Apesar do comercial é sobre bebida, mas ele é de uma beleza
plástica mostrando o que o ser humano está fazendo com mar. O mar está virando
um aterro sanitário. Merecia ser uma propaganda do Meio Ambiente
quinta-feira, 25 de março de 2010
quarta-feira, 24 de março de 2010
Hospital de Campanha da Marinha do Brasil no Chile
A Marinha do Brasil iniciou atendimentos médicos
em seu Hospital de Campanha (HCamp), no último dia 6, para prestar apoio às
vítimas do terremoto no Chile. O número de atendimentos alcançou, no dia 15 de
março, a marca de 4.166 atendimentos, distribuídos da seguinte forma: consultas
(2233); procedimentos (1346); exames laboratoriais (253); e exames de imagem
(334).
De acordo com o Capitão-de-Fragata (Médico)
Araújo, responsável pelo Hcamp, a maior dificuldade encontrada no Chile é o
frio intenso. “O HCamp já entrou na rotina, continuamos a receber pacientes de
alta complexidade e o frio é o nosso maior inimigo”. Devido ao frio, a
preocupação dos médicos passa a ser os casos de infecção respiratória. “Estamos
preocupados com o aumento dos casos de infecção respiratória, a temperatura
está caindo dia-a-dia e vamos nos preparar para uma pré-triagem”, afirma o
Capitão-de-Fragata Araújo.
O Oficial destaca, ainda, que foi prontificado
um plano de evacuação do Hcamp, em que foram realizados alguns exercícios para
fixar as rotas de fuga, em caso de um novo tremor. “Além disso, no sábado,
tivemos um apagão de 3h e o comportamento da tripulação foi ótimo”,
complementa.
O efetivo da Marinha do Brasil empregado na
operação é de 102 militares, sendo 48 da área de saúde e 54 para o apoio,
incluindo o destacamento de segurança constituído por Fuzileiros Navais. Fonte: Marinha do Brasil – 18/03/2010
domingo, 14 de março de 2010
Coisas de cachorro
Sábado, 13 de fevereiro, estava no
estacionamento do supermercado colocando as compras no carro e tinha um carro
ao lado. Uma mulher chegou com suas compras abriu o carro, começou a conversar
com alguém no carro. Iniciou um monólogo; Minha filhinha demorei? Está
preocupada? Pensei, puxa deixou a filha pequena no carro. Continuei a colocar
as compras no carro. Ela abaixou e pegou algo entre os braços e começou a
embalar, como era noite, só notei quando virei e vi que era um cachorro.Ela
abraçou afetuosamente o cachorro e colocou no chão e foi passear com ele. Na
maioria das vezes o ser humano não tem uma relação de amizade ou de amor tão
franca como esse episodio. O cachorro está virando gente? Ou é um
terapeuta do casal?
No prédio onde eu moro, conversar com o zelador
você sabe das coisas da comunidade do condomínio. No condomínio
você encontra com seu vizinho ou outros moradores apenas no elevador. No
elevador o ser humano perde seu espaço territorial fica olhando para o chão
ou fica circunspeto ou falando no celular. Voltando no caso dos
cachorros, o zelador disse-me um casal do prédio separou-se e a briga da
partilha era o cachorro. Outro caso, o marido disse para a mulher: Ou eu ou os
cachorros? Obviamente a mulher preferiu os cachorros (quatro cachorros).
Pelo jeito o ser humano atual tem dois amigos fiéis o celular e o
cachorro. Continuando a conversa com o zelador, hoje o zelador e as câmeras
existentes no prédio, é o big brother, sabe de tudo, no prédio tem casal que
sai de madrugada para passear com cachorros. Pensei se fosse com o filho
pequeno chorando o casal disputaria par ou impar quem seria a vez para embalar
a criança
Hoje em dia o cachorro de madame, ou melhor, do
casal tem tudo, plano de saúde, hotelzinho, encontros amorosos com
pedigree, piscina, etc.
