavo en divisas. ¿Sabes cómo logro que mi familia cene arroz, frijoles y a veces carne de cerdo? Robando, así de simple".

En la Isla casi todo es difícil. Pero lo de la alimentación linda con la locura. Les pongo un ejemplo. Un matrimonio de profesionales con dos hijos y un salario común de 1000 pesos (45 dólares) sólo les alcanza para comer 14 días. El resto del mes, a 'inventar'.

Ahora saquemos la calculadora. Juan, 26 años, empleado de un taller, vive con sus padres jubilados, que entre los dos ganan 377 pesos (15 dólares). Cuando cobra sus 496 pesos (21 dólares) pasa por un agromercado y compra 5 libras de carne de cerdo a 23 pesos (cerca de un dólar) cada libra. Ahí se le van 115 pesos.

Luego se dirige a la tarima de frutas y vegetales. Un aguacate le sale por 10 pesos (medio dólar), tres mangos verdes y no muy grandes los consigue por 22 pesos. Dos libras de guayaba a 10 pesos la libra y 8 plátanos de freír a 3 pesos cada uno.

Compra un poco de ajo y cebolla por 25 pesos. Cinco jabas de nailon a peso: de un tiempo acá en las tiendas y bodegas cubanas no hay bolsas para depositar los productos. Y puede alardear de ser un tipo con suerte, pues no siempre en los mercados se encuentra lo que uno busca.

Cuando llega a su casa y saca cuentas, mueve la cabeza con disgusto. Ha gastado 211 pesos para comer tres días un poco mejor. Y todavía falta por adquirir arroz, huevos, aceite y puré de tomate.

Si a esta compra se suman los alimentos de la canasta básica subsidiada por el Gobierno, cada mes otorgada per cápita a la población (7 libras de arroz, 3 libras de azúcar y 2 de azúcar negro, 20 onzas de frijoles, unas pocas onzas de café y un panecillo diario de 80 gramos), la familia de Juan puede alimentarse la mitad del mes.

Hace tiempo, sus padres sustituyeron el almuerzo por un pan con un trozo de guayaba de barra o una fritura de harina sazonada con cebollinos. Desayunan una tacita de café, cuando tienen. A su hijo no le pueden pedir más: gasta todo su salario en alimentos.

Y más también. En su taller, Juan suele robar lo que se ponga a tiro. Bombillos, pintura, tornillos, alcohol... Cualquier cosa. Ese dinero extra también lo invierte en 'jama' (comida).

Cuando los fines de semana sale con su novia, sólo tienen a su favor el amor que sienten. Siempre andan si un centavo en los bolsillos. A duras penas van el cine y luego al muro cubano de las lamentaciones: el Malecón habanero.

La distinta visión de Raúl y de Fidel

Y como Juan, Rolando o Caridad, vive alrededor del 40% de la población que no recibe remesas del exterior. Decenas de veces, el general Raúl Castro ha reconocido que los frijoles son más importantes que los cañones. Ha dicho incluso que la alimentación es un asunto de seguridad nacional.

A su hermano Fidel esa cuestión parece no interesarle. Con su complejo de líder planetario, lo que le importa son los temas internacionales. Él no padece esos problemas mundanos.

Según contó en su blog el periodista americano Jeffrey Goldberg, que recientemente lo entrevistó, durante el almuerzo, Castro hizo una dieta mediterránea: pescado, ensalada, pan con aceite de oliva y vino. No ha dejado de ser un buen gourmet.

Si alguien en Cuba tiene categoría de héroes, en este caso heroínas, ésas son las amas de casas. Llevan décadas 'inventando' para alimentar a los suyos. Con poco para cocinar, tienen la creatividad del más laureado chef. Lo de ellas es que su familia no se acueste a dormir con el estómago vacío.

Es como el milagro de los panes y los peces. Se merecen un obelisco en la Plaza de la Revolución.

