domingo, 22 de fevereiro de 2026

Igreja sagrada família atinge altura máxima após 144 anos

A Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, atingiu nesta sexta-feira a sua altura máxima prevista de 172,5 metros com a colocação da cruz no topo de sua torre central, 144 anos após o início da construção do edifício.

Com a ajuda de um grande guindaste, os operários concluíram a instalação da cruz na torre de Jesus Cristo, a mais alta das 18 torres da basílica projetada no século 19 pelo arquiteto Antoni Gaudí (1852-1926), o gênio espanhol do Modernismo. A cruz tem 17 metros de altura e 13,5 metros de largura.

Desde outubro do ano passado, quando atingiu 162,9 metros de altura, a Sagrada Família é a igreja mais alta do mundo, ultrapassando a igreja luterana Ulmer Münster, em Ulm, na Alemanha.

A aparência da Sagrada Família mudou consideravelmente nos últimos 15 anos, à medida que a construção progredia, com a conclusão das quatro torres dos Evangelistas, assim como da torre da Mãe de Deus.

CRUZ REVESTIDA DE VIDRO E CERÂMICA BRANCA VITRIFICADA

A peça instalada nesta sexta-feira é uma grande cruz com geometria de dupla torção, o mesmo método que Gaudí usou para as colunas da basílica. Ela é revestida de vidro e cerâmica branca vitrificada, para se assemelhar a um cristal, e nas extremidades dos braços horizontais haverá janelas de onde se poderá admirar a cidade.

O arquiteto responsável pela Sagrada Família, Jordi Faulí, disse que a torre foi criada precisamente com cerâmica e vidro para que parecesse "resplandecente".

Fabricada na Alemanha, a cruz chegou a Barcelona em quatorze peças maciças que foram pré-montadas na própria Sagrada Família, em uma plataforma de trabalho localizada a 54 metros acima da nave central. A cruz consiste em um braço inferior, quatro braços horizontais e um braço vertical – o único que ainda falta instala, Cada braço pesa aproximadamente doze toneladas.

"Hoje é um dia para celebrar e lembrar de todos aqueles que trabalharam para tornar esta torre uma realidade", disse o arquiteto.

Quando o trabalho de fixação da cruz estiver concluído, a Sagrada Família enfrentará a construção da terceira e última fachada do templo, a fachada da Glória, finalizando assim a obra-prima de Gaudí, cuja construção começou em 1882.

CONCLUSÃO AINDA SEM PRAZO DEFINIDO

A colocação da cruz marca um passo importante na criação do monumento mais visitado da Espanha, com 4,8 milhões de ingressos vendidos em 2024, cuja construção sofreu inúmeros contratempos desde que Gaudí assumiu o projeto.

Após o revés da pandemia de covid-19, que forçou o abandono dos planos de concluir o templo em 2026, a comissão de construção, uma fundação canônica privada, evita definir uma nova data definitiva para a conclusão, embora a expectativa seja de concluí-la em uma década.

Esses planos dependem de não haver mais contratempos que afetem o fluxo de visitantes, a principal fonte de financiamento das obras, e da resolução das divergências relativas à construção dos controversos acessos à fachada da Glória, a entrada principal que ainda precisa ser construída.

Segundo o projeto defendido pelos construtores, a fachada deverá ser precedida por uma grande escadaria e uma praça, cuja construção implicaria a demolição de vários edifícios residenciais, algo a que os moradores se opõem.

O conflito terá de ser mediado pela Câmara Municipal, que, em meio à crise habitacional da cidade, afirma que não haverá acordo que não garanta soluções habitacionais adequadas para os moradores. DW-sábado, 21 de fevereiro de 2026

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Pobreza avança na Alemanha e atinge 16% da população do país

 Estatísticas oficiais consideram como pobres quem tem renda inferior a 60% da renda média nacional. Em um ano, grupo aumentou em 200 mil, totalizando 13,3 milhões de pessoas. Alemães sofrem com alta do custo de vida.