Lia no jornal recentemente uma madame
entrou na justiça pedindo dano moral, pois deixou a sua cachorrinha
num hotelzinho e algum safado cachorrinho traçou a sua cachorrinha. Ela
alegou que a sua cachorrinha ficou com trauma e ganhou indenização. Imagina se
fosse com seu filho ou filha, como deixou acontecer? Não usou camisinha ou
pílula? Quem vai cuidar da criança? É um drama familiar. Desconheço alguma ação
por dano moral por descuido de gravidez? Cachorro é gente.
Outro dia passeando próxima a minha casa, na
minha frente à direita um maltrapilho ou sem teto e mais a frente o seu
cachorro. No meu lado à esquerda na minha frente, duas garotas. Chegando
próximo ao maltrapilho, as duas garotas conversando, comentam, vamos passar
rápido, que coisa horrível esse maltrapilho. Eu acompanhando esse diálogo, mais
a frente, as duas garotas passam ao lado do cachorro, comentam, coitadinho,
deve estar passando fome. São coisas de cachorro?
Em São Paulo tem supermercado para animais
monstruoso, tem de tudo. Por causa disso o cachorro cosmopolitano, com
teto de luxo, tem obesidade, diabetes, depressão, etc. Está virando gente. Tem
até psicólogo para cachorro. Tem até moda para cachorro. Até vestido para
as núpcias. Estava esquecendo dos passeadores de cachorros, os dog‑walkers.
E as redes sociais dos cachorros são mais
eficientes do que as redes sociais virtuais humanas. As amizades são
verdadeiras. Se você tem um cachorro, você tem a porta aberta para novas
amizades. Os cachorros estão virando gente. Tem os cachorros famosos dos
presidentes, Bush, Obama, etc.
Em São Paulo estima 7 humanos para cada
cachorro, que equivale a população de cães com proprietários seja de cerca 1,5
milhão. É uma cidade canina. Só está faltando uma pizzaria ou churrascaria para
cachorro. Quem habilita?
Vídeo: Rock da Cachorra - Eduardo Dusek
Troque seu cachorro por uma criança pobre
(Baptuba, uap baptuba)
Sem parente, sem carinho, sem ramo, sem cobre
(Baptuba, uap baptuba)
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro (uauuu)
Troque seu cachorro por uma criança pobre
Tem muita gente por aí que está querendo levar
uma vida de cão
Eu conheço um garotinho que queria ter nascido
pastor-alemão
Esse é o rock de despedida pra minha cachorrinha
chamada "sua-mãe"
É pra Sua-mãe (é pra Sua-mãe)
É pra Sua-mãe (é pra Sua-mãe)
É pra Sua-mãe (é pra Sua-mãe)
É pra Sua-mãe
Esse é o rock de despedida pra cachorra
"Sua-mãe)
Seja mais humano, seja menos canino
Dê güarita pro cachorro, mas também dê pro
menino
Se não um dia desse você vai amanhecer latindo,
uau, uau, uau
Troque seu cachorro por uma criança pobre
(Baptuba, uap baptuba)
Sem parente, sem carinho, sem ramo, sem cobre
(Baptuba, uap baptuba)
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre
Troque seu cachorro por uma criança pobre
(Baptuba, uap baptuba)
Sem parente, sem carinho, sem ramo, sem cobre
(Baptuba, uap baptuba)
Deixe na história de sua vida uma notícia nobre
sexta-feira, 12 de março de 2010
Chávez confia em 'Deus bolivariano' para chover
Venezuela sofre com racionamento de energia
desde o início do ano, o que afeta setor econômico do país
Racionamento de energia, instalação acelerada de
plantas térmicas e a "ajuda de Deus, porque Ele é bolivariano", são
as apostas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para superar a grave crise
de energia que ameaça a economia do país e pode prejudicar sua popularidade.
Chávez disse que tem fé que as chuvas chegarão e
o nível das represas voltará ao normal. As hidreléticas fornecem cerca de 70%
da energia elétrica venezuelana.
Chávez utiliza a classificação
"bolivariano" como selo político para identificar as obras de sua
revolução socialista, inspirada nos ideais de Simón Bolívar, herói da
independência latino-americana da dominação espanhola no século 19. Ele chegou
a mudar o nome do país para República Bolivariana da Venezuela.