Fuente: El Mundo - martes 14/09/2010

Comentario: Ese es el retrato del socialismo llevado al extremo en las necesidades básicas de la población, no hay alimentos.. Alimentarse es un sueño.  Es el modelo político de algunos países latinos, sobre todo los bolivarianos. Es el socialismo científico, de laboratorio, siempre en investigación en tubos de ensayo. Siempre pone duda en el modelo para perfeccionamiento; Mañana quien sabe, estamos mejorando, los enemigos están sabotando los planos, así por delante, etc.
Antiguamente los rusos bebían vodka para matar el hambre, hoy, la vodka tiene como compañera comida en hartura, en el modelo capitalista. Pobre del Marx.

domingo, 12 de setembro de 2010

A nova turma do Ronald McDonald


Ciclovias - O poder da bicicleta em Bogotá

O flerte de Bogotá com uma cidade pós-automóvel está sendo estudado – e copiado – por planejadores urbanos de todo o mundo. Aos domingos das 7h às 14h, mais de 110 quilômetros de ruas são abertos apenas para bicicletas como parte do programa Ciclovia. As ruas livres de carros são complementadas com ofertas culturais, como aulas de rumba e aeróbica e ambulantes vendendo sucos frescos e lanches. Fonte: UOL Viagem - 10/09/2010 - 20h30




A sobrevivência da utopia socialista

 "Ouvi dizer que na América do Sul ainda existem comunistas,  o que eu acho um charme! Como se nada tivesse acontecido” (Doris Lessing, 82 anos, no livro “The Sweetest Dream”).

Em seu último livro, “A Grande Parada”, Jean-François Revel, membro da Academia Francesa, jornalista e escritor, estudou o escândalo da sobrevivência da utopia socialista após a queda do Muro de Berlim, comprovando que uma ideologia pode implodir no domínio dos fatos, mas persistir nas mentes e no domínio dos espíritos. É preciso tempo para que essas imposturas desapareçam.

Como escreveu o sociólogo José Arthur Rios, na apresentação do livro, “a utopia é, assim, permanentemente adiada. Nunca se realizou; mas amanhã, quem sabe (...) com um pouco mais de boa vontade, mais algumas voltas no parafuso, mas alguns milhares de vozes silenciadas, de presos recolhidos a masmorras. De opositores executados – e já chegamos lá”.

O texto abaixo é um pequeno resumo, adaptado, de um dos capítulos de “A Grande Parada”. Destina-se às novas gerações que não acompanharam o apogeu e o derradeiro espasmo da “doutrina científica”, uma aberração criminosa derrubada não por seus opositores, mas pelos povos que viveram sob ela, nas ruas, sem armas.


Resumo

Atualmente, a reabilitação do marxismo-leninismo está em alta. Ela prolifera em livros e artigos que nos aconselham – essa não é a palavra correta, e sim que nos intimam - a voltar ao “verdadeiro Marx”. Ou seja, ao século passado. A legião de combatentes marxistas redobrou em ferocidade exatamente a partir do ano em que a História acabava de destruir seu objeto de adoração, passando, então, a novamente arrastar a bola de ferro da utopia socialista.

Livres da importuna realidade, à qual passaram a negar qualquer valor de prova, os leais seguidores recuperaram sua intransigência. Sentiram-se finalmente livres para novamente passar a santificar um socialismo devolvido à sua condição primitiva: a utopia. O socialismo praticado dava margem a críticas. A utopia, ao contrário, é por definição inatingível. O comunismo, como utopia, não tem obrigação de apresentar resultados. Sua única função é permitir aos seus adeptos a condenação do que existe em nome daquilo que não existe. Eles querem ser julgados pelo que disseram, quando na oposição, e não pelo que fizeram, quando governo. O exemplo mais recente dessa assertiva é o atual governo do Partido dos Trabalhadores.

O socialismo democrático, a grande utopia das últimas gerações, é irrealizável. O próprio esforço para realizá-lo produz algo tão inteiramente diverso que poucos dos que ainda o desejam estão preparados para aceitar suas conseqüências.

Nos artigos da imprensa ocidental do início da década de 90 proliferavam duas noções que apareciam com grande assiduidade. A primeira é que seria necessário, de uma vez por todas, colocar uma pedra sobre o comunismo e tudo aquilo que a ele se relacionasse. A segunda era que a solução liberal surgia, então, após o desastre marxista, não como o melhor caminho, mas como o único possível.

