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Um em cada 9 adolescentes usa cigarro eletrônico no Brasil


 Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) divulgada esta semana apontou que um em cada nove adolescentes brasileiros afirma que usa cigarro eletrônico. O estudo ouviu cerca de 16 mil pessoas de 14 anos ou mais, de todas as regiões do país. 

Segundo o levantamento, a quantidade de usuários jovens que usam cigarro eletrônico já é cinco vezes o total daqueles que fumam o cigarro tradicional. A pesquisa utilizou dados de 2022 a 2024 do Terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad 3). É a primeira vez que cigarros eletrônicos entram no levantamento.

Apesar de o produto ser proibido no Brasil, a coordenadora da pesquisa e professora de psiquiatria da Unifesp, Clarice Madruga, ressalta que é muito fácil comprar o aparelho pela internet, o que amplia o acesso.  

Outro problema, aponta a pesquisadora, é o risco à saúde, já que a inalação de substâncias altamente tóxicas, como a nicotina, é muito maior no cigarro eletrônico, se comparado ao cigarro tradicional. Clarice lamenta o retorno do crescimento do uso de cigarro, após o sucesso de políticas antitabagistas, iniciadas na década de 1990, que tinham freado o consumo. 

"A gente teve uma história gigantesca de sucesso de políticas que geraram uma queda vertiginosa no tabagismo, mas que um novo desafio quebrou completamente essa trajetória. E a gente hoje tem um índice de consumo, principalmente entre adolescentes, muito superior e que está totalmente invisível”, afirma.

Os participantes ouvidos no estudo receberam a opção de serem encaminhados para tratamento no Hospital São Paulo e no Centro de Atenção Integral em Saúde Mental da Unifesp. Fonte: Agencia Brasil - Publicado em 17/06/2025 

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Um a cada 20 brasileiros não sabe ler ou escrever, mostra IBGE

 O Brasil registrou, em 2024, 9,1 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler nem escrever —uma taxa de analfabetismo de 5,3%. Os dados são da Pnad Contínua Educação 2024, divulgada hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O QUE ACONTECEU

A taxa de analfabetismo caiu de 6,7%, em 2016, para 5,3%, em 2024, redução de 1,4 ponto percentual, segundo o IBGE.

O indicador mostra que o Brasil atendeu parcialmente à Meta 9 do PNE (Plano Nacional de Educação), em vigor até dezembro de 2025, no que diz respeito à redução da taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais para 6,5% até 2015. No entanto, não cumpriu a meta de erradicação total até 2024.

·        Maior parte dos analfabetos está na Região Nordeste (55,6% do total): 5,1 milhões de indivíduos.

·        O Sudeste aparece em seguida (22,5%), com 2,1 milhões de pessoas.

ANALFABETISMO NO BRASIL AINDA ESTÁ FORTEMENTE ASSOCIADO À IDADE.

Em 2024, 5,1 milhões de analfabetos tinham 60 anos ou mais, o que equivale a uma taxa de 14,9% nesse grupo. Entre os mais jovens, os percentuais diminuem progressivamente: 9,1% entre as pessoas com 40 anos ou mais, 6,3% entre aquelas com 25 anos ou mais, e 5,3% na população com 15 anos ou mais.

A DESIGUALDADE DE GÊNERO TAMBÉM APARECE NOS DADOS.

A taxa de analfabetismo entre mulheres de 15 anos ou mais foi de 5,0%, enquanto entre os homens foi de 5,6%. Entre os idosos, o percentual de mulheres analfabetas (15,0%) superou levemente o dos homens (14,7%). Para o instituto, "apesar da leve oscilação, essa diferença segue como uma das menores da série histórica, indicando uma tendência de equilíbrio entre os sexos".

A ANÁLISE POR COR OU RAÇA ESCANCARA DESIGUALDADES EDUCACIONAIS.

Entre as pessoas de 15 anos ou mais, 3,1% dos brancos eram analfabetos, enquanto a taxa foi de 6,9% entre pretos ou pardos. A disparidade é ainda mais acentuada entre os idosos: 21,8% das pessoas pretas ou pardas com 60 anos ou mais não sabiam ler nem escrever, frente a 8,1% dos brancos. Mesmo com uma queda de 0,9 p.p. entre os idosos pretos ou pardos em relação a 2023, "a taxa permanece quase três vezes superior à observada entre pessoas brancas da mesma faixa etária, evidenciando um legado estrutural de exclusão educacional", destaca o IBGE.

DESIGUALDADES NO NÍVEL DE ESCOLARIDADE

Segundo o IBGE, 56% da população com 25 anos ou mais havia concluído, no mínimo, o ensino médio.

·        "Destaca-se o percentual de pessoas com o ensino médio completo, que passou de 29,9%, em 2022, para 31,3%, em 2024", aponta a pesquisa.

·        Entre os que não completaram o ciclo básico, 5,5% não tinham instrução alguma.