Até agora, o plano do governo foi insuficiente para
reduzir a demanda energética, apesar das ameaças de cortes no fornecimento a
comércios e indústrias que não reduzirem seu consumo. O racionamento afeta
algumas regiões e dura até 14 horas por semana.
"Ofereço minhas desculpas a todas as
populações que estão sofrendo o racionamento elétrico. Mas o que venho dizendo
desde o início do ano, tinha que fazê-lo, é como quando mandam a gente fazer
dieta, (neste caso) uma dieta elétrica", afirmou em uma cerimônia
transmitida pela televisão estatal.
Além de afetar a economia venezuelana, que no
ano passado caiu em profunda recessão, a crise elétrica está prejudicando a
popularidade de Chávez meses antes de eleições legislativas, nas quais seus
aliados poderiam perder a ampla maioria que possuem na Assembleia Nacional.
Fonte:O Estado de São Paulo - quarta-feira, 10
de março de 2010
Comentário:
O professor Chavez preocupou-se tanto com a America
Bolivariana, esqueceu de seu país. Pelo jeito é mais fácil chover petróleo do
que água. Como ele está confiscando tudo, se ele pudesse confiscaria o céu, a
chuva por falta de abastecimento. Imagina a chuva bolivariana?
O ex-presidente de Honduras Manuel Zelaya foi nomeado principal
assessor político da Petrocaribe, um programa liderado pela Venezuela que envia
milhões de dólares por dia em petróleo para países mais pobres no Caribe e na
América Central, a preços subsidiados. O aluno Zelaya está estagiando na escola
bolivariana para saber onde ele errou?
quinta-feira, 11 de março de 2010
Lula e Bachelet
Lula
|
Bachelet
|
|
Popularidade
|
73%
|
80%
|
Politico
|
Esquerda sem
ideologia
|
Esquerda
ideológica
|
Populismo
|
carismático
|
Carismático
|
Governo
|
Aprovação
abaixo da popularidade
|
Aprovação
abaixo da popularidade
|
Influência na
reeleição
|
A candidata
tem potencial
|
Perdeu a
eleição
|
Interessante na America Latina o presidente e
governo são avaliados separadamente pela população. Se o presidente é
carismático sua popularidade é elevada, mesmo tendo um governo com falhas de
planejamento e execução. A figura do presidente na America Latina é o Salvador
da Pátria, pode ser centralizador, autoritário, mas sua imagem é dissociada
de seu governo pela ótica da população.
A presidente do Chile é carismática, envolve com
a população, que é incomum no Chile. Criou um novo padrão político, falar com o
povo sem a redoma de vidro. O novo presidente, Piñera segue o mesmo caminho.
Para a população latina esse contato corpo a corpo, mão a mão, percebe
que o presidente é feita de carne e osso, faz parte da população. Ela não
resolveu os grandes problemas sociais do país, continuando com as mesmas falhas
dos presidentes anteriores. O terremoto abriu a cortina desse abismo social, em
que o país gira em torno de Santiago. Em primeiro
lugar Santiago, depois, depois, o restante do país. No fim do mandato mostrou
fraqueza, que um líder não deve ter, demorou enviar os militares para as áreas
de desastres, para controlar saques e roubos.
Veja o exemplo do Lula é um hábil político, sabe
manipular a platéia conforme seu grau de instrução. É o tipo orador com
discurso de auto-ajuda. Ele transmite a empatia na acepção da palavra.
Nos EUA o presidente é o condutor da política de
aspiração da sociedade. Não há separação da figura do presidente e de sua
política. Ele é o responsável pela condução da política e reflete muito na sua
imagem o resultado de sua política.
Nos EUA a centralização do governo federal é
limitada, contribuindo para a desburocratização do Estado,
uma fiscalização maior da coisa pública, maior transparência , deve
prestar conta para própria sociedade civil organizada. Cada cidadão
americano é fiscalizado e ele pode também fiscalizar. Essa interação da
cidadania possibilita a maior participação da população na política e
principalmente na sua região (cidade, estado). Com esse tipo de
participação o cidadão americano tem maior noção de cidadania e direitos.
Na
América Latina por questão cultural e origem a democracia foi adaptada de uma
aristocracia, com todos os defeitos. A essência da aristocracia é autoritária,
centralizadora e com inúmeros privilégios. A democracia na América Latina foi
formada do topo da pirâmide para baixo. Isto quer dizer, um terço da casta
privilegiada (funcionários públicos, políticos, etc) é mantida
pelos dois terços da sociedade, O que significa na América Latina a democracia
é centralizadora, populesca e caudilhesca. Veja o exemplo de Santiago e Brasília,
são núcleos que os demais estados ou regiões giram em torno deles e eles são
potencialmente dependentes para o desenvolvimento das regiões, cidades,
comunidades. São os resquícios das respectivas colonizações espanhola e
portuguesa. É uma mistura de feudalismo com democracia.
No sistema feudalismo a hierarquia consistia:
Clero (padres, bispos, papa), Nobreza (reis, condes, senhores feudais, duques,
cavaleiros), hoje (presidente, congresso, funcionário público, Servos
(camponeses), hoje (sociedade). O sistema feudalismo era detentora de terras e
arrecadava impostos dos camponeses. Se analisarmos os significados de sesmarias
e capitanias hereditárias, ainda hoje, persistem com outro enfoque. A
democracia na América Latina é isso.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Tecnologite
Antes da era da internet a conexão era com os
livros. Navegávamos nos sonhos virtuais do pensamento. Ler significa atribuir,
é construir um significado para o texto lido. Uma leitura sem compreensão não é
leitura, é sem fundamento. Ler é compreender, e se isto não ocorre, a pessoa
está parando na etapa de decodificação do sinal gráfico. Para que uma leitura
seja eficiente, é preciso que haja interação entre o leitor e o texto lido.
Essa era conexão com o mundo. Era a conexão da palavra com o pensamento. Era o
mundo do conhecimento
Quem são os Baby Boomers eletrônicos? A geração
Baby Boomer são aquelas pessoas que nasceram na era da internet. É a geração
interessado na transmissão de informações. É geração que está com tudo mundo,
mas está com ninguém.
É a geração de jovem multitarefa, predomina o
audiovisual, ouve musica e consegue manter conversas em paralelo através
do sistema de mensagens instantâneas com várias pessoas. É o fast food
eletrônico. Tudo tem de ser instantâneo. A informação atropela o pensamento. O
livro físico é o atraso, pois o pensamento cadencia as conexões com palavras e
o livro virtual, isto é, na página virtual, você pode pular ou abrir
várias. Não há conexão com o pensamento. A informação predomina na fluidez das
palavras. Esse tipo de informação é o santo Graal, é o elixir da vida dessa
geração. É a geração on-line. É o radar humano ligado 32 horas.
Onde você olha alguém está conectado on-line
Alguém está falando no celular
Alguém está usando o computador
Alguém está navegando na internet
Ou fazendo tudo isso simultaneamente
É a rede social, a comunicação virtual está tão
próxima, torna-se a comunicação real tão distante. Tudo tem de ser rápido e
descartável. E a vida real está virando um pagina virtual É o crack
eletrônico. Parece um filme em 3D, que prevalece a interação e a fluidez da
palavra. A ação prevalece sobre o pensamento. Não há tempo para pensar. Esse
tipo de informação, parece um allien, um elemento estranho que penetra no corpo
humano, alimenta dele e o conduz. Estamos perdendo o senso crítico e a arte de
sonhar. Sonhar é como um novelo de lã, cheio de labirinto e surpresa. O sonho
da internet é instantâneo e linear. E o senso crítico é a busca do
questionamento, confronta motivos, busca descobrir a verdade. É o observador
crítico da sociedade.que exige pausa, raciocínio, que a informação eletrônica
não o permite.
Receita Médica para Tecnologite :
Indicações:
Para pessoas com tecnologia a flor da pele. Com
tendências a procurar on e off em tudo o que vê. Pessoas que sonham com botões
e quando acordam, se vêem mandando Mensagem SMS para algum ser da mesma
espécie. Para aqueles que tendem a procurar tela touch screen em tudo que
vê.(Flavio Pucci)
Na maioria das vezes resulta em uma condição
de falta de emoção típica de dirigir as relações interpessoais, em que
permanece em um ambiente protegido, como a de seu quarto.
Ela também pode causar transtorno Dependência da
internet caracterizada pela necessidade compulsiva de usar a Web, pela instabilidade
de humor e desconforto físico e mental, um sentimento irreal de onipotência e
ausência de limites espacial-temporal
Posologia: tomar uma dose por semana de
nostalgia, por exemplo, ler livros, conversar ou bater papo fisicamente.
Superdosagem: três vezes por semana. Não existe efeito colateral.
domingo, 7 de março de 2010
A decepcionante visita de Lula
Minha capacidade de indignação política
atenua-se um pouco nos meses do ano que passo na Europa. Suponho que a razão
disso seja o fato de que, lá, vivo em países democráticos nos quais,
independentemente dos problemas de que padecem, há uma ampla margem de
liberdade para a crítica, e a imprensa, os partidos, as instituições e os
indivíduos costumam protestar de maneira íntegra e com estardalhaço quando
ocorrem episódios ultrajantes e desprezíveis, principalmente no campo político.
Entretanto, na América Latina, onde costumo
passar de três a quatro meses ao ano, esta capacidade de indignação volta
sempre, com a fúria da minha juventude, e me faz viver sempre temeroso, alerta,
desassossegado, esperando (e perguntando-me de onde virá desta vez) o fato
execrável que, provavelmente, passará despercebido para a maioria, ou merecerá
o beneplácito ou a indiferença geral.
Na semana passada, experimentei mais uma vez
esta sensação de asco e de ira, ao ver o risonho presidente Lula do Brasil
abraçando carinhosamente Fidel e Raúl Castro, no mesmo momento em que os
esbirros da ditadura cubana perseguiam os dissidentes e os sepultavam nos
calabouços para impedir que assistissem ao enterro de Orlando Zapata Tamayo, o
pedreiro pacifista da oposição, de 42 anos, pertencente ao Grupo dos 75, que os
algozes castristas deixaram morrer de inanição - depois de submetê-lo em vida a
confinamento, torturas e condená-lo com pretextos a mais de 30 anos de cárcere
- depois de 85 dias de greve de fome.
Qualquer pessoa que não tenha perdido a decência
e tenha um mínimo de informação sobre o que acontece em Cuba espera do regime
castrista que aja como sempre fez. Há uma absoluta coerência entre a condição
de ditadura totalitária de Cuba e uma política terrorista de perseguição a toda
forma de dissidência e de crítica, a violação sistemática dos mais elementares
direitos humanos, de falsos processos para sepultar os opositores em prisões
imundas e submetê-los a vexames até enlouquecê-los, matá-los ou impeli-los ao
suicídio. Os irmãos Castro exercem há 51 anos esta política, e somente os
idiotas poderiam esperar deles um comportamento diferente.
DESCARAMENTO
Mas de Luiz Inácio Lula da Silva, governante
eleito em eleições legítimas, presidente constitucional de um país democrático
como o Brasil, seria de esperar, pelo menos, uma atitude um pouco mais digna e
coerente com a cultura democrática que teoricamente ele representa, e não o
descaramento indecente de exibir-se, risonho e cúmplice, com os assassinos
virtuais de um dissidente democrático, legitimando com sua presença e seu
proceder a caçada de opositores desencadeada pelo regime no mesmo instante em
que ele era fotografado abraçando os algozes de Zapata.
O presidente Lula sabia perfeitamente o que
estava fazendo. Antes de viajar para Cuba, 50 dissidentes lhe haviam pedido uma
audiência durante sua estadia em Havana para que intercedesse perante as
autoridades da ilha pela libertação dos presos políticos martirizados, como
Zapata, nos calabouços cubanos. Ele se negou a ambas as coisas.
Não os recebeu nem defendeu sua causa em suas
duas visitas anteriores à ilha, cujo regime liberticida sempre elogiou sem o
menor eufemismo.
Além disso, este comportamento do presidente
brasileiro caracterizou todo o seu mandato. Há anos que, em sua política
exterior, ele desmente de maneira sistemática sua política interna, na qual
respeita as regras do estado de direito, e, em matéria econômica, em vez das
receitas marxistas que propunha quando era sindicalista e candidato - dirigismo
econômico, estatizações, repúdio dos investimentos estrangeiros, etc. -,
promove uma economia de mercado e da livre iniciativa como qualquer estadista
social-democrata europeu.
Mas, quando se trata do exterior, o presidente
Lula se despe de suas vestimentas democráticas e abraça o comandante Chávez,
Evo Morales, o comandante Ortega, ou seja, com a escória da América Latina, e
não tem o menor escrúpulo em abrir as portas diplomáticas e econômicas do
Brasil aos sátrapas teocráticos integristas do Irã.
O que significa esta
duplicidade? Que Lula nunca mudou de verdade? Que é um simples mascarado, capaz
de todas as piruetas ideológicas, um político medíocre sem espinha dorsal
cívica e moral? Segundo alguns, os desígnios geopolíticos para o Brasil do
presidente Lula estão acima de questiúnculas como Cuba, ou a Coreia do Norte,
uma das ditaduras onde se cometem as piores violações dos direitos humanos e
onde há mais presos políticos.
O importante para ele são coisas mais
transcendentes como o Porto de Mariel, que o Brasil está financiando com US$
300 milhões, ou a próxima construção pela Petrobrás de uma fábrica de
lubrificantes em Havana. Diante de realizações deste porte, o que poderia
importar ao "estadista" brasileiro que um pedreiro cubano qualquer, e
ainda por cima negro e pobre, morresse de fome clamando por ninharias como a
liberdade? Na verdade, tudo isto significa, infelizmente, que Lula é um típico
mandatário "democrático" latino-americano.
Quase todos eles são do mesmo feitio, e quase
todos, uns mais, outros menos, embora - quando não têm mais remédio - praticam
a democracia no seio dos seus próprios países, mas, no exterior, não têm
nenhuma vergonha, como Lula, em cortejar ditadores e demagogos, porque acham,
coitados, que desta maneira os tapinhas amistosos lhes proporcionarão uma
credencial de "progressistas" que os livrará de greves, revoluções e de
campanhas internacionais acusando-os de violar os direitos humanos.
Como lembra o analista
peruano Fernando Rospigliosi, em um artigo admirável: "Enquanto Zapata
morria lentamente, os presidentes da América Latina - entre eles o algoz cubano
- reuniam-se no México para criar uma organização (mais uma!) regional. Nem uma
palavra saiu dali para exigir a liberdade ou um melhor tratamento para os mais
de 200 presos políticos cubanos." O único que se atreveu a protestar - um
justo entre os fariseus - foi o presidente eleito do Chile, Sebastián Piñera.
De modo que a cara de qualquer um destes chefes
de Estado poderia substituir a de Luiz Inácio Lula da Silva, abraçando os
irmãos Castro, na foto que me revoltou o estômago ao ver os jornais da manhã.
Estas caras não representam a liberdade, a
limpeza moral, o civismo, a legalidade e a coerência na América Latina. Estes
valores estão encarnadosem pessoas como Orlando Zapata Tamayo, nas Damas de Branco, Oswaldo
Payá, Elizardo Sánchez, a blogueira Yoani Sánchez, e em outros cubanos e
cubanas que, sem se deixarem intimidar pelas pressões, as agressões e
humilhações cotidianas de que são vítimas, continuam enfrentando a tirania
castrista. E se encarnam ainda, em primeiro lugar, nas centenas de prisioneiros
políticos e, sobretudo, no jornalista independente Guillermo Fariñas, que,
enquanto escrevo este artigo, há oito dias está em greve de fome em Cuba para
protestar pela morte de Zapata e exigir a libertação dos presos políticos.
O curioso e terrível
paradoxo é que no interior de um dos mais desumanos e cruéis regimes que o
continente conheceu se encontrem hoje os mais dignos e respeitáveis políticos
da América Latina.
Fonte: O Estado de São Paulo - Domingo, 07 de Março de
2010 - Mario Vargas Llosa
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