Ao final da década de 90, no entanto, a virada foi vertiginosa. Essas duas noções voltaram a ser espezinhadas quase universalmente. Tendo sido abandonado na prática, o comunismo passou a ser cada vez menos condenado. E o liberalismo, sendo quase mundialmente condenado, é cada vez mais praticado, especialmente pela esquerda marxista, uma espécie de museu de história natural do pensamento científico mumificado. A defesa póstuma do comunismo tem, como complemento, a colocação do liberalismo no banco dos réus. Uma vez que reabilitar o comunismo seria uma tarefa muito difícil, quase impossível, decidiu-se, então, defendê-lo indiretamente, mostrando que seu oposto, o liberalismo, seria ainda pior.

Na verdade, na Europa, assim como na América Latina, a certeza de pertencer à esquerda repousa sobre um critério bem simples, de fácil entendimento para qualquer deficiente mental: ser, em qualquer circunstância aconteça o que acontecer, venha o que vier, anti-americano e condenar o “imperialismo ianque”.
Na França, por exemplo, o anti-americanismo chegou às raias do delírio, na década de 1990-2000, quando os franceses descobriram que os EUA haviam emergido da Guerra-Fria como uma superpotência isolada.
Sob o impacto do naufrágio, foram admitidos, se bem que a contragosto, a falência e até mesmo os crimes do comunismo. Depois de vários adiamentos, era chegada a hora do juízo final para o comunismo como doutrina. Tudo o mais era arqueologia.

Assim, o comunismo havia produzido nada mais do que a miséria, injustiças e massacres. Não por conta de traições fortuitas ou má sorte, mas pela própria lógica de suas verdades mais profundas. Essa foi a revelação de 1990. Mais do que o socialismo real, a História condenou a própria idéia do comunismo. Não podendo apoiar-se em fatos, ele se reduziu a uma crença supersticiosa de que, em alguma galáxia longínqua, encontraríamos uma sociedade perfeita, próspera, justa, feliz e, evidentemente, comunista.

Os socialistas, embora confessando de tempos em tempos, em suas manobras táticas, os maus resultados e as atrocidades do comunismo, rechaçam categoricamente a noção de que esses “inconvenientes” representassem a essência do socialismo. Essa permanece intacta, imaculada e destinada a uma nova e próxima encarnação.

O comunismo não pode ser condenado pelos seus atos, por mais reacionários. Reacionárias são as pessoas que o julgam pelos seus atos. Pois não são os atos que devem servir de critério e sim as intenções. Como o comunismo, no fundo, não pertence a este mundo, o seu fracasso, aqui embaixo, é culpa do mundo e não do conceito comunista. A partir dessa lógica, os que o recusam, alegando o que ele fez, são motivados, na verdade, por um secreto ódio contra o que precisava ser feito: alcançar a justiça universal. O anti-comunismo é, portanto, condenável, por mais negativo que seja o balanço do comunismo.

Os homens e mulheres que durante os últimos 150 anos tentaram empregar sua inteligência a serviço da Verdade, “caluniando” e buscando estabelecer um relato preciso da impostura comunista, são muito menos generosos que aqueles que serviram ao comunismo, mesmo à custa de vidas inteiras passadas na mentira e na imbecilidade.

Qualquer pessoa que tenha aberto os olhos com lucidez sobre o comunismo, tal como ele era realmente, ou tal como sua queda o revelou, essa pessoa estaria ou ainda está abraçando uma crença egoísta e mesquinha. Tal atitude foi e continua sendo, ainda hoje “de direita”, reacionária, pois esse hipócrita estaria escondendo sua aversão não pelo comunismo em si, mas pela sociedade justa que o comunismo iria criar.

A partir desse complexo amontoado de argúcias, torna-se possível dar o passo seguinte, alegando que os mais infelizes, aqueles pelos quais se deve ter compaixão, nesse período onde se extinguiu “a grande luz a Leste”, não são as vítimas passadas e presentes do comunismo, mas seus antigos adeptos, hoje cruelmente postos à prova por sua morte.

Esse passo foi dado por Danièle Sallenave em seu artigo “Fim do Comunismo: o Inverno das Almas”, no qual ela confessa que o comunismo era “uma tirania odiosa e um modelo econômico nefasto”. Mas, ao mesmo tempo, era o único sistema que poderia nos salvar do “aprisionamento pelo consumo”, do liberalismo desenfreado, do império do dinheiro, da dominação e do desprezo.

Com suas lágrimas, em seu artigo que pode ser comparado a um salmo, ela tenta apagar um século e meio de História no qual o socialismo teve inúmeras oportunidades de demonstrar seu valor.
O remédio comunista transformou em ruínas as sociedades que foram obrigadas a tomá-lo. Ele subjugou, imbecilizou e matou homens e mulheres, destruiu a cultura, mas continua sendo o único remédio. E o liberalismo continua sendo a pior doença, da qual estamos impedidos para sempre de nos curar devido à queda do comunismo.

Assim sendo, o postulado básico permanece inalterado. Embora o comunismo tenha contribuído para agravar as injustiças, ser contra ele é ser contra a justiça, pois o perigo maior continua sendo o capitalismo.
Nesse sentido, toda tentativa de avaliar serenamente o passado do comunismo, embora ele continue a ser um elemento político do presente, toda obra consagrada ao pós-comunismo, às sociedades gravemente mutiladas por décadas de escravidão totalitária, todo balanço, toda pesquisa, passaram a ser considerados “nostalgia da guerra-fria” disfarçada de curiosidade científica. Por que remexer nessas velharias?

Assim, em diversos países, inclusive no Brasil, Chile, Argentina, e mais recentemente no Uruguai, no momento em que o comunismo acabou de ser desmantelado e quando o horror do seu passado surgiu definitivamente com todas as cores, são os que constitucionalmente o combateram, impedindo que suas Pátrias fossem transformadas em democracias populares, que estão no banco dos réus. Afinal de contas, eles não se enganaram? Por que esses obcecados haviam qualificado o comunismo como irreversível? Ora, ele não desapareceu? Isso comprova que eles estavam errados!

Deve ser dito que a longevidade do comunismo foi uma anomalia, que dependeu da excelência de seu sistema repressivo associado à complacência paradoxal das democracias que, por diversas vezes, socorreram sua economia e aquiesceram à sua diplomacia.

No mais, é importante que fique claro que o que marcou a falência do comunismo não foi a queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, mas a construção desse Muro, em 1961. Ele foi a prova de que o “socialismo real” havia atingido um tal ponto de decomposição que se viu obrigado a aprisionar seus cidadãos para impedi-los de fugir.

Uma das razões pela qual se deve continuar lutando contra a ocultação da natureza intrinsecamente totalitária e criminosa dessa cultura totalitária é que, embora ela tenha recuado consideravelmente desde a derrocada da União Soviética, continua sendo uma esperança para os inimigos da liberdade, sempre ávidos por instalar um regime de opressão em nome de uma suposta defesa dos oprimidos.

Finalmente, deve ser assinalado que depois do desmoronamento no Leste Europeu e na União Soviética, o comunismo em vez de definhar cresceu de forma assustadora e não assumiu nenhuma responsabilidade pelas conseqüências negativas que causou ao mundo desde a Revolução Bolchevique. Segundo a interpretação comunista, como já assinalou mais de uma vez o filósofo Olavo de Carvalho: o futuro explicará o passado, pois a doutrina científica não tem qualquer compromisso com o passado e empurra o presente com a barriga, uma vez que não é um movimento político e sim uma cultura, um movimento cultural e espiritual. Fonte: Carlos I.S. Azambuja - Sábado, 03 de Outubro de

Comentário: O  sociólogo José Arthur Rios, definiu bem , “a utopia é, assim, permanentemente adiada. Nunca se realizou; mas amanhã, quem sabe (...) com um pouco mais de boa vontade, mais algumas voltas no parafuso, mas alguns milhares de vozes silenciadas, de presos recolhidos a masmorras. De opositores executados – e já chegamos lá”. Assim Guevara, Allende, Bolívar, Marx, Trotsky, Fidel, etc ficam nas mentes insanas, que algum dia eles voltarão. É o messianismo.