·        Outros 26,2% tinham ensino fundamental incompleto, 7,4% haviam concluído o fundamental e 4,9% interromperam os estudos no médio.

A DESIGUALDADE POR GÊNERO PERMANECE.

Em 2024, 57,8% das mulheres com 25 anos ou mais haviam completado a educação básica obrigatória, contra 54,0% entre os homens. Os dois grupos apresentaram crescimento em relação ao ano anterior, o que revela "uma tendência positiva no acesso à escolarização".

DISPARIDADE ENTRE BRANCOS E PRETOS SE MANTÉM.

"63,4% das pessoas de cor branca haviam concluído o ciclo básico educacional, contra 50,0% das pessoas de cor preta ou parda, resultando em uma diferença de 13,4 p.p. entre esses grupos", aponta a pesquisa. O número é praticamente o mesmo de 2023, quando a diferença era de 13,5 pontos percentuais.

O número médio de anos de estudo da população com 25 anos ou mais foi de 10,1 em 2024, frente a 9,9 em 2023.

As mulheres seguem com maior escolaridade média (10,3 anos) do que os homens (9,9 anos). A diferença por raça ou cor também persiste: pessoas brancas alcançaram 11 anos de estudo, enquanto pretas ou pardas atingiram 9,4 anos. A desigualdade, embora ainda significativa, caiu em relação a 2023, quando era de 2 anos. Fonte: UOL, em São Paulo - 13/06/2025

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Bombas da Segunda Guerra fazem Alemanha evacuar 20 mil pessoas em Colônia

 Colônia sofreu uma das maiores evacuações de sua história após autoridades encontrarem três bombas americanas. Museus, hotéis, escolas e linhas de trem foram afetados.

Cerca de 20 mil pessoas tiveram que deixar suas casas na cidade alemã de Colônia, no estado da Renânia do Norte-Vestfália, para que autoridades pudessem desativar com segurança três bombas da Segunda Guerra Mundial, numa das maiores evacuações na história da cidade desde o fim do conflito, segundo a prefeitura.

A ordem de evacuação, válida a partir das 8h desta quarta-feira (04/06) para um raio de mil metros, afetou boa parte do centro antigo da cidade. A zona de exclusão incluiu o centro histórico de Colônia, 58 hotéis, várias escolas, um hospital, casas de repouso, creches, além de empresas e locais para eventos. Grande parte da administração da cidade também teve que ser evacuada, assim como os estúdios da emissora de TV alemã RTL.

As bombas, duas de uma tonelada e uma de meia tonelada, são de fabricação americana e foram encontradas na segunda-feira.

A ordem de evacuação foi removida no início da noite desta quarta-feira (horário local), após especialistas desarmarem os artefatos com sucesso.

EVACUAÇÕES POR CAUSA DE BOMBAS ANTIGAS NÃO SÃO RARAS

Pivô da Segunda Guerra Mundial, a Alemanha convive até hoje com a ameaça de bombas não detonadas daquele período. Há evacuações por causa disso todos os anos, sempre que operários escavam a terra para fazer alguma obra e descobrem algum explosivo adormecido sob o solo.

Isso é especialmente comum em Colônia, já que a cidade foi uma das mais bombardeadas no conflito.

Apenas na Renânia do Norte-Vestfália, mais de 1,6 mil bombas foram desarmadas no ano passado. Um dos motivos para o aumento significativo desses episódios é o maior número de construções, com a instalação de cabos de fibra ótica, reformas de pontes e reconstrução da malha rodoviária.

Regiões metropolitanas como a região do vale do Ruhr, Hamburgo e Berlim são particularmente afetadas. Essas áreas foram alvos de intensos bombardeiros das forças aliadas que também visavam infraestruturas civis.

Já em Brandemburgo, só em 2024, especialistas em desarmamento de bombas coletaram, entre outras coisas, 90 minas, 48 mil granadas, 500 bombas incendiárias, 450 bombas de alto poder explosivo com mais de cinco quilos e cerca de 330 mil cartuchos.

Colônia era considerada um alvo estratégico pelos aliados devido à quantidade de indústrias e linhas de trem, vitais para distribuição de bens e mercadorias. Em 1942, a Força Aérea britânica adotou uma nova diretriz, trocando os ataques de precisão por bombardeios maciços que afetassem "o moral da população inimiga", na descrição de historiadores.

Um marco dessa estratégia ocorreu em 31 de maio de 1942, quando 1.330 aviões despejaram mais de 1.500 toneladas de explosivos e bombas incendiárias sobre a cidade. O saldo foi de 1.700 incêndios, 480 mortos e 5.000 feridos. Um ano mais tarde, a Alemanha nazista de Adolf Hitler já perdia a soberania aérea do conflito.

No total da guerra, Colônia sofreu mais de 260 ataques aéreos, que mataram cerca de 20 mil pessoas. Fonte: DW - quarta-feira, 4 de junho de 2025