O número de pessoas ameaçadas pela pobreza aumentou na Alemanha : passou de 13,1 milhões em 2024 para 13,3 milhões em 2025, o equivalente a 16,1% da população.

Os dados são do microcenso do Escritório Federal de Estatísticas (Destatis), que segue uma definição relativa da União Europeia: é considerado pobre aquele que tem renda inferior a 60% da renda média da população nacional.

Esse valor varia de acordo com a situação familiar de cada um. No caso dos solteiros, é considerado vulnerável à pobreza quem tem renda líquida de até 1.446 euros por mês (R$ 8.920). Para famílias compostas por dois adultos e dois menores com até 14 anos, esse limiar é de 3.036 euros (R$ 18.729).

RISCO É MAIOR ENTRE ESTRANGEIROS

Desempregados e pessoas que vivem sozinhas são os grupos mais afetados (64,9% e 30,9%, respectivamente), seguidos de mães ou pais solo (28,7%) e aposentados (19,1%).

O risco de pobreza também é significativamente maior entre estrangeiros, atingindo quase um terço deste grupo (32,5%). Já entre alemães, esse percentual é de 13,2%. Ainda assim, o percentual aumentou nos dois grupos em relação a 2024.

CUSTO DE VIDA AUMENTOU DESDE A GUERRA NA UCRÂNIA

Os alemães têm sofrido com uma alta acentuada no custo de vida, puxada principalmente pelos aluguéis e pela escalada geral de preços desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

"A pobreza não é só um número abstrato", declarou Katja Kipping, da Associação Paritária Nacional, que reúne entidades privadas dedicadas à promoção do bem-estar social no país. "Para os afetados, a pobreza significa crianças sem casaco de inverno, famílias que precisam economizar no aquecimento, pessoas que postergam uma visita ao dentista."

Michaela Engelmeier, da Associação Social Alemã, lembrou os debates internos recentes no governo sobre cortes na assistência social : "Em vez de discutir cortes, é preciso taxar grandes fortunas de forma justa e [garantir] uma seguridade social consistente ." Fonte:DW-terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Nenhum estado atinge 30% de jovens com matemática básica após pandemia

 O percentual de jovens que concluem o ensino médio até os 18 anos com aprendizado acima do básico em matemática diminuiu no Brasil entre 2019 e 2023, anos pré e pós-pandemia. A conclusão é do IIE (Índice de Inclusão Educacional).

No período, o indicador nacional caiu de 25,5% para 21,4% —uma redução de 4,1 pontos percentuais. Portanto, apenas dois a cada dez formados tinham o conhecimento esperado na disciplina.

O IIE foi desenvolvido pela organização Metas Sociais a pedido do Instituto Natura. Ele retrata a proporção de indivíduos a concluir a educação básica até a idade esperada e com desempenho minimamente adequado nos exames de proficiência.

Para isso, a ferramenta combina informações do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica), do Censo Escolar e da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua.

Para o Saeb, por exemplo, o patamar de conhecimento essencial em matemática corresponde a 300 pontos na escala de proficiência, que chega a 500. Abaixo disso, os estudantes demonstram dificuldade para resolver problemas com porcentagens, interpretar gráficos ou lidar com situações numéricas do cotidiano.

No cenário pós-pandemia, nenhum estado brasileiro conseguiu fazer ao menos 30% dos jovens atingirem esse nível de aprendizado na idade certa.

Segundo os dados do IIE, a piora chegou a todas as regiões do país, inclusive aquelas com os melhores resultados antes da emergência sanitária.

"Tivemos uma geração excluída do aprendizado em matemática", avalia David Saad, diretor-presidente do Instituto Natura e cocriador do IIE. "Esses jovens formados em 2023 foram muito impactados pela pandemia, claro, mas os dados indicam um problema maior."

Para ele, há um problema de metas e estrutura do ensino de matemática no país.

"O Brasil faz isso muito bem com alfabetização, por exemplo. Foi criado um programa e estabelecido aonde queremos chegar", diz. "Que política pública temos focada em matemática? É preciso um trabalho nessa direção", segue. Fonte: Folha de São Paulo - 2.fev